Última atualização 20/05/2026: Layout e texto introdutório.
Conheci um pouco da música da Kajto em meados dos anos 2010, embora meu interesse pelo Esperanto venha desde aproximadamente 2003. Sempre gostei de estudar idiomas, ainda que raramente consiga manter constância por muito tempo. No meu caso, a música acaba funcionando como uma ferramenta importante de aproximação com qualquer língua, especialmente quando preciso criar algum vínculo emocional com aquilo que estou aprendendo.
Ao procurar artistas em Esperanto, percebi rapidamente uma característica bastante natural de idiomas menos difundidos: muitos projetos musicais acabam tendo um perfil mais experimental, folclórico ou muito amador. Isso obviamente mudou bastante com o tempo, mas naquele momento eu buscava algo que tivesse identidade própria, musicalidade interessante e uma sonoridade que realmente me despertasse vontade de continuar ouvindo. Foi assim que encontrei o Kajto.
O nome da banda significa “pipa” em Esperanto, e o grupo surgiu na província holandesa da Frísia. Musicalmente, mistura elementos de música folclórica, canções marítimas tradicionais e influências do chamado balfolk europeu. Existe algo muito artesanal e criativo na sonoridade deles, quase como uma música feita “à manivela”, simples em aparência, mas extremamente cuidadosa nos arranjos e na atmosfera que criam. Isso acabou sendo suficiente para que eu os adotasse como minha banda favorita em Esperanto.
Parte importante do repertório do grupo veio inicialmente de adaptações musicais de poemas escritos em Esperanto, incluindo textos de autores como Poul Thorsen, William Auld e Julio Baghy. Com o tempo, porém, os próprios integrantes passaram também a escrever letras originais, ampliando bastante o repertório da banda.
Segundo informações do próprio grupo e de registros disponíveis sobre sua trajetória, o Kajto surgiu em 1988 como um projeto paralelo do quarteto frísio “Kat yn ’t Seil”, formado por Ankie van der Meer, Marian Nesse, Marita Kruijswijk e Nanne Kalma. Para as apresentações em Esperanto, passaram a utilizar o nome Kajto. Pouco depois, já possuíam material suficiente para lançar seus próprios álbuns no idioma.
Em 1989, durante o Congresso Universal de Esperanto realizado em Brighton, lançaram o álbum Kajto, considerado por muitos como o primeiro álbum musical inteiramente em Esperanto. Nos anos seguintes, o grupo realizou apresentações em vários países da Europa e também na América do Norte, sempre mantendo uma relação muito próxima com o público esperantista.
Uma característica interessante dos shows do Kajto é a distribuição das letras das músicas para a plateia, permitindo que mesmo pessoas pouco fluentes no idioma consigam acompanhar os refrões e participar das apresentações. Isso combina bastante com a proposta acolhedora e comunitária que normalmente envolve eventos ligados ao Esperanto.
Nanne Kalma Ankie van der Meer
(voz, violão, (voz, guitarra, banjo)
bandolim, gaita,
violino)
Antigos membros:
Marita Kruijswijk (voz, xale, gravador)
Marian Nesse (voz, acordeón)
Em meados de 2005, após o álbum Lokomotivo, Rulu Nun!, o quarteto foi reduzido à dupla formada por Ankie van der Meer e Nanne Kalma, que decidiram manter o nome Kajto. Mesmo nessa nova formação, continuaram gravando discos e realizando apresentações internacionais. Uma curiosidade interessante é que “Mi memoras”, uma das músicas mais conhecidas do grupo, acabou sendo regravada posteriormente no álbum Flugas (Kaj La Kun-Kant-Kanonaro).
Entre 2017 e 2018, o quarteto original voltou temporariamente para algumas apresentações especiais. Ao longo da carreira, o Kajto acabou se tornando um dos grupos folk-pop mais conhecidos dentro da comunidade esperantista, recebendo inclusive o prêmio cultural FAME Kulturpremio em 2004, uma das homenagens de maior prestígio dentro desse universo cultural.
Este site, como os demais que venho criando, não tem a intenção de funcionar como uma enciclopédia definitiva sobre a banda. Trata-se mais de um espaço de organização pessoal, pesquisa e preservação de um material que considero interessante e que dificilmente encontra espaço detalhado em português. Além disso, acaba sendo também mais uma dessas pequenas “terapias ocupacionais” que desenvolvi ao longo do tempo através da música e das discografias que marcaram minha vida.
Texto introdutório mesclado com o site oficial, Wikipedia e minhas percepções em 20/05/2026.