Under the gaze of Ulysses –
Species, words and other landscapes
a TRAVEL NOTEBOOK by Manuel Valente Alves
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Arestas
“Quando chegou, o concerto já tinha começado e havia pouca gente na sala. Por causa do calor, pensou. Embora fosse ainda Primavera. Sintoma de estação eram aquelas azáleas espalhadas em arranjos que nem davam trabalho nem precisavam de jeito. Era a natureza que se encarregava de dispor as flores nos ramos. Havia as brancas mas as de cor ciclame é que perturbavam um pouco. Ocasiões houve, na sua vida, em que a cor ciclame lhe causara uma impressão lancinante, entre a suavidade do rosa e a agressão do vermelho declarado. Mas agora as arestas do mundo, como as suas, puídas, recuavam na sombra. E a falta de arestas, concluiu, resulta sempre na promiscuidade das faces. Era esta a geometria dos quarenta anos.” –– Maria de Fátima Borges, A Cor Ciclame e os Desertos (1989)
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