Marginal é um adjetivo da língua portuguesa que se refere à margem, ou parte lateral; que foi feito ou inserido ao lado, que se encontra ou vive às margens de rios ou de outros cursos d'água, que se situa nas bordas, feito à parte, que não aceita os valores predominantes da sociedade ou da maioria, que é produzido e comercializado com pequena margem de lucro, de importância secundária; de valor baixo, não essencial, ou ainda, de quem vive à margem da sociedade, desconsiderando a lei; delinquente, criminoso, fora da lei. Entretanto, é das margens, do curso marginal de suas águas, que um rio se abastece dos seus nutrientes e da riqueza que permite à sua água gerar e manter a vida.
Cem anos atrás, foi o olhar dos artistas da Semana de Arte Moderna para as margens da sociedade que permitiu ao país incorporar importantes expressões da cultura nacional e torná-lo mais colorido, mais diverso e, sobretudo, mais feliz, mesmo diante de tantas dificuldades em todos estes anos.
Hoje já não é mais possível imaginar o Brasil despido de sua música popular, da Tropicália, da poesia e também do funk, do rap e de todos os novos ritmos que, depositados às margens deste grande rio chamado Brasil, vão lhe enriquecendo as águas, vão lhe fazendo mais diversos os peixes, mais coloridos os botos e mais vistosas as árvores cujos troncos sustentam uma poderosa cultura popular que impressiona o mundo. São José do Barreiro, um dia, já esteve no centro do mundo. Hoje é dita "cidade morta", por vezes esquecida, nos contrafortes da Serra da Bocaina, às margens mais distantes do Vale do Paraíba.
Que a história nos ensine que acolher as margens é indispensável para mover o todo e que antes de olharmos para fora, para as distantes praias da ilusão, é preciso olharmos para dentro do nosso sonho. Que estes registros sirvam de prova que de morta esta cidade não tem nada, e que a vida aqui segue alegre e pulsante no talentoso coração dos nossos jovens e no brilhoso orgulho de sermos todos barreirenses!
- Trecho extraído e adaptado do discurso feito pelo amigo e mentor Dalton Antonio Branco Jr. na estreia da Marginália Caipira no Cine Theatro São José em 11 de março de 2022.
Criada originalmente como uma proposta de projeto com o intuito de reunir jovens talentos barreirenses para um evento multicultural de inauguração e reabertura do Cine Theatro de São José do Barreiro (SP), a banda foi tomando forma de maneira natural.
Após a primeira apresentação, novas oportunidades e convites surgiram para fortalecer e consolidar ainda mais a identidade Marginália Caipira. Com o Festival da Inconfidência, a necessidade de se criar um canal livre e que permitisse fazer um registro geral de toda a trajetória da banda até o momento e do que ainda está por vir, era evidente.
Independente do contexto, a missão é levar a Cultura Caipira e o Orgulho De Ser Barreirense misturados aos ritmos do sertão, às poesias da Bocaina, ao rap, ao funk e à música popular brasileira de maneira geral.
Dessa forma, o movimento sempre acolherá talentos locais que cheguem para somar com a certeza de que, juntos, todos tenham mais chances de se desenvolver como artistas, pessoas, caipiras, marginais e barreirenses.