DO CÉU À TERRA.
DO CÉU À TERRA.
ISRAEL GOVERNADA POR HERODES.
ISRAEL GOVERNADA POR HERODES.
OS PODEROSOS DO ESTADO DE ISRAEL NÃO APRENDERAM NADA DO HOLOCAUSTO SOFRIDO PELA FEROCIDADE DIABÓLICA DO HITLER.
HOJE O POVO DE ISRAEL SE ENCONTRA OPRIMIDO PELO TIRANO FASCISTA E NAZISTA HERODES.
MUITOS CIDADÃOS JUDEUS PROTESTAM INUTILMENTE CONTRA SEUS PRÓPRIOS GOVERNANTES PELA LÓGICA NAZISTA EMPREENDIDA CONTRA A PALESTINA E AS CRIANCINHAS QUE VIVEM NA FAIXA DE GAZA, QUE SE TORNOU INFERNAL PELO GOVERNO DO CANDELABRO DE SETE BRAÇOS.
ISRAEL, O POVO ELEITO POR DEUS, QUASE SEMPRE DURANTE O TRANSCURSO DE SUA HISTÓRIA TEVE GOVERNANTES TIRANOS E CORRUPTOS. NA BÍBLIA OS PROFETAS QUE GRITAM NO DESERTO FREQÜENTEMENTE, EM NOME DO PAI ADONAI, AMEAÇAM OS PODEROSOS E AO POVO DE ISRAEL COM CASTIGOS DIVINOS, OS QUE SEMPRE SOBREVIERAM COM O PASSAR DO TEMPO. SOMENTE DEPOIS DE TRÁGICOS SOFRIMENTOS O POVO DO SION SE ARREPENDEU TEMPORARIAMENTE VOLTANDO A SER SÁBIO, PACÍFICO E JUSTO.
O POVO JUDEU, POR ESCOLHA PRÓPRIA, VIVEU ATÉ O DIA DE HOJE ESTE CICLO MILENAR DE DESOBEDIÊNCIA, CASTIGO, ARREPENDIMENTO E LIBERTAÇÃO.
E HOJE, EM VOSSO SÉCULO XXI QUAIS SÃO OS PROFETAS QUE ADVERTEM ISRAEL E OS PODEROSOS DO MUNDO? QUAIS SÃO AQUELES QUE REPRESENTAM A VOZ E O ESPÍRITO DO ALTÍSSIMO?
O PAI ADONAI, ASSIM COMO NO PASSADO, PODERIA SERVIR-SE DOS INIMIGOS DE ISRAEL PARA ADVERTIR O SEU POVO ELEITO? (2Reis 17:18-20 assinala: “o Senhor se zangou muitíssimo com Israel e os expulsou de sua presença. Não ficou nem um israelita, só ficou a tribo de Judá. Mas nem ainda a gente de Judá obedeceu os mandamentos do Senhor seu Deus. A gente de Judá viveu tal como viveram os israelitas. O Senhor rejeitou a todos. Os fez Apassar muitas dificuldades; permitiu que lhes saqueassem tudo o que tinham e, finalmente, os atirou para longe de sua presença”).
NO SALMO 78:61-62, Asaf conta que Deus, quando se deu conta dos ídolos de Israel “... entregou ao cativeiro seu poderio, e sua glória em mãos do adversário. Entregou também seu povo à espada, e se indignou contra sua herdade”.
DEIXAMOS NAS MÃOS DE CADA UM DE VÓS AS RESPOSTAS A ESTAS PERGUNTAS. SOMENTE PODEMOS VOS RECORDAR COM AMOR FRATERNAL E JUSTIÇA DIVINA QUE ISAC E ISMAEL SÃO IRMÃOS, FILHOS DO MESMO PAI ABRAÃO E DO MESMO DEUS (ADONAi-ALÁ). PÔR NO ALTAR DO SACRIFÍCIO UM DOS DOIS, OU AMBOS IRMÃOS, SIGNIFICARIA A VITÓRIA DO MAL E DESENCADEARIA INEXORAVELMENTE A INEVITÁVEL IRA SANTA DE DEUS E, PORTANTO, UM NOVO DILÚVIO UNIVERSAL DO QUAL SE SALVARIAM SOMENTE ALGUMAS POUCAS ALMAS PIAS E JUSTAS AOS OLHOS DO CRIADOR. PORTANTO PARA EVITAR, A LÓGICA NAZISTA TEM QUE SER SUBSTITUÍDA PELA LÓGICA CRISTICA. SOMENTE ASSIM ISRAEL E OS ÁRABES PODERÃO REENCONTRAR A PAZ, DO CONTRÁRIO SERÁ SANGUE QUE CHAMARÁ O SANGUE ATÉ O DIA DO JULGAMENTO NO QUAL TUDO SE DETERÁ, E A PALAVRA SERÁ PASSADA AO SUPREMO JUIZ QUE RETORNARÁ.
SIM! QUE RETORNARÁ, COM PODER E GLÓRIA.
PAZ!
UM DEUS SOLAR.
Através de,
G. Bongiovanni
Palermo – Itália, 20 de Novembro de 2012.
Às 15:32 horas.
Anexos: Artigos de Eduardo Galeano, Piergiorgio Odifreddi, Noam Chomsky e Vittorio Arrigoni
OPERAÇÃO CHUMBO FUNDIDO
(Por Eduardo Galeano)
Para se justificar, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colheitas limitadas. Tudo indica que este açougue de Gaza, - que segundo seus autores querem acabar com os terroristas -, conseguirá apenas multiplicá-los.
Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito de escolher seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está sendo castigada.
Converteu-se em uma ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Um pouco parecido tinha ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e depois viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
São filhos da impotência, os foguetes caseiros que os militantes do Hamas encurralados em Gaza disparam com péssima pontaria sobre as terras que haviam sido palestinas e que a ocupação israelita usurpou. E o desespero, à beira da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel. Gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando há anos, o direito à existência da Palestina.
Já pouca Palestina resta. Passo a passo Israel a está apagando do mapa.
Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. A devoração se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que opovo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.
Quem lhe deu de presente o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com a qual Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não teria podido bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico teria podido arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica em uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência ‘mandamais’ (USA) que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?
O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis se chama danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são crianças. E somam milhares as vítimas da tecnologia do esquartejamento humano que a indústria militar está ensaiando exitosamente nesta operação de limpeza étnica.
E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem por um. Por cada cem palestinos mortos, um israelense.
Gente perigosa, adverte o outro bombardeio, a cargo dos meios maciços de manipulação, que nos convidam a acreditar que uma vida israelense vale tanto como cem vidas palestinas. E esses meios (de comunicação) também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi quem aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada comunidade internacional, existe?
É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos se põem quando fazem teatro?
Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.
Ante a tragédia de Gaza, os países árabes se dão as mãos como sempre. E como sempre, os países europeus lavam as mãos.
A velha Europa, tão capacitada de belezas e de perversidades, derrama uma ou outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada mestra. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem serão, antissemitas. Eles estão pagando, com sangue, uma conta alheia.
(Este artigo é dedicado a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latino-americanas que Israel assessorou).
fonte: Liber-ação
http://www.pagina12.com.ar/diario/contratapa/13-118441-2009-01-18.html
IMPRESSÕES DE GAZA
(Noam Chomsky) 11-11-2012)
Inclusive uma só noite no cárcere é suficiente para dar uma ideia do que significa estar sob o controle total de uma força externa. E em Gaza apenas se demora mais de um dia para começar compreender o que deve ser, tratar de sobreviver no maior cárcere do mundo ao ar livre, onde um milhão e meio de pessoas, na região mais densamente povoada do mundo, são constantemente objeto de terror ao acaso e com frequência castigo selvagem arbitrário, com o único propósito de humilhar e degradar, e também de assegurar que as esperanças dos palestinos de um futuro decente se esmaguem, e que o entristecedor apoio global para uma solução diplomática que conceda estes direitos se declare nula.
A intensidade deste compromisso porparte da dirigencia política israelense se tornou a ilustrar dramaticamente nos últimos dias quando advertiram que vão "enlouquecer" se as Nações Unidas outorgarem aos palestinos um reconhecimento limitado. Não é uma novidade. A ameaça de "enlouquecer" (nishtagea) está profundamente arraigada, retroage-se aos governos trabalhistas da década de 1950, reminiscência do "complexo de Sansón": derrubaremos os muros do templo se os cruzarem. Naquele momento era uma ameaça vã, hoje não.
A humilhação intencional tampouco é nova, apesar de que constantemente toma novas formas. Faz trinta anos, os líderes políticos, entre eles alguns dos falcões mais conhecidos, apresentaram ao Primeiro ministro Begin um relato detalhado e estremecedor das formas de abuso dos colonos sobre os palestinos da maneira mais perversa e com total impunidade. O destacado militar e analista político Yoram Peri escreveu com indignação que a tarefa do exército não é defender o Estado, mas sim "demolir os direitos de pessoas inocentes somente porque são araboushim (vocábulo depreciativo para referir-se aos árabes, N. do T.), Kikes que vivem nos territórios que Deus nos prometeu”.
Os habitantes de Gaza são os escolhidos para um castigo especialmente cruel. É quase um milagre que as pessoas possam sobreviver. Como o fazem, se descreve há trinta anos em um livro de memórias eloquente escrito por Racha Shehadeh (A Terceira Via), apoiado em seu trabalho de advogado dedicado à tarefa impossível de tentar proteger os direitos elementares dentro de uma ordem normativa dirigida a assegurar o fracasso, e sua experiência pessoal como Samid, "um sujeito", que vigia sua casa convertida em uma prisão pelos brutais ocupantes e não pode fazer outra coisa que não, "suportá-lo".
Como escreveu Shehadeh, a situação piorou muito. Os Acordos de Oslo, que se celebrou com muita pompa em 1993, determinaram que Gaza e Cisjordania são uma entidade territorial única. Estão os EUA e Israel já tinham iniciado seu programa de separá-los completamente um do outro, com o objetivo de bloquear um acordo diplomático e castigar os araboushim em ambos territórios.
O castigo dos habitantes de Gaza se tornou ainda mais grave em janeiro de 2006, quando cometeram o grande delito de votar o "caminho equivocado" na primeira eleição livre no mundo árabe, votaram no Hamás. Demonstrando seu apaixonado "desejo de democracia", os EUA e Israel respaldados pela pusilânime União Europeia, impuseram um cerco brutal, junto com intensivos ataques militares. Os EUA também deram um giro implantando um procedimento operativo padrão quando alguma população desobediente escolhe o governo errado: organizar um golpe militar para restabelecer a ordem.
Os habitantes de Gaza cometeram um crime ainda maior um ano depois bloqueando a tentativa de golpe de Estado, o que deu lugar a uma forte escalada do assédio e aos ataques militares que culminaram no inverno boreal de 2008-2009 com a Operação Chumbo Fundido, um dos exercícios mais covardes e cruéis da força militar na história recente, contra uma população civil indefesa, apanhada sem escapatória, que foi submetida a um ataque implacável de um dos mais avançados sistemas militares mundiais que dependem das armas dos Estados Unidos e estão protegidos pela diplomacia dos EUA. Um testemunho ocular concentrado em um inesquecível relato - "infanticídio" segundo suas palavras – foi elaborado pelos dois médicos noruegueses valentes que trabalharam no principal hospital de Gaza durante o assalto desumano, Mads Gilbert e Fosse Erik, em seu notável livro “Os olhos em Gaza”.
O presidente eleito Obama foi incapaz de dizer uma só palavra, além de reiterar sua simpatia pelas crianças sob um ataque de mísseis que caíram na cidade de Sderot, Israel. O ataque cuidadosamente planejado finalizou justamente antes da tomada de posse do presidente Obama, para que logo pudesse dizer que “tinha chegado o momento de olhar para frente e não para trás”, - frase de refúgio clássica dos criminosos.
É obvio que houve pretextos, como sempre. O mais conhecido que se faz reluzir quando é necessário, é a "segurança": neste caso, os foguetes de fabricação caseira lançados de Gaza. Como todo o mundo sabe, o pretexto carecia de credibilidade. Em 2008 se estabeleceu uma trégua entre Israel e o Hamás. O governo israelense reconhece formalmente que o Hamás a cumpriu plenamente. O Hamás não lançou nem um só foguete até que Israel rompesse a trégua ao amparo às eleições dos EUA de 04 de novembro de 2008, quando invadiu Gaza por motivos absurdos e matou meia dúzia de membros do Hamás. Os altos funcionários de inteligência advertiram ao governo israelense de que a trégua poderia renovar-se aliviando o bloqueio criminoso e terminando com os ataques militares. Mas o governo de Ehud Olmert, supostamente uma pomba, optou por rejeitar estas opções, preferindo recorrer a sua grande vantagem comparativa na violência: a Operação Chumbo Fundido.
Os fatos básicos são revisados uma vez mais pelo analista de política externa Jerome Slater no último número da revista do Harvard International Security - MIT.
O padrão de ataque na Operação Chumbo Fundido foi analisado cuidadosamente pelo perito e internacionalmente reconhecido advogado dos direitos humanos de Gaza Sourani Raji. Assinala que o bombardeio se concentrou no norte, onde atacaram civis indefesos nas regiões mais densamente povoadas, sem nenhum pretexto militar possível. O objetivo, segundo ele, pôde se expulsar à assustada população para o sul, perto da fronteira com o Egito. Mas os samidin (1) ficaram onde estavam, apesar da avalanche de terror dos Estados Unidos e Israel.
Outro objetivo poderia ter sido levá-los mais longe. Remonta-se aos primeiros dias da colonização sionista quando se sustentava em grande parte do espectro que os árabes não têm nenhuma razão real para estar na Palestina, já que podem ser igualmente felizes em outro lugar e deveriam emigrar, o que educadamente as pombas sugeriam "transferir". Isso concerne ao Egito e lhe causa não pouca preocupação, e é talvez uma razão pela qual o Egito não abre a fronteira livremente à população civil ou inclusive os materiais que a Faixa de Gaza necessita desesperadamente.
Sourani e outras fontes bem informadas indicam que a disciplina dos resistentes esconde um barril de pólvora que poderá explodir a qualquer momento, de forma inesperada, como ocorreu na primeira envestida em Gaza em 1989 depois de anos de miserável repressão que não despertou nenhuma notícia ou preocupação.
O simples fato de mencionar um dos inumeráveis casos, pouco antes do estouro de Intifada uma menina Palestina, Intissar ao-Atar, foi assassinada a tiros no pátio de recreio por um residente de um assentamento judeu próximo. Foi um dos vários milhares de colonos israelenses que chegaram a Gaza, em violação do direito internacional e protegido pela presença de um exército enorme, tomando o controle da maior parte da terra e a água escassa da Faixa e que viviam "prodigamente em 22 assentamentos em meio de 1,4 milhões de palestinos pobres”, tal como o delito é descrito pelo acadêmico israelense AVI Raz. O assassino da estudante, Shimon Yifrah, foi detido, mas rapidamente libertado sob fiança quando a Corte determinou que "o delito não é suficientemente grave" para merecer ordem de detenção. O juiz comentou que a única coisa que pretendia Yifrah era impressionar a garota com o disparo de sua arma em um pátio da escola, não matá-la. Por isso "não se trata de um caso de uma pessoa criminosa a que terei que castigar ou dissuadir ou que tenha que aprender uma lição encarcerando-o”. Yifrah foi condenado a sete meses de prisão enquanto os colonos na sala explodiram em canto e baile. E reinou o silêncio usual. Depois de tudo, é uma rotina.
E assim é. Quando Yifrah foi posto em liberdade, a imprensa israelense informou que uma patrulha do exército disparou no pátio de uma escola de crianças de 6 a 12 anos em um campo de refugiados na Cisjordânia, ferindo cinco, ao meu parecer com a intenção única "de impressioná-los”. Não houve responsabilidades e o evento de novo não chamou a atenção. Era só um episódio a mais no programa de "a ignorância como castigo", - informou a imprensa israelense, incluindo o fechamento das escolas, o uso de bombas de gás, golpeando os estudantes com as coronhas dos rifles, proibição de assistência médica às vítimas; e além das escolas o império de uma brutalidade mais severa, chegando a ser ainda mais selvagem durante a investida, sob as ordens do ministro da Defesa, Yitzhak Rabin, outra pomba admirada.
Minha impressão inicial, depois de uma visita de vários dias, era de assombro, não só pela capacidade de sobreviver, mas também também pelo vigor e a vitalidade dos jovens, especialmente na universidade, onde passei grande parte de meu tempo em uma conferência internacional. Mas ali também se pode detectar sinais de que a pressão pode chegar a ser muito difícil de suportar. Os informes indicam que entre os jovens há frustração latente, existe o reconhecimento de que sob a ocupação israelense o futuro não lhes proporciona nada bom. Não é muito o que os animais enjaulados podem suportar e pode haver uma explosão, que talvez tome formas feias, oferecendo assim uma oportunidade para que os apologistas israelenses e ocidentais façam um ato de justiça e condenem às pessoas culturalmente atrasadas, como explicou com perspicácia Mitt Romney.
Gaza tem o aspecto típico de uma sociedade do terceiro mundo, bolsões de riqueza rodeadas de pobreza espantosa. Entretanto não está "subdesenvolvida". Melhor dizendo está "hiper-desenvolvida", e de maneira sistemática, para usar os termos da Sara Roy, a principal especialista acadêmica em Gaza. A Faixa de Gaza poderia haver se convertido em uma próspera região do Mediterrâneo, com uma agricultura rica e uma florescente indústria da pesca, praias maravilhosas e, como se descobriu faz uma década, com boas perspectivas de amplo fornecimentos de gás natural em suas águas territoriais.
Por coincidência ou não, assim ocorreu quando Israel intensificou seu bloqueio naval, fez retroceder às embarcações de pesca na costa, por agora a 03 milhas mais ou menos.
As perspectivas favoráveis se abortaram em 1948, quando a Faixa teve que absorver um fluxo de refugiados palestinos que fugiram aterrorizados ou foram expulsos pela força do que se converteu Israel, em alguns casos expulsos meses depois do alto comando oficial.
De fato estiveram expulsando até quatro anos depois, como informou Haaretz (25 de dezembro de 2008) em um inteligente estudo de Beni Tziper sobre a história do Ashkelon israelense sob a perspectiva dos cananeus. Em 1953, - diz, - existia um “cálculo frio necessário para limpar de árabes, a região”. O nome original, Majdal, já se havia "judaizado" ao atual Ashkelon, uma prática usual.
Isso foi em 1953, quando não havia nenhum indício de necessidade militar. O próprio Tziper nasceu em 1953, e enquanto caminhava pelos restos do antigo setor árabe, refletia que "é muito difícil para mim, muito difícil, me dar conta de que enquanto meus pais estavam comemorando meu nascimento, outras pessoas às estavam carregando em caminhões e expulsando-as de seus lares".
As conquistas de Israel de 1967 e seus consequentes golpes administrativos. Em seguida chegaram os terríveis crimes já mencionados, que continuam na atualidade.
Os sinais se vêem facilmente, inclusive em uma breve visita. Sentado em um hotel perto da costa, se pode ouvir o barulho de metralhadora das canhoneiras israelenses que obrigam os pescadores que estavam fora das águas territoriais de Gaza a retornar para a costa, e por isso se veem obrigados a pescar em águas muita poluídas porque os Estados Unidos e Israel se negam a permitir a reconstrução dos sistemas de rede de esgoto para as águas residuais e os sistemas de alimentação que eles destruíram.
Nos Acordos de Oslo se estabeleceram os planos de dois projetos de dessalinização, uma necessidade nesta árida região. Um deles, que era uma instalação avançada, construiu-se em Israel. A segunda está em Khan Yunis, no sul de Gaza. O engenheiro encarregado de obter água potável para a população explica que esta instalação se projetou de maneira que não se pode utilizar água do mar, mas sim deve se apoiar na água subterrânea, um processo mais barato que degrada ainda mais o magro aquífero, garantindo problemas graves no futuro. Inclusive com isso a água é muita limitada. O organismo das Nações Unidas de Socorro e Obras Públicas (UNRWA), que se ocupa dos refugiados (mas não dos habitantes originários de Gaza), recentemente publicou um relatório advertindo que os danos no aquífero podem converter-se logo em "irreversíveis" se não se tomar medidas corretivas rapidamente, porque para 2020 Gaza pode converter-se em um "lugar inabitável”.
Israel permite a entrada de concreto para os projetos da UNRWA, mas não para as enormes necessidades de reconstrução dos habitantes de Gaza. O equipamento pesado se encontra limitado e em sua maioria ocioso, já que Israel não permite a entrada de materiais de reconstrução. Isso faz parte do programa geral descrito pelo oficial israelense Dov Weinglass, assessor do primeiro ministro israelense Ehud Olmert, depois que os palestinos desobedeceram a ordem nas eleições de 2006: "A ideia", - disse -, "é pôr os palestinos em dieta, mas não deixá-los morrer de fome”. Isso não seria bem visto.
E o plano está continuando escrupulosamente. Sara Roy proporcionou numerosas provas em seus estudos acadêmicos. Recentemente, depois de vários anos de esforço, a organização israelense de direitos humanos Gisha, conseguiu obter uma ordem judicial para que o governo abra seus registros que detalham os planos da dieta e a forma em que se executa. Estabelecido em Israel, o jornalista Jonathan Cook os resume: "Os Funcionários de saúde apresentaram cálculos sobre a quantidade mínima de calorias necessárias para um milhão e meio de habitantes de Gaza para evitar a desnutrição. Estas cifras se traduziram logo nos caminhões carregados de mantimentos que Israel deveria permitir em Gaza a cada dia… Uma média de somente 67 caminhões, muito menos da metade do requerimento mínimo. Isso, comparado com mais de 400 caminhões antes do bloqueio. "E inclusive esta estimativa é muito generosa”, - informam os funcionários da ONU.
O perito em Oriente Médio, Juan Penetre observa que o resultado da imposição da dieta, é que ao redor de 10% das crianças palestinas de Gaza menores de 05 anos tiveram seu crescimento atrofiado pela desnutrição... “Além disso, a anemia está generalizada, e afeta mais de dois terços das crianças, 58,6% dos estudantes e mais de um terço das mães grávidas”. Os EUA e Israel querem assegurar-se de que somente seja permitido, a sobrevivência mínima.
"O que terá que levar em consideração", - observa Raji Sourani -, "é que a ocupação e o fechamento absoluto é um ataque atual sobre a dignidade humana das pessoas em Gaza em particular, e de todos os palestinos em geral. Trata-se da degradação sistemática, a humilhação, o isolamento e a fragmentação do povo palestino”. A conclusão é confirmada por outras fontes. Em uma das principais revistas médicas do mundo, The Lancet, um médico visitante de Stanford, horrorizado pelo que havia presenciado, descreve Gaza como "uma espécie de laboratório para a observação da falta de dignidade", uma condição que tem "devastadores" efeitos nas condições físicas e no bem-estar mental e social. "A vigilância constante do céu, o castigo coletivo através do bloqueio e o isolamento, a intrusão nos lares e as comunicações e as restrições aos que tratam de viajar, casar-se ou trabalhar fazem com que seja difícil viver uma vida digna em Gaza”. Os araboushim devem aprender a não levantar a cabeça.
Havia grandes esperanças de que o novo governo de Morsi no Egito fosse menos escravo de Israel da ditadura de Mubarak, respaldado pelo Ocidente, e abrisse o cruzamento do Rafah, o único acesso ao exterior dos apanhados habitantes de Gaza que não está sujeito a controle direto de israelense. Houve uma ligeira abertura, mas não muita. A jornalista Laila O-Haddad escreve que a reabertura sob o Morsi "é simplesmente um retorno ao status quo dos últimos anos: somente os palestinos que levam um cartão de identificação de Gaza aprovada pelo governo israelense podem usar a passagem fronteiriça de Rafah", excluindo muitos palestinos como por exemplo a parte da família do Haddad, onde somente um dos cônjuges tem um cartão.
Além disso, - continua -, "o cruzamento não conduz a Cisjordânia nem permite a passagem de mercadorias, que somente passam pelos cruzamentos controlados por Israel e sujeitos à proibição dos materiais de construção e a exportação”. O cruzamento de Rafah restringido não muda o fato de que "Gaza continua sob bloqueio marítimo e aéreo hermético, e continua fechada para os palestinos cultural, econômica e academicamente no resto dos [territórios ocupados], em violação das obrigações dos Estados Unidos e Israel em virtude dos Acordos de OSLO".
Os efeitos são dolorosamente evidentes. O diretor do hospital de Khan Yunis, que também é chefe de cirurgia, descreve com ira e paixão que inclusive carecem de medicamentos para o alívio dos pacientes, assim como de equipamentos cirúrgicos simples, deixando impotentes os médicos, e os pacientes agonizando. Histórias pessoais que acrescentam uma textura vívida ao desgosto geral que alguém sente pela obscenidade da dura ocupação. Um exemplo é o testemunho de uma jovem que se desesperava porque seu pai de 60 anos, que se haveria sentido orgulhoso de que ela fosse a primeira mulher do campo de refugiados que tinha obtido um grau superior, “faleceu há 06 meses depois de lutar contra o câncer, porque a ocupação israelense lhe negou uma permissão para ir aos hospitais israelenses receber tratamento. Tive que suspender meus estudos, o trabalho e a vida para ir sentar-me junto a sua cama. Sentamo-nos todos, inclusive meu irmão, o médico, o farmacêutico e minha irmã, vendo todos impotentes e sem esperança diante de seu sofrimento. Morreu durante o bloqueio desumano de Gaza no verão de 2006 com muito pouco acesso a atendimentos médicos. Acredito que a impotência e a desesperança são os sentimentos mais mortíferos que se pode sentir. Matam o espírito e rasgam o coração. Se pode-se lutar contra a ocupação, mas não se pode lutar contra o sentimento de impotência. Nem sequer se pode diluir essa sensação".
A repugnância pela obscenidade agravada pela culpa. Temos a possibilidade de acabar com o sofrimento dos samidin e lhes permitir que desfrutem da vida, da paz e da dignidade que merecem.
Traduzido do inglês para Rebelião por J. M. e revisado por Caty R.
Nota da tradutora:
(1) Os resistentes.
Fonte: http://chomsky.info/articles/20121104.htm
http://www.rebelion.org/noticia.php?id=159033
GAZA, CRIANÇAS QUE RESISTEM.
As crianças da Faixa de Gaza alcançaram dois recordes mundiais: um sorriso no meio de uma tragédia.
(Por Vittorio Arrigoni – 30 de julho de 2010 - Peace Reporter)
Creiam-me, as crianças de Gaza são crianças dignas dos recordes. Sobreviveram ao Chumbo Fundido e a cada dia sobrevivem à guerra em tempo de trégua. Arrastaram-se banhados em sangre sob as ruínas de edifícios bombardeados e se encarregaram por dias de seus irmãos menores, dos corpos agonizantes de seus pais sepultados sob as ruínas de seus lares. Como herois da Disneylandia escapolem do ventre da morte ainda enlodados com o líquido amniótico para descobrir o peso de herdar a condição de palestino banido. Mais da metade da população desta mísera Faixa de terra está composta por crianças, e embora nenhum destes menores tenha votado nunca pelo Hamas, são eles as vítimas designadas pelas operações militares israelense e mais, em geral do bloqueio imposto em Gaza. Crianças que resistem. Contra as enfermidades: segundo um recente relatório da Palestinian Medical Relief Society, 52% das crianças de Gaza são anêmicas e sofrem de graves carências nutricionais pela escassez em sua alimentação de elementos tais como fósforo, cálcio e o zinco. Também é preocupante os dados a respeito das enfermidades respiratórias. Crianças que resistem à psicose, a essas lacerações da memória que os leva novamente de frente a corpos desmembrados e edifícios em chamas, a esses traumas indeléveis que os põem nervosos e depressivos insones e incontinentes. Vivem em espaços superpovoados privados de áreas recreativas e nas ruas nas quais brincam, viram arder a carne viva e decompor-se. Mísseis, devastação e morte são evocadas nos desenhos quando lhes põe nas mãos uma folha de papel em branco. Se aqui o direito ao jogo é um luxo, o do estudo é algo que está proibido: este ano Israel além dos brinquedos, impediu a entrada à Faixa de Gaza de livros de texto para as escolas primárias. A diferença de seus contemporâneos israelenses, que são livres para praticar esporte ao ar livre ou divertir-se com o Playstation. As crianças de Gaza são escravizadas por um patrão que se chama fome e os vejo cada dia empurrando arados nos campos, mexer nos lixeiros em busca de materiais para recuperar. No calor insuportável deste canicular verão estão em cima de carros arrastados por mulas sobrecarregados de tijolos e pedras recuperadas dos edifícios bombardeados, ou os encontra nas esquinas das ruas vendendo bagatelas, com olhares de velhos cansados de sonhar com pátios verdes, campos de futebol e sorvetes. Não estão brincando às escondidas quando desaparecem clandestinamente nos túneis de Rafah: com o risco de ficar sepultados vivos, são a mão de obra econômica e fisicamente mais apta para trafegar com mercadoria que de outra maneira não chegariam jamais às prateleiras dos comercios de Gaza. Assim se expressou faz algum tempo Jasmine Whitbread, Diretora Geral do Save the Children: "As crianças da Gaza têm fome por causa dos graves impedimentos à entrada de mantimentos à região e estão morrendo porque não podem deixar Gaza para ter esses cuidados médicos dos quais têm urgente necessidade. Centenas de milhares de crianças estão crescendo sem ter uma instrução decente porque os edifícios educativos estão gravemente danificados e por causa das restrições na passagem e no abastecimento de materiais de construção, não podem ser reconstruídos. São as crianças que estão pagando o preço mais alto do bloqueio”. Além destes recordes não relembrados, as crianças da Faixa de Gaza em sete dias bateram duas primazias celebradas no Guines. Quinta-feira 22 de julho, na área do aeroporto fantasma de Rafah, destruído pela aviação militar israelense em 2001, no âmbito dos acampamentos de veraneio organizados pela UNRWA (agência da ONU para os fugitivos palestinos) mais de 7200 crianças fizeram ricochetear simultaneamente por 05 minutos essa mesma quantidade de Bolas de basket, enquanto que ontem se estabeleceu o recorde de mais cometas remontados no ar no mesmo momento. Na praia de Beit Laya, em frente a fronteira norte com Israel, o céu foi coberto com milhares de hexágonos de cores, em uma espécie de celebração animada por essa liberdade desejada também pelos menores. Mais de 7000 crianças remontaram seus cometas duplicando o recorde que se registrou em Gaza no ano passado. Assim, se expressou no final do evento John Ging, diretor da UNRWA: “É um êxito incrível conseguir superar dois recordes mundiais em uma só semana. Uma demonstração do que podem fazer as crianças de Gaza se lhes der uma oportunidade. As crianças da Faixa são como todas outras crianças do mundo, desejam viver uma vida normal longe das adversidades que estão obrigados a confrontar dia após dia”, - concluiu Ging. "Esta jornada de festa é a expressão da reclamação de liberdade para estas crianças.” A diferença das bolas de basket utilizadas em Rafah, os cometas que ondularam ontem sobre o Beit Laya não são de produção industrial, mas sim confeccionados com as próprias mãos dessas crianças que as içaram ao céu. Alguns apresentavam fantasias sinistras, outros muito numerosos orgulhosamente apresentavam as cores da bandeira da Palestina. Um grito visível de resistência diante das torres de vigilância israelenses distantes a poucas centenas de metros. Pouco depois da filmagem dos Prêmios Guines, apareceu no horizonte, um navio de guerra do Tsahal (exército israelense), e se aproximou até a costa de Beit Laya, para lembrar que a hora do recreio havia terminado. Permaneçamos sendo humanos.
http://it.peacereporter.net/articolo/23344/Gaza,+bambini+che+resistono
http://www.unpuntoenelinfinito.com/mensajes-2011/3406-vittorio-arrigoni-un-justo-pacifista.html