JUnho 2025
Agosto 2022
Por: Hércules Gomes
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Peças para LDP
Por: Hércules Gomes
Sou iniciante no LDP!
Salve, salve, Família. Provavelmente você venha se identificar com o título acima, e assim como muitos, eu também sou um iniciante no LDP - ou LDS, como queira chamar -, com a diferença que tenho alguns poucos anos a mais no rolê, mas ainda repleto de dúvidas e maravilhado com cada descoberta, parecendo, por vezes, como uma criança descobrindo algo novo.
Em minha trajetória no skate, sempre fazia rolês longos para me locomover até os picos onde ia andar de skate, e refazia todo trajeto na volta. Alí por 2015, gostando da ideia de fazer percursos de 7, 14 e até 21km, comecei a fazer meus primeiros registros no Endomondo, mas até então não sabia da existência da modalidade, a qual só fui ter ideia por volta de 2017, onde comecei a pesquisar sobre e achei alguns vídeos no YouTube, como os do Iuri (escola de LDP). Eu vinha de uma outra escola/modalidade, o freeride, e ver o Iuri falar daquele monte de configuração, monte de coisinhas e detalhes, confesso, achei muita frescura, e acabei largando a ideia de lado. Em 2018, mais uma vez, resolvi estudar o LDP só pra ter noção do que era, e foi aí que caí na “armadilha” sem volta, se é que me entendem. Tive então a oportunidade, através de alguns amigos aos quais sou grato até hoje pela força que me deram, de pegar umas peças lá fora e montar meu primeiro “carrinho” de LDP e ir aprendendo aos poucos sobre essa modalidade.
Quando resolvi estudar sobre o LDP vi que muito do que eu conhecia sobre o freeride não se aplicava, eu estava entrando então em uma nova escola, uma modalidade totalmente diferente de tudo que eu já tinha aprendido antes sobre skate. Coisas que antes eu não me importava tanto, agora era um grande fator a ser discutido quando se tratava de um setup perfeito. Ajustes finos? Vixi! Eu passava longe, mas com a experiência fui vendo o quão importante era fazer esses ajustes, por mais pequenos que fossem. As “frescuras”, que citei acima quando via os vídeos do Iuri, começaram a fazer sentido quando eu sentia alguma dificuldade e tinha que acertar o setup. As nomeclaturas, que cada dia crescem mais, era outro terror pra mim, no início: DDS, STD, Fork, TT… PQP (essa você conhece)! que bagaça é essa? Hoje sou familiarizado com os termos, sei o que são cada peça, mas no começo sei que é um pesadelo entender o que a galera mais experiente está falando quando não se entende o que significa.
Pensando nessa dificuldade é que escrevi um artigo falando um pouquinho sobre cada peça dessa, para que você entenda e que sirva de guia quando tiver alguma dúvida. Segue aí!!!
Por: Rafael Veloce Martins
Cidade: Vitória - ES - Brasil
Olá Pessoal!
Sou Rafael Martins, tenho 46 anos e há 8 anos praticante da modalidade de LDP. Mesmo após esses anos todos e muitos KMs acumulados, continuo a afirmar que ainda estou na curva ascendente de aprendizagem. São muitos detalhes que considero como imprescindíveis para chegar no máximo de eficiência para curtir o rolé, sem comprometer energia do corpo e extrair o máximo das peças aplicadas no setup.
Convidado pelo Júlio – administrador do Grupo LDS – São Paulo, escreverei a seguir a minha tradução de técnica de pumping para curtas e longas distâncias. Vale informar que “não sou o dono da verdade”, ou seja, você poderá ir além das informações ou já possuir técnica ajustada ao teu estilo e até mesmo encontrar ajustes que te atenderão em muito bem durante o rolé.
O objetivo aqui é contribuir para a evolução da técnica utilizada por iniciantes ou quem deseja ter uma referência para lapidar a sua técnica. Importante esclarecer que não basta comprar peças de ponta, configurar teu skate com peças caras, seguindo os tutoriais disponíveis na web, se você não compreender como gerar a energia necessária para o deslocamento do skate durante o pumping. Falo isso com propriedade pois fui bem teimosinho no início achando que era só ajustar uns graus nos trucks e pronto! Vou sair por aí à 100km/h surfando na pista, fazendo slalom entre pessoas na orla e conquistar facilmente com pouquíssimo esforço muitos quilômetros na base do pumping no primeiro rolé.
O foco no que irei descrever abaixo será a ACELERAÇÃO e a MANUTENÇÃO da velocidade durante o pumping (surfado ou para distâncias longas). Dividirei por tópicos para agrupar e separar melhor as informações. Para escrever esse “artigo”, estou considerando a experiência que vivi e ainda vivo em modelos de longboard: Topmount, Drop through e Plataformas.
Pumping com Loaded Dervish Sama https://youtu.be/4UDYQPBZCdQ,
Pumping com Topmount – Coboboards https://youtu.be/8XOX3F7pAao
Pumping com Plataforma – Bossa Boards https://youtu.be/WsZ1zcs-BXk
Ref: Link vídeo Bossa
1-FLEX
Considero como “peça chave” para o ganho de energia para deslocamento do longboard sem exigir muito esforço físico do praticante. A escolha correta do flex, que deve ser adequado ao peso corporal para que o shape/deck entregue a energia correta em formato de rebote e favoreça o ganho ALTO DE PERFORMANCE durante o pumping. É possível aplicar pumping em setup sem FLEX? Sim. Porém, a ausência de um ganho extra de energia, poderá gerar aumento de fadiga para o praticante e comprometer o
ganho de mais quilômetros durante o rolé. Principalmente se quiser manter uma velocidade média acima dos 14 km/h.
Aos adeptos às plataformas, vale reforçar que a aplicação de bracket gerará um efeito adicional de flex no conjunto, mesmo que a plataforma seja rígida. Por isso, vale reforçar a necessidade de escolher bem o fabricante e durante a compra, ter a certeza de que passou as informações corretas de teu peso. Afinal, será bem entristecedor quando você subir no setup (com o flex não adequado) e perceber que ele enverga fazendo barriga em direção ao solo. Isso pode representar a perda de eficiência para geração de energia por perda do efeito rebote do flex. Para efeito comparativo, cito dois modelos topmount que possuo: Shape Flexdex – Kelly Slater 40” e um Shape da Bossa Boards – Pintail 42”. No flexdex a deformidade acentuada faz o longboard formar uma barriga em direção ao solo (negativando a linha paralela ao solo), acaba funcionando como um leve “concave” deixando os pés “encaixados” no shape. Porém, a aplicação de pumping nesse modelo é sofrida para ganhar uma boa distância em terreno plano. A diversão fica garantia fazendo carving em descidas. No PIN42 – Bossa boards, o shape já apresenta camber marcante (barriga pra cima ao contrário do solo) que já oferece resistência ao peso do praticante quando ele sobe no shape. O resultado é que a o shape fica alinhado ao solo, pronto pra devolver energia de descompressão. Mesmo assim, durante o pumping haverá maior aplicação de carga e potencializar o retorno de energia nos momentos de descompressão do flex.
Para facilitar ainda mais a compreensão, podemos pensar ainda que o FLEX se comporta num efeito trampolim/cama elástica que acumulam energia de rebote na tábua/lona durante o momento de compressão da prancha/molas e arremessa a pessoa para cima quando há descompressão da prancha/molas. No longboard é nesse momento de descompressão que o shape vai devolver a energia acumulada e “te ejetar” do longboard que você muda a direção dos trucks e ganha movimento na pista imaginando desenhar ondas no solo ou uma sequência infinita de “S” seguido de outro “S”... e outro... e mais outro.
Ao contrário do que muitos pensam, a dianteira do setup de LDP é o leme e a força propulsora está na traseira, principalmente nas acelerações fortes. Por isso, é muito comum observar alguns praticantes aplicarem força na perna dianteira do longboard para fazer o truck dianteiro trabalhar e gerar deslocamento. Carinhosamente chamo movimento de “passando pano no chão”, pois parece que o praticante está passando pano no piso enquanto luta contra o setup e não extrai a energia correta do truck traseiro junto com o dianteiro. Os bushings para LDP possuem efeito de rebote! Portanto, use-os! Principalmente o truck traseiro!
Importante no LDP a canalização de energia de forma correta é levada bem a sério, afinal a ideia é girar longas distâncias. Logo, para tirar o longboard da inércia, recomendo sempre o uso de push (remada), após pegar certa velocidade (embalo), utilize o pumping na proporção correta para ganhar mais aceleração, como procurei ilustrar na figura que segue abaixo que demonstra a aplicação 30% da carga de força na perna dianteira e 70% na perna traseira. Importante reforçar que o LDP é uma modalidade que está orientada a busca por quilômetros rodados e após atingida a “velocidade de cruzeiro” desejada a distribuição das cargas de força nas pernas deve ser reajustada para 50/50, preservando o compasso de compressão e descompressão do flex. Há ainda a opção de aplicar uma segunda técnica durante a velocidade de cruzeiro
que é o wiggling (chamado por alguns como balanço de parquinho), que eu utilizo para recuperar a energia da parte superior das pernas após pushing ou longo período pumping forte/aceleração. No wiggling o pé da traseira pode vir mais para o centro do shape, fechando a base (abertura entre as pernas) e o uso do flex passa a ser mais próximo do neutro. Eu particularmente tenho melhores resultados no wiggling com o uso de Torsion Tail (TT 1.5, TT-S e TT-A).
Enfim, mesmo que você queira apenas surfar no concreto sem compromisso com longas distâncias, a composição do setup orientada para o LDP e a técnica correta de pumping farão você surfar uma onda infinita por mais tempo e com boa velocidade. Na minha opinião, todo skate/longboard é possível fazer pumping e o que importa é a experiência que você quer curtir durante o rolé. Sou suspeito, mas eu prefiro o setup orientado à LDP por conta do prazer em girar rápido durante boas distâncias e na devolução de energia que o conjunto te entrega. Seja rolé surfado sem compromisso de KMs ou performance para percorrer grandes distâncias, os setups de LDP proporcionarão uma boa diversão.
Posição dos pés e divisão de força para aceleração e pump surfado
Como citei no tópico FLEX, durante o uso do pumping utilizamos as viradas constantes do leme (truck dianteiro), no tempo certo para promover o deslocamento do longaboard. No trajeto desenhamos de forma imaginária um “S” no solo, enquanto fazemos o zigue-zague. Como estivéssemos girando por cima do corpo de uma serpente em movimento sinuoso.
Para mim, é quase uma leitura de partitura musical. Eu chamo de “pumping time”, ou seja, é o compasso (marcação de tempo) em que aplica-se a carga de bombeamento transferindo a energia/força das pernas comprimindo o flex e no momento da descompressão do flex realizamos a virada dos trucks para construção do “S” imaginário no solo.
Exemplo do Pumping Time : https://youtu.be/8XOX3F7pAao?t=38
Procure assumir uma postura relaxada dos membros superiores do seu corpo, tanto para curtas e longas distâncias. Para longos períodos, educar o corpo com esse relaxamento garantirá economia de energia e será mais um fator extra para prolongar o seu rolé.
Preste bastante atenção no relaxamento das musculaturas acima da cintura: pescoço ombros, braços, costas e abdômen. Tensionamento de grupos musculares que não implicarão no ganho energético para o pumping, consumirão energia do teu corpo e isso fará muita diferença para quem busca grandes distâncias e performance.
Para os membros inferiores, atenção ao relaxamento dos tornozelos deixando-os soltos, desde que os teus pés estejam bem firmes e presos na lixa do shape. Uma boa lixa, um bom tênis e um bom concave ajudará bastante como os shape “ZERO” criado em parceria pelo LDP Rio/Yuri Santos e a Flowing Boards.
Para surfar no concreto, adoto uma “postura de ataque” como estivesse na prancha de surf na parede da onda buscando aceleração e usando carga de força nas pernas para empurrar o shape para o solo, mas você também pode fazer essa aplicação de carga de força nas pernas e no flex mantendo o corpo mais ereto. Há situações que também busco “chutar” com os dois pés ao mesmo tempo e bombear o longboard com menor uso do flex, explorando melhor a configuração dos trucks.
Enfim, procurei ser o mais claro em compartilhar através de texto as formas que utilizo para desenvolver o pumping por uma boa distância durante os rolés.
Mais uma vez reafirmo que não sou o dono da verdade absoluta. Tudo que citei está baseado na minha experiência e que funciona pro meu estilo de rolé. Sem dúvida, outros praticantes podem somar em muito em tudo que descrevi acima.
Espero ter contribuído de alguma forma àqueles que buscam por mais conhecimento sobre a modalidade de Long Distance Pumping.
Mais uma vez agradeço o convite do LDS São Paulo e por todos que foram “pioneiros” no Brasil, formando um grupo inicial de praticantes em nosso país e contribuem até hoje com a evolução da modalidade. Agradeço em muito toda a família LDP Rio no facebook e instagram que se tornou referência até para os gringos, na busca por informações sobre o LDP. As informações contidas lá, dá pra fazer uma enciclopédia do LDP. Agradecimento em especial ao Yuri Santos, Thiago David, Enia Paula, Denilson Costa e Felipe Scolfaro que contribuíram em muito com o meu desenvolvimento no primeiro ano de praticante da modalidade. Agradecimentos ao Nicolai da Bossa Boards pela dedicação em buscar a composição ideal de shapes e plataformas no início do LDP Rio, oferecendo para nós material de alta qualidade dentro da nossa casa (Brasil)! Agradecimentos aos novos adeptos a modalidade. Vocês são sangue novo e oxigênio novo para a modalidade e para todos que deram um tempo no rolé e que voltam a animar com toda essa movimentação. Gratidão a todos! Boas vibrações e bom rolé!
Rafa Veloce Martins
Instagram: @rafam_v7 Youtube: bit.ly/2Ftzglz
Maio 2022
Nosso colaborador Rafael Martins (Vitória-ES), fez um vídeo explicando sobre a configuração de seu skate que utiliza para surfar no asfalto e explicar de forma básica e direta a modalidade de percorrer longas distâncias.