LINHAS DO MODESTO SABER DA GENTE
LINHAS DO MODESTO SABER DA GENTE
"É O RETRATO DA NATUREZA, A VERDADE DO MUNDO"
Poesias inspiradas na beleza da natureza -, e sobre ela.
(...) Daí a natureza rela meu coração,
e é quando seguro na mão do mundo,
que tudo, em verdade, me basta.
E eu morro e vivo, no mesmo igual (...)
(...) Ninguém sabe nada.
Só ele assiste o começo da vida,
e viu todos os seres de outrora caminharem,
e a míngua do tempo deles. (...)
É verdade que toda vez,
sempre toda vez,
natureza vem ao mundo,
abraça fosse filho. (...)
Que a vastidão do mundo lembre que o que há é pequeno,
O que não há também. Obsoletas minhas ideias parecem,
Já que tudo que vejo é grande; já que o que sou é pouco. (...)
"EM FACE DO MUNDO, EU NÃO ME RECONHECERIA"
Poesias e crônicas de desconfianças acerca do mundo, - e de quem vive nele.
(...) Pois errado como,
se as coisas mesmas
nos ensinaram a olhar elas?
Não. Falação.
Ninguém ensina.
A gente aprende é sozinho. (...)
(..) Então finjo ser, quilo que não sou. E sou o resto. O que sobra e é primeiro. Menos, no instante momento do meu viver, menos fui eu. Às vezes sou, mas só de brincadeira, para não esquecer. (...)
(...) Mas na hora que a vida me bastar, - isto é, eu bastar ela, - estará certo. Sem desagrados.
Quando eu adoecer, ou os anos me cansarem, e a cama for o meu corpo inteiro, será óbvio. (...)
(...) o sol é um pra todo um mundo. Mas é mentira. Porque tenho certeza, que sol que chega nos prados (...), não é esse mesmo que eu vejo quando não estou lá.
"DEUS É TÃO LIGEIRO QUANTO EU, NA VIDA E NA MORTE"
Crônicas do modesto saber da gente, - que de nada sabe.
(...) Quem olha e diz que somos breves? Deus? Ora, se falo, Deus é tão ligeiro quanto eu, na vida e na morte. Quem olha Deus, é o mundo, que pode ser maior que ele. E quem diz, que não há coisa maior que Deus, se engana. Pois o Deus da igreja está no seu tempo, o tempo de Deus e da igreja. (...)
(...)Toda metafísica do mundo está em uma rua não muito cheia. Meu amigo que chega, que pensa, que pensa que é? Eu não sei. (...) conta-me o que fez de manhã, e toda existência do mundo reúne-se na verdade daquela hora. (...)
(...) Igual Spinoza, eu penso em Deus, porque se ele fez - e pode ser -, a natureza inteira, então, igual Pessoa, amo-o e vejo-o como rios, montes e árvores. Pois assim, creio, gostaria Deus que fosse, se ele pudesse me falar certa coisa. Embora, (...) eu, ainda, o conheço ao inteiro menos. (...)
A razão das coisas vivas é ser, (...), a natureza inteira existe para ser a natureza inteira. E as árvores sejam árvores, e cada qual; e os rios sejam rios, na mesma plenitude e exatidão que as árvores as são. (...)
QUE TAL LER UM LIVRO?
Apesar de não ser uma coletânea, de crônicas ou poemas, a novela Minas de Areia tem, com toda certeza, muita poesia.
"(...) Gente de menos, é possível se não tinham pr'onde sair? Ora, gente, de menos a ter carência de gente, a ser gente viva. Mortos não dão de ter fome. Um bocadinho de meia dúzia tinha desfalecido. Falecido? Desfalecido. é como fosse falecer sem dar por conta antes (...)"