A Importância da Maçonaria nas Transformações Globais e na Evolução dos Paradigmas
“Os tempos mudam, e nós mudamos com eles” – expressão latina que ecoa, com profundidade simbólica, nos Templos maçônicos do mundo inteiro. A Maçonaria, enquanto instituição iniciática, filosófica e filantrópica, nunca se propôs a ser uma estrutura cristalizada no tempo, mas sim um organismo vivo, que observa o passado com reverência, mas que caminha com os olhos voltados para o futuro.
A Maçonaria e o Curso da História
Desde suas raízes operativas até a fase especulativa que conhecemos, a Maçonaria tem se colocado ao lado das grandes transformações da humanidade. Esteve presente no advento das Luzes, no combate ao absolutismo, na defesa das liberdades civis e dos direitos fundamentais. Muitos dos paradigmas que hoje consideramos civilizatórios foram concebidos, maturados ou defendidos em meio aos debates travados dentro das Lojas maçônicas.
A tríade Liberdade, Igualdade e Fraternidade — embora apropriada historicamente pela Revolução Francesa — é, antes de tudo, um reflexo dos princípios que a Maçonaria cultivava muito antes do século XVIII. Em cada momento decisivo da história da civilização ocidental, encontramos maçons conscientes de sua missão de melhorar a si mesmos para melhor servir à humanidade.
A Urgência de Paradigmas Renovados
Vivemos hoje uma época de crises — ambientais, sociais, políticas e existenciais. São tempos que exigem um novo salto de consciência. Os paradigmas dominantes — centrados no individualismo exacerbado, no materialismo sem freios e na dominação tecnológica desvinculada da ética — já não oferecem respostas adequadas às angústias do homem moderno.
É nesse cenário que a Maçonaria se reafirma como um farol. Ela nos lembra que os conceitos de Templo Interior, de Trabalho com Retidão, de Busca pela Verdade e de Harmonia Universal não são apenas símbolos arcaicos, mas mapas para a necessária reconstrução do mundo — partindo do mais íntimo de cada homem.
Como disse Albert Pike, um dos mais influentes pensadores da maçonaria do século XIX:
“A maçonaria não é uma religião, mas uma escola moral. Ensina a verdade, não apenas como uma abstração, mas como um ideal prático, aplicável à vida de cada um.”
Paradigmas a Serem Substituídos
É tempo de deixar para trás o paradigma da separação — entre o homem e a natureza, entre ciência e espiritualidade, entre razão e sentimento, entre povos e culturas. A Maçonaria, que sempre defendeu a universalidade da fraternidade humana, deve agora posicionar-se como uma força ativa na transição para um novo paradigma: o da unidade na diversidade.
Da mesma forma, o paradigma do poder vertical e excludente deve ceder lugar a modelos mais horizontais, colaborativos e compassivos. As Lojas, enquanto microcosmos da sociedade, podem e devem ser o espaço onde tais mudanças se manifestem concretamente.
A Missão do Maçom Contemporâneo
Cabe ao maçom do século XXI não apenas preservar os rituais e símbolos, mas traduzi-los à luz das necessidades atuais. A pedra bruta a ser lapidada hoje é a consciência coletiva de uma humanidade ferida por séculos de injustiça, intolerância e egoísmo.
Atualizar os paradigmas maçônicos não é negá-los, mas permitir que suas luzes iluminem os dilemas contemporâneos:
A defesa da dignidade humana acima de qualquer ideologia
A ecologia como extensão do princípio de interdependência
A espiritualidade como superação do sectarismo religioso
A ética maçônica como antídoto contra a corrupção e o vazio moral
Conclusão: Uma Maçonaria para o Tempo Presente
O mundo em transformação exige uma Maçonaria que não seja apenas guardiã de um legado, mas parte ativa de um novo começo. É preciso coragem para reformar o pensamento, para evoluir sem perder a identidade, para ser ponte entre o antigo e o novo.
Os paradigmas do passado foram preciosos, mas já não respondem sozinhos às demandas deste tempo. Como os arquitetos do espírito que somos, devemos erguer um novo templo: o da consciência expandida, da fraternidade vivida e da esperança cultivada com lucidez.
Porque se o mundo precisa de uma nova visão, que ela seja construída com os instrumentos da sabedoria, da força e da beleza — como sempre foi o caminho dos verdadeiros maçons.
Fontes e Referências Recomendadas:
1. Pike, Albert. Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry
2. Baigent, Michael; Leigh, Richard. Os Templários e a Maçonaria
(Discussão sobre a influência de movimentos iniciáticos em paradigmas ocidentais)
3. UNESCO – Changing Minds: The Power of Culture to Change the World
https://en.unesco.org/themes/culture-sustainable-development
A Paz como Pilar da Fraternidade Universal
Vivemos um tempo de paradoxos. Em plena era da tecnologia e da informação, quando a humanidade detém conhecimento suficiente para erradicar a fome, curar doenças e explorar o universo, ainda nos deparamos com guerras brutais, conflitos fratricidas e tragédias humanas evitáveis. Crianças morrem sob os escombros de ideologias extremistas e interesses mesquinhos. Famílias inteiras são despedaçadas pela ignorância de poucos que, investidos de poder, escolhem o ódio ao invés do diálogo. Diante disso, é dever da Maçonaria – como Escola de Sabedoria e Fraternidade – se posicionar.
A paz, para nós maçons, não é apenas a ausência de guerra. É um estado de consciência superior. É o reflexo da harmonia interna de cada ser humano que, ao conquistar o domínio de si mesmo, projeta no mundo uma energia de conciliação e respeito. A paz verdadeira nasce do Templo interior, aquele que cada iniciado constrói, pedra a pedra, com esforço, vigilância e virtude.
Nosso compasso ensina a medida justa das ações, e o esquadro, a retidão dos pensamentos. Ao utilizarmos essas ferramentas simbólicas, não estamos apenas esculpindo nosso caráter, mas contribuindo para um mundo onde a justiça, a equidade e a tolerância possam florescer. Não é utopia. É missão.
A visão de uma Fraternidade Universal é um dos mais sublimes ideais maçônicos. É crer que, apesar das diferenças de cor, credo, idioma ou nação, todos os seres humanos pertencem à mesma família. Essa fraternidade não se impõe pela força, mas se conquista pelo exemplo. Ela começa entre os irmãos da Ordem, que aprendem a respeitar-se mutuamente em suas divergências, e se expande para a sociedade como um farol de equilíbrio em meio às trevas da discórdia.
É profundamente lamentável constatar que, enquanto alguns constroem templos de sabedoria, outros ainda levantam muros de separação. Que enquanto buscamos lapidar nossas imperfeições, há quem insista em alimentar o egoísmo e a intolerância. Mas o verdadeiro maçom não se permite o desânimo. Ele acredita, age, semeia. Mesmo que o solo pareça árido, sua fé no Bem Maior o move.
A paz no mundo depende, sim, de decisões políticas e ações globais. Mas começa com atitudes simples, cotidianas, silenciosas. Um gesto de compaixão, um ato de perdão, uma palavra conciliadora – tudo isso contribui para a tessitura de um mundo menos violento e mais humano.
Portanto, conclamamos todos os irmãos a manterem acesa a chama da esperança, a trabalharem pela paz com a mesma diligência com que moldam a pedra bruta de si mesmos. Que nossas Lojas sejam templos de pacificação. Que nossas palavras inspirem reconciliação. Que nossas vidas sejam exemplos vivos daquilo que a Maçonaria representa: a luz da razão contra a sombra da ignorância, o calor da fraternidade contra o frio da indiferença, a construção da paz contra a destruição da guerra.
Porque enquanto houver um único irmão de boa vontade trabalhando pela paz, a esperança não morrerá. E a verdadeira Fraternidade Universal continuará sendo o ideal possível – e necessário – de um mundo mais justo, mais sábio e verdadeiramente humano.
Assim seja.
Que a paz seja nossa obra e nosso legado.
A Fundação da Loja Maçônica Bento Gonçalves: Um Elo entre Tradição e Liberdade
Há dezesseis anos, um capítulo singular começou a ser escrito na história da maçonaria distrital e brasileira com a fundação da Loja Maçônica Bento Gonçalves 4060, em Brasília, jurisdicionada ao Grande Oriente do Distrito Federal - GODF e federada ao Grande Oriente do Brasil - GOB. O que nasceria como um ideal de irmãos visionários logo se transformaria em um verdadeiro bastião da tradição gaúcha dentro da maçonaria distrital e nacional.
Tudo começou com uma provocação e um convite. O então Eminente Grão-Mestre do GODF, Irmão Jafé Torres, convidou-me a conhecer dois irmãos que sonhavam em fundar uma loja de essência e inspiração gaúcha na capital do país. Esses irmãos, oriundos de outras oficinas, nascidos em Palmeira das Missões, durante caminhadas num parque da cidade, sonhavam acordados com a fundação de uma loja maçônica com características interioranas e diferentes do que se via por aqui. Curiosamente, o próprio Grão-Mestre havia determinado que, naquele momento de sua gestão, nenhuma nova loja deveria ser fundada. Entretanto, ao conhecer os irmãos Guedes e Roni, percebi imediatamente o potencial daquele projeto — não seria apenas mais uma loja; seria uma loja diferenciada, viva, e com um forte vínculo histórico-cultural. Insisti e o Grão-mestre cedeu, autorizou e apoiou a fundação.
Em nossa primeira reunião, ainda em forma de triângulo maçônico, nos reunimos: Guedes, Roni e eu. O objetivo era claro — sonhar e projetar a loja ideal. Eu busquei trazer para aquele encontro minha vivência maçônica do interior desde menino, da longínqua cidade de Canguçu, e da Loja José Bonifácio, 55, fundada por meu avô Egídio Soares de Camargo na década de 1950, onde fui forjado como maçom desde o berço. Sou um produto social dessa maçonaria. Essa bagagem tornou-se base sólida para pensarmos uma loja que unisse tradição, história e liberdade.
Inicialmente, o nome proposto era Giuseppe Garibaldi, homenagem ao ilustre revolucionário italiano, maçom atuante nas lutas pela liberdade na Europa e também combatente junto ao Exército Farroupilha, a partir de 20 de setembro de 1835. Garibaldi, de fato, representava um ideal universalista de liberdade.
Contudo, após refletirmos profundamente sobre as raízes locais e a importância da representação histórica mais próxima da nossa terra, sugeri aos irmãos a mudança do nome para Bento Gonçalves — o então Presidente da República Rio-Grandense (ou Farroupilha) e figura central da Revolução Farroupilha. Meu vínculo com Bento Gonçalves era mais que histórico — era também pessoal. Ele era natural de Camaquã, cidade vizinha à minha cidade natal Canguçu e também de Piratini. Cresci ouvindo histórias sobre sua vida e seus feitos maçônicos, especialmente sobre sua passagem por Piratini durante a revolução e de ter comandado sessões maçônicas com um certo malhete (Piratini foi a primeira capital farroupilha). Esse é um instrumento de trabalho do maçom, especialmente do Venerável Mestre, na condução dos trabalhos e representa a sabedoria , a força e a justiça. Aquele malhete havia perambulado pelas alfaias de lojas da região sul que abateram colunas e acabou em posse da Loja José Bonifácio, ficando exposto em seu museu, em Canguçu, portanto um malhete maçônico histórico que pertencera a Bento Gonçalves. Esse malhete foi utilizado na instalação da Loja José Bonifácio, por meu avô, e também por meu pai quando assumiu o Veneralato. Com base nessa ligação simbólica e afetiva, solicitamos uma autorização especial à Mui Respeitável Grande Loja Maçônica do Rio Grande do Sul para que o malhete fosse trazido a Brasília, a fim de ser utilizado na sessão magna de fundação da Loja Bento Gonçalves no DF.
A autorização foi concedida. O malhete histórico viajou até Brasília, tornando-se elo físico e espiritual com o passado. Réplicas fiéis desse malhete foram então confeccionadas e continuam em uso até os dias atuais, simbolizando a perenidade dos ideais farroupilhas de liberdade, igualdade e humanidade.
Assim nasceu a Loja Maçônica Bento Gonçalves, não apenas como um templo de luz, mas como uma ponte entre gerações, entre passado e presente, entre a história de um povo e a construção de um ideal maçônico comprometido com os valores mais nobres da humanidade.
Que o legado de Bento Gonçalves, da Revolução Farroupilha e dos irmãos que ousaram sonhar com essa loja siga iluminando nossos caminhos.
“Liberdade, ainda que tardia.”
A Fraternidade dos Meus Sonhos
A Maçonaria é, antes de tudo, uma escola iniciática e filosófica. Ela se utiliza de símbolos, ritos e alegorias para conduzir seus iniciados à descoberta da verdade sobre si mesmos, sobre a vida e sobre o universo. Mas mais do que isso: ela é um espaço de convivência e aprendizado onde homens de diferentes origens, crenças e culturas se reúnem com um propósito comum — o aperfeiçoamento moral e espiritual da humanidade.
Eu tenho um sonho.
Tenho o sonho de ver o planeta Terra viver, um dia, a verdadeira fraternidade entre todos os seus habitantes. Um mundo onde as diferenças não sejam barreiras, mas pontes. Onde o respeito não seja apenas uma virtude desejada, mas uma prática cotidiana. Onde o amor ao próximo seja mais forte do que qualquer ideologia, disputa ou interesse.
E acredito firmemente que a Maçonaria pode — e deve — ser protagonista nessa construção.
Por quê? Porque ela já é, em sua essência, um microcosmo dessa fraternidade sonhada. Dentro dos templos maçônicos, aprendemos a nos despir das máscaras sociais e das vaidades do mundo profano. Lá dentro, o que importa não é a cor da pele, o credo religioso, a posição social ou o poder aquisitivo. O que importa é o caráter, a busca pela verdade e o compromisso com o bem.
A Maçonaria ensina o maçom a ver no outro um irmão. E essa simples ideia, quando vivida de forma sincera, tem um poder transformador gigantesco. Ela nos desafia a vencer o egoísmo, a superar preconceitos e a trabalhar — juntos — por um mundo mais justo, mais humano e mais solidário.
A fraternidade dos meus sonhos é uma fraternidade ativa. Não é apenas a ausência de conflito, mas a presença constante da empatia, do cuidado mútuo e da colaboração. É uma fraternidade que se expressa em ações concretas: em projetos sociais, em palavras de conforto, em mãos estendidas, em templos abertos à comunidade, em vidas transformadas pelo exemplo.
Nesse cenário ideal, vejo a Maçonaria ocupando seu lugar de farol moral. Uma instituição respeitada não pelo mistério que a cerca, mas pela luz que irradia. Vejo lojas maçônicas atuando como centros vivos de transformação ética, inspirando jovens e adultos a abraçarem a responsabilidade de serem construtores de um novo mundo.
Sim, eu tenho um sonho. E esse sonho é partilhado por todos aqueles que acreditam que a fraternidade é mais do que um princípio maçônico — é uma necessidade urgente da humanidade.
Que cada maçom, ao acender sua luz interior, contribua para iluminar os caminhos da sociedade. Que cada loja seja um ponto de resistência contra a indiferença, a intolerância e a injustiça. Que possamos, juntos, tornar real a fraternidade dos nossos sonhos.
Porque, como ensina a própria Maçonaria: é pela união dos irmãos que se constrói o verdadeiro templo da humanidade.
Brasília, 16 de junho de 2025.
A Morte da Rainha da Colmeia e a Escolha de Líderes na Maçonaria
Na harmonia silenciosa do bosque, existe um símbolo vivo da organização, da ordem e da cooperação: a colmeia das abelhas. Dentro dela, milhares de abelhas trabalham de forma incansável, cada uma exercendo sua função com dedicação, zelo e espírito de coletividade. Mas o que ocorre quando a rainha morre? Como o povo da colmeia escolhe, em meio ao caos da ausência, uma nova líder?
Essa dinâmica natural, que à primeira vista parece puramente instintiva, revela profundas lições para nós, maçons, especialmente quando nos debruçamos sobre o momento delicado e fundamental da escolha de um novo líder.
A Morte da Rainha: O Início de um Novo Ciclo
Quando a rainha de uma colmeia morre, não há desespero, tampouco ambição desenfreada. As operárias, em sabedoria silenciosa, escolhem algumas larvas jovens e começam a alimentá-las exclusivamente com geleia real. Aquelas que melhor responderem ao alimento real se tornam candidatas ao trono. A natureza, sem partidarismos, sem manipulações, faz sua seleção baseada na sua essência, na resposta à nutrição e no bem-estar coletivo da colônia.
Analogamente, quando a Ordem maçônica se encontra diante da missão de eleger um novo líder, não deveria haver espaço para vaidades pessoais, política profana ou jogos de poder. O que deve orientar tal escolha é o bem maior da Ordem, a continuidade de seus princípios e a vitalidade de suas colmeias simbólicas — as Lojas.
A Geleia Real da Maçonaria: Princípios e Virtudes
Na colmeia, não é a beleza ou a força que define a nova rainha, mas a qualidade de sua nutrição simbólica. Na Maçonaria, o equivalente da geleia real, deveriam ser as virtudes a sustentar nossa caminhada: sabedoria, coragem, justiça, equidade, temperança, humildade, espírito de serviço e capacidade de congregar os irmãos sob a Luz do GADU.
Portanto, ao avaliarmos um irmão para ocupar esse papel, devemos observar se ele foi nutrido por essas virtudes ao longo de sua jornada. Se ele busca construir seu templo interior com qualidades que contribuam coletivamente para o bem de todos.
A Escolha como Rito de Maturidade
O processo de seleção de uma nova rainha pelas abelhas é um rito de passagem, uma etapa que marca a maturidade da colônia. Da mesma forma, a eleição de um Grão-Mestre não é apenas um ato administrativo, mas um rito coletivo de amadurecimento institucional. O modo como escolhemos nossos líderes diz muito sobre o estágio em que se encontra nossa consciência maçônica.
Se a escolha é pautada por construção da unidade simbólica, projetos estruturantes, por diálogo fraterno, por respeito às diferenças e por fidelidade aos Landmarks, então estamos em evolução. Se, ao contrário, é marcada por disputas mesquinhas, campanhas disfarçadas de fraternidade ou desrespeito aos rituais, então algo precisa ser revisto.
Infelizmente, tem-se observado que, por vezes, os debates em torno de futuras lideranças acabam se distanciando da serenidade e da elevação moral que deveriam nortear nossos trabalhos. Em lugar de focar na construção de ideias e na avaliação ética dos possíveis candidatos, surgem comentários que pouco edificam e que desviam a atenção dos verdadeiros propósitos da Ordem.
A Maçonaria, que tem como fins supremos a Liberdade, a Igualdade e, sobretudo, a Fraternidade, mas, temos visto por vezes o esquecimento da centralidade deste último pilar. E, como ensinava o Irmão Albert Pike: "A verdadeira Maçonaria ensina que a verdadeira glória do homem consiste em ser bom, justo e fraterno." O maçom deve pautar-se pela ética — aquela que se pratica no silêncio das próprias ações, mesmo quando não há ninguém a observar.
Devemos recordar que qualquer processo de escolha deve ser conduzido com respeito, temperança e espírito fraterno, especialmente quando ainda nos encontramos distantes do momento apropriado para definições. Preservar nossos princípios e condutas é mais do que um dever institucional — é uma expressão do nosso compromisso com a Luz que um dia nos foi confiada.
O Zumbido da Colmeia: A Voz da Consciência Coletiva
Quando a nova rainha é finalmente escolhida, toda a colmeia vibra em uníssono. Há um zumbido especial que marca o início do novo reinado, não como imposição de poder, mas como celebração da continuidade. Assim deve ser a escolha de um Grão-Mestre: não o coroamento de um projeto individual, mas a confirmação da vitalidade da Ordem que continua firme em seus princípios de sucessão harmônica e alternância de poder.
Que cada maçom, ao se deparar com esse momento cíclico da Obediência, atue como uma abelha operária: nutrindo os candidatos com atenção, observando suas trajetórias de vida, afastando-se de vaidades e escutando o zumbido sereno da consciência coletiva.
Quando dizemos observando suas trajetórias de vida, podemos traduzir assim: analisemos as pegadas que ele deixou pela vida, não só maçônica, mas civil, o que ele realizou e como ele construiu a sua senda. O que ele fez na maçonaria, como ele é nas quatro paredes do lar, como pai, marido, o que ele realizou na vida profissional. Repetimos: a trajetória é de suma importância, pois como é dito popularmente: diga-me com quem andas e direi que sois.
Conclusão
A natureza, nossa eterna mestra, nos ensina que o verdadeiro líder emerge do serviço e da preparação silenciosa. Que a simbologia da colmeia inspire nossas escolhas e fortaleça nossos laços, para que, com humildade e sabedoria, saibamos sempre eleger não apenas irmãos aptos, mas verdadeiros servidores da Arte Real.
Brasília, 24 de julho de 2025.
A Fraterna Gratidão e o Exemplo do Irmão Narinho
Na senda iniciática que trilhamos dentro da Sublime Ordem, aprendemos que a verdadeira maçonaria não se limita às paredes do templo, mas se manifesta, sobretudo, nos gestos concretos de fraternidade, solidariedade e amor ao próximo. Em momentos de adversidade, é que os ensinamentos que tanto reverenciamos se colocam à prova — e é também nessas horas que os verdadeiros obreiros da Luz se revelam em plenitude.
Hoje, venho aqui não apenas como irmão, mas como alguém profundamente tocado e engrandecido pelo gesto de um outro irmão — aquele que tive a honra de acolher como meu primeiro afilhado na Arte Real. Falo do estimado Irmão Narinho, cuja conduta maçônica e cristã transcende o simbólico e se materializa na vida cotidiana de forma admirável.
Nos instantes mais sombrios que recentemente assolaram minha família e a mim, pude contar com o apoio de inúmeros irmãos — e por isso, minha eterna gratidão a todos. Mas é preciso, com humildade e justiça, prestar um reconhecimento especial àquele que, sem hesitar, permaneceu firme ao meu lado: Narionar, o irmão que nunca me surpreendeu, justamente por sempre ter sido um exemplo constante de retidão, lealdade, compromisso e amor fraterno.
Foi ele quem respondeu prontamente ao chamado para fundarmos nossa amada Loja Bento Gonçalves, sem vacilar, com o coração aberto e a vontade de servir. Desde então, sua presença tem sido constante, tanto nos momentos de júbilo quanto nos de provação. Ele não apenas caminhou ao meu lado, como assumiu, com bravura e serenidade, o papel de verdadeiro pilar de apoio.
A maçonaria ensina que o maior templo está dentro de nós — e é no coração dos bons que se encontra o verdadeiro altar da virtude. Narinho, ao agir com tamanha dedicação e compaixão, nos mostra, mais uma vez, que o verdadeiro maçom é aquele que vive os princípios da Ordem com coragem, discrição e amor.
O que ele fez por mim não é apenas um gesto pessoal, mas um testemunho vivo da essência da nossa fraternidade. Que todos os irmãos possam olhar para esse exemplo como uma lição silenciosa, porém eloquente, de como se vive a maçonaria real, aquela que vai além dos rituais e se traduz em ação.
Muito obrigado, meu irmão, 70 vezes 7.
Que o Grande Arquiteto do Universo continue iluminando teu caminho, e que tua jornada continue sendo inspiração para tantos outros irmãos que, como eu, aprenderam contigo o verdadeiro significado de ser maçom.
Brasília, 07 de junho de 2025.
A Força da Unidade na Superação das Dificuldades Maçônicas
A Maçonaria, como escola iniciática e de aperfeiçoamento moral, é sustentada por pilares sagrados que aprendemos desde os primeiros passos no Grau de Aprendiz: a Paz, a Harmonia e a Concórdia. Esses não são apenas ideais filosóficos, mas fundamentos vivos que devem nortear nossa conduta e nossos relacionamentos dentro e fora do Templo.
Recentemente, a vida nos impôs desafios que testaram esses princípios. Em meio à enfermidade e às limitações físicas, surgiu também a dor moral de presenciar desentendimentos que em nada representavam os valores que juramos defender. Em tal cenário, a culpa se apresentou — não como sentimento de fraqueza, mas como consciência de responsabilidade. Era necessário agir, mesmo com as forças comprometidas, para que a Luz prevalecesse sobre as sombras da discórdia.
Foi com esse espírito que me propus a retomar as atividades, não para julgar ou dividir, mas para unir e reconstruir. Contando com o apoio unânime dos Irmãos deputados, iniciamos um processo de reencontro fraterno, superando arestas e restaurando a coesão de nossa amada Assembleia. O resultado não poderia ter sido mais gratificante: uma ADL novamente forte, coesa e em consonância com os valores herdados de nossos antecessores.
A Maçonaria nos ensina que a verdadeira liderança não se impõe pelo poder, mas pela influência moral e pelo exemplo. O maior legado de uma gestão não está nas conquistas materiais, mas na herança espiritual deixada aos que seguem. Assim, ao olhar para trás, não com orgulho, mas com gratidão, vejo que vencemos juntos — não apenas a doença do corpo, mas também as enfermidades do espírito que ameaçavam nosso convívio.
Contudo, nosso trabalho não termina aqui. O Oriente continua ferido. Um Grão-Mestre legitimamente eleito, com ampla maioria dos votos, encontra-se injustamente impedido de exercer seu mandato, juntamente com dois Deputados Distritais. Tal realidade desafia nossos princípios democráticos e maçônicos. Como compreender essa situação, senão como uma grave distorção dos fundamentos que nos sustentam?
É hora, portanto, de pensarmos no bem maior: o nosso Grande Oriente do Distrito Federal, federado ao glorioso Grande Oriente do Brasil, devolvendo o “1º malhete” de nossa Obediência Distrital a quem de direito, pois essa conquista foi alcançada de forma maçônica.
Vamos pensar no bem coletivo de nossa comunidade maçônica, acima de disputas e vaidades. Deve prevalecer a razão maçônica, que é sempre coletiva, volto a dizer, devendo ser fraterna e voltada para o bem comum. Precisamos estar unidos, mais do que nunca, para restabelecer a ordem, proteger a legitimidade e resgatar a confiança de todos os obreiros que acreditam na Justiça e na Verdade.
Que sigamos adiante com firmeza, mas também com humildade. Que não nos esqueçamos jamais da essência da Maçonaria: a edificação do homem interior e a construção de uma sociedade mais justa e solidária. E que o G∴A∴D∴U∴ continue a iluminar nossos caminhos, guiando nossos passos na direção do bem, da verdade e da luz.
Brasília, 05 de junho de 2025.
Carlos Ortiz Alt, Mestre Maçom pela Loja Bento Gonçalves no 4060 (GODF)
Membro ativo da Loja Capitol Lodge no 136, Winnipeg Canadá
Membro ativo e 2º Vigilante da Loja Beaver Ionic Lodge no 25, Winnipeg Canadá
Meus amigos e irmãos de Ordem,
No Canadá, as lojas maçônicas, em quase sua totalidade, fecham durante o verão. Não há reuniões oficiais nos meses de junho, julho e agosto. E por ter chegado aqui em maio, tive que esperar um bom tempo até ter a chance de estar em uma loja novamente.
Setembro chegou. Na condição de visitante, participei da reunião regular da Capitol Lodge, a primeira após a reabertura pós-verão. Imediatamente, o primeiro grande contraste: a ritualística é executada de memória. Os participantes da reunião, não tem manual em suas mãos. Portanto, os oficiais da loja têm a missão de memorizar todas as suas falas para que os ritos de abertura e fechamento em todos os graus, bem como as sessões de mudança de grau e de instalação, sejam desempenhados conforme previstas no livro de rito de cada loja.
Apenas o Mestre de Cerimônias mantém o livro aberto e funciona como “prompter”, ou seja, ele ajuda o irmão que tenha um lapso de memória. Nas cerimônias de graus, há uma divisão das falas. Com antecedência, o Mestre de Cerimônias da loja planeja e atribui cada ensinamento a diferentes mestres, que tem a missão de memorizar seus respectivos textos e proferi-los da melhor maneira possível durante as cerimônias.
No início, em função da novidade, pensava em descobrir o porquê das memorizações. Entretanto, não levei tanto tempo para descobrir os motivos. Primeiro, o desenrolar da cerimônia ganha em qualidade. O que é falado tem mais impacto do que aquilo que é simplesmente lido.
Mas há um motivo ainda maior: quem ensina, aprende. Não há melhor maneira de aprender do que ensinando. E, ao preparar uma apresentação de qualquer texto de ensinamento, fazemos com que as palavras saiam do livro, viajem para o nosso cérebro, e saiam pela boca, mas fiquem armazenadas no coração.
Acima de tudo, um outro motivo, não menos importante: na Maçonaria, como na vida, a cada passo, aprendemos. Com nossos pais, nossos professores, as pessoas que admiramos. Para o aprendiz, que está dando seus primeiros passos, o impacto é extraordinário. Não só fazemos o trabalho que deve ser feito, mas também ensinamos os mais novos, mostramos o caminho, indicamos a direção. E é desta forma que a maçonaria resiste ao tempo: ensinando e reforçando valores, transmitindo conhecimento, e demonstrando o processo de multiplicação de todos estes valores, procedimentos, ensinamentos.
Um Tríplice e Fraternal Abraço, e até breve!
Carlos Ortiz Alt
Mestre Maçom
Carlos Ortiz Alt, Mestre Maçom pela Loja Bento Gonçalves no 4060 (GODF)
Membro ativo da Loja Capitol Lodge no 136, Winnipeg Canadá
Membro ativo e 2º Vigilante da Loja Beaver Ionic Lodge no 25, Winnipeg Canadá
Meus amigos e irmãos de Ordem,
Há pouco mais de cinco anos, no templo do Castelinho, em Brasília, minha vida maçônica iniciou. Fui recebido por meus novos irmãos da Loja Bento Gonçalves, e então apresentado a um novo universo de palavras, expressões, sinais, símbolos, ornamentos, bem como estórias, ensinamentos, modelos de comportamento e uma nova filosofia de vida. De certa forma, tinha uma expectativa muito grande, que foi inquestionavelmente confirmada a cada dia. Meu compromisso com a Maçonaria, estava escrito, seria para o resto da minha vida.
E por falar em grandes mudanças, pouco mais de um ano depois, estava embarcando para morar no Canadá, realizando um projeto de longa data. Ao chegar, fui convidado para visitar uma das lojas da cidade de Winnipeg, onde fui apresentado, (muito bem) recebido e, a partir de então, abençoado com a incrível oportunidade de conhecer, apreciar e, inevitavelmente, comparar as tantas similaridades e contrastes entre a maçonaria brasileira e canadense.
Ciente de que tal comparação deveria sempre estar a salvo de generalizações (afinal de contas, em ambos os países há uma considerável variedade de ritos e procedimentos), procurei desde sempre me concentrar naqueles pontos que poderiam oferecer, além de satisfazer simples curiosidade, também proporcionar interessantes tópicos para reflexão e aprendizado. Sendo membro ativo de lojas maçônicas em dois países (obrigado, tecnologia), e um pouco mais experiente a cada ano, aqui estou para servir como um “elemento de ligação”, compartilhando projetos bem sucedidos, sugestões de procedimentos e, em ocasiões propícias, divulgando e exaltando a Loja Bento Gonçalves do Grande Oriente do Brasil entre as organizações da maçonaria em terras canadenses.
Tendo em vista estes objetivos citados acima, começo um trabalho de informar, por meio desta coluna, os pontos que considero os mais importantes/interessantes nesta caminhada. É justo e perfeito que estas experiências não fiquem somente comigo. Portanto, é com grande entusiasmo que o “Irmão Ortiz” (da Loja Bento Gonçalves, de Brasília), também chamado “Brother Carlos Alt” (das lojas Capitol e Beaver Ionic de Winnipeg, no Canadá), irá compartilhar suas experiências.
Um Tríplice e Fraternal Abraço, e até breve!
Winnipeg Canadá, 03/08/2023
Carlos Ortiz Alt
Mestre Maçom