O Laboratório de Experimentação Gráfica em Jornalismo (LEG), vinculado ao curso de Jornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA), surgiu com a proposta de integrar a criatividade do Design às práticas jornalísticas, abrindo caminho para novas formas de narrar a realidade. Em outubro de 2025, ao completar um ano de funcionamento em sua sala física, o LEG já se firmou como um espaço de experimentação, ensino, pesquisa e extensão. Mais do que um laboratório, tornou-se um ambiente que estimula a imaginação e a inovação, oferecendo aos estudantes ferramentas materiais e conceituais para explorar narrativas jornalísticas em múltiplas linguagens do texto à imagem, do gráfico à experimentação visual.
Agora, ao completar seu primeiro ano de funcionamento, apresentamos as conquistas, projetos e experiências que marcaram a trajetória inicial do laboratório. Por meio de uma linha do tempo, imagens e um documentário especial, assim revisitaremos as atividades que transformaram o LEG em um espaço de aprendizado coletivo, criatividade e diálogo entre design e jornalismo e reafirmamos a missão de integrar essas áreas profissionais, tornando-as capazes de produzir a notícia para além do texto, explorando também as linguagens gráfica e visual.
A idealização para implementação do espaço do LEG vem muito antes da sua inauguração no espaço físico em 2024, teve início muito antes de sua inauguração no espaço físico, em 2024. O projeto começou a ser idealizado em 2016, durante a reformulação da matriz curricular do curso de Jornalismo. Naquele momento, o colegiado do curso decidiu ampliar o campo de atuação dos estudantes ao incorporar o Design como parte essencial da formação jornalística. Com essa mudança, novas disciplinas foram criadas, unindo os estudos do design e do jornalismo, especialmente nas práticas voltadas à produção visual e editorial. O processo também resultou na contratação de um docente especializado em Design e de um técnico em práticas jornalísticas, reforçando o caráter laboratorial e prático do curso.
Desde então, diversas ações foram realizadas para efetivar as mudanças previstas na nova matriz curricular do curso, com destaque para a ampliação do espaço dedicado ao Design. Em 2018, uma sala foi oficialmente destinada à instalação do Laboratório de Experimentação Gráfica (LEG), marcando o início do processo de aquisição de equipamentos e mobiliários. A partir daí, o projeto foi ganhando forma: desenvolveu-se uma identidade visual própria para o laboratório e iniciou-se um intenso trabalho de organização do acervo e de estruturação do espaço físico. Todo esse esforço resultou na inauguração oficial do LEG, realizada durante a VIII Semana de Jornalismo, consolidando um importante avanço para a formação prática e criativa dos estudantes.
Atualmente, o Laboratório de Experimentação Gráfica em Jornalismo é coordenado pelas professoras Juliana Lotif, doutora em Design pela Universidade de Lisboa e pela Universidade Federal de Pernambuco (ULisboa/UFPE), e Elane Abreu, doutora em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ). As docentes estão à frente das atividades do LEG, articulando ações em parceria com outros professores e com o apoio técnico do curso. Juntos, integram o uso do laboratório às disciplinas e projetos desenvolvidos pelos estudantes, fortalecendo o caráter experimental e colaborativo que marca a essência do espaço.
O LEG se destaca não somente por ser um espaço de ensino e aprendizagem para as aulas, além de abrigar disciplinas voltadas ao Design e à Comunicação Visual, o laboratório tornou-se palco de oficinas e minicursos que incentivam os estudantes a colocar a teoria em prática, explorando diferentes formas de expressão gráfica e narrativa.
Desde sua inauguração, o LEG já promoveu mais de 10 oficinas e minicursos, com temáticas que aproximam o jornalismo do design, como identidade visual e pensar com imagens. As atividades estimulam o pensamento visual e a experimentação, desafiando os participantes a refletirem sobre como a linguagem gráfica pode ampliar as possibilidades do fazer jornalístico. Entre as iniciativas de destaque, está a Oficina de Quadrinhos, que ocorre mensalmente e propõe a discussão sobre a narrativa gráfica e o jornalismo em quadrinhos, estimulando a produção autoral e o debate sobre novas formas de noticiar fatos.
Outro projeto que já propôs um amplo espaço dentro das atividades vinculadas ao LEG e as disciplinas de Comunicação Visual e Design da Informação Jornalística é o Programa de Iniciação à Docência (PID) com o envolvimento de monitores e voluntários, o PID oferece acompanhamento aos alunos e colabora no planejamento e execução das atividades das professoras responsáveis. O programa incentiva os estudantes a vivenciarem o papel da docência, desenvolvendo habilidades pedagógicas e fortalecendo a integração entre teoria, prática e experimentação gráfica.
Em 2025, o laboratório expandiu suas fronteiras com o início de um projeto de extensão universitária. Orientado pelas professoras Juliana Lotif e Liliane Nascimento, o projeto “No Meu Bairro Também Tem: perfis e visualizações sobre o dia a dia em Juazeiro do Norte” leva o conhecimento acadêmico às escolas de ensino médio da cidade. Por meio de oficinas, jovens estudantes são convidados a olhar para seus territórios e vivências cotidianas, produzindo perfis jornalísticos e visualizações de pessoas e lugares de seus bairros, utilizando textos, colagens e experimentações visuais.
A iniciativa não apenas amplia o alcance social do LEG, mas também reforça o compromisso do laboratório com a formação cidadã e criativa, aproximando o jornalismo da comunidade e estimulando novas formas de ver e narrar o mundo.
A presença do Design nas redações é uma prática relativamente recente quando comparada à longa trajetória dessa área no campo da comunicação visual. Se antes o foco do jornalismo estava centrado quase exclusivamente no texto, hoje o design editorial assume papel fundamental na construção das narrativas jornalísticas, contribuindo para tornar a informação mais atrativa e compreensível. Compreender a importância do trabalho do designer na produção de elementos visuais e narrativos é, portanto, essencial para entender os novos rumos do fazer jornalístico.
Para refletir sobre essa integração entre Jornalismo e Design, conversamos com Gil Dicelli, designer editorial e jornalista com mais de 25 anos de experiência na redação do jornal O Povo. Ao longo da entrevista, Gil compartilha sua trajetória profissional, os desafios enfrentados nesse campo e sua visão sobre o papel do design na transformação do jornalismo contemporâneo.
LEG: Para você, qual é a importância da união entre Jornalismo e Design gráfico no contexto atual da comunicação?
Gil Dicelli: Estudei o Correio Braziliense, desde a década de 50 até os dias de hoje, e percebo como o design gráfico sempre esteve presente. Eu defendo a comunicação visual como uma linguagem essencial, o jornalismo é, antes de tudo, uma forma de expressar o mundo, e o design potencializa essa expressão. São coisas indissociáveis.
LEG: Na sua opinião, compreender a relação entre Design e Jornalismo é um diferencial no mercado de trabalho?
Gil Dicelli: Sim, acredito muito na formação humana e na importância da alfabetização visual. Não basta sabermos escrever bem, é preciso entender como as pessoas percebem o que comunicamos. Vivemos na era da imagem, e dominar a linguagem visual é uma necessidade. Quem entende essa relação consegue comunicar de forma mais completa e sensível.
LEG: Você acredita que a experimentação gráfica no LEG ajuda a repensar o Jornalismo tradicional?
Gil Dicelli: O que o LEG está fazendo é revolucionário. Qualquer espaço que amplie a compreensão sobre o papel da imagem na comunicação é relevante. A experimentação gráfica permite discutir como as imagens informam, mas também como podem manipular. É um campo de reflexão e crítica sobre o poder visual no jornalismo, e isso é fundamental para a formação profissional.
LEG: Quais desafios você percebe na prática da experimentação gráfica dentro do Jornalismo?
Gil Dicelli: Para mim o maior desafio foi a formação autodidata. Quando comecei, não havia quase nenhum material em português sobre design editorial ou comunicação visual aplicada ao jornalismo. Foi um processo de descoberta e aprendizado constante. Entrei no O Povo com esse olhar de formador, ajudando a construir uma editoria de arte em um tempo em que pouco se falava sobre isso. Sempre deixei claro: eu não sou artista, sou jornalista. Meu papel é comunicar, e o design é a ferramenta que me permite fazer isso visualmente.
LEG: Como você enxerga o futuro da experimentação gráfica no Jornalismo nos próximos anos?
Gil Dicelli: Não sabemos ao certo quais serão os próximos passos. Eu abraço o futuro, gosto das tecnologias e das novas linguagens. Mas acredito que precisamos manter o olhar crítico. Sem reflexão, corremos o risco de nos tornarmos apenas meros reprodutores. O desafio é garantir que o humano continue no centro do processo criativo, pensar, questionar e usar o design para comunicar.
O primeiro ano do LEG enquanto espaço físico já foi marcado por vivências e pela consolidação de um ambiente voltado à inovação e ao desenvolvimento de conhecimentos na área dos recursos visuais aplicados ao jornalismo. Em 2025, o laboratório avançou em diversos projetos e ações, que incluíram grupos de estudos guiados, debates com convidados e a integração de iniciativas interdisciplinares com outras áreas da universidade.
Para 2026, novas metas estão sendo traçadas, com o objetivo de ampliar o alcance das atividades e fortalecer o caráter experimental e colaborativo que define o laboratório. Uma das professoras responsáveis pelo LEG, Juliana Lotif, comenta sobre as perspectivas para o próximo ano:
"Em 2026, manteremos a monitoria PID, os projetos de extensão e o grupo de estudos, que ganhará visitas técnicas a espaços ligados ao Jornalismo e ao Design. Receberemos novos materiais adquiridos por licitação e organizaremos o acervo de publicações, incluindo livros, HQs e TCCs, além de assinaturas de revistas impressas."
O Laboratório de Experimentação Gráfica conta com um espaço amplo, climatizado e equipado para a produção visual em jornalismo. Suas bancadas, computadores e áreas de criação foram organizados para facilitar o trabalho colaborativo e o desenvolvimento de projetos gráficos.
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O documentário marca o primeiro ano de atividades do Laboratório de Experimentação Gráfica, revisitando projetos, histórias e transformações vividas pelos estudantes. Em poucos minutos, ele apresenta os bastidores do espaço e revela como o LEG se tornou um ambiente essencial para a prática do jornalismo visual.