JENSEITS VON GUT UND BÖSE
Tradução e notas de Renato Zwick
Além do bem e do mal (1886) é uma das mais representativas – e portanto polêmicas – obras de Friedrich Nietzsche (1844-1900). Primeiro livro após Assim falou Zaratustra (1883-85), é, também, o primeiro da fase "destrutiva" do autor, que havia chegado à conclusão de que, para alcançar a verdade, todo pensador e todo artista precisa conspurcar o próprio ninho. Ou seja: em Além do bem e do mal, o filósofo-poeta (como foi por muitos chamado) coloca em xeque toda a filosofia ocidental praticada até a sua época. Segundo Nietzsche, toda ela é presa a preconceitos morais – sobretudo cristãos, que enfraqueceram o Ocidente. O pensador que veio para reinventar a filosofia afirmava que esta deveria refletir profundamente sobre o mundo à sua volta e se posicionar, custasse o que custasse, para além do bem e do mal.
Nesta obra, cujo tema é, sobretudo, a precariedade cultural e espiritual do seu tempo, Nietzsche afirma a necessidade de que, no eterno retorno da vida e da história humana, os homens se ergam, aceitando a própria finitude, ultrapassando a própria condição e vivendo soberanamente no gozo e na dor da própria verdade. Contra os fracos, os humildes, os dignos de dó, ele afirma o ideal dos super-homens, dos quais dependeria o futuro da humanidade. Polêmico e sempre provocador, Nietzsche desenvolve os conceitos de "vontade de poder" e de "moral de senhor". A moral de senhor é aquela a ser seguida e imposta, que mostra o que é bom, verdadeiro e belo, em contraposição à "moral de escravo". Resta a cada ser humano decidir se é senhor ou escravo.
JENSEITS DES LUSTPRINZIPS
Tradução de Renato Zwick
Revisão técnica e apresentação de Tales Ab’Sáber; ensaio biobibliográfico de Paulo Endo e Edson Sousa
O lado sombrio da psique humana
Logo após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), impactado pelas informações surgidas ao longo do tratamento de soldados traumatizados, Sigmund Freud (1856-1939) se debruçou sobre a natureza repetitiva dos sintomas neuróticos, por trás dos quais estaria uma força jamais pensada: a pulsão ou o impulso de morte. Até então considerava-se que o princípio do prazer e o princípio da realidade eram as duas principais forças motrizes do aparelho psíquico; pela primeira vez alguém atribuía ao psiquismo humano, a partir de uma perspectiva científica, uma força capaz de provocar a paralisia, a dor, a destruição. E mais: tal tendência, de origem primitiva, estaria presente não apenas em alguns ex-soldados, mas na psique de toda e qualquer pessoa.
O ensaio Além do princípio de prazer foi publicado em 1920 e se tornaria um marco do desenvolvimento do pensamento psicanalítico e uma das obras mais influentes do autor – além de um dos textos freudianos mais interessantes de se ler.
ALICE'S ADVENTURES IN WONDERLAND
Tradução de Rosaura Eichenberg
O mais estranho e fascinante livro para crianças (só para crianças?)
Charles Lutwidge Dodgson – mais conhecido como Lewis Carroll – nasceu em 27 de janeiro de 1832 em Daresbury, Inlgaterra, e morreu em Guildford, Inglaterra, a 14 de janeiro de 1898. Seu nome está inscrito na história da literatura mundial por ser o autor de Alice no País das Maravilhas, o mais estranho e fascinante livro para crianças jamais escrito.
Filho de um pastor anglicano, Lewis Carroll tinha dez irmãos e cresceu num ambiente onde aprendeu a contar histórias e cuidar e distrair crianças. Apaixonado por matemática e fotografia, foi nomeado professor de matemática em Oxford, em 1861. Como fotógrafo amador, fotografava invariavelmente meninas entre 8 e 12 anos de idade. Sua obra-prima é fruto de uma história que narrou a Alice Liddle (então com 4 anos), amiga de suas irmãs. Seu primeiro livro, no entanto, é A Syllabus of Plane Algebraical Geometry, um tratado de matemática escrito em 1860.
Por sugestão do escritor Henry Kingsley, o livro foi publicado em 1865 sem ser especificado se era para adultos ou crianças. Foi um sucesso fulminante. Em 1871, publicou a seqüência, que seria Alice no País do Espelho. Religioso, professor, pesquisador sério, Lewis Carroll escreveu vários livros, entre poemas, ensaios científicos, textos técnicos e de ficção juvenil.
¿AMAR O DEPENDER?
Tradução de Marlova Aseff
Um guia para os primeiros passos em direção a uma vida
amorosa saudável, plena e feliz
Muito se fala sobre o lado cor-de-rosa do amor, mas poucos têm coragem de expor o lado sombrio de uma paixão – quando o que deveria gerar alegria e prazer se transforma em uma fonte de sofrimento e dano à autoestima. Reconhecer o limite entre o amor e a dependência afetiva, entretanto, nem sempre é fácil. Em Amar ou depender?, o psicólogo Walter Riso, autor de obras que venderam cerca de 2 milhões de exemplares em todo o mundo, mostra os principais problemas atrelados ao apego excessivo e ensina que a cura não só existe como está ao alcance de todos.
Especialista em terapia cognitiva, Riso traduz conceitos científicos para uma linguagem simples, clara e direta, fazendo de Amar ou depender? um guia para os primeiros passos em direção a uma vida amorosa saudável, plena e feliz.
"Depender da pessoa que se ama é uma maneira de se enterrar em vida, um ato de automutilação psicológica em que o amor-próprio, o autorrespeito e a nossa essência são oferecidos e presenteados irracionalmente. Quando a dependência está presente, entregar-se, mais do que um ato de carinho desinteressado e generoso, é uma forma de capitulação, uma rendição conduzida pelo medo com a finalidade de preservar as coisas boas que a relação oferece. Sob o disfarce de amor romântico, a pessoa dependente afetiva começa a sofrer uma despersonalização lenta e implacável até se transformar num anexo da pessoa "amada", um simples apêndice. Quando a dependência é mútua, o enredo é funesto e tragicômico: se um espirra, o outro assoa o nariz. Ou, numa descrição igualmente doentia: se um sente frio, o outro coloca o casaco." (Walter Riso)
DER ANTICHRIST. FLUCH AUF DAS CHRISTENTHUM
Tradução, notas e apresentação de Renato Zwick
Escrito em 1888, último ano antes de Friedrich Nietzsche perder a lucidez, este ensaio é uma das mais afiadas análises de que o cristianismo já foi objeto. Dando continuidade ao exame sobre a moral praticado na maioria de seus livros, em O anticristo o autor firma sua posição sobre a doutrina religiosa. Ele mostra como o cristianismo – ao qual chama de maldição – é a vitória dos fracos, doentes e rancorosos sobre os fortes, orgulhosos e saudáveis, persuadindo e induzindo a massa por meio de idéias pré-fabricadas.
A partir da comparação com outras religiões, Nietzsche critica com veemência a mudança de foco que o cristianismo opera, uma vez que o centro da vida passa a ser o além e não o mundo presente. Até mesmo Jesus Cristo e o apóstolo Paulo são questionados, assim como grande parte de todos os dogmas cristãos, em um grande exercício filosófico.
Tradução de Donaldo Schüler
Antígona, uma das mais famosas tragédias gregas é uma aventura de lealdade, dignidade, linguagem, vida. Uma mulher que, sozinha, abala uma tirania.
Esta é uma das mais célebres tragédias gregas. Antígona é uma peça de fortes contrastes. Onde convocar forças para derrubar o tirano quando cidadãos respeitáveis calam? Sófocles coloca em cena uma mulher sem partidários, sem exército, sem nada. Antígona abala a tirania sozinha. E isso numa sociedade em que a vida pública era de exclusiva competência masculina. O homem é terrível (deinós), dirá o coro. Preserve-se a ambigüidade. O homem é terrível no crime e na virtude, em altos pensamentos e atitudes intempestivas, na opressão e na luta pela liberdade. Antígona é uma aventura de lealdade, dignidade, linguagem, vida.
Tradução de Sueli Barros Cassal
Ilustrações de Gilmar Fraga
Nova edição com ilustrações de Gilmar Fraga
Qual é a originalidade deste que é o mais antigo tratado de guerra? É que é melhor ganhar a guerra antes mesmo de desembainhar a espada. O inimigo não deve ser aniquilado, mas, de preferência, deve ser vencido quando seus domínios ainda estiverem intactos. Muitas vezes, a vitória arduamente conquistada guarda um sabor amargo de derrota, mesmo para os próprios vencedores. A arte da guerra do chinês Sun Tzu, um texto que remonta à turbulenta época dos Estados Combatentes na China há quase 2.500 anos, chegou até nos trazendo as idéias de um filósofo-estrategista que comandou e venceu muitas batalhas.
"A garantia de nos tornarmos invencíveis está em nossas próprias mãos. Tornar o inimigo vulnerável só depende dele próprio."
"Por mais crítica que seja a situação e as circunstâncias em que te encontrares, não te desesperes. Nas ocasiões em que tudo inspira temor, nada deves temer. Quando estiveres cercado de todos os perigos, não deves temer nenhum. Quando estiveres sem nenhum recurso, deves contar com todos. Quando fores surpreendido, surpreende o inimigo."
"Não adies o momento do combate, nem esperes que tuas armas se enferrujem e o fio de tuas espadas se embote. A vitória é o principal objetivo da guerra."
"A rapidez é a seiva da guerra."
"A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Quem se defende mostra que sua força é inadequada; quem ataca mostra que ela é abundante."
Arthur Schopenhauer
Tradução de Pedro Süssekind
Escritos ferinos e sagazes sobre a filosofia e a escrita
“Antes de tudo, há dois tipos de escritores: aqueles que escrevem em função do assunto e os que escrevem por escrever. Os primeiros tiveram pensamentos, ou fizeram experiências, que lhes parecem dignos de ser comunicados; os outros precisam de dinheiro e por isso escrevem, só por dinheiro. Pensam para exercer sua atividade de escritores. É possível reconhecê-los tanto por sua tendência de dar a maior extensão possível a seus pensamentos e de apresentar meias-verdades, pensamentos enviesados, forçados e vacilantes, como por sua preferência pelo claro-escuro, a fim de parecerem ser o que não são. É por isso que sua escrita não tem precisão nem clareza. Desse modo, pode-se notar logo que eles escrevem para encher o papel (...).”
Trecho de “A arte de escrever”
O grande escritor fala sobre a difícil arte de escrever com irreverência e humor
Arthur Schopenhauer (1788-1860) é um dos mais importantes filósofos alemães. Ele achava que o mundo nada mais era do que uma representação formada pelo indivíduo. Influenciou Freud, Nietzsche e Bergson com seu pessimismo e foi o responsável por introduzir o budismo à metafísica alemã.
Foi além do idealismo kantiano e tinha em Hegel seu principal opositor. Suas obras mais importantes são O mundo como vontade e representação (1819) e Parerga e Paralipomena (1851). Nesta antologia de ensaios recolhidos de Parerga e Paralipomena, o leitor vai encontrar textos que trazem as mais ferinas, entusiasmadas e cômicas reflexões acerca do ofício do próprio Schopenhauer, isto é, o ato de pensar, a escrita, a leitura, a avaliação de obras de outras pessoas, o mundo erudito como um todo. São eles: “Sobre a erudição e os eruditos”, “Pensar por si mesmo”, “Sobre a escrita e o estilo”, “Sobre a leitura e os livros” e “Sobre a linguagem e as palavras”.
Embora redigidos na primeira metade do século XIX, estes ensaios, ao tratar sobre o mundo das letras, os vícios do pensamento humano, as armadilhas da escrita e da crítica, continuam válidos – hoje talvez mais do que nunca. E, marca personalíssima do autor, são modernos, pulsantes de vida, de inteligência e de humor.
Agatha Christie
Tradução de Petrucia Finkler
É perto da meia-noite quando a neve acumulada sobre os trilhos interrompe a jornada do Expresso Oriente, o mais famoso e luxuoso trem de passageiros do mundo, que liga a Ásia à Europa.
A bordo, milionários, aristocratas, empregados – e um assassino. Porém, no mesmo vagão encontra-se ninguém menos que Hercule Poirot. Caberá ao meticuloso detetive investigar todos os passageiros e descobrir a identidade do ousado criminoso. Christie propõe um fascinante enredo nos moldes do clássico subgênero do “locked room” (“mistério do quarto fechado”), em que o crime ocorre num local isolado, e a suspeita recai sobre todos os presentes. Publicado em 1934, o romance foi levado com estrondoso sucesso ao cinema pelo diretor Sidney Lumet em 1974, com Albert Finney, Lauren Bacall, Sean Connery, Jacqueline Bisset e Ingrid Bergman no elenco – até hoje uma das mais aclamadas adaptações jamais feitas de um clássico da literatura de mistério.
“Nada menos que soberbo.” New York Herald Tribune
Friedrich Nietzsche
Tradução de Drik Sada
Preparação: Alexandre Boide
Adaptação e ilustrações: Equipe East Press
man•gá ou 漫画, em japonês (man, involuntário + gá, imagem), é um gênero de história em quadrinhos herdeiro das gravuras japonesas clássicas e das HQs ocidentais. Esta coleção traz para o leitor brasileiro os textos de grandes clássicos da literatura universal adaptados para a linguagem ágil e dinâmica das histórias em quadrinhos japonesas.
"Deus está morto": estas são as célebres palavras proferidas pelo incompreendido profeta Zaratustra. Em suas andanças e pregações, ele anuncia que o tempo das divindades acabou. Assim falou Zaratustra trata de alguns conceitos fundamentais elaborados por Nietzsche, como o ideal de "super-homem" e a máxima do "eterno retorno" apresentando ideias que influenciaram gerações de artistas e pensadores modernos.
Esta adaptação para mangá facilita o acesso a essa obra tão importante e complexa do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, um dos nomes mais polêmicos do pensamento do século 20.
ALSO SPRACH ZARATHUSTRA: EIN BUCH FÜR ALLE UND KEINEN
Tradução de Gabriel Valladão Silva
Para conhecer Nietzsche
Apresentação de Marcelo Backes
Amado, odiado, incompreendido, mal-interpretado – mas jamais ignorado. Essa é a sina não apenas do personagem principal de Assim falou Zaratustra, mas também do próprio livro – a mais célebre obra de Friedrich Nietzsche. Desde a época de seu lançamento, o texto instiga e divide os críticos, e sua influência se estende para muito além da filosofia, inspirando autores como Carl Jung e Thomas Mann.
Aliando poesia e discurso filosófico e sedimentando alguns dos conceitos centrais do pensamento de Nietzsche – tais como o super-homem, a vontade de poder e o eterno retorno –, Assim falou Zaratustra foi considerado pelo próprio autor seu trabalho mais importante e íntimo. Esta nova tradução, diretamente do alemão, mantém a musicalidade e a verve do original e convida o leitor brasileiro a mergulhar nesta que é uma das mais enigmáticas e fundamentais obras filosóficas de todos os tempos.
Tradução do grego, notas, apresentação e comentários de Donaldo Schüler
"– Não-sábio é, por ventura, ignorante? Não percebes que entre saber e ignorar existe algo?
– O quê?
– Opinar corretamente. Não sabes desvendar o fundamento (...) nem apresentar a ignorância. Não pode ser ignorância apontar a coisa sob teu olhar. A opinião correta ocupa um lugar intermediário entre o entendimento e a ignorância."
O banquete relata a reunião de amigos da qual participaram Sócrates, Aristófanes e outros atenienses eminentes, em que se lançou uma competição para ver quem fazia a melhor definição de eros (o amor, mas também o belo) – um dos mais importantes conceitos da cultura antiga. Neste que é um dos principais diálogos de Platão, além de obra humanística fundamental para todos os interessados em pensar o estar no mundo, debatem-se noções de amizade, de decência, e – fio condutor de toda a obra platônica – também sobre o próprio ato de raciocinar.
THE HOUND OF BASKERVILLES
Tradução de Rosaura Eichenberg
Nos pântanos que cercam a prisão de Dartmoor, um animal fantasmagórico espalha terror. Alucinação coletiva? Um monstro de verdade surge da noite dos tempos? Manipulação e sombria vingança? Os cadáveres se multiplicam. O fiel Dr. Watson confessa-se vencido, mas Holmes enfrenta o desafio e enfrenta o enigma em condições aterradoras. Sir Arthur Conan Doyle nasceu em Edimburgo, na Escócia, em 1859, e morreu em Crowborough (Sussex), Inglaterra, em 1930. Médico especialista em oftalmologia, criou o detetive Sherlock Holmes, cuja primeira aventura (Um estudo em vermelho) foi publicada em 1887 pela revista Corhill Magazine. Rapidamente, o detetive e seu assistente Dr. Watson tornaram-se um verdadeiro fenômeno internacional consagrando seu autor como o criador do maior personagem dos romances policiais de todos os tempos.
BRIEF AN DEN VATER
Tradução, organização, prefácio, glossário e notas de Marcelo Backes
Entre os dias 10 e 19 de novembro de 1919, Franz Kafka, insatisfeito com a fria recepção paterna diante do anúncio de seu noivado com Julie Wohryzek, escreveu ao pai, o comerciante judeu Hermann Kafka, uma longa carta – mais de cem páginas manuscritas. Kafka tinha então 36 anos, uma vida pessoal acanhada – nunca se casara ou constituíra família –, uma carreira mediana de funcionário burocrático e uma ambição literária ainda longe de estar realizada. Na carta, que nunca foi enviada ao destinatário original, Kafka põe a nu toda a sua mágoa em relação ao pai autoritário, que ele chama, alternadamente, de "tirano", de "regente", de "rei" e de "Deus". Em uma experiência virtuosística de auto-análise, além de uma belíssima peça literária, ele mostra como, a seu ver, o jugo paterno minou-lhe a auto-estima, condenando-o a uma personalidade fraca e assustada.
Além de disponibilizar ao leitor um dos textos mais emocionantes da literatura ocidental, estava nova edição se destaca por priorizar a dimensão biográfica da Carta. A leitura da carta e do material que a envolve joga luz sobre o drama humano universal do autor e ajuda a compreender sua imensa angústia, capaz de gerar obras-primas como O processo, A metamorfose, América ou o desaparecido, entre outras. Como escreveu o filho ao pai: "Minha atividade de escritor tratava de ti, nela eu apenas me queixava daquilo que não podia me queixar junto ao teu peito".
Além da carta fartamente anotada, a edição conta com um prefácio que explica fatos e circunstâncias relativas ao texto e à redação da carta, um glossário de expressões e nomes de pessoas citadas, uma cronologia biográfica de Kafka e a reprodução fac-símile de algumas páginas do documento.
CIEN SONETOS DE AMOR
Tradução de Carlos Nejar
"Com muita humildade, fiz estes sonetos de madeira, dei-lhes o som desta opaca e pura substância (...)"
(Pablo Neruda in Cem Sonetos de Amor)
O poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973) foi, sem dúvida, uma das vozes mais altas da poesia mundial do nosso século. Ao mesmo tempo, o poeta engajado nas causas da liberdade, o exilado, o resistente, é protagonista de uma das aventuras mais expressivas da lírica em língua espanhola. Seus poemas de amor – e estes Cem Sonetos de Amor são um dos legados mais perfeitos – emocionaram e emocionam várias gerações. Poeta admirado internacionalmente (é personagem do filme O Carteiro e o Poeta), recebeu a consagração definitiva com o Prêmio Nobel de Literatura em 1971.
O autor recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1971.
Tradução de Alexandre Boide
A origem dos Mitos de Cthulhu
A humanidade não está sozinha entre as criaturas da Terra. Uma outra espécie de força racional que cresce e se molda segundo leis misteriosas está temporariamente adormecida. Seres bizarros tentam trazê-la à tona em rituais infernais. O grande sacerdote Cthulhu é uma dessas forças. Todos os que tiveram contato com ele acabaram loucos ou morreram. Em “O chamado de Cthulhu”, escrito em 1926, Lovecraft delineou grande parte daquilo que ficaria conhecido como os Mitos de Cthulhu, denominação sob a qual parte de sua obra foi reunida após sua morte. Primorosa por seu detalhamento, revolucionária no próprio formato de conto, esta história é um ponto seminal da sua produção.
Esta seleção abarca histórias dos Mitos de Cthulhu e outras preciosidades da escrita lovecraftiana. “Nyarlathotep”, “A cidade sem nome”, “A música de Erich Zann”, “Herbert West – Reanimador”, “Os ratos nas paredes”, “Ar frio”, “O modelo de Pickman”, “A cor vinda do espaço”, “A história do Necronomicon” e “O horror de Dunwich” completam esta edição.
ABRISS DER PSYCHOANALYSE
Tradução de Renato Zwick
“[...] o ato de comer é uma destruição do objeto com a meta última da incorporação; o ato sexual, uma agressão com o propósito da mais íntima união. Essa ação conjunta e oposta dos dois impulsos básicos produz toda a variedade dos fenômenos vitais.”
Tradução do alemão de Renato Zwick
Revisão técnica e apresentação de Noemi Moritz Kon
Ensaio biobibliográfico de Paulo Endo e Edson Sousa
Iniciado em 1938 e interrompido pela morte de Freud (1856-1939), Compêndio da psicanálise apresenta a derradeira síntese de suas teorias. Publicado em 1940, traz uma breve exposição do funcionamento do aparelho psíquico humano tal como o autor o concebia ao final de sua longa e profícua vida. São abordadas as diferentes qualidades (o inconsciente, o pré-consciente e o consciente) e instâncias psíquicas (o eu, o isso,o supereu), os princípios de prazer e de realidade, a dualidade do impulso de vida e do impulso de morte, o funcionamento e o desenvolvimento da sexualidade humana – incluindo o complexo de Édipo –, a inevitável divisão do psiquismo e mecanismos como o recalcamento e a resistência, além da formação de sintomas e das psicopatologias.
Neste esforço final por sistematizar seu pensamento de forma concisa e clara, Freud tece considerações sobre as limitações da psicanálise e demarca os pontos-limite de seu legado a partir dos quais caberia a seus sucessores construir e evoluir.
A psicanálise numa casca de noz
Em 1938, após quase quatro décadas buscando estabelecer a psicanálise como uma forma revolucionária de conhecer e tratar a alma humana; lutando contra um câncer que se mostraria fatal; às vésperas de uma guerra que se anunciava sangrenta e em meio à crescente onda antissemita, Freud, já com mais de 80 anos, se pôs a escrever o que viria a ser a síntese final de seu pensamento.
Não se sabe se a redação foi iniciada ainda em Viena, cidade onde vivera e clinicara, ou já em Londres, onde se refugiara com a família em função da perseguição nazista. Sabe-se, isso sim, que a escrita foi interrompida pela deterioração de sua saúde, e o texto foi publicado apenas em 1940, após sua morte.
Na condição de sistematização derradeira da psicanálise por ninguém mais ninguém menos que o criador da mesma, o interesse suscitado pelo Compêndio é incontestavelmente enorme. Mas tal interesse é também multifacetado. Por um lado, a obra fornece uma súmula sobre o aparelho psíquico humano tal como Freud o via após toda uma vida de estudo: trata de seus elementos básicos, as instâncias psíquicas, a dinâmica do psiquismo, seus principais mecanismos, o funcionamento e o desenvolvimento da sexualidade, o papel dos impulsos, os conflitos inerentes à organização da psique humana etc. Por outro, explica a psicanálise como tratamento e faz considerações metapsicológicas, discorrendo sobre os obstáculos que lhe são inerentes e seus consequentes limites. Também serve de baliza para o estudo da obra freudiana, por reunir explanações sobre conceitos abordados de forma esparsa em várias obras e possibilitar um acompanhamento evolutivo das teorias do autor. E, por fim, traz muito claramente as limitações do pensamento de Freud – limites a partir dos quais os pesquisadores que lhe sobrevieram puderam rever a psicanálise e avançar no conhecimento da psique humana.
Se está indelevelmente marcado pelas circunstâncias atribuladas em que foi engendrado, o Compêndio também é o resultado de uma conjuntura preciosa: a de, mais de quarenta anos após A interpretação dos sonhos – a pedra fundamental da psicanálise –, com o benefício de décadas de aprimoramento, clínica e pesquisa, o criador da teoria psicanalítica ter se dedicado a rever e dar uma nova expressão à sua grande invenção.
Este texto-legado é sem dúvida uma das obras incontornáveis para se entender o alcance da psicanálise.
O autor recebeu o Prêmio Goethe em 1930
DU CONTRAT SOCIAL
Jean-Jacques Rousseau
Tradução de Paulo Neves
Este livro influenciou diretamente a Revolução Francesa e os rumos da história.
Impactante ensaio, O contrato social ou Princípios de Direito político causou furor desde sua publicação, em 1762, e eternizou-se como um dos principais textos fundadores do Estado moderno. Nele, o filósofo iluminista, romancista, teórico e compositor suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) – em meio a uma Europa majoritariamente monarquista, defensora da legitimação sobrenatural dos governantes – lança e defende a novidade de que o poder político de uma sociedade está no povo e só dele emana. Estavam plantados os conceitos do povo soberano e da igualdade de direitos entre os homens.
Nesta que é a sua principal obra política, da qual virtualmente todas as sociedades modernas são de alguma forma tributárias, Rousseau não apenas dá ao povo o que lhe é de direito, mas chama-o à responsabilidade pelo seu destino. "Assim que alguém diz dos assuntos do Estado 'que me importa?', deve-se contar que o Estado está perdido." Para o autor, a soberania está no exercício incessante do poder decisório, que não pode ser alienado, dividido ou delegado.
Hoje, dois séculos e meio após sua publicação, a obra de Rousseau – subversivo, polêmico, amado, odiado, reverenciado e seguido – permanece atual. E seus ensinamentos se fazem lições necessárias e urgentes em todo e qualquer lugar em que se fale de inépcia, injustiça, corrupção e incompetência política.
PRESTUPLENIE I NAKAZANIE
Tradução de Natália Nunes e Oscar Mendes
TEXTO EXCLUSIVO
A VIDA E A OBRA DE DOSTOIÉVSKI
VEJA EM "LEIA UM TRECHO"
Um dos romances mais importantes, mais lidos e festejados da literatura, Crime e castigo (publicado originalmente em 1866) conta a história de um crime e suas conseqüências. Trata-se de um enredo de suspense e de grande tensão, de uma profundidade psicológica única, passado na turbulenta Rússia tsarista do século XIX.
Raskólhnikov é um jovem pobre, ex-estudante da universidade, que vive nos bairros marginais de São Petersburgo. Dono de uma mente febril – como todos os grandes personagens de Dostoiévski (1821-1881) –, convence a si próprio que, devido à sua extrema miséria, está isento de qualquer lei moral. Porém, quando resolve colocar a teoria à prova, as coisas não saem como o esperado, e ele sofre miseravelmente. Crime e castigo, parece dizer o romance, são duas faces da mesma moeda, duas realidades indissociáveis que brotam da mesma semente.
THE ABC MURDERS
Agatha Christie
Tradução de Cássia Zanon
"Christie merece ser parabenizada pela perfeição de sua invenção."
The Times
Há um serial killer à solta, matando suas vítimas em ordem alfabética. A única pista que a polícia tem é um macabro cartão de visitas que o assassino deixa em cada cena do crime: um guia ferroviário aberto na cidade onde a morte acontece.
A Inglaterra inteira está em pânico com a sucessão de crimes – A: Alice Ascher, em Andover; B: Betty Barnard, em Bexhill; C: Sir Carmichael Clarke, em Churston – e o assassino vai ficando mais confiante a cada morte. Seu único erro é pôr à prova o orgulho de Hercule Poirot, um erro que pode ser mortal.
AUS DER GESCHICHTE EINER INFANTILEN NEUROSE [DER WOLFSMANN]
Sigmund Freud
Tradução de Renato Zwick
Revisão técnica e apresentação de Noemi Moritz Kon
Ensaio biobibliográfico de Paulo Endo e Edson Sousa
Uma aula de psicanálise
O relato freudiano do caso conhecido como o Homem dos Lobos está entre os mais célebres da história da psicanálise. É, de fato, o tratamento mais longo contado por Freud e, publicado originalmente em 1918 (tendo uma reedição aumentada em 1924), foi o último de seus grandes casos clínicos. Nele o autor relata os intrincados meandros da análise de um jovem adulto neurótico (Serguei Pankejeff era seu nome) cuja doença teria se originado numa psiconeurose infantil instalada aos três anos e meio, que por sua vez teria derivado de perturbações sexuais no segundo ano de vida. Na época da publicação deste texto, a importância (e até mesmo a existência) de uma sexualidade nas crianças era combatida inclusive internamente, por membros do movimento psicanalítico.
Embora escrito após o término de mais de quatro anos de análise (em 1919, depois da publicação, analista e paciente retomariam o trabalho por mais quatro meses), o que vemos aqui é praticamente um work in progress psicanalítico. Como outros relatos de casos clínicos, serve como exemplo prático das teorias e das descobertas freudianas, conferindo-lhes corpo e robustez e estabelecendo conceitos como o de fantasia primitiva, recalque e construção em análise.
O sonho é mais uma vez reafirmado como instrumento de pesquisa fundamental do inconsciente, e por meio de um árduo trabalho analítico chega-se a nexos causais entre a psiconeurose do paciente adulto e da criança que ele foi, inclusive remontando a uma cena primordial (outro conceito que se tornaria crucial na psicanálise) – ter testemunhado uma relação sexual dos pais – ocorrida quando o paciente tinha um ano e meio. Nas palavras do próprio Freud: “Sustento que a influência da infância já se torna perceptível na situação inicial da formação das neuroses, ao codeterminar de modo decisivo se e em que ponto o indivíduo falha em dar conta dos problemas reais da vida”.
Tão ou mais importantes do que as conclusões, temos aqui os tortuosos e insuspeitos caminhos trilhados pela dupla paciente-analista. Eis o pensamento de Freud demonstrado em toda exuberância de suas possibilidades, exemplificando a nova compreensão por ele inaugurada sobre o ser humano, cujos sofrimentos psíquicos podem ser aliviados pelo processo de tornar conscientes, por meio da psicanálise, vivências inconscientes.
O prefácio de Noemi Moritz Kon mostra como o Homem dos Lobos se tornou um caso único na história da psicanálise, tendo Pankejeff sido acompanhado, tal um arquivo vivo, por membros da Associação Psicanalítica Internacional até sua morte.
DISCOURS DE LA MÉTHODE
René Descartes
Tradução de Paulo Neves
Cogito ergo sum. "Penso, logo existo." Tal proposição resume o espírito de René Descartes (1596-1650), sábio francês cujo Discurso do método inaugurou a filosofia moderna. Em 1637, em uma época em que a força da razão tal qual a conhecemos era muito mais do que incipiente, e em que textos filosóficos eram escritos em latim, voltados apenas para os doutores, Descartes publicou Discurso do método, redigido em língua vulgar, isto é, o francês. Ele defendia o "uso público" da razão e escreveu o ensaio pensando em uma audiência ampla. Queria que a razão – este privilégio único dos seres humanos – fosse exatamente isso, um privilégio de todos homens dotados de senso comum.
Trata-se de um manual da razão, um prático "modo de usar". Moderno, Descartes postulava a idéia de que a razão deveria permear todos os domínios da vida humana e que a apreciação racional era parâmetro para todas as coisas, numa atividade libertadora, voltada contra qualquer dogmatismo. Evidentemente, tal premissa revolucionária lhe causaria problemas, sobretudo no âmbito da igreja: em 1663, vários de seus livros foram colocados no Index. Razão alegada: a aplicação de exercícios metafísicos em assuntos religiosos. Discurso do método mostra por que Descartes – para quem "mente", "espírito", "alma" e "razão" significavam a mesma coisa – marcou indelevelmente a história do pensamento.
LA DIVINA COMMEDIA
Dante Alighieri
Tradução de Eugênio Vinci de Moraes
A mais célebre jornada do inferno ao paraíso
Tradução do italiano, apresentação e notas de Eugênio Vinci de Moraes
A divina comédia, obra-prima de Dante Alighieri (1265-1321), fundadora da literatura de língua italiana e o mais completo compêndio sobre a civilização medieval, ganha uma nova e fluente tradução em prosa para o português brasileiro. Escrito enquanto o autor encontrava-se exilado de Florença, sua cidade natal, devido a rixas políticas, o poema narrado em primeira pessoa retrata Dante como um protagonista peregrino, uma espécie de cidadão do mundo representante do homem medieval espremido entre a cultura clássica e a tradição cristã, em busca da excelência moral e espiritual. Levado pela mão do poeta latino Virgílio, autor da Eneida, o personagem Dante conhece o inferno e o purgatório – e os pecadores que lá se encontram – para depois atingir o paraíso, em uma das obras literárias mais influentes de todos os tempos.
Textos de apresentação e resumos dos cantos contextualizam a leitura da obra de Dante e servem como porta de entrada para este magistral poema narrativo, mantendo o brilho e a força deste que, segundo Italo Calvino, é um livro para ser lido e relido.
AND THEN THERE WERE NONE, APPOINTMENT WITH DEATH, THE HOLLOW
Tradução de Petrucia Finkler
Conhecida principalmente por suas intrigantes histórias de mistério, Agatha Christie foi também uma exímia autora de peças de teatro. Mais de uma vez ela adaptou seus livros para os palcos, sempre com enorme sucesso. Neste volume encontram-se reunidas três destas adaptações: Encontro com a morte (1945), A Mansão Hollow (1951) e a célebre E não sobrou nenhum (1943). Nesta última, que é o maior best-seller da autora, dez pessoas isoladas em uma ilha são forçadas a pagar por seus crimes passados, num jogo de expiação perverso e mortal. Vale ressaltar que cada peça apresenta, em termos de enredo, diferenças significativas do romance que a inspirou, demonstrando mais uma vez que a Rainha do Crime sempre consegue surpreender o leitor.
“A conquista mais colossal de uma carreira colossal.”
New Statesman
ECCE HOMO. WIE MAN WIRD, WAS MAN IST
Tradução, organização, prefácio e notas de Marcelo Backes
Traduzido direto do alemão.
Ecce homo. De como a gente se torna o que a gente é, a mais poética – e a mais grandiosa – dentre as obras dedicadas ao egocentrismo humano, é também a mais singular das autobiografias que o mundo um dia conheceu. Gerada no limiar – inclusive temporal – entre a razão e a loucura, Ecce homo está longe de ser apenas o produto da insânia. Nietzsche foi um dos mais importantes pensadores alemães de todos os tempos e estendeu a área de suas influências para muito além da filosofia, adentrando a literatura, a poesia e todos os âmbitos das belas-artes. Com sua obra quebradiça e aparentemente fragmentária, que no fundo adquire uma vitalidade orgânica que lhe dá unidade através do aforismo, ele foi, na realidade, um dos críticos mais ferozes da religião, da moral e da tradição filosófica do Ocidente. Nietzsche escreveu, ele mesmo, a melhor obra para entender a obra de Nietzsche. É o Ecce homo, sua autobiografia escrita aos quarenta e quatro anos, o último suspiro antes do declínio, um dos mais belos livros da história da literofilosofia universal.
Prêmio Açorianos de Literatura 2004, categoria Tradução de Língua Alemã
Sófocles
Tradução de Paulo Neves
Sófocles (495 a.C. - 406 a.C.) nasceu e morreu em Atenas, na Grécia, e foi um dos maiores intelectuais da antigüidade clássica. Autor prolífico e consagrado em seu tempo, produziu cerca de 120 peças das quais restaram conservadas apenas sete, entre as quais, Antígona, Ajax, Electra e Édipo Rei, talvez a mais célebre de todas as tragédias.
Atormentado pela profecia de Delfos, de que iria matar o pai e desposar a mãe, Édipo tenta – inutilmente – fugir de seu destino...
STUDY IN SCARLET, A
Tradução de Rosaura Eichenberg
Um estudo em vermelho é a primeira história de Sherlock Holmes e o primeiro livro publicado por Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930). Muito menos do que um livro de estreia, esta história nasceu clássica, com seu ritmo vertiginoso de suspense e mistério que consagraria seu protagonista Sherlock Holmes como o mais apaixonante e popular detetive da história da literatura.
Um estudo em vermelho propõe um enigma terrível e invencível para a polícia, que pede auxílio a Holmes: um homem é encontrado morto, sem ferimentos e cercado de manchas de sangue. Em seu rosto uma expressão de pavor. Um caso para Sherlock Holmes e suas fascinantes deduções narrado por seu amigo Dr. Watson, interlocutor sempre atento e não raro maravilhado com a inteligência e talento do detetive.
Tradução de Pedro Gonzaga
Em Factótum, segundo romance de Charles Bukowski, publicado em 1975, encontramos mais uma vez Henry Chinaski, alter ego do autor, protagonista de vários dos seus livros e um dos mais célebres anti-heróis da literatura americana. Durante a Segunda Guerra Mundial, o loser Henry (que reaparece mais tarde em Misto-quente) é considerado "inapto para o serviço militar" e não consegue entrar para o exército. Assim, enquanto os Estados Unidos se unem em torno da guerra e os homens alistados são vistos como heróis, Chinaski, sem emprego, sem profissão nem perspectiva, cruza o país, arranjando bicos e trampos, fazendo de tudo um pouco – daí o nome do livro –, na tentativa de subsistir com empregos que não se interponham entre ele e seu grande amor: escrever.
Em meio a tragos, perambulações por ruas marginais, tentativas de ser publicado, vivendo da mão para a boca, o autor iniciante Henry Chinaski come o pão que o diabo amassou. Tais trechos, que tratam do escritor em formação, estão entre os mais pungentes e interessantes do livro. Na sua versão do artista quando jovem, Bukowski vê tudo através da lente da desmistificação – desmistifica a imagem do artista romântico e o milagre americano – e faz desse olhar cínico a sua profissão de fé.
LE FANTÔME DE L'OPÉRA
Gaston Leroux
Tradução de Gustavo de Azambuja Feix
Somente a música e o amor são imortais
“A mais espantosa e fantástica das histórias” - New York Times Book Review
Que aterrorizante segredo esconde-se nos subterrâneos da Ópera de Paris? Que mistério atormenta um dos mais majestosos palácios dedicados à arte na capital francesa? Uma das histórias de terror e amor mais famosas do século XX, O fantasma da Ópera combina romance e suspense para narrar o triângulo amoroso entre a linda e talentosa cantora lírica Christine Daaé, o frágil e apaixonado visconde Raoul de Chagny e o sinistro e obcecado gênio da música que habita os porões do teatro. Com contornos de relato histórico, a narrativa conduz o leitor pelos labirintos da Ópera e do coração humano, revelando o que há de mais obscuro em ambos.
Adaptado inúmeras vezes para o cinema e o teatro, O fantasma da Ópera virou um fenômeno do showbiz mundial após ser transformado em musical pelas mãos de Andrew Lloyd Webber, em 1986. Até hoje em cartaz, é o espetáculo mais visto e de maior sucesso da Broadway.
Mais de 80 crônicas de Martha Medeiros
em um livro que vai deixar você Feliz por nada
“Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.” É com a força transformadora de um abraço que Martha Medeiros abre este novo livro de crônicas e é com a mesma singeleza e olhar arguto para o cotidiano que a escritora ilumina algumas das questões mais urgentes do século XXI. A destacada romancista, cronista e poeta, que já teve obras adaptadas para o cinema, para a tevê e para o teatro, fala aos leitores com a sinceridade de um amigo e materializa as angústias e os anseios da sociedade pós-tudo, que vive acuada sob o grande limitador do tempo. Nesta coletânea de mais de oitenta crônicas, Martha Medeiros aborda temas muito diversos e ao mesmo tempo muito próximos do leitor. A autora tem o dom para aproximar assuntos por vezes fugidios – como é próprio do cotidiano – de questões universais, como o amor, a família e a amizade, e criar lugares de reconhecimento para o leitor, como ao falar de Deus, dos romances antigos e novos, da mulher, de escritores e cineastas que são imortais, de se perder e se reencontrar, do que a vida oferece e muitas vezes se deixa passar. “Feliz por nada”, afirma Martha Medeiros, é fazer a opção por uma vida conscientemente vivida, mais leve, mas nem por isso menos visceral.
DIE PHILOSOPHIE IM TRAGISCHEN ZEITALTER DER GRIECHEN
Friedrich Nietzsche
Apresentação de Gabriel Valladão Silva
Tradução de Gabriel Valladão Silva
Escrito entre 1873 e 1874, A filosofia na era trágica dos gregos é um texto fundamental do primeiro período do pensamento nietzchiano. Ao lecionar uma disciplina sobre filosofia pré-socrática na Universidade da Basileia, na Suíça, Nietzsche se sentiu fascinado pelo modo como esses filósofos aliavam o pensar e o viver.
É a partir de pequenos ensaios sobre filósofos como Tales de Mileto, Anaximandro, Heráclito, Parmênides e Anaxágoras que Nietzsche revela a polifonia do pensamento grego. Remontando ao berço da filosofia ocidental , resgata a visão de mundo pré-socrática e a contrapõe à visão de mundo moderna, um tempo que, segundo o filósofo, sofre de uma “formação universal, mas [é] desprovido de cultura e de qualquer unidade de estilo”.
Em A filosofia na era trágica dos gregos, Nietzsche reflete sobre o espírito filosófico de seu tempo, sobre a ciência e o homem, e reafirma que o maior legado dos pré-socráticos é a liberdade de pensar por si mesmo.
BRUCHSTÜCK EINER HYSTERIE-ANALYSE
Sigmund Freud
Tradução de Renato Zwick
Apresentação de Noemi Moritz Kon
Ensaio biobibliográfico de Paulo Endo e Edson Sousa
A primeira grande narrativa clínica de Freud
A incapacidade de satisfazer a exigência amorosa real é um dos traços de caráter mais essenciais da neurose; os doentes são dominados pela oposição entre a realidade e a fantasia.
Em outubro de 1900 – menos de um ano após a publicação de seu seminal A interpretação dos sonhos –, Sigmund Freud (1856-1939) recebeu em seu consultório a jovem paciente Ida Bauer, então com dezoito anos, filha de Phillip Bauer, amigo e ex-paciente seu. Ida padecia de vários e persistentes sintomas: perda de urina durante a noite, cansaço, dificuldade para respirar, enxaqueca, tosse, afonia e alucinação sensorial. Freud detectou um caso de histeria, e o tratamento durou onze semanas.
Logo em seguida, se pôs a escrever este Fragmento de uma análise de histeria (ou O caso Dora, nome com que a paciente é rebatizada), publicado em 1905. Aqui vemos Freud em plena ação terapêutica, buscando aplicação prática para sua teoria psicanalítica, aliando ideias de A interpretação às teorias sobre o desenvolvimento psicossexual na infância, e mais uma vez revolucionando o entendimento sobre o ser humano.
Mary Shelley
Tradução de Miécio Araújo Jorge Honkins
Mary Shelley (1797-1851), mulher do poeta inglês Percy B. Shelley, escreveu Frankenstein para participar de um concurso de histórias de terror realizado na intimidade do castelo de Lord Byron. Mesmo competindo com grandes gênios da literatura universal, acabou redigindo esta que é uma das mais impressionantes histórias de horror de todos os tempos. A história do dr. Victor Frankenstein e da monstruosa criatura por ele concebida vem fascinando gerações desde que foi publicada há mais de cem anos. Brilhante história de horror, escrita com fervor quase alucinatório, Frankenstein representa um dos mais estranhos florescimentos da imaginação romântica.
Frankenstein, de Mary Shelley, e Drácula, de Bram Stoker, são os dois maiores clássicos de terror da literatura em todos os tempos, também imortalizados no cinema através de várias adaptações.
DIE ZUKUNFT EINER ILLUSION
Sigmund Freud
Revisão técnica e prefácio de Renata Udler Cromberg
Ensaio biobibliográfico de Paulo Endo e Edson Sousa
Tradução de Renato Zwick
Qual o futuro da humanidade? Este é o ponto de partida de “O futuro de uma ilusão”, ensaio escrito por Sigmund Freud (1856-1939) em 1927, em pleno e agitado período entreguerras. Se a cultura humana repousa precariamente sobre a repressão de impulsos antissociais naturais a todos, a religião é a principal força a controlar estes impulsos, o que nos leva à outra pergunta: qual a origem psicológica da necessidade do sentimento religioso no indivíduo? O que, em cada pessoa, a torna propensa a crer num sistema irracional, indemonstrável e de recusa à realidade? Freud demonstra que a religião (“a neurose obsessiva universal da humanidade”) depende de sentimentos infantis não resolvidos e afirma ser ela, bem como seus dogmas, a culpada pela atrofia intelectual da maior parte dos seres humanos. Para Freud, a fim de o homem se organizar razoável e saudavelmente sobre a Terra, livre de ilusões, urge uma mudança radical nas formas de educação – que ele defende magistralmente neste texto breve mas impactante, tanto hoje quanto na época de sua publicação.
O autor recebeu o Prêmio Goethe em 1930
HAMLET
William Shakespeare
Tradução de Millôr Fernandes
Hamlet, de William Shakespeare, é uma obra clássica permanentemente atual pela força com que trata de problemas fundamentais da condição humana. A obsessão de uma vingança onde a dúvida e o desespero concentrados nos monólogos do príncipe Hamlet adquirem uma impressionante dimensão trágica.
Nesta versão, Millôr Fernandes, crítico contumaz dos “eruditos” e das “eruditices” que – nas traduções – acabam por comprometer o sentido dramático e poético de Shakespeare, demonstra como o “Bardo” pode ser lido em português com a poderosa dramaticidade do texto original. Aqui, Millôr resgata o prazer de ler Shakespeare, o maior dramaturgo da literatura universal, em uma das suas obras mais famosas.
DER MANN MOSES UND DIE MONOTHEISTISCHE RELIGION: DREI ABHANDLUNGEN
Sigmund Freud
Tradução de Renato Zwick
Revisão técnica e prefácio: Betty Bernardo Fuks
Ensaio biobibliográfico: Paulo Endo e Edson Sousa
Violência e religião segundo Freud
Provocante, exigente e perturbador. Assim é O homem Moisés e a religião monoteísta, conjunto de três ensaios freudianos gestados durante anos e publicados em conjunto pela primeira vez em 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial e da morte do criador da psicanálise. Em meio à onda de antissemitismo que varria a Europa em meados da década de 1930, Freud (1856-1939), autoproclamado judeu ateu, se colocou as seguintes indagações: como os judeus se tornaram o que são e por que atraem ódio eterno?
Combinando pesquisa historiográfica e uma imaginação tão criativa quanto genial, ele fez uso de ferramentas psicanalíticas para reconstruir a origem da mais antiga religião monoteísta a partir da figura de Moisés, líder religioso dos hebreus que sempre o fascinara. Os resultados surpreendem: Moisés, um egípcio, teria dado aos judeus sua religião; o monoteísmo baseia-se em uma série de dualidades; a identidade judaica não é plena e uma, mas fragmentária; um crime primordial seria o cimento do judaísmo, além de uma nova e admirável comprovação do paralelo entre a psique individual e a coletiva. Um dos textos mais desafiadores de Freud.
O autor recebeu o Prêmio Goethe em 1930
HEMMUNG, SYMPTOM UND ANGST
Sigmund Freud
Tradução de Renato Zwick
Revisão técnica e prefácio de Márcio Seligmann-Silva
Ensaio biobibliográfico de Paulo Endo e Edson Sousa
O medo, nosso velho conhecido
Entre 1925 e 1926 – depois de a Primeira Guerra Mundial assolar a Europa –, Sigmund Freud se voltou ao estudo do medo, que viria a se tornar um dos conceitos centrais da psicanálise. Embora já tivesse sido abordado pelo autor em vários textos, é em Inibição, sintoma e medo (1926) que ele consegue, finalmente, articular o funcionamento desse afeto em sua máxima extensão.
Até então, era considerado fruto do recalcamento da libido. Aqui Freud vai além e alia sua teoria dos impulsos de vida e de morte à ideia do medo como um resquício do processo evolutivo da espécie humana e aos traumas da castração e da separação. O medo do nascimento e da separação da mãe seria o medo ou a angústia primordial, a origem da nossa ânsia por sermos amados. O resultado dessa reflexão é um texto fundamental no desenvolvimento da psicanálise e nas ciências humanas, que toca profundamente dilemas universais do ser humano e sentimentos que nos definem como espécie.
A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS, VOLUME 1
Sigmund Freud
Tradução de Renato Zwick
Revisão técnica e prefácio por Tania Rivera
Ensaio biobibliográfico por Paulo Endo e Edson Sousa
O trabalho maior de Freud pela primeira vez traduzido direto do alemão
A interpretação dos sonhos é o trabalho maior de Sigmund Freud (1856-1939), que inaugurou a era da psicanálise e mudou para sempre a maneira como o ser humano percebe a si mesmo. Além das novíssimas perspectivas lançadas sobre a natureza e os significados dos sonhos – outrora considerados apenas resquícios da vida diurna –, neste estudo revolucionário Freud postula uma instância até então desconhecida da psique humana: o inconsciente.
Tal pressuposto – o da existência de um continente praticamente inacessado da “alma” humana – abriu todo um leque de possibilidades de estudos científicos e psicanalíticos para Freud e seus seguidores. Trabalho tão genial hoje quanto à época de sua primeira publicação, em 1899, A interpretação dos sonhos é considerada uma das obras fundadoras da contemporaneidade e que mais influenciaram o pensamento do século XX.
Porque a edição da L&PM é diferenciada:
- Traz inclusão de notas e comentários que Freud adicionou ao longo de sua vida.
- A tradução direto do alemão retoma a clareza e a fluência do pensamento de Freud.
- Oferece um exclusivo índice de sonhos, nomes e símbolos.
- Edição coordenada por renomados psicanalistas e professores: revisão técnica e prefácio de Tania Rivera, texto biobibliográfico de Paulo Endo e Edson Sousa, tradução de Renato Zwick.
A obra completa está dividida em dois volumes que podem ser adquiridos na caixa ou separadamente.
O autor recebeu o Prêmio Goethe em 1930
Sigmund Freud
Tradução de Renato Zwick
Revisão técnica e prefácio por Tania Rivera
Ensaio Biobibliográfico por Paulo Endo e Edson Sousa
O trabalho maior de Freud pela primeira vez traduzido direto do alemão
A interpretação dos sonhos é o trabalho maior de Sigmund Freud (1856-1939), que inaugurou a era da psicanálise e mudou para sempre a maneira como o ser humano percebe a si mesmo. Além das novíssimas perspectivas lançadas sobre a natureza e os significados dos sonhos – outrora considerados apenas resquícios da vida diurna –, neste estudo revolucionário Freud postula uma instância até então desconhecida da psique humana: o inconsciente.
Tal pressuposto – o da existência de um continente praticamente inacessado da “alma” humana – abriu todo um leque de possibilidades de estudos científicos e psicanalíticos para Freud e seus seguidores. Trabalho tão genial hoje quanto à época de sua primeira publicação, em 1899, A interpretação dos sonhos é considerada uma das obras fundadoras da contemporaneidade e que mais influenciaram o pensamento do século XX.
Porque a edição da L&PM é diferenciada:
- Traz inclusão de notas e comentários que Freud adicionou ao longo de sua vida.
- A tradução direto do alemão retoma a clareza e a fluência do pensamento de Freud.
- Oferece um exclusivo índice de sonhos, nomes e símbolos.
- Edição coordenada por renomados psicanalistas e professores: revisão técnica e prefácio de Tania Rivera, texto biobibliográfico de Paulo Endo e Edson Sousa, tradução de Renato Zwick.
Os dois volumes podem ser adquiridos na caixa ou separadamente.
O autor recebeu o Prêmio Goethe em 1930
Luís Vaz de Camões
Organização, apresentação, notas e cronologia de Jane Tutikian
A presente edição de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, organizada pela especialista em Literatura Portuguesa Jane Tutikian, é voltada para estudantes e para todos os interessados em ler esse cânone da literatura. Traz a obra-prima de Camões acompanhada de uma apresentação que contextualiza o surgimento do texto e a vida do autor – além de abundantes notas que esclarecem vocabulário, referências a personagens e fatos históricos, bem como auxiliam na compreensão de trechos cuja sintaxe pode dificultar a leitura.
Tão monumental quanto a Odisséia, de Homero, ou a Eneida, de Virgílio, Os Lusíadas é um dos mais preciosos tesouros da literatura universal. Na epopéia, publicada em 1552, recordam-se e exaltam-se os grandes feitos dos antigos navegadores lusitanos que, durante a Renascença, ampliaram os limites da Terra, mostrando ao mundo novas raças, religiões e costumes. Em sublimes versos, o bardo revela todo o erotismo da sua visão de mundo, que punha a beleza e a bravura acima de todas as coisas.
DAS UNBEHAGEN IN DER KULTUR
Sigmund Freud
Revisão técnica e prefácio de Márcio Seligmann-Silva
Ensaio biobibliográfico de Paulo Endo e Edson Sousa
Tradução de Renato Zwick
Perguntando-se sobre os critérios – ao seu ver equivocados – usados pelos seres humanos para eleger os valores da vida que lhes são caros e assim traçar caminhos na busca pela felicidade, Sigmund Freud (1856-1939) inicia uma reflexão sobre a origem da necessidade do sentimento religioso no homem. Recuperando ideias de seus textos anteriores, ele compõe
“O mal-estar na cultura” (escrito em 1929 e publicado em 1930), um dos mais perturbadores ensaios jamais escritos no que diz respeito ao desenvolvimento cultural da humanidade.
Ao investigar por que o ser humano é tão pouco dotado para ser e permanecer feliz, Freud revela que um dos principais e invencíveis obstáculos à felicidade é a constituição psíquica do homem. Ele examina de perto – lançando mão de ferramentas psicanalíticas – o processo de desenvolvimento cultural necessário para que as pessoas possam viver em sociedade. A conclusão é a de que não só a civilização, mas a própria cultura humana implicam uma diminuição na felicidade dos indivíduos, tendo como subproduto um alienável e generalizado sentimento de culpa.
O autor recebeu o Prêmio Goethe em 1930
Karl Marx
Friedrich Engels
Tradução de Sueli Tomazini Barros Cassal
Karl Marx e Friedrich Engels tinham, respectivamente, 30 e 28 anos quando o Manifesto do Partido Comunista foi publicado, em 1848. Este texto transformou o mundo e suas relações. A luta de classes foi declarada o motor da história e do progresso da humanidade. O Manifesto pregava a destruição da ordem burguesa e todo o poder aos excluídos. Perpetrado como um hino a uma utopia coletivista e humanitária, este texto modificou a história.
Depois da queda de muitos regimes que – baseados no comunismo de Marx – exerceram um poder autoritário, o que significa este livro? Será o Manifesto somente uma utopia desvairada? Ou será um contraponto importante ao individualismo, ao poder das grandes corporações e ao novo capitalismo global?
DR. JEKYLL AND MR. HYDE
Robert Louis Stevenson
Tradução de José Paulo Golob, Maria Angela Aguiar e Roberta Sartori
As suspeitas começaram quando Mr. Utterson, um circunspecto advogado londrino, leu o testamento de seu velho amigo Henry Jekyll. Qual era a relação entre o respeitável Dr. Jekyll e o diabólico Edward Hyde? Quem matou Sir Danvers, o ilustre membro do parlamento londrino?
Assim começa uma das mais célebres histórias de horror da literatura mundial. A história assustadora do infernal alter ego do Dr. Jekyll e da busca através das ruas escuras de Londres que culmina numa terrível revelação.
O escocês Robert Louis Stevenson é considerado um dos maiores escritores da literatura mundial. Inexcedível no gênero de romances de aventuras, é autor de A ilha do tesouro, um dos livros mais célebres de todos os tempos (1883). O médico e o monstro é um clássico entre os clássicos de horror e mistério. Stevenson escreveu ainda O raptado, As aventuras de David Balfour, O morgado de Ballantrae, entre outros.
WOMEN
Charles Bukowski
Tradução de Reinaldo Moraes
“Eu tinha cinquenta anos e há quatro não ia pra cama com nenhuma mulher.” Este é Henry Chinaski, Hank, escritor, alcoólatra, amante de música clássica, alter ego de Charles Bukowski e protagonista de Mulheres. Mas este não é um livro convencional – nem poderia ser, em se tratando de Bukowski – no qual um homem está à procura de seu verdadeiro amor.
Após um período de jejum sexual, sem desejar mulher alguma, Hank conhece Lydia – e April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Cassie, Sara, Valerie, não importa o nome que ela tenha. Hank entra na vida dessas mulheres, bagunça suas almas, rompe corações, as enlouquece, as faz sofrer. E no fim elas ainda o consideram um bom sujeito. Publicado em 1978, Mulheres, o terceiro romance de Bukowski, é a essência de sua literatura: com o velho Chinaski, ele sintetiza a alma de todos aqueles que se sentem à margem. Escrevendo em prosa, Bukowski poetisa a dureza da vida e nos dá uma pista: “ficção é a vida melhorada”.
Veja o texto que Reinaldo Moraes, tradutor de Mulheres e escritor, fez sobre seu dia de Bukowski.
AT THE MOUTAINS OF MADNESS
H.P. Lovecraft
Tradução de Márcio de Paula Stockler Hack
“Nas montanhas da loucura é uma das principais histórias de horror da língua inglesa.”
Time
“Não há dúvida de que H.P. Lovecraft ainda é o maior contista de horror clássico do século XX a ser superado.”
Stephen King
Na paisagem gelada e branca da Antártica, uma expedição científica se transforma em um encontro com o desconhecido e o inimaginável, levando alguns de seus membros a perderem a razão em face dos horrores presenciados. Nas montanhas da loucura é um dos principais exemplos da ficção de horror de H.P. Lovecraft (1890-1937), escritor norte-americano que é tido como uma das maiores influências de toda uma geração de criadores do gênero, como Stephen King.
Este volume reúne quatro histórias de Lovecraft:
- Nas montanhas da loucura
- A casa maldita
- Os sonhos na casa da bruxa
- O depoimento de Randolph Carter
OTELO
William Shakespeare
Tradução de Beatriz Viégas-Faria
O ciúme virou um clássico a partir de Otelo, que é citado sempre como um símbolo do ciúme. Shakespeare (1564-1616) vai fundo ao construir esta tragédia na qual explora várias faces da alma humana. O pérfido Iago, através de intrigas sutis conduz Otelo ao ciúme infernal e enlouquecedor. O bravo mouro, veterano de terríveis batalhas e representante militar do reino de Veneza, capitula diante do mais mesquinho sentimento de ciúme em relação a bela Desdêmona... Juntamente com Macbeth, Hamlet, Romeu e Julieta e O Rei Lear esta é uma das obras-primas de William Shakespeare.
Prêmio Açorianos de Literatura 2000, categoria Tradução em Língua Inglesa
LE PETIT PRINCE
ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY
Tradução de Ivone C. Benedetti
”O essencial é invisível para os olhos.”
Há algumas histórias que transformam o mundo de seus leitores para sempre. O pequeno príncipe é uma delas.
Um piloto isolado no deserto do Saara acorda e se depara com um garotinho loiro dizendo: “Por favor, desenhe uma ovelha para mim”. Nesse momento, o piloto se dá conta de que, quando a realidade parece inexplicável, não há outra escolha a não ser sucumbir a seus mistérios... E, justamente, um dos grandes mistérios deste livro é encantar gerações e gerações de leitores há mais de setenta anos, tanto adultos como crianças, que a cada leitura descobrem novos significados para as sábias palavras do principezinho.
As belas aquarelas de Saint-Exupéry, aqui reproduzidas como na primeira edição do livro, em 1943, permitem viajar por planetas desconhecidos e se encantar com esta fábula mais do que poética.
Fernando Pessoa
Seleção de Sueli Barros Cassal
"Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: ‘Navegar é preciso, viver não é preciso’.
Quero pra mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa raça."
Fernando Pessoa
Uma antologia organizada por Sueli Barros Cassal, onde foram selecionados alguns dos principais poemas produzidos pelo grande poeta português em suas diversas fases e pelos seus principais heterônimos.
Destaque literário melhor livro de poesias Rádio CBN RS, 1998
IL PRINCIPE
Maquiavel
Tradução de Antonio Caruccio-Caporale
“O quão louvável é que um príncipe honre a sua palavra e viva de uma forma íntegra, cada qual o compreenderá. Todavia, a experiência nos faz ver que, nestes nossos tempos, os príncipes que mais se destacaram pouco se preocuparam em honrar as suas promessas; que, além disso, eles souberam, com astúcia, ludibriar a opinião pública; e que, por fim, ainda lograram vantagens sobre aqueles que basearam as suas condutas na lealdade.
Assim, devemos saber que existem dois modos de combater: um, com as leis; o outro, com a força. O primeiro modo é o próprio do homem; o segundo, dos animais. Porém, como o primeiro muitas vezes mostra-se insuficiente, impõe-se um recurso ao segundo. Por conseguinte, a um príncipe é necessário saber valer-se dos seus atributos de animal e de homem.”
Trecho do capítulo “Como devem os príncipes honrar a sua palavra”
L PRINCIPE
Maquiavel
Tradução de Antonio Caruccio-Caporale
A Coleção L&PM Pocket lança uma nova tradução de O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, realizada por Antonio Caruccio-Caporale diretamente do original italiano do século XVI. Esta nova versão chega com quase duzentas notas e algumas retificações em relação às traduções existentes no mercado.
Nicolau Maquiavel nasceu em Florença, na Itália, em 3 de maio de 1469, e morreu em 22 de junho de 1527, também em Florença. Serviu a corte de Cesare Borgia, governante inescrupuloso e enérgico, até os Médicis derrubarem a República, em 1512, quando Maquiavel foi deposto e exilado. Em 1519, anistiado, voltou a Florença, onde exerceu funções político-militares. Em 1527 foi restaurada a República e Maquiavel é excluído da política. Sua doutrina, imortalizada neste O Príncipe, demonstra uma maneira cética de encarar o ser humano; sua concepção de poder pregava a prática acima da ética, pois tudo é válido contanto que o objetivo seja manter-se no poder. Citado incessantemente há quase quinhentos anos, O Príncipe é tido como um modelo imoral de praticar o poder, mas é seguido à risca por quase a totalidade dos políticos que o criticam.
PULP
Charles Bukowski
Tradução de Marcos Santarrita
Eis um Bukowski puro-sangue. Legítimo. Concluído alguns meses antes de sua morte, em março de 1994, aos 73 anos.
Não há como sair incólume desta história. A saga de Nick Belane poderia até ser igual a de tantos outros detetives de segunda categoria que perambulam pelas largas ruas de Los Angeles. Mas aqui, mulheres inacreditáveis cruzam pernas compridas e falam aos sussurros, principalmente uma que atende pelo nome de Dona Morte. Como nos velhos livros policiais de papel vagabundo, subliteratura pura, a quem Charles Bukowski dedica solenemente Pulp.
Ele desafia sua história com habilidade de mestre. Um Rabelais percorrendo o mundo noir? A divina sujeira? A maravilhosa sordidez? Um acerto de contas com a arte? Uma homenagem? Uma reflexão sobre o fim da vida? E tomara que a morte estivesse linda, gostosa e sexy – como está nesta história – quando encontrou o velho Buk poucos meses depois de ter posto o ponto final nesta pequena obra-prima.
Martha Medeiros
Viver deu nisso. Em roteiros: os de cinema, os de viagem, o que são guiados ou desviados pelo destino. Também em paixões: por pessoas, por espaços, por ideias. Deu ainda em tropeços e recomeços, em idas e vindas, em pé no chão e cabeça na lua. Viver, como mostra Martha Medeiros, deu nisso, em mais este livro, espécie de diário poético (ou seria profético?), com suas crônicas que misturam memórias e histórias – as reais e as ficcionais. São textos que escancaram e são descarados. Dão a cara para bater ao falarem de aborto, de arte, de assédio. Mas que, por mais despudorados que sejam, são repletos de amor, humor, calor humano. Porque Martha respira cada palavra que escreve, fazendo delas a matéria viva de sua existência. Nas mais de cem crônicas aqui reunidas – pequenos fragmentos cotidianos –, ela parece ser aquela amiga que está sempre por perto, ou a irmã com a qual temos mais afinidade. Exagero? Talvez... Mas o que seria da vida sem fantasia? Sem a possibilidade de pularmos corda em pleno espaço como um homem das estrelas orbitando em uma música ao longe? Para Martha, com certeza, não teria a menor graça. Porque viver, quem diria, é isso.
*Capa nova
ROMEO AND JULIET
William Shakespeare
Tradução de Beatriz Viégas-Faria
O amor apresenta-se à vida de Romeu e Julieta de modo traiçoeiro: ambos apaixonam-se instantaneamente, em uma festa – um baile de máscaras –, desconhecendo a identidade um do outro. Ele é filho dos Montéquio, e ela, dos Capuleto, duas das mais poderosas famílias de Verona, inimigas entre si. Desobedecendo às restrições familiares e políticas, eles vivem a sua paixão explosiva e desesperançada, naquela que se tornou a mais famosa história de amor da literatura ocidental, além de uma das mais populares tragédias shakespearianas.
William Shakespeare (1564-1616) nasceu e morreu em Stratford, Inglaterra. Filho de um rico comerciante, desde cedo escrevia poemas, até consagrar-se como um dos mais festejados dramaturgos de seu tempo. São de sua pena, as seguintes peças, entre outras: Hamlet, A megera domada, O Rei Lear, Macbeth, Otelo, Sonho de uma noite de verão, A tempestade, Ricardo III, Julio César, Muito barulho por nada.
O texto de Romeu e Julieta, aqui apresentado na nova tradução de Beatriz Viégas-Faria, foi encenado pela primeira vez em 1594, por uma trupe de atores homens, como era o costume no teatro elisabetano. Só em 1708 o papel Julieta foi interpretado por uma mulher.
SAPIENS – A BRIEF HISTORY OF HUMANKIND
Yuval Noah Harari
Tradução de Janaína Marcoantonio
Um dos maiores fenômenos editoriais dos últimos tempos
O que possibilitou ao Homo sapiens subjugar as demais espécies? O que nos torna capazes das mais belas obras de arte, dos avanços científicos mais impensáveis e das mais horripilantes guerras?
Nossa capacidade imaginativa. Somos a única espécie que acredita em coisas que não existem na natureza, como Estados, dinheiro e direitos humanos.
Partindo dessa ideia, Yuval Noah Harari, doutor em história pela Universidade de Oxford, aborda em Sapiens a história da humanidade sob uma perspectiva inovadora. Explica que o capitalismo é a mais bem-sucedida religião; que o imperialismo é o sistema político mais lucrativo; que nós, humanos modernos, embora sejamos muito mais poderosos que nossos ancestrais, provavelmente não somos mais felizes.
Um relato eletrizante sobre a aventura de nossa extraordinária espécie – de primatas insignificantes a senhores do mundo.
“Uma história abrangente da raça humana. [...] aborda alguns dos fatores cruciais que nos permitiram construir esta extraordinária civilização.” - Barack Obama
Euclides da Cunha
Fixação de texto e notas de Guto Leite e Homero Vizeu Araújo
Apresentação de Homero Vizeu Araújo, Guto Leite e Luís Augusto Fischer
“O sertanejo é, antes de tudo, um forte.”
No árido arraial de Canudos, no sertão baiano, organizou-se, em meados da década de 1890, uma comunidade de pessoas pobres, seguidoras do líder religioso Antônio Conselheiro. Estima-se que tenham chegado a 25 mil indivíduos. Era uma sociedade à margem do Estado baiano e da jovem República brasileira. O descumprimento de pequenas leis e o descontentamento com questões relativas a impostos provocaram a ira do governo, que respondeu enviando tropas – estaduais e a seguir federais – para esmagar o povoado.
Euclides da Cunha (1866-1909) visitou o palco do conflito em 1897 como correspondente do jornal O Estado de S.Paulo. Até então, a notícia que se tinha do longínquo embate era de sertanejos selvagens, fanáticos religiosos e antirrepublicanos. Após retornar ao centro do país, Euclides redigiu a maior parte do que viria a ser Os sertões, publicado pela primeira vez em 1902. Decorrido mais de um século de sua publicação e da Guerra de Canudos, esta obra peculiar e grandiosa, misto de reportagem de guerra, ensaio documental-histórico e libelo político, continua sendo um texto fundamental para se entender o Brasil de ontem e de hoje.
Martha Medeiros
Por que complicar ainda mais?
Acordou mal-humorado? Respire fundo, abra a janela e pense que no final do dia você encontrará seus amigos para um happy e dará boas gargalhadas. O carro quebrou no meio da rua? Sinalize e espere o guincho em segurança. O namoro está mais para morno? Chegou a hora de pôr um fim a relacionamentos que não levam a nada. Está achando a vida um marasmo, sempre fazendo as mesmas coisas, vendo as mesmas pessoas e não aguentando mais ver sua cara de cansaço no espelho? Dê uma guinada.
Simples assim.
Martha Medeiros, uma das maiores cronistas do país, não tem solução para seus problemas, mas, com seu olhar afiado, aponta essas pequenezas da vida que tanto trabalho nos dão e nos faz lembrar uma máxima muitas vezes esquecida: a vida está aí para ser vivida. Simples assim.
Convidada frequentemente para participar dos principais programas de tevê do país, Martha é um dos poucos nomes da literatura brasileira em atividade a conjugar tão bem o macro com o micro: a vida contemporânea e suas impressões sobre um livro, Londres e uma lembrança da adolescência, um desastre aéreo do outro lado do mundo e o impacto de um filme, a saída dos filhos de casa e uma metáfora entre sutiãs e separações.
Mas não é a vida justamente esse encontro, muitas vezes em rota de colisão, entre o macro e o micro? Nestas cem crônicas, transbordam a perspicácia, o olhar atento e a sensibilidade aguçada de uma das escritoras que melhor nos entende.
ZUR GENEALOGIE DER MORAL. EINE STREITSCHRIFT
Friedrich Nietzsche
Tradução e apresentação de Renato Zwick
“Somo-nos desconhecidos”
Publicado em 1887, nos anos de maturidade do autor, Sobre a genealogia da moral perscruta de onde surgiram nossos conceitos e preconceitos morais e, em se tratando de Friedrich Nietzsche (1844-1900), o faz implodindo, ao mesmo tempo, o castelo da metafísica ocidental e os pilares das ilusões da religião. Retomando mais detidamente tópicos que já havia tocado em obras anteriores, como as ideias básicas da nossa moralidade – os conceitos de bem e mal – e como foram desenvolvidas, Nietzsche parte do princípio de que o homem é um ser histórico.
No primeiro dos três ensaios, são demonstradas as raízes profundamente arraigadas do cristianismo na moral ocidental pós-socrática. Na segunda parte, Nietzsche fala da origem da consciência moral, da mudança do ser humano de uma “besta selvagem” a “animal manso”. Já na terceira, aborda a gênese do tipo de poder que ele chama de “sacerdotal” – poder de cunho religioso que ele detonará, com toda ênfase, em O anticristo, de 1888.
Eis uma das obras mais acessíveis do autor, que demonstra que as relações históricas entre nobres e escravos moldaram nossa suposta moralidade.
ZUR PSYCHOPATHOLOGIE DES ALLTAGSLEBENS
Sigmund Freud
Tradução de Renato Zwick
Revisão técnica e prefácio de Edson Sousa
Ensaio biobibliográfico de Paulo Endo e Edson Sousa
Uma das obras mais acessíveis de Freud
Não há teoria psicológica que já tenha conseguido prestar contas de maneira coerente do fenômeno fundamental do recordar e do esquecer.
Sobre a psicopatologia da vida cotidiana, de Sigmund Freud (1856-1939), é, a um só tempo, uma das obras do autor mais acessíveis ao público leigo e um dos textos fundadores do método psicanalítico. Trata-se de uma coletânea de pequenas histórias que compõem uma amostra da presença do inconsciente em atos falhos do cotidiano de pessoas saudáveis: esquecimentos aparentemente sem razão, lapsos de fala, enganos e erros. Tomando exemplos da própria vida, de seus pacientes, de colegas e pessoas em geral, Freud demonstra, num linguajar coloquial despido de termos técnicos, de que forma motivações inconscientes podem estar por trás de uma chave trocada, da substituição involuntária de palavras e nomes próprios por outros, de enganos fortuitos – fenômenos presentes no dia a dia de todos nós.
ON CATS
Charles BukowskiTradução de Rodrigo Breunig
O gato é o belíssimo diabo
“As observações [de Bukowski] são muito originais, às vezes hilárias e, no geral, brilhantes."
San Francisco Book Review
Charles Bukowski, o poeta da sarjeta e da ressaca, o romancista do desencanto do sonho americano, quem diria, tinha um fraco por bichanos peludos e ronronantes. Principalmente na velhice, tornou-se sentimental com os felinos, que considerava criaturas majestosas, potentes e inescrutáveis, seres sensíveis cujo olhar inquietante pode penetrar as profundezas da alma. Eram, para ele, forças únicas da natureza, emissários sutis da beleza e do amor.
Abel Debritto, biógrafo do autor que editou duas outras coletâneas temáticas, Sobre o amor e Escrever para não enlouquecer, reuniu aqui poemas e textos em prosa inéditos contendo reflexões sobre os animais que tanto fascínio e respeito provocavam em Bukowski. Se o personagem Henry Chinaski era seu alterego, os gatos são seu alterego de quatro patas. Pois, ao discorrer sobre gatos – vagabundos, lutadores, caçadores e sobreviventes –, o Velho Safado fala, na verdade, sobre seu melhor assunto: ele próprio.
MIDSUMMER NIGHT'S DREAM, A
William Shakespeare
Tradução de Beatriz Viégas-Faria
Numa noite de verão, num bosque, quatro jovens enamorados encontram-se e desencontram-se: Lisandro ama Hérmia que ama Lisandro e é amada por Demétrio, que é amado por Helena; depois, Demétrio ama Helena, que ama Demétrio e é amada por Lisandro, que é amado por Hérmia. Na manhã seguinte, tudo se resolve, e há um casamento triplo, pois casam-se também o Duque de Atenas e a Rainha das amazonas. Na festa, no palácio do Duque, apresenta-se uma peça de teatro amador, escrita e encenada por trabalhadores locais. É hilariante de tão ruim a "comédia trágica", que teve ensaio naquela noite de verão, naquele bosque, habitado por fadas e duendes que têm seu Rei e sua Rainha, que disputam a guarda de um menino indiano, e por isso esta Rainha apaixona-se, naquela noite de verão, por um mortal com cabeça de burro.
Ação e movimentação, paixões e casamentos, brigas e reconciliações, equívocos e finais felizes. É um Shakespeare muito divertido e nada trágico, um "sonho" originalmente escrito para uma festa de casamento na vida real.
TOTEM UND TABU
Sigmund Freud
Tradução de Renato Zwick
Revisão técnica e prefácio: Paulo Endo
Ensaio biobibliográfico: Paulo Endo e Edson Sousa
[...] no complexo de Édipo coincidem os inícios da religião, da moralidade, da sociedade e da arte [...]
Tradução do alemão de Renato Zwick
Revisão técnica e prefácio de Paulo Endo
Ensaio biobibliográfico de Paulo Endo e Edson Sousa
Até Totem e tabu (1912-1913), Sigmund Freud (1856-1939) sempre se limitara a obras dedicadas estritamente à psicanálise, campo de estudos recém-aberto. Porém, a indagação quanto às origens e ao modo de transmissão de uma cultura (no caso, da sociedade moderna) conduziu sua atenção para a antropologia e para a etnopsicologia; Freud via, nos homens primitivos, mecanismos semelhantes aos operantes no homem moderno.
Detectou dois fenômenos recorrentes nas tribos primitivas: a representação do pai primordial na forma do totem e o tabu do incesto. Por meio de uma “dedução histórica”, Freud propõe a hipótese do “pai tirano”, cujo assassinato pelos filhos estaria na base do sentimento de culpa, da exogamia e da religião.
Considerada pelo próprio autor uma de suas obras mais importantes, Totem e tabu sinaliza a aproximação da psicanálise às humanidades. Esta edição traz o texto traduzido do alemão, possibilitando ao leitor brasileiro o contato direto com um dos trabalhos freudianos mais elegantes e aprazíveis.
O autor recebeu o Prêmio Goethe em 1930
Eduardo Galeano
Tradução de Sergio Faraco
“Uma bomba literária que muito provavelmente Obama não leu, mas que – sejamos francos – na verdade deveria ler...”
Jorge Volpi, El País
Um livro (infelizmente) atual
A L&PM está relançando As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, não apenas em formato convencional, mas com o mesmo conteúdo na Coleção L&PM POCKET. O livro tem nova capa, índice analítico e nova tradução de Sergio Faraco, um dos mais importantes contistas do Brasil. Sobre essa versão, escreveu Galeano: “Excelente trabalho de Sergio Faraco, melhora a não menos excelente tradução anterior, de Galeno de Freitas. E graças ao talento e à boa vontade destes dois amigos, meu texto original, escrito há quarenta anos, soa melhor em português do que em espanhol”.
No prefácio escrito em agosto de 2010, especialmente para esta edição de As veias abertas da América Latina, Eduardo Galeano lamenta “que o livro não tenha perdido a atualidade”. Remontando a 1970 sua primeira edição, atualizada em 1977, quando a maioria dos países do continente padecia facinorosas ditaduras, este livro tornou-se um autêntico “clássico libertário”, um inventário da dependência e da vassalagem de que a América Latina tem sido vítima, desde que aqui aportaram os europeus no final do século XV. No começo, espanhóis e portugueses. Depois vieram ingleses, holandeses, franceses, modernamente os norte-americanos, e o ancestral cenário permanece: a mesma submissão, a mesma miséria, a mesma espoliação.
As veias abertas da América Latina vendeu milhões de exemplares em todo o mundo. Com seu texto lírico e amargo a um só tempo, Galeano sabe ser suave e duro, e invariavelmente transmite, com sua consagrada maestria, uma mensagem que transborda humanismo, solidariedade e amor pela liberdade e pelos desvalidos.
O autor recebeu diversos prêmios pela sua obra:
Prêmio Casa de las Américas (Cuba)
Prêmio do Ministério de Cultura do Uruguai (Uruguai)
Premio Stig Dagerman 2010 (Suécia)
Premio Alba de las letras 2013 (Cuba)
VOYAGE AU CENTRE DE LA TERRE
Júlio Verne
Tradução de Renata Cordeiro
Numa pequena casa em um velho e tradicional bairro de Hamburgo, o jovem Axel, tímido e inseguro, trabalha com seu tio, o irascível professor Lidenbrock, geólogo, e sua discípula, a eficiente Graüben.
Em um velho manuscrito, Lidenbrock encontra um criptograma feito por Arne Saknussemm, célebre cientista islandês do século XVI, com a bombástica revelação de que, pela chaminé da cratera do extinto vulcão Sneffels, na Islândia, era possível penetrar até o centro da Terra e que ele – Saknussemm – havia comprovado este fato.
Lidenbrock se inflama e, excitadíssimo, parte rapidamente com Axel para a gelada Islândia onde, acompanhados pelo guia Hans, tão fleumático quanto seu patrão, se embrenham nas misteriosas profundezas do vulcão Sneffels.
Ao descrever as prodigiosas aventuras que se seguem, Júlio Verne chega num dos melhores momentos de sua grande carreira de escritor. O vigor, o ritmo vertiginoso da narrativa, a legendária imaginação de Verne, tudo isso faz deste Viagem ao centro da Terra um clássico entre todos os grandes romances de aventuras.