Eu já consigo ouvir nossa música sem chorar
Eu consigo perceber as coisas ruins além das boas
Procuro alguém que me faça sentir o desejo de ser tudo aquilo que eu nunca quis
Fato que hoje já consigo te fazer alguém comum
E já passei inúmeras vezes pela dor de ver e encarar que você é só mais um pra mim
Nos gestos poucos e nas palavras que sempre faltaram
Que existiram enquanto te convinha
Que soava alguém decidido ciente limpo
Sem mãos sujas de mentiras
Despido de importância de julgamentos e cheio dos motivos pra dizer que ficasse
E quando fiquei foi como se não valesse mais nada
Se nunca antes foi amado como por mim
Nunca mais será por tanto que fez e que faltou
Por tanta palavra que silenciou e cada pensamento ruim que me alimentou
Você se engrandece de opressão
De corpos traumatizados carentes apertados de soluço seco
São promessas vazias e cheias de inexistência
É muito sobre tudo o que você poderia ser
E nunca será por mediocridade
Tudo que você diz que é
E não é nem pela metade
Uma casa construída pra um sonho que desmoronou
Lembranças que aquecem
Conforto e calor
Assim como as que fazem chorar
Vícios que gravamos por todos os cantos da cidade
Eu prefiro ser a louca na sua vida
Do que ser a sonsa que só acreditou nas suas falsas verdades
Eu não tenho dom pra vítima
Eu não vou me colocar abaixo do seu sapato
Minha força vale uma vida de luta e de deixar que se retirem os incomodados
Eu te espero todos os dias
Pra me encontrar no portão
De todos os filhos que nunca terei, os seus seriam os mais amados
Não que se pudesse ter um favorito mas porque você foi o meu maior amor
Eu que nunca confiei em ninguém
Me entreguei pra você de olhos fechados e coração aberto
E ainda assim parecia que eu estava sempre te incomodando com a minha presença
Não teve despedida
Não teve o meu corpo se afastando do seu
Eu só não te vi mais de repente
Você se fez invisível
Se foi tudo real
Por que agora é “tanto faz”?
Eu te perdi nos caminhos que atravessei
Caminhos que nunca entendi nem soube entender
Eu nunca fui a melhor, a mais bonita nem a mais interessante
Mas por alguns momentos eu podia ser eu
E isso bastava
E isso era muito
Ou nunca foi?
Eu me apaixonei pela vida ao ver tudo pelos seus olhos
Os mesmos olhos que olharam o abismo várias e várias vezes
Que não desistiam de brilhar mesmo na escuridão nem por um momento
O quanto eu inventei da sua grandeza?
Perto demais de um destino de sonhos a se realizar
E longe demais de tudo que nos aproxima
Posta uma foto de família ou do trânsito da cidade pra eu saber que você tá bem
Eu jamais conseguiria fazer de você alguém comum, um qualquer um
Eu sinto sua falta em todos os minutos que passam
Eu te vejo em tudo
Você tá colado e impresso na minha digital
Na planta dos meus pés
Em cada fio de cabelo que eu não cortei
Volta e diz que nunca mais vai embora
Que tudo vai dar certo e que a gente vai conseguir ficar bem
Me manda mensagem
Mostra que nada foi em vão
Que se importa
Que a porta ainda está aberta
Que ainda tem uma fresta pro nosso amor florescer
Não me deixa viver na incerteza
Não me faz perder a cabeça
Pensando que não tem mais eu e você
Cada dia de silêncio me faz enxergar mais
As mentiras que eu contei pra mim
Pra que assim valesse a dor de cada vazio que você deixou
Me acostumar com a ausência me fez alguém que não precisa
Nem faz mais questão de você
Conscientemente
Mesmo que meu vício ainda seja te querer de volta
Com todas as concessões e todos os sacrifícios de nunca estar em segurança
Nunca ser a sua escolha
O seu abrigo
A sua aflição de estar e ficar
Não precisa fingir que um dia me amou
Nem que faria de tudo pra eu ficar
Se foi você quem lenta e drasticamente me empurrou pra fora da sua rotina
Quem todos os dias me mostrou que eu não era a mulher da sua vida
Quem te faria sonhar com dias melhores
E realizaria todos lado a lado
Eu não quero ser ignorada
E se o silêncio é nosso, eu prefiro ficar sozinha
Alívio em não ter seu bom dia
Pra que eu não me preocupe se alguém não se importa se vivo ou se morro
Pra que a distância não me doa quando a presença for pouca
Pra que o seu abismo não me afogue
E não que eu não saiba nadar em correntezas
Mas porque até o mar precisa de permissão divina pra ser invadido
Queria precisar não me expressar sobre tudo que eu sinto
Conseguir esconder tudo em um sorriso
E seguir meus dias com a alegria que eu tinha com você
Sem a sua presença, seu cheiro, sua voz
Tudo faz doer
Evito pensar no futuro e no que vai ser
Eu que já recorri a mandinga de amor
Não acredito em mais nada que valha tanta agonia
Pra tudo que deve vir por bem
Sem esforço extremo
Sem sacrifício duro
Não era eu a sua pessoa mesmo que você fosse a minha
Não é difícil me amar
E nem deveria parecer
Minha melhor versão você teve de graça
E eu precisei ver você definhar em queda livre
Experimentar cada dia mais a solidão de estar acompanhada
Por alguém que não quer seguir o mesmo caminho
Sua ausência me fez justificar hoje
Tudo o que não fazia sentido antes
Todas as negações, os compromissos, e até a falta deles
Não era falta de chão seguro pra pisar
Mas sim que você pisou sem olhar pra baixo
Desviando das pedras e tropeçando em várias
E deixando tudo abaixo virar pó
Eu que passei por chuvas e invernos terríveis sem me abater
Mesmo sendo filha do sol
Fazendo de todas as minhas escolhas você
Em todo lugar a todo tempo
Não foi culpa de ninguém os “eu te amo” não ditos
Também não é culpa sua eu preservar cada cheiro e cada gosto seu no meu corpo
Na minha memória
Na digital da minha pele
Eu te alimento diariamente no meu sim e no meu não
E por hoje escolho sentir
Amanhã já não sei o que me espera
Mas espero saber me acolher
Comemorar minhas conquistas mesmo que sozinha
Lutar com todas as minhas forças pra acreditar que amanhã vai ser melhor que hoje
E que eu vou ser amada até mais e melhor do que eu amo você
Eu tenho tanto pra te falar
Mas com palavras não sei dizer
Todas as coisas que fazem me ouvir
Todos os detalhes pra me entender
Se mesmo quando eu falar
Sem mesmo que nada a dizer
De fofocas a histórias profundas
De sonhos e coisas por fazer
De nada sobra entre a gente
Que faça o amor florescer
Pedaços grandes e pequenos
Que fizeram pouco de mim
Hoje não me reconheço e não faço mais parte de ti
Onde tudo foi parar?
As promessas, as risadas e até o caminhar?
Não sobrou nada
Nem vontade de lutar
Anos e sonhos no chão
Há mais tempo que performamos amor
Uma casa que não é mais lar
Um nós que se acabou
No dia a dia, no pouco a pouco
Nada que eu fizesse mudaria tudo de novo
Se depende de mim ser respeitada
Eis aqui a minha retirada
Se toda abertura é um voto de silêncio
Se estar ao meu lado é um peso
Se fingir é mais viável que sentir
Se dizer dói mais do que afastar
Se o interesse só existe quando é feito o que você espera
Quem eu fui?
Quem eu era?
Esperando por sinais e palavras que nunca foram ditas
Ansiando uma segurança conhecida
Tudo que eu queria era ficar
Tudo que você queria era esperar
A paz que nunca vem
As escolhas certas a fazer
O dia perfeito pra estar
O momento exato pra fazer
Em tudo, em todo lugar eu vejo você
Nas madrugadas na cama
Nas comidas deliciosas
Na falta do doce da vida
No abraço que carrega energias
No vinho que hoje vicia
Nas datas que agora vazias
No seu cheiro que ainda ficou do lado da minha cama
E nas memórias que ainda acendem a chama
De todo amor que eu senti, sinto e vou sentir
Que me carregue pra vida a inconformidade de mais um desconhecimento
Mais um ponto em que eu não me lembro
Onde tudo se perdeu
Onde parou de existir você e eu
Eu sei que mereço flores, bilhetes, mensagens e presentes que me lembrem como e quanto sou amada
Eu sei que mereço "bom dia", "boa noite", "te amo", "te vejo"
Eu sei que mereço respeito, carinho e atenção
Eu sei de tudo que me cabe e de onde eu não caibo mais
Eu sei quem me acolhe
Eu sei me acolher também
Hoje eu sei me cuidar
Hoje eu faço por mim
Eu não me destruo
E fazendo por mim, respeito seu desejo de não me ter mais
Eu sei que mereço todos os dias sentir meu coração pulsar em desejo de vida
Eu vou viver melhor por mim
Eu vou ir em busca do que eu sou
Do que quero ser
E principalmente do que já tem dentro de mim transbordando pra compartir
E sendo eu
Espero te encontrar melhor
Mais lá na frente
Onde os pés cansados descansem juntos
Onde a gente amasse o pão pro diabo juntos todos os dias no café da manhã pra que não seja a gente comendo ele hoje
Num espaço em que as conversas ainda durem uma noite inteira
E o desejo de estar junto seja maior que as complicações do dia a dia
Nesse espaço protegido por uma redoma em que eu e você existimos juntos
E por alguns instantes resistimos e florescemos
Que seu peito seja sua casa
Que sua alegria seja sua comida
Que sua saúde nunca te falte
Que as bençãos sejam maiores que o que couber na sua mão
Que a gente se encontre por aí
Cheio de um sentimento que diz sei lá o que
Mas que eu e você sabemos o que significa
Sentimento que acelera dilacera atropela
Sentinela
Incerteza que interpreta
Tudo o que não tem
O que não vê
O que não sente
Se eu soubesse o que vinha pela frente
Não sei se me jogava ou pulava fora
Medo de rasgar a aorta
Sentindo demais
A precisar de marca passo
Pra registrar cada passada sua na minha alma
Nua e crua
Sei o nome da sua rua
Talvez até mais que a de outras pessoas que já amei
O arco íris marca a aliança dos deuses com o eu
A água fervente do seu signo aquece o fogo do meu mapa
Sim, eu choro e você sabe a razão de cada lágrima:
A alegria de te viver me preenche
A oportunidade única e minuciosa de cada parte
Que compõe a sua disposição
Dormir e acordar do lado
Com mil roupas no chão
O clima frio me aquece no calor do seu corpo
Seu cabelo quase muito (sempre alto e bagunçado)
Seu gargalho muito pouco
Sua boca sempre na minha
A cada palavra que sai, que arde, que cai
Sua presença sempre certeira
Sempre me invade
Seu toque sempre atiçando
Todas as minhas barreiras
Tirando tudo que me cabe
Colocando limites novos em cada detalhe
Se os guias te chamam e dizem: é ela!
Meus guias me chamam e dizem: então case!
Desde o primeiro minuto em encaixe
Sons, cheiros, temporalidade
Destino escrito em letras pequenas
Pra caber melhor na oração
Presente, patuá de proteção
Futuro, muita água nesse chão
Eu já estive com Bahia felina
Cuidei de um rato morcego parecido com um hambúrguer com queijo
O shobee foi enterrado,
Assim como a Aninha e Jack Clooney
No quintal embaixo de uma mangueira
A jihll não pude ver crescer, tive que achar alguém melhor pra ela amar
Não vou me esquecer jamais da Branca e da Larissa
Mas meu coração permanece na Bahia
Hoje tenho Bic, maconha, connan mockasin, Jorge da capadócia sempre ao meu lado
E claro, não falei ainda do Mauro Lauro
Totonha, que veio salvar o mundo
Às vezes lembro da Margot, do Léo, e de tantos outros que nos acompanharam
Onde será que acabaram?
Um salve pra Rebequinha, Rogéria mandraka,
Irmão do Jorge
Antônio
Tim Maia!
Hoje eu acordei e a primeira coisa que vi foi a sua escova de dentes encostada na minha.
Logo cedo, uma recordação tão forte de você e dos dias que acordávamos juntos.
Hoje eu acordei disposta a esquecer você e até cheguei a ler um texto que dizia que as pessoas levam semanas pra superar um amor.
Essa é a primeira semana que me vi sem você, dentre todas as outras nesses duros quase 21 anos de existência em que não tive você ao meu lado.
Sabe, essa semana eu troquei os lençóis, varri todos os cantos da casa e escondi as suas roupas.
Tudo isso pra evitar esbarrar em algum fio de cabelo seu ou até mesmo entrar em contato com as partículas do seu DNA que ficaram pela casa e com o tecido que já pôde tocar o seu corpo.
Eu te escrevo em letras de ouro.
E eu já fiz tantos textos pra você.
Nenhum em letras de ouro.
No fim, a gente sempre acha que nunca mais vai amar outra pessoa, mas foi tu que me ensinou que eu poderia amar de novo, quando eu achava que era incapaz de me entregar novamente.
E eu me entreguei.
E despenquei do muro alto que eu mesma construí.
Essa é a primeira semana sem você.
Nos primeiros dias eu pensei em te ligar pedindo pra voltar pra mim.
Pela quarta-feira me eduquei pra te tirar da minha rotina.
No fim de semana me preocupei em como tu estaria sem mim.
Hoje é segunda.
A primeira segunda do novo mês depois do pior mês do ano.
Na sexta-feira eu só queria fingir que nada aconteceu.
Você viveu o mesmo tanto que as flores
Que só abrem pra serem vistas e depois vão embora
Você foi amada
Percebida
Acolhida
Desejada
Sonhada
Amiga
Você foi tudo pra mim
Hoje eu choro nos ônibus que passam
Nas fotos que ficaram
Nas memórias que não vamos apagar jamais
Eu choro em todas as cobertas e almofadas
Eu rezo pra que fique tudo bem
Mesmo que já tenha de alguma forma alguma paz que alguém teve que partir pra ganhar
Bahia de Todos os Santos
Seu nome é codinome de um estado de espírito
Gata fantasma que mia em meus ouvidos
E hoje é sal que corre pelos meus olhos
tem coisas que não são coisas
tem momentos que são só memórias
e tem coisas que nunca vão acontecer
saudade esgoela o peito
ainda moro onde você estava
mas você já não está mais aqui
só restaram as borboletas
amarelas
laranjas
de todas as cores
um dia quem sabe a gente ainda se encontra
e nesse dia vou te contar tudo que não contei
sobre os meus medos e vontades de sumir no mundo com você
tentei te proteger tantas vezes que não soube aprender a me proteger
hoje em dia o que restou de mim é ferida aberta
machucado
bate e leva
eu nunca fui de levar pra casa
mas eu levei pra dentro do meu peito tanta mágoa
tanta dor
que nem vi o tempo passar
e passou
Me tornei parte do que eu mais temia
Do lar
Espaço de casa
Mobília vazia
A casa é nossa, mas o vazio é meu
Quem bate a porta? Ninguém
Só a solidão e eu
Ódio inimaginável do que o Estado criou em mim
Submissa, humilhada
Amiga do fim
Quem sou eu hoje?
O que será de mim?
Não me reconheço nas fotos, nos olhos, nos passos, nos atos
Me perdi no personagem
Nas personas
Que já nem sei mais quantas, se tantas
Opaca, apagada, perdida no cemitério
Um buraco que entra e sai no próprio umbigo
Expelindo a própria alma a cada respiro
Eu tô lado a lado naquela foto que não imprimiu
Que fez jus a quem partiu
Depois de tanta raiva ida embora
De nós só sobrou o filme queimado
O livro abandonado
Uma sequência de músicas que se tornaram tristes com o tempo
Algumas memórias de gargalhadas presas na garganta
E um tratamento violento de silêncio
Que por mais que dure um momento
Enche todo o meu peito de culpa, medo, aflição
Não perdi muito na sua partida
Só perdi parte do que achava que recuperaria
A alegria
Que já me acostumei a viver sem
Quantas culpas eu vou ter que carregar?
Quantas culpas SUAS eu vou ter que carregar?
Vocês tocaram o meu corpo
(As marcas ainda estão aqui)
Mentiram pra mim
(As marcas ainda estão aqui)
Me silenciaram
(As marcas ainda estão aqui)
Me ameaçaram
(As marcas ainda estão aqui)
Me usaram como um brinquedo
(As marcas ainda estão aqui)
Vocês me observaram
(As marcas ainda estão aqui)
Vocês me xingaram
(As marcas ainda estão aqui)
Vocês me fizeram me destruir
Se eu falo, tenha quem escutar
Vocês me deram culpa
A primeira vez eu era apenas uma criança
Vocês me deram culpa
Na escola incontáveis vezes
Vocês me deram culpa
Aquela vez na festa
Vocês me deram culpa
Eu lembro do parque
Vocês me deram culpa
Em quantos relacionamentos?
Vocês me deram culpa
Nos apps de relacionamento
Na liberdade não-monogâmica
Vocês me deram culpa
Vos dou o inferno
Ouve o que eu digo, que eu não digo baixo
Eu grito pros quatro cantos tudo que eu sinto e não temo o que vem amanhã
A cidade não acontece fora dos carros nas noites cinzas
Eu não tento mais fingir que levo meus dias
Só deixo eles me levarem nas miudezas das coisas que nos afastam dos nós
Eu quero acompanhar seus detalhes de perto
Quero ler a sua letra bonita sendo enviada pra mim
Quero morar no vestido de bolinha preto e branco que não cabe mais
Que foi cortina pra tantos sorvetes na luz do parque enquanto construíamos os nossos sonhos
Eu vivia procurando você em outros perfis pra encontrar o que restou de nós apenas em álbuns do que realmente fomos
Acolhe a minha dor e me diz onde dói
Não finge que nada existiu
Não esquece o pedaço que tem de mim
Não desate o nós
Tenho gravado na memória todas as vezes que eu sorri de mentira por estar longe de você e todas as vezes que sorrio de verdade porque posso ser eu
Já imaginou se um avião caísse agora nas nossas cabeças?
Eu ainda assim estaria pensando em você todos os dias ao longo de pelo menos quase metade da minha vida
Apesar disso sigo esperando respostas que já bem sei de situações muito mal resolvidas
O suco gástrico antes da primeira refeição de amor
E você chama isso de normal
Se esse foi o nosso comum
Se eu sempre fui um asco na sua cabeça por quê um dia chamou isso de amor?
Pra que dizer que é sempre amor mesmo que mude se mesmo quando muda a cara que me olha é triste?
O amor não é triste e eu também não sou
Eu não quero ser motivo e desejo dos seus olhares decepcionados e decepcionantes
Eu não quero ser menos do que já fui
Eu nasci pra me expandir, mutar, criar
Você é pedra, seu coração é aço e tudo que você tocou em mim virou gelo
Fogo que alimentei - sozinha - por tantos verões e virou cinzas em apenas um céu nublado
De tudo que abri mão por você, eu fui o que mais doeu
Não fui feliz contigo
Não fui feliz sem ti
Nem espero mais um dia que a felicidade venha porque sei que a sorte nunca está ao meu lado
Dessincronizando nossos passos
Esfriando abraços
Cortando a fala
Estranhando as ideias
Pensando o pior
Você me partiu de mim
Porque tu quis, não foi por eu mesma, não
Mais uma vez
As melhores palavras são aquelas que são ditas
Mas já não posso mais ser dois onde mal cabe um
Com seu grande ego
Eu sempre senti quando a morte vira à esquina
É como se viesse junto a ela a falta de brilho em todas as coisas
Tudo se esvai muito antes de partir
Sempre deu pra perceber as mãos enfraquecendo, o corpo relaxando mesmo na tensão de ir embora
Eu falo sobre a dureza que fica na pele, a mesma dureza que independe se existem 50 quilos ou apenas 1 a sustentar o corpo
As melhores coisas da vida são tão boas porque têm vida nelas
Em cada veia está a vida a pulsar
Mesmo nas plantas que antes de serem arrancadas ficam de pé sozinhas sem que nada as segure
Sempre é a vida-presente que nos dá a dádiva de ver os pequenos milagres acontecerem
O milagre de ver massas tão densas lutando contra a própria gravidade por terem vida
Não é como se esfriasse automaticamente o corpo ido mas é quase o que se sente quando tudo amolece nos seus braços
A gente sabe que a vida mora nos olhos
Eu já vi tantos deles secos que me pergunto quantos mais ainda verei e se um dia ainda serei capaz de ver os meus próprios secarem
Será que um dia será na minha esquina a quem a morte irei encontrar?
E minhas mãos? Estarão tão rígidas como as que segurei diversas vezes antes de partir?
A vida é sobre todos os momentos que nos preparam pra morte e fazem com que a gente viva apesar de tudo
A pesar todos os pesares numa balança em que a única coisa que pesa é o peso de estar vivo diante de tanta gente que partiu de nós
Estamos colecionando corpos e eu até poderia te citar 4, 5 nomes que ainda me lembro bem vivo na mente o tom da voz
Mas em respeito a tudo que aprendi com os mortos, deixo apenas o meu silêncio.
Descansem em paz.
Insegurança que não vem da pele que eu hábito, que não mora no meu hálito, se sustenta em penhasco e me joga no abismo.
Cai da cama logo cedo, mal acorda e um suspiro: peito cheio, peito vazio.
Me pinta a porta, me peita a aorta, rasga o véu, me come cru!
Surge no medo, aparece no espelho e nunca me vê.
Exausta demais pra lutar por tudo que acredito, mas não estou vencida a ponto de desistir dos meus ideais.
Todas as coisas que dizem adeus e desaparecem como se nunca tivessem existido.
Os espaços nada nunca onde nada existe nunca acontece.
A rachadura na parede, o que não passa de um sonho, as coisas boas da vida, aquilo que nunca cresce.
Joelho no peito pra subir no muro.
Meus filhos, parentes e irmãos, um lugar onde tudo seja possível e que nada disso seja em vão.
Onde houver a ampulheta, eu peço que reinicie.
Eu estou nas cores, sou alquimista do amor.
Eu posso ser um leão ou um tigre ou a porra que você quiser que eu seja
Eu não caibo nesse espaço
A vida vai se renovando à força
Meu samba não se importa se eu desafino
Se dou meu coração assim, sem disciplina
Já dizia o velho som
Já não me importo se as portas estão abertas ou fechadas
Porque as frestas sempre estiveram ali
Mesmo que já não hajam janelas
É a fechadura quem faz todo o movimento de rotação e translação no seu corpo
Ninguém repara sobre o que não se fala (será?)
Aquilo das florestas pubianas e os olhares fulminantes que tanto dizem sem nada dizer
São todas as carícias que a gente encontra debaixo dos lençóis
Até as que vem de dentro
E ao mesmo tempo tudo mudando
Tem amores que nascem pra não ser
Tem poesias que nascem em movimento
Nem tudo está onde deveria
Se você pudesse estar?
Onde estaria?
Aposto que quando chegar, já não é mais o que queria
Me imagine em um balé
Soltando palavras em chutes sussurrantes aos pés dos olhos
Eu sinto como se tivesse sentado milhares de vezes nesse sofá
As coisas simplesmente acontecem
Não esquece do que eu te digo
A vida se renova à força
Você sabe como é
Tenta ensurdecer, sumir, fingir que não é contigo
Eu já estive aí e sempre me deparo com o momento-presente-incrível em que volto pra esse ponto e sempre me pergunto
Como eu cheguei aqui?
A gente nunca se conhece o bastante pra saber o quão profundos podemos ser
E ao mesmo tempo tão rasos
Se você quer saber, eu sou a porra de uma leoa, aquela que criou a própria juba e caça a sua própria comida
A leoa mordendo os testículos do "rei da selva"
Selvagem lutando pela própria vida
Eu não caibo nesse espaço
Eu fui muitas outras antes e ainda serei milhares
Só existo sendo, sentindo, fazendo e vivendo
É sobre liberdade sim, e sobre fúria, sobre muitas outras coisas
Se eu te disser que comigo é tudo ou nada
Você corre ou vem?
Quando se está dentro de um furacão
Às vezes nem mesmo se sabe se está dentro ou fora
Tudo é tudo
Quase sempre o nada nem mesmo existe
É tudo uma bagunça de quase tudo ao mesmo tempo
E também nenhuma completude dentre tantos vazios
É sempre um mal-entendido
É nunca um estar desperto
Só aprendi o significado da palavra drenar
Quando descobri a palavra reter
Pois só retendo se pode drenar
E só tendo, se pode perder
É choro vazio cheio de tanta coisa
E tanto medo sem ter o que temer
É aflição, agonia, raiva
É saudade daquilo que um dia você achou que ia viver
É o laranja na janela escancarada
É o mato que você não pode ver
Que sobe a cerca atrás da sua casa
E se esconde enquanto você vê TV
É sobre os ratos no telhado
As baratas, os morcegos e as ondas fortes
É sobre todos os medos reunidos em um único instante
É sobre tudo aquilo que você não vê
Quando se está dentro de um furação
Nem sempre se pode perceber
Na maioria das vezes é tarde demais
Na maioria das vezes ainda se tem o que fazer
Impossível falar de mim sem falar de você.
Me lembro de quando curou todos meus cortes.
E também de quando me deitava no seu colo e dizia o quanto as pessoas são más.
Eu não poderia ser como elas.
Importância imensurável, que me recorda nos meus mais tolos atos.
Não tem como voltar a ser quem eu era.
A morte é um conjunto de palavras soltas em imediato.
Na prática nós mais choramos juntas do que sorrimos.
Tem pessoas que passam a vida procurando o significado do amor.
Eu procuro o significado da felicidade.
Apreciar o desenvolvimento das batatas e das flores.
Me alegrar com o aroma de um lírio da paz.
Ou até mesmo me acanhar com o perfume de uma arruda que invade a sala.
Fica. Fica mais um pouco pra eu aproveitar a sua companhia.
Quantas vezes mais eu vou te chamar e você não vai estar aqui?
Quantas vezes mais eu vou falar o seu nome e nunca mais te ver face a face?
Conexão incomparável, subproduto de um ser tão imenso.
Eu queria fazer carinho no seu espírito e abraçar o seu coração.
Te dar todo o meu amor.
Você é só sua, mesmo que também seja minha.
Só sua.
Os anjos choram na noite.
Eu só queria ter mais tempo.
Eles querem que a gente se mate.
Mas eu não me entrego.
Eu juro, eu não me entrego.
Eu sou porque você é.
tem um rebuliço aqui desde que você foi embora
e me acorda todos os dias pelas 3 ou 4 feito vulcão em erupção
tem uma ansiedade aqui desde que você foi embora
e me arranca pedaços de pele ao longo do dia
tem uma agonia aqui desde que você foi embora
eu já não consigo mais sustentar
não importam os dias de jejum, ela nunca definha
nunca se vai
só me agonia
nunca me parte
só me incendia
nunca me volta
só me calafria
nas noites acordadas sem calor de corpo
nas manhãs nubladas
sem riso
apavoro
ele partiu
e nunca mais voltou
(não voltou, não - uhhh)
Amanhã eu vou fazer 30 anos.
E é incrível como eu tô envelhecendo.
O tempo passa mais rápido quando você vai ganhando mais idade
E se tornando adulto
E ganhando responsabilidade.
As coisas realmente vão ficando mais difíceis, né?
Quando você ganha rugas e quando você já não tem tanta facilidade de conquistar o outro
E você se torna mais insensível e até mesmo mais sensível
E tudo dói
E tudo incomoda
E as coisas não são do jeito que você quer
Amanhã eu vou fazer 30 anos
E o tempo passou tão rápido!
9 anos passaram tão rápido!
É incrível: ontem faziam 4 anos.
Hoje eu tenho muito, mas muito, mas muito, mas muito mais poeira nas olheiras dos meus olhos que nos cantos da minha casa.
O tempo passou.
O tempo tá passando.
O tempo passa.
O tempo corre.
O tempo voa.
O tempo é uma loucura
E todo mundo aqui, todo mundo é maluco.
Inclusive eu e você.
Amanhã eu vou fazer 30 anos.
Hoje eu vou viver como se você não fosse a melhor coisa que me aconteceu na semana passada.
Hoje eu vou deixar de lado todas as vezes que você me desmontou com falsas promessas.
Hoje eu não vou correr pros seus braços como se eles fossem a única coisa capaz de acalmar a inquietação do mar que eu sou.
Hoje eu vou seguir meu dia sem me lembrar de como é chorar por doze horas sem trégua e chegar a vomitar pra tirar de mim esse sentimento que sobrou do que a gente já foi.
Hoje eu não vou pensar em todas as vezes que acordei do seu lado desejando nunca perder de vista esses olhos lindos.
Hoje eu vou me esquecer de todos os sonhos que dormimos juntos e todos os planos que anotamos nas frestas do coração.
Só por hoje eu não vou desejar ter você ao meu lado.
Hoje eu não vou desejar o calor do seu corpo no frio dessa madrugada e nem mesmo te procurar entre as pessoas que passam na rua.
Eu quis um amor asa, pra que pudesse voar por todos os cantos.
Mas acabei por me esquecer que até mesmo as borboletas precisam sair do casulo pra que possam desfrutar as mais belas paisagens do mundo.
Hoje eu só vou me preocupar em aprender a viver sem o que foi o nosso amor e torcer pra que amanhã o meu peito consiga se recuperar dessa ressaca.
Eu não sei receber o amor que os outros têm pra dar.
O meu coração é uma bomba que explode e se parte em mil pedaços
E logo se junta em inúmeros estilhaços
Pra encontrar outro alguém pra acertar no meio do caminho
Caindo livremente na prisão do medo da queda.
Mas nem sempre foi assim.
Antes meu coração era João de Barro
Paciente, determinado, esperançoso.
Hoje, dessa carne só sobrou putrefação.
Um coração com cheiro de morte que, ao entrar, logo se torce o nariz.
Um coração desses que só teme, e teme a terra, teme a dor, teme o temor de temer.
E é frágil
Desses como vidro, onde se encosta e quebra com facilidade, rasgando a pele de outrem e ali se alojando.
Um coração tão fudido que não consegue ver amor em outros amores,
Nem sol em outros sóis.
Nem mesmo aprendeu como é o amor ou como admirar o sol sem queimar os olhos.
Coração que caiu naqueles golpes milionários de cadeia e perdeu tudo
Hoje não consegue sequer fechar os olhos e sorrir.
Um amor desses de armadilha, que não sabe o que faz mas continua a fazer
Explodindo tudo ao redor.
Se ao menos contassem os mortos e feridos, veriam que fui a primeira a cair.
Não que resolvesse, mas pela confirmação dos atentados causados por esse coração metralhadora.
Sobra aquela velha sensação de que eu nunca mais vou me sentir da forma que me sentia com você
O conforto de estar lado a lado compartilhando mesmo sem fazer nada
O silêncio que é preenchido do sentimento de plenitude
A sensação de ter o peito cheio de algo que não tem nem nome mas aperta tanto de tanto que se sente
Sensação de que tudo foi disperdiçado e em vão
Como se o que ficasse agora fosse o resto de muito que foi apagado
Como se eu fosse o resto do que sobrou disso tudo
E como se eu jamais fosse ser essa pessoa inteira novamente
Porque nada preenche e completa como deveria
Nada
Corações batendo sincronizados e permanecendo assim pra sempre
De todas as memórias, as músicas são as partes mais devastadoras
Porque sempre disseram tudo que poderia ser sentido
Onde não cabiam palavras que expressassem qualquer sentimento
Eu não te amo como te amei no passado
O amor se reinventa e faz a gente aceitar até aquilo que é mais contrário a nós
Não que um dia fossemos iguais, mas que talvez hoje sejamos ainda mais diferentes do que já fomos um dia
E que ainda com isso a gente sempre consegue sincronizar o desconcerto do cruzar de olhos
E dizer tudo à primeira vista
Mesmo que o abraço não seja mais capaz de nos prender
E tantas coisas nos guiam para direções opostas
Talvez nós não devamos aos azarados
Isso porque os azarados somos nós por disperdiçar tanto querendo ter tudo
Nunca foi sorte te viver
Foi destino
Desde o primeiro dia até o último
Corações batendo sincronizados e permanecendo assim pra sempre
É que sempre faltaram palavras
E sempre sobrou o silêncio
Você
Que ouve músicas de elevador
Nem sequer me viu parada ali
Entrou
Abriu o ferro e soltou pum
Cantou todas as músicas do cubículo pendurado dois metros acima do chão
Até tudo despencar
E não sobrar nadinha
Imagina o que eles estão fazendo enquanto não estão fazendo nada
Insegurança é um prato que não se come
eu sei que disse coisas como olha eu não quero ver os seus olhos me dizerem as mesmas palavras que já me cortaram antes sobre todas as desculpas esfiapadas debaixo do lençol
sabe eu ri de desespero eu rasguei a pele e pensei oh não aqui estou de novo
sabe eu disse que os dias eles se repetem as coisas estão ficando cinza você ta vendo?
elas me doeram outra vez essas coisas e no futuro você vai olhar com a mão no meu rosto e dizer eu sinto muito mas aqui não tem mais nada que possa te alegrar o dia
oh não aqui estou de novo
sabe eu só me rasgo e todas as vezes parece que me remendo até esquecer desse trapo todo mas vem algo que rasga tudo e leva embora as frutas as flores
mesmo que traga tantas outras coisas outros sabores outros aromas eu falo de outras sensações
esse negócio todo de amar que quase sempre mais dói que sei lá o que
olha se isso fosse um telefone eu ficaria muda deixando a minha respiração te contar tudo
e ainda assim você não conseguiria entender
Te beijar em todas as salas de exposições de máquinas, vídeos, fotos, cidades e pianos
Roubar teu sussurro num mirante qualquer
Afagar o seu cabelo como grama molhada
Sugar teus lábios com desejo
Apertar as suas coxas pedindo pra que me penetre
Gemer bem alto nos teus ouvidos pra gravar na tua memória o meu desejo
Me sentir viva de novo
E de novo
E de novo
Um dorme e o outro sonha
E do mesmo modo que o outro mandei embora
Esse também se vai
Um que me desse o mundo
O outro que me desse os céus
Aqui nada recebo porque me encontro fechada em redoma
Ego-ismo de homem humano
Voo livre de pássaro sedento
Afago de preguiça
E dois pés no peito
Já estive no chão e bem abaixo dele
Pra que nunca mais voltasse ao começo do verso
Um vai embora e outro se distancia
E do mesmo modo que este eu queria que ficasse
Esse também se vai
Mesmo que me desse os céus ou que acabasse com o meu mundo
Aqui nada recebo porque se encontra fechado em redoma
Ego-ismo de mulher humana
Jaula livre de pássaro nativo
Afago de mentira
E dois pés no chão
Já estive nos céus e bem acima dele
Pra que nunca mais voltasse
Ao fim desse verso
Um dorme quieto e o outro dorme em gritos
E da mesma forma que eu queria o amor
Este me queria
Mesmo que se tornasse o meu mundo
Aqui nada recebo porque nos jogaríamos no abismo
Ego-ismo de amor romântico
Algema de João de Barro
Afago de carência
E dois pés na porta
Já estive na terra e bem abaixo no inferno
Pra que nunca mais voltasse
Ao meio desse verso
Dois dormem em paz e eu sonho acordada
E da mesma forma que eu queria me dar
Eles queriam receber
Aqui nada recebo porque amor não é coisa de um só
Ego-ismo de sistema falocentrado
Algema de amor solitário
Afago de desespero
E duas balas na aorta
Já estive nas águas e bem abaixo delas
Pra que nunca mais voltasse sã
Ao início de tudo
43 semanas atrás eu poderia ter evitado tudo isso
Essas 21 semanas de amor que decorreram da explosão do Big Bang no meio dos nossos peitos no meio daquele catavento
Sempre tive algo com numerologia
Desde o primeiro até você que foi meu último
Tem segredos meus que você nunca vai conhecer
Como ninguém nunca antes conheceu
Você não sabe quantas noites eu passei acordada
Você não sabe
Você não sabe nem da metade
Você não sabe
Você não sabe de nada
Você não sabe
Você não sabe
Você não sabe
Você não ouviu
Você não sentiu
Você não leu
Você sequer me viu
Você nem apareceu
Quem é doido de dizer que cebola não é maçã quando bate o pôr do sol
Se nas lágrimas já não se sente mais o gosto do sal?
Dizem que quando estamos apaixonados salgamos a comida
Eu já não sinto mais gosto de nada
Se nas frestas dos ônibus eu te encontrasse
Veria que nada sobrou de nós
Ao te ver virar o rosto pra todas as memórias que ficaram nas esquinas desse bairro
Essa camisa ainda tem o teu cheiro
Impregnado no meu olfato como se ainda ontem pudesse me afogar em teus sentidos
As lágrimas que eu segurei criaram mofo no meu estômago
E quando eu toco à distância os seus pêlos
Você ainda assim se arrepia?
Eu ainda sinto o gosto do toque na sua pele
E o cheiro do calor do nosso corpo
O meu suor ainda escorre na carne da tua imaginação?
Eu nunca pensei que pudesse sentir um frio quente
Ferida de fora pra dentro
Agonia
Desespero
Que corrói de fora pra dentro
Do dedo à raiz
Parte os dentes e os ossos
E me deixa imóvel
Como se um ataque catastrófico estivesse atacando o lado esquerdo do meu peito
Me deixando extasiada no chão
Mesmo se eu te encontrasse no quente do debaixo das cobertas
Ainda assim nada teria sobrado de nós
Depois de tanto que foi feito e desfeito
Nas frestas do nosso amor
"Se você falar, eu falo"
Você se lembra?
É que quando a gente diz eu te amo
A gente abre uma porta imensa
Bem no meio do coração
Eu a encontrei na manhã de sexta-feira no ônibus lotado.
Uma senhora de sessenta e poucos anos que bem poderia ser a minha avó.
Quando me sentei ao seu lado lhe resmunguei sobre a superlotação do transporte.
Com ar de desdém, ela retrucou "todo dia é a mesma coisa, é sempre igual".
Mas não é sempre igual, porque bem sei dos horários em que pode não se sentir uma sardinha enlatada pronta pra consumo comercial.
Algo me diz que ela não se referia ao transporte.
Algo me diz que se refere a vida.
Logo essa senhora a me contradizer, alguém que certamente não se importa com o preço das balas e dos chocolates do comerciante.
Alguém com os olhos tão tristes que já não pensa mais em mudar a vida ao ver um slogan ser modificado abaixo dos próprios olhos.
Imagino sua voz baixa e seus braços fartos causando uma revolução.
Sabe-se lá o que tem na sacola: um panfleto, uma bandeira ou um cartaz?
A sua blusa florida não me engana.
Nada é o mesmo todos os dias.
Nada é igual.
Nem tudo se parece com o que os olhos limitados vêem.
E quem dirá se esse não é o estopim necessário à liberdade.
Ela olha a cidade pela janela, e toda sua luz, e todo seu verde.
Prédios, casas, comércios.
Fecha os olhos como quem preferisse sonhar.
E eu, na minha emoção, controlo as lágrimas pela efemeridade das relações humanas.
Onde as desgraças da sociedade protagonizam o escorregadio enredo diário da vida abaixo do sol.
E quanto ao comerciante, sempre penso em lhe dar bom dia.
Mas quando me lembro o preço da bala e do chocolate, nada mais me resta dizer.
Além dos valores comerciais, eu o levo na alma, pronta a mudar de dito a qualquer momento.
Mesmo que me arrependa no dia seguinte.
Sempre saberei o valor das balas e dos chocolates.
Sabe, quando virou o ano, eu cheguei a acreditar que tudo seria diferente no momento em que passei pelo moço dos doces.
O bordão tinha mudado.
Agora ele dizia "bala é um real" e não mais "bala e chocolate é um real".
Isso só poderia ser um sinal, dessa vez tudo seria diferente.
No segundo dia ele já havia retornado ao antigo bordão, e então percebi como tudo ainda continuava igual.
No dia terceiro jurei que questionaria o vendedor sobre o por quê de ter voltado ao dito antigo.
No quarto dia prometi a mim mesma que aquele bordão mudaria a minha vida de forma significante.
Bom. Hoje é dia 8 e nada realmente mudou, nem mesmo o preço da bala ou a entoação do vendedor.
E eu prometi a mim mesma que esse ano vou mudar a minha vida, independente do bordão, da data ou da inflação.
No fim, o que eu gosto mesmo é de ouvir ele falar sobre as balas e os chocolates.
no confortável desconforto da minha arte eu me encontro
é nele onde eu posso ser
e em cada gota de tinta que cai no papel
eu me derramo
e quando o pincel toca o pálido espécime
transforma tudo em orgasmo mental
explode os sentidos as cores as misturas
e quando acaba
eu gozo
O teu cheiro me persegue como o feromônio mais fatal, matando as borboletas do meu estômago ao te encontrar.
O amor não é são. Eu tampouco sou.
Eu viajaria por horas a fio se no destino estivesse você a me esperar.
Eu me perderia na imensidão dos teus olhos azuis, que mais parecem mares a me afogar num abismo de saudade.
E a despedida, mais doída que o fim, me trouxe a chuva esperada para esse agosto através dos meus olhos.
Você se faz poesia na grandiosidade do meu sentimento.
Me restam sete dias de ócio em que mirabolo aqui no pensamento e você maquina aí na loucura que é estar vivo.
Nos chamam loucos porque crêem na receita mágica da felicidade, enquanto isso desbravamos nosso devaneio pela cidade cinza.
E o fogo, que eram cinzas, hoje já é fênix, que queima no meu peito esse amor maior que eu.
E a saudade, que me mastiga desde o adeus, alimenta meu corpo magro há quatorze horas.
Já a abstinência, são quatro horas sem o meu ópio, sem teu toque, e sabe-se lá Deus quando o terei novamente.
Por hora, o que fica é o desejo, viajando pelo meu sangue como corrente elétrica, enquanto a tua imagem guardo apenas na memória e o teu cheiro levo em meu corpo como tatuagem.
É quando tu senta na outra ponta do busão pra não ver aquela rua com o nome que você não quer lembrar.
É também quando agora a boca amarga, mas se lembra nitidamente do doce do beijo que acabou de acordar.
E as roupas, que na realidade só cheiram a cigarro, gritam o teu perfume aos meus sentidos sem que eu perceba.
E quando meu cabelo acorda bagunçado, ainda preferiria que fosse pelo emaranhar dos teus dedos invés do atrito do travesseiro.
Tu vê que se perdeu ao lembrar dos banhos quentes, das noites frias, do dormir e acordar ao teu lado.
Devolveria tua blusa só pra que teu cheiro desimpregnasse o meu quarto.
O fogo do fogo que queimou a minha mutabilidade, agora jaz cinzas, se foi com o tempo e o descuido do prazer desmedido.
Em oito semanas tu me ganhou.
Em quatro me perdeu.
E agora foi-se embora a única pessoa a quem fui capaz de sentir.
E quando a gente vê, os dias viraram anos.
Debaixo da coberta com cheiro de sabonete encontro as suas mãos.
A pele fina do tempo e trabalho passado, que hoje já nem memória são, frágil como se estivesse a se esvair.
O fios brancos pra lembrar do peso da dor do esquecer.
Enquanto me fiz ausente, me perdi também da lembrança
E agora não sou mais nada além da mão que segura sem que saiba quem é
E afaga os ralos cabelos acompanhado de um beijo no rosto magro do fim da vida.
Te digo que volto, sem sequer saber quando.
A correria da juventude atrasou meus passos, e de espasmos a espasmos me perco um pouco mais.
Você diz que ora por mim todas as noites, e só Deus sabe se não é por isso que escapo do fim todos os dias.
Você me cobra juízo, me pede visita e eu te digo "eu volto".
No fim das contas, eu só não queria mesmo é ter ficado tão distante.
Estou no metrô.
O que vejo?
Uma mulher surda com aparência excêntrica;
Uma mulher com "tatuagem de cadeia";
Um skatista desses "modernos";
Um cara que me olha com cara de "é delinquente?", julgando pela minha aparência um tanto desleixada.
Deço e vejo uma poesia, "o guardador de rebanhos", Alberto Caeiro.
Sigo o passo.
Um garoto que gosta de Pitty e Harry Potter;
Uma mulher de saia jeans comprida, dessas abaixo do joelho.
Sabe, eu me pergunto o quão patético é isso tudo.
Eu vejo o trem que se aproxima, essa luz laranja que me convida,
E me penso "espere pelo meu dia".
Ele me sorri um sorriso amargo.
(Não consigo ouvir as pessoas, elas gritam muito, e sempre esperam o pior..
Mas quase nunca sabem o que estão falando).
Pessoas tão genéricas que é possível inserir-mo-nos em caixas pré-fabricadas de papelão "que se compra por pouco menos de vinte - roubos - reais".
Quem somos nós?
E quem são eles?
Somos tão prepotentes - e previsíveis.
Todo mundo precisa de um heterônimo, tipo João Pessoa.
Eu pequei.
Eu cometi o pior crime federal, fui a mesma em todos os status sociais.
Temos que assumir papéis de coisas que odiamos e abrir mão das nossas vidas para que a sua frustração seja mais letal que a bala perdida.
A doença do século XXI não é a bebida ou a droga, mas sim a necessidade de sermos aquilo que não somos, nunca seremos, não queremos ser e somos coagidos a performar.
Como "ratos de laboratório".
Hoje eu ouvi de um camarada
"A droga mata, mas sem ela eu morro".
O Estado gera o caos civil e nos massacra um por um.
A ciência te trai e manipula pra fazer consumir,
Te injeta transgênicos e agrotóxicos,
Contamina a nossa água, nos adoece com o minério de ferro,
Só garante o pão a quem paga.
E quem não tem? Morre de fome.
Minhas costas doem.
Viver nesse caos destruiu a única coisa que poderia me salvar,
Explodiu a minha cabeça quando eu não me calei,
Fez com que eu me jogasse na linha do trem,
Faz esse ar me matar,
Implanta genocídios, planos de extermínio em massa, "desses de 3,3 bilhões de - propina - reais",
E faz com que eu tenha que escolher entre King e Poe.
Isso é um completo absurdo!
Ligo a tevê - boa noite.
O que temos pra hoje, Bonner? Qual o terrorismo do dia?
Crime ambiental, microcefalia, dengue, sífilis, epidemia de pneumonia, câncer, depressão, asma, renite, homicídio de quem mora no morro - QUEM O ESTADO MATOU HOJE?
Governo que usa força e coação, aquele, do "poder de 20 anos", pra calar o "democrático cidadão".
Abriu a boca, morre.
"Governador pede quebra de sigilo à rede social para processar cidadão que o insultou".
Andando na direção contrária, eu sempre me perco nessa estação, nessa vida, política, economia, coração.
Como que lida?
Enfim indo pra casa.
As pessoas do ônibus que não se lembram de nós mesmo que te vejam todos os dias e fazem questão de ignorar.
Como se dão as relações sociais?
Quais são os nossos papéis sociais?
Um moço de maxilar incomum que disse "foi quando eu era moleque, caí",
Naquele dia eu boicotei o sistema enquanto estávamos performando o papel "civil, jovem, descolado - "desses que dão rolês "maneiros", que bebem bebida barata que se compra com três - pífios - reais que "qualquer quinze anos tem acesso e qualquer moedinha compra"".
Ah, ele! Ele tem moicano, e faz sinal da cruz quando passa na frente da Igreja.
Eu ouvi de um homem que a nossa liberdade é poder furar a orelha.
Que grande tolice!
Todos sabem que se quiser emprego não pode ter essas bobagens juvenis.
Ora, o que é liberdade então?
Nina Simone dizia que liberdade é não ter medo.
Mas Nina, eu não tenho medo!
Eu não temo o governo e a sua polícia e política.
Eu não temo as balas e bombas.
O que é liberdade?
As leis dizem que liberdade é poder ir e vir
Mas isso é uma brilhante idiotice!
Só vai e vem quem tem poder aquisitivo
Bufunfa, grana, money, dindin
Papel que não dá nem pra bolar um.
Se não tem, não vai, não anda, não pode.
Coação.
De certa forma invejo os nômades da cidade urbana, aqueles que chamamos de moradores de rua ou, em dito chulo, mendigos.
O preço da liberdade é a miséria?
E estes não estão livres como pensamos pela falta de um teto sobre a cabeça, nem pela ideia de locomoção.
Eles são prisioneiros da rua, da esmola, da miséria.
Colocando dessa forma, me ponho racional e não os invejo.
Sinto pela condição imposta desse capital sanguinário.
Quem é livre? A quem eu poderia invejar?
Os hippies? Aqueles que têm o lar numa mochila e todos os sonhos do mundo?
Esses que exalam positividades e liberdades?
Mas estes são livres?
Cidadão, o que é liberdade?
É poder encher a boca de meias palavras em frases de efeito pregando revolução?
Seria andar na rua sem medo de falos?
Que doce liberdade é essa fantasiada de coação?
Não trabalha, não tem dinheiro.
Não tem dinheiro, não compra.
Não compra, não come.
Não come, morre.
Coação.
Algum filósofo imbecil muito importante, renomado, deve ter falado sobre a liberdade e isso poderia ser facilmente encontrado num endereço da internet, desses cheios de disse-que-disse Lispector.
Mas, meu caro, que porra é essa tal liberdade enquanto vivemos numa matrix forjada para uma falsidade falocentricamete monetária?
Que porra de direitos eu tenho senão o direito de permanecer calada e produzir-produzir-produzir e morrer?
O que é essa liberdade que se parece mito, folclore, conto de fadas, fábula, poema, ficção científica, que ninguém nunca viu, nem viveu e só ouve falar?
Camarada, a liberdade é conseguir sair disso.
Com o preço pago pelo desejo.
eu tento explicar tudo
m i n u c i o s a m e n t e
pra me fazer entender
enquanto falo todas as palavras
meio que sem nada dizer
eu me complico
eu gaguejo
eu erro palavra gesto aceno
eu erro olhar
não lembro o que eu ia falar
desculpa
eu tento falar o que quero falar
quando falo
sai aaaaaaaaaaaaa
eu não sei como quero falar
preciso que me fale
e x a t a m e n t e
o que quer dizer
porque senão eu invento
e crio coisas que não são
por causa da maldita má interpretação
que faz com que pareça que sou tola
e que falam como que por obrigação
faz um tempo que a gente não fala
não é? é sim
odeio diálogos de eu com mim
Sabe, é uma desgraça ter problemas com ansiedade..
E, bom, tem algo meio que corroendo o meu estômago e algo no meu peito que aperta e incomoda, parece com quando você quer chorar e não consegue, ou gritar, ou, enfim, não sei.
Sabe, parece que eu perco o controle sobre meus vícios e manias e, quando ela vem, é um cigarro atrás do outro, crise, roer todas as unhas e dedos possíveis, e crise, e tentar fazer palavra cruzada, e crise novamente, quem sabe ficar quieta sentada em um lugar, mas, bom.. crise de novo.
Sabe, é tão impotente e tão desesperançoso ter ansiedade.
Não sei onde colocar os meus braços, o que fazer com as mãos, quem sabe botar no bolso, mas nossa eu pareço estranha e preciso mostrar que estou normal, quem sabe ficar de um lado pro outro.. é, acho que não resolveu muita coisa.
Quero ir embora. Crise.
A respiração fica apertada. Parece que você ta em um lugar muito seco num dia muito quente, mas na verdade ta chovendo e você não fumou nenhum cigarro hoje. Que difícil chegar até a estação sem conseguir respirar, e, quando conseguir, entrar naquele metrô lotado cheio de gente te olhando e querendo ou tentando saber o que ta se passando e porque você fica com a mão na boca parecendo que já não tem mais nem dedo pra roer mas mesmo assim tenta porque precisa.
E quando não tem mais, doces doces e mais doces.
Pra depois, crise, como demais, qual seria a pior forma de combater essa ansiedade toda? fumar mais ou comer mais doces? quantas drogas.
É impotente não saber o que fazer diante de situações esdruxulamente simples e cotidianas, coisas que você já sabe que passou e já sabe que não precisa esquentar a cabeça com isso, mas, crise, não tem como.
O que a gente faz sobre isso?
Não tenho mais unhas pra roer, e o cigarro finge que me ajuda, os doces são a minha perdição, mas não sei até onde dá pra levar isso.
Sabe, o que a gente faz?
Eu procuro
Olhos que procuram
Depois do adeus
Eu procuro gente que olha
E quando percebe o olhar
Dá um sorriso desconcertado - desconcertante
Eu procuro
Mãos que enlaçam
Buscando carinho
Eu ando procurando
E sei que não vou encontrar
Mas a graça é a procura
Eu procuro
Conversa fiada afiada
Sem medo de ser julgado - julgar
Eu sigo procurando
E quando encontrar
Vai ser tão bom
Te desafio a viver sendo uma pessoa horrível
Te desafio a ser eu por dois dias
E andar cada passo que andei
Com as mesmas ondas que levei
Com o mesmo vento que ouvi
Com as mesmas estrelas que admirei
E pegar a mesma gripe que peguei
Olhar as nuvens como vi
Com os mesmos calçados que usei
Sentir a maré chegar como a que vem
Eu te desafio a aprender a amar
Descobrir como caminhar
Por qual via olhar
Pra no final perceber que não é nada
Que nunca foi
E nunca será
(...)
E eu aqui
Desejando estar naquela janela comprida
Vestida só com a sua camisa
Fumando um cigarro breve com desejo de corpos pelados se embolando
Eu só queria estar aí
Eu só queria te encontrar naquele metrô
5 minutos antes de fechar
Com aquele suspense de "quem vem?"
Se vem
Alguém
E se a saudade apertar
Eu pego um ônibus pra São Paulo
Eu vou até Brasília
Quem sabe até Olinda
Mas eu volto pra te buscar
Eu vou pro Paraná
Talvez a Bagdá
Eu vou ao fim do mundo
Mas eu volto pra te buscar
Até se no Peru, Argentina ou Uruguai
A saudade apertar
E tu me ligar com aquela voz apertada
Dizendo VOLTA
Eu volto pra te buscar
6 DE JANEIRO DE 2016 / BA/BR
Eu
Muito volúvel
Muito volátil
Que ardo e queimo
Em infinita combustão
Jamais saberia dizer
Nem aos 40 minutos do segundo tempo
Se conseguiria incinerar
Novamente o meu peito
Depois das cinzas que empoeiraram o corpo
Quando o sol partiu
E me rasgou a alma
Como carne em ferida exposta
Eu
Tão irredutível
Tão variável
Que não sei se quero neve no sol
Ou se quero fogo na chuva
Jamais conseguiria dizer
Nem mesmo à frente do precipício
Que lhe amo com todo o meu coração
Depois que a fênix se atirou do vigésimo nono andar
Levando nas asas a minha sanidade
Como libélula no vento
Eu
Sempre impossível
Sempre moldável
Que me encaixo em qualquer pedaço de vazio
E me contento com migalhas
Jamais seria capaz de viver nos seus braços
Nem mesmo que fosse a mais delicada flor
Para morrer ao desabrochar dia após dia
Nos campos cercados
Desse teu amor latifúndio
Como pássaro enjaulado
Baby
Sempre dificil
Sempre inacessível
Que não quer nada além de se perder
E monologar insanidades
Jamais será o suficiente para mim
Nem mesmo que uma siririca no banheiro me refugie
Para, de uma vez, te abandonar
P.S. Não se esqueça de esquecer que eu existo.
Querido, você ainda se lembra do meu cheiro de sono?
Você dizia isso sorrindo seguido por um "você parece uma criança fofinha".
E isso me lembrava uma de nossas músicas que dizia
Fragile like a baby in your arms
Continua sendo questão de não deixarmos o que construímos virar cinzas
Continua sendo questão de guardar o amor pros dias de tempestade
E gastá-lo todo nos dias de sol e praia.
Dormir no teu ombro, no teu colo, no teu peito
Acordar com um beijo
Ouvir teu "eu te amo" enquanto canta mais uma das suas músicas favoritas pra mim.
Deitada no seu colo entre o corpo e o violão
Meu lugar favorito.
O melhor lugar do mundo continua sendo seu abraço
E tudo o que eu queria era deitar no teu colo ouvindo nossa canção.
Eu espero pelo dia em que nossas músicas não sejam mais nossas músicas, e passem a ser apenas músicas.
Agora você não se importa mais em passar vinte-e-quatro horas com a cara no celular.
Talvez nem tenha hora pra voltar.
Ou dias da semana pra namorar.
Agora você é mais solto e demonstra mais.
É popular.
Tem amigos.
Vai à festas.
Está até bebendo.
Agora você é tudo o que eu precisava que você fosse.
Menos meu.
Hoje eu me proibi de chorar por você.
Por que dificulta se é mais fácil dizer que nunca amou?
Hoje eu me proibi de sentir por você.
Porque o que eu sinto hoje já não é mais fruto de um amor.
Hoje eu me proibi pensar em você.
Numa falsa tentativa de não remoer o passado e te convidar pra entrar.
Falhei.
Descumpri minhas leis.
Amei.
Vestido azul
Na melhor cidade do Brasil
O vestido que coloquei no dia em que te conheci
Você estava tão linda
Nunca fui tão fã de praia, mar, areia
Hoje me pego amando sereia
Cultuando Yemanjá
Pegando insolação
Aprendendo a nadar
Vida, bela vida
Vida breve
Vida dura
Pudera ser mais leve
Pudesse ser mais pura
Vida, me leve
1 inquietude interior
2 ataques de ansiedade
3 semanas sem fumar
4 dias pra São Paulo
5 mensagens não enviadas
6 unhas não roídas
7 horas da noite
mil estrelas no céu
morre aqui tudo o que escrevi nesse papel
3 semanas e alguns dias sem fumar
Olha que engraçado
A abstinência não é coisa do meu passado
Já escrevi sobre a imensidão de crescer
Já falei de amor
Falei também do quanto sofri
E de toda minha dor
Falei do céu, do mar, dos sonhos
Estrelas no céu, meteoritos
Falei dos aflitos
Gritei os meus gritos
Jurei que nunca menti
Escrevo vagamente tudo o que vi
Hoje faço poesia
Ontem fazia prosa
São Paulo minha casa
De onde nunca parti
Bahia que me tem
Hoje me vê partir
Bahia, 40 graus
Mas meu coração permanece frio
Barulho de mar
Som suave
Brisa morna de fim de tarde
Não sei porque escrevo
Tento preencher o vazio interior
Por bobagem ou falta de pudor
Escrevo
Lembro do meu amor
As ondas próximas
Maré alta
Abstinência
Boca amarga
saudade
au,a-u/
substantivo feminino
1. Palavra brasileira que expressa dor.
A vida é mesmo tão rara, não é mesmo?
Quando menos vê, já foi, já passou.
E o que fica?
Eu ainda não sei enxergar a morte de forma positiva por causa da dor que traz.
Que egoísmo.
Eu tenho disfarçado lágrimas em sorrisos há muito tempo.
Perdoe, Drummond. Eu já não sei mais quantas lágrimas calamos.
Eu me perdi nas contas, não nasci pra números, pra calcular a vida em anos, pra perder dias e jogar séculos no lixo.
Me sinto tão infinita, não consigo pensar exatamente na minha morte, imagino que deva doer.
É um mix de pavor com curiosidade.
Talvez eu seja mesmo muito egocêntrica a ponto de não desejar aos outros
Mas desejar a minha essa dádiva do saber infinito e o "não mais sentir dor".
Eu torço pelo melhor, às vezes quase sempre.
Eu só quero que tudo fique bem.
Não pelo remorso. Pelo carinho.
Não sei lidar com perdas e partidas.
Acho que fui fabricada com defeito.
Eu tenho trazido dentro de mim inquietações que têm me causado ansiedades imensas.
Eu gostaria de conseguir mudar certas cosias que fazem parte do que sou e que me doem e me fazem doer aos outros.
Por esse lado, queria ser outra.
E quero não ter que me prender a poeticidade das minhas escrituras.
Eu gostaria de ter mais empatia.
Escutar mais, falar menos.
Gostaria de saber me expressar sem que fosse de forma agressiva.
Gostaria de conseguir me autoproteger de forma que não fosse a violência.
Eu gostaria de saber amar as pessoas, e praticar as coisas que eu acredito de forma mais aberta às mudanças.
Gostaria de entender melhor como cada um é e saber respeitar essas particularidades todas.
Tenho uma grande dificuldade em me relacionar com pessoas em qualquer âmbito e isso é minha principal meta de mudança.
Tenho conhecido pessoas incríveis que me fazem perceber o ser humano deplorável que sou em inúmeras situações.
Quero parar de julgar as pessoas pelo que elas aparentam e saber dar o melhor de mim pra quem me precisar.
E ser disponível, disposta, ativa.
Quero conseguir meditar, parar de fumar, voltar a pintar.
Dar carinho, amor e atenção àquela que me trouxe ao mundo.
Saber perdoar meu genitor e entender que cada um só pode dar aquilo que tem.
Gostaria de ser menos egoísta e odeio essa parte de mim que precisou ser pra sobreviver.
Odeio essa parte de mim que precisou bater e gritar pra ter respeito.
Odeio essa parte de mim que fala palavrão desenfreado, até em locais impróprios.
Odeio minha falta de medida sobre como agir a certas coisas e acabo estragando tudo sempre.
Eu gostaria de por algum momento ter a resposta sobre como mudar tudo isso.
Ontem me disseram que vem com o tempo.
Mas eu não quero esperar. Quero pra já!
Não quero continuar a ser essa pessoa horrível.
BA/BR - 2016
No princípio de tudo houve luz e na luz, uma explosão.
Se a fé é a base do poder de atração e resultados físicos
Então o universo creu em si mesmo para que existisse a ele próprio?
Seria um átomo com tanta força de vontade a virar o Deus?
E se fosse, seria ele ainda o mesmo átomo?
E se, ainda que fosse, tivesse criado o tão poderoso Sol. Por que o faria?
Seria pelo prazer do calor ou pela vaidade da beleza?
Ainda que pelo prazer, por que a Terra?
Pela necessidade de veneração ou pelo egoísmo de criador?
Mesmo que pelo egoísmo, por que alguém pensante?
Para que tivesse servos ou alguém que destruísse tudo o que fez?
E mesmo que pelo egoísmo, a ganância de ser mais o corrompeu.
E, embora pela fé tenha sido mais, no princípio houve luz e com a luz, uma explosão.
Explosão sem prazer, vaidade, egoísmo ou ganância.
E o tão pequeno átomo nada foi senão ele mesmo.
Não existe liberdade maior que ser o que se é.
O silêncio que hoje trago é fruto do caos que há aqui dentro.
A dor nunca me foi tão amiga, tão amarga.
Drummond me pergunta quantas lágrimas disfarçamos sem berro,
Lhe respondo que são incontáveis, mas que a alma, de ferro, um dia se esvai
c o m t u d o i s s o
E o peito, que já doído e lamentado, voltará a sorrir
Como numa manhã de domingo em que acordas com os pássaros cantando ao pé da janela.
Hoje dói, amanhã não dói, um dia dói.
Logo passa, logo some, logo desaba.
Desmorono.
Deixei meu coração no congela(dor).
Virei gelo.
E eu
Que pensava que nunca mais amaria alguém novamente
Me apaixonei
Pela mesma pessoa
Quando ela se despede
Eu me despedaço
Mulher, tu não sabe o quão frágil sou ao teu lado.
Quando encosta tua cabeça no meu ombro
Sinto o mundo em você.
Te sinto o tempo todo.
Te quero o tempo todo.
Acho que te gosto.
Nosso amor infinito durou aproximadamente 5 minutos.
Ele desembarcou.
O amor acabou.
Devia ter pego contato.
Agora eu me sinto como se pudesse transpassar qualquer dimensão.
Me sinto infinita, onipresente.
Todas as coisas são vistas em nono plano e meu plano, já astral, me leva pra Júpiter.
Os pássaros cantam, o vinho no meu estômago resmunga, os olhos já cansam.
Vou explodir.
Adeus.
Hoje
Eu vejo um homem anunciando alegremente essa terça-feira de sol escaldante,
Mas nada me impede de ver o cinza dessa cidade de pedra, de gente morta, de corações frios.
Hoje
Eu vejo a vida melhor do que antes, talvez seja a idade, talvez seja a realidade, talvez sejamos nós mesmos.
O céu ainda é azul, quisera roxo ou rosa, talvez laranja e com estrelas a quilômetros de distância.
Quisera ter o céu.
Quisera a alegria do moço que anuncia essa terça, o primeiro dia do novo mês, a oportunidade de uma nova vida.
Às vezes tenho a impressão de que só eu existo no mundo.
Existo, sobrevivo, vivo.
Vivo. HAHAHA.
Que piada de mau gosto.
Queria não pensar tanto.
Queria não sentir tanto, embora tenha me tornado um poço de sentimentos.
Sou de amores fáceis. Fáceis paixões.
Fáceis, não falsos.
Intensidade à flor da minha carne.
Se essa pele na qual habito não fosse a mesma, talvez não seria eu.
Minha pele exala carícias e fáceis gostares.
Não quero ser outra.
Não quero não sentir mais de novo. Dói.
Dóis mais que o ácido que corrói. Dói mais que amor não correspondido.
Veja só, que absurdo!
Ela ama demais!
-E como sofre..
Nessa sociedade de miséria sentimental, sou só mais uma das raras espécimes.
Quero mais.
Quero ser mais.
Manias. Manias tolas. Manias.
Mania de secar o corpo começando por baixo, de secar o cabelo por cima, de amar desenfreada e doer até a alma.
Por que hoje todos os meus textos são teus?
Por que amanhã a gente se reinventa?
Por que agora a gente não vive como queria?
Por que nesse instante não estou nos seus braços acariciando seus cabelos?
As estrelas ainda me lembram você e, não sei se viu, mas a lua tá linda
como naquele dia em que dissemos que nosso amor seria infinito.
Juras de amor, afeto fácil, falta de fôlego, mais um cigarro.
Ainda não te convenci que tuas roupas ficam bem melhor em mim
Assim como ainda não te convenci que somos bem melhores juntos.
Quem sabe um dia..
Mania de lembrar, de esquecer, de não querer, de desejar.
Mania tola.
Mania.
Quem sabe um dia..
Quem sabe um dia..
Eu paro pra ler teus textos e tudo o que faço é chorar enquanto fumo um cigarro que me deixaram ontem a noite.
Você sabe o quanto me dói. Sabe o quanto dói.
Há uma semana atrás tentei te dizer todas as verdades que escrevi.
Hoje, nem o universo me trata bem.
Meu cigarro já acabou, apaguei no cinzeiro e ele ficou de pé e você não ta aqui agora pra mim.
Não me faça texto, me faça sua.
Minhas flores estão murchando, como a minha vida. Aos poucos. Até morrerem.
How close am I to losing you.
Me surpreende a minha necessidade de você, como uma droga.
Me surpreende como tão distante e tão insignificante você importa.
Nada mais a dizer.
Não se desculpe.
Ainda não aprendi a lidar com minha necessidade de atenção e ansiedade incomum.
Novidade, não é?!
Virei texto. Queria virar beijo. Amasso.
Queria ser algo.
Eu quente, tu frio.
Eu tempestade, tu calmaria.
Eu vendaval. Meu vendaval de drama.
Vamos sair, tomar uma cerveja, enquanto tento te convencer a não ir embora e fingir que não saca esse meu joguinho involuntário.
Vamos beijar, abraçar, dormir, nos odiar.
Sinto falta.
Não importa.
Perdão.
Mais um cigarro.
Eu prometi que ia parar.
Nós dois sabemos que não consigo.
São 7 livros, 4 meses, 20 cigarros num maço, eu e você.
Queria que teus textos fossem pra mim.
Acho que não tem nenhum.
Desculpe meus textos desleixados.
Desculpe minha mente desleixada.
Desculpe minha ascendência ariana e desculpe minha necessidade de atenção.
Por fim, me desculpe.
Fim.
Anda sozinha na rua escura com teu ar petulante.
Tá caçando briga. Tá caçando desassossego.
Fuma um Marlboro e finge que tem mais de 18.
Espalhou por aí que tinha adquirido uma tal liberdade, que se tornara dona de si, que pudera até ser gente grande.
E vocês acreditam?
É só mais uma nesse chão quente da Bahia.
É só mais uma nessa areia fria do Rio de Janeiro.
É só mais uma preta nesse solo brasileiro.
Preta desamparada.
Tua liberdade é fruto da tua luta, da tristeza que lhe foi dada na maternidade, desse karma que carrega junto à sua alma.
Preta, tem esperança, um dia tudo muda.
Preta livre, mente aberta, aguardando a hora certa pra se abrir pra esse mundo que só machuca.
Espera, menina. Uma hora tua hora chega.
Estava em falta com os pensamentos.
Decidi escrever.
Não sei se é a falta que me faz ou se a faço eu.
Fazer! Fazer! Fazer! Produzir!
Tenho tantas coisas na cabeça. Física quântica, palavras, pessoas, sentidos e sentimentos. Tenho em mim o mundo.
Sou feita de palavras, feita de amor.
Quisera eu escrever sentimentos, materializá-los.
Quisera eu ser alguém.
Como não sou, escrevo palavras perdidas pra ninguém, pois é o que sou. Ninguém.
Me deixa no meu vazio de solidão.
Adeus.
Aqui? Sou eu. Eu e todas as coisas que você deixou pra trás na lixeira das nossas memórias. Cada momento. Aqui. Um registro do que fomos. Breve registro.
Registro do que fui e do que somos. Nada.
Fotos. Déjà vu. Tua casa. Nosso quarto. Meu aniversário 2013.
Nos conhecemos 6. Desconhecemos 6.
Pecado terrível.
Nossa gata, teu passado, teus presentes. Meus presentes! Tsurus. Tênis-escada, um laço de fita vermelha. Meia.
Dó Ré Mi Fá. Só sei fazer um Ré, talvez um Sol. Só.
Batom vermelho. Alergia à camisinha vagabunda.
Queria ter guardado teus gozos pra colocar nesse belo mural de recordações.
Sabia qual era teu sutiã favorito e fazia questão de usá-lo e fazer com que o tirasse. Sua reação ao me ver com a lingerie nova, último filme que não vimos, nossa rosa caída, teus sândalos e sóis. Livros, exposições, cinemas, parques. Tudo dentro de uma gaveta cheia de lembranças de tudo o que fomos.
E as pinturas? Muitas! Retratos do que sentíamos. Um pedaço de prata no dedo. Ainda cabe.
Sometimes you make me feel like I’m living at the edge of the world.
Marcas de batom. Quantas vezes? Talvez uma ou duas, ou setenta e algumas. Talvez mais.
We know a place.
Robert Smith e um piercing no septo. Talvez nos mamilos, mas sei que não gosta.
Tenho duas fotos.
Tinha meu coração.
Não mais.
Meu corpo. Sei o que gostava mais. E isso eu sabia de cor, como sabia que o céu estaria cinza na tarde seguinte, como sabia que nosso destino seria o que somos hoje.
Sempre soube. Sabe disso.
Fruto do que fomos, fruta que se parte. Amora. Amor. Ama. Não, não ama.
O que sou? Parte de nada. Parte do que fui. Parte. Parte de mim. Te expulsa e morre.
Com amor, pra sempre sua ex.
Corre o tempo
Corre a gente
Corre feito mar, como se o mar fosse gente
Tempo! Tempo!
Desacelerar.
Que pare pelo bom dia
Ou pela moça bonita
Que pare o tempo para o tempo parar
Para que pare a gente cansada de tanto chegar
Tudo passa, a gente não vê
Presos no carro ou na tevê
Sem tempo para o amor!
Como vivemos?!
Reprogramar.
Se não é o tempo acaso de nós
Quem sabe somos acaso do tempo
Tudo em seu tempo.
Será que o tempo tem tempo pra amar?
A vida sempre vai me confrontar comigo mesma.
Sempre vai buscar de mim uma resposta para todas as minhas indecisões e para os meus problemas…
Mas, a triste realidade é que eu não sei que resposta dar à vida.
O que dizer aos problemas, às dificuldades?
Talvez só seja apropriado dizer “sejam bem-vindos e aproveitem a estadia em meu peito”,
Mas acho que eles não se contentariam com essas simples palavras.
Nossos problemas dormem em nós e nos acordam com gritos durante a madrugada.
Eles gostam do nosso sofrimento, da nossa dor, do desespero que há em nós.
Eles dormem, mas esperam a única chance de te fazer se lembrar dos “ses” e logo existirá seu próprio epitáfio.
Em mais uma das minhas peripécias de perder aula, hoje me encontro em um ônibus no metrô Tatuapé.
Com sorriso e carinho, penso no guri barbado.
Ah, meu deus!
E aqueles olhos melancólicos?
Todos somos tristes, sem ver, ou vendo…
Mas ele…
Com tantos motivos pra chorar, decidiu sorrir.
Loucura?
Não.
Acho que é apenas o seu jeito de ser feliz.
A beleza não está naquilo que você vê.
Mas sim naquilo que não existe.
Utopia.
Para começar o dia, acordei cedo, atrasada como sempre, levantei e fui me arrumar.
Fiz cinco pães e saí de casa a caminho do ponto de ônibus que me levaria até a rua da escola.
Era 6h50 e eu não estava nem na metade do caminho. Decidi, então, que não voltaria para casa, mas viajaria sem rumo a bordo de um metrô qualquer.
Me via no metrô Penha.
Fui até Corinthians-Itaquera, peguei um folheto com o mapa metropolitano, numa tentativa frustrada de ir pra linha 11-Coral.
Voltei para o Brás, onde fiquei lendo uma revista num banco e vi que, às 9h20, sem dinheiro e sem rumo, não há nada em SP.
Quais são as tuas prioridades?
O que tu quer da vida, menina?
Tua vida é tão triste assim ou fazes drama?
Suporte suas larvas e conheça suas borboletas, garota, pois a vida se finda.
Eu gosto desse barulho, desse som de chuva, do som da sua voz e o seu coração batendo como uma escola de samba em meu peito.
Eu quero ficar sozinha, sozinha com o meu barulho.
Quero o barulho dos pequenos submarinos pretos que mergulhavam seu peito e desbravavam seus mares.
Quero teus beijos e teus carinhos de amor com teus olhos de criança assustada.
Sei que vou me arrepender, mas tudo é assim, afinal, nada vale a pena e nada é real.