O período 1914-45 foi caracterizado por uma força destruidora, redução do comércio mundial, isolamento crescente, guerras militares e comerciais frias e quentes, despotismo e depressão.
Após a II Grande Guerra Mundial, o mundo tem usufruído de crescente cooperação económica, da ampliação dos laços comerciais e da integração crescente dos mercados financeiros, da expansão da democracia e de um crescimento económico rápido. De 1945 a 1973 o comércio mundial cresceu mais rapidamente que a produção. Em 1973 foi o primeiro choque petrolífero que travou um período de expansão económica sem precedentes, que se havia iniciado com a necessidade de reconstrução da Europa no pós Guerra, financiado pelos EUA através do Plano Marshall.
Os sistemas de estatística nascidos para medir a crise de 1929 nos EUA, foram transpostos para a Europa no pós-Guerra - para verificar os resultados da aplicação dos investimentos do Plano Marshall -, pelo que até 1960 geralmente apenas temos estimativas. Os dados de 2000 para cá indicam que as exportações chinesas têm crescido quase 3 (690/241=2,86) vezes mais rapidamente que as mundiais, adquirindo um peso no Mundo que contrasta com a perda de importância das restantes potências.
Entre as potências comerciais, a UE no seu conjunto, foi a área que perdeu menos importância, certamente em resultado da intensificação das trocas que promove entre os Estados-Membros, promovendo o comércio livre.
Observe-se que o Reino Unido perdeu importância no comércio mundial, o que em parte, justificará a aventura do Brexit. Porém, deveremos ser cautelosos porque a França apresenta valores semelhantes e continua empenhada no processo de integração europeia.
Portugal, relativamente ao Reino Unido e a França até teve um melhor desempenho, mas aproveitou mal as oportunidades se o compararmos com a UE, a Alemanha ou mesmo Espanha.
O Gráfico acima mostra que a importância das Exportações no PIB aumentou de modo muito diferenciado. Em 1970 o país mais aberto ao exterior era o Reino Unido, representando as exportações 21,8% do PIB, 8,2 pontos percentuais acima do Mundo (21,8%-13,6%=8,2 pp), contudo até 2018 o comércio no Mundo cresceu mais rapidamente. Na União Europeia o comércio cresceu mais rapidamente destacando-se a Alemanha com mais 32,3 pp (47,4%-15,1%=32,3 pp). Nas "economias Continente", Brasil, Estados Unidos e China, a importância das exportações no PIB é inferior ao peso que estas têm na economia mundial, exceptuando a China durante o período 2003-2008. De 1970 a 2006 a importância das exportações no PIB subiu 33,5 pp (36,0%-2,5%=33,5pp), mas a partir da crise financeira 2007/2008 as exportações chinesas têm perdido importância na economia mundial.
Durante a Guerra Fria, cada super-potência controlava a sua zona de influência, no interior das quais se migrava, mas o fenómeno teve dimensão incomparável dos movimentos migratórios posteriores.
De 1990 para 2017 os migrantes aumentaram 70% no Mundo, procurando principalmente a UE e os EUA, cujas taxas de variação são 159% e 114% respectivamente. Na UE, depois de Espanha - surpresa pós 2005 -, o Reino Unido foi o país com maior aumento de migrantes, 142%, seguido da Alemanha com 105%.
Espanha surpreende, particularmente após 2005, talvez por ser vítima da sua posição geográfica. Que terá sucedido na Grécia, em Itália e na Turquia?
O Brasil deixou de ser destino, passando a ser ponto de partida, com a taxa de variação negativa revela.
De 1990 a 2015, a importância dos migrantes relativamente à população mundial não é significativa, observando-se um aumento de 0,4 pp (3,3%-2,9%=0,4pp). Na China e no Brasil, relativamente à população total, os migrantes não têm significado. Nos Estados Unidos e na União Europeia a população migrante tem crescido mais rapidamente, particularmente na Alemanha, que registou um crescimento de 7,4pp (14,9%-7,5%=7,4pp). No -Reino Unido este crescimento foi igualmente rápido, 13,2%-6,4%=6,8pp.
Rendimento Mensal
Em todos os países fundadores da CEE o Rendimento Mensal equivalente é superior ao português, e na generalidade dos países do alargamento de 2004, o rendimento é inferior, com três excepções: Malta, Eslovénia e Estónia.
O Rendimento Mensal português não chega a metade do alemão (42,7%), mas recebe 1,5€ por cada Euro de rendimento dos polacos. Este indicador é frequentemente associado ao nível de desenvolvimento dos países, entendo-se que estes, por produzirem mais riqueza poderão distribuir maior rendimento.
Taxa de Pobreza
Encontra-se em pobreza a população cujo rendimento é inferior a 60% do rendimento mediano. A Taxa de Pobreza em Portugal (17,3%) é a maior. Curiosamente a da Polónia (14,8%) é a menor, mesmo com um valor melhor que o da Alemanha (16,0%). Este resultado compreende-se recordando que os países do alargamento de 2004, pertenciam a um bloco de países socialistas, cujos povos exigiram a transição para o mundo das economias capitalistas, por as suas empresas não serem competitivas com as ocidentais, mas em cujos países os Estados asseguravam uma repartição do rendimento bastante mais justa. Porém, haverá que ter cuidado com generalizações apressadas, porque nalguns países deste bloco o Partido Comunista se apropriou do aparelho de Estado para concentrar os rendimentos na elite do partido, originando distribuições do rendimento muito injustas.
Taxa de Pobreza e Exclusão Social
A Taxa de Pobreza e Exclusão Social, apresenta valores superiores aos da pobreza monetária, porque integra outras situações, além desta. Alemanha e Polónia apresentam valores muito próximos (18,7% e 18,9% respectivamente), situando-se Portugal quase 3 pp percentuais acima de ambos, com uma taxa de 21,6%.
Privação Material Severa
Definido um conjunto de 9 itens básicos, diz-se em privação material quem não dispõe de 3 desses bens, e em privação severa encontram-se aqueles a que faltam 4 ou mais itens. Portugal apresenta a maior percentagem da população em Privação Material Severa, 6,0%, a 1,3 pp da Polónia e a 2,9 pp da Alemanha.