Data: 20 de junho de 2026
Horário: das 9h00 às 17h30
Local: Cineclube de Guimarães - Largo da Misericórdia 19, Guimarães
A justiça climática é um conceito que reconhece que as alterações climáticas não afectam todas as pessoas da mesma forma. Os impactos ambientais, económicos e sociais das crises ecológicas recaem de maneira desigual sobre populações já vulnerabilizadas por pobreza, precariedade laboral, desigualdade de género, racismo, exclusão territorial ou acesso desigual à habitação, mobilidade, alimentação e saúde. A justiça climática liga, assim, a luta ecológica à defesa dos direitos humanos, da democracia e da dignidade social, procurando respostas que sejam simultaneamente sustentáveis, inclusivas e socialmente justas.
Em Portugal, os efeitos da crise climática fazem-se sentir tanto nos territórios urbanos como rurais. Nas cidades, os desafios incluem mortalidade e problemas de saúde associados à poluição automóvel, dependência energética, especulação imobiliária, habitação precária, turismo intensivo, impacto da aviação e dos cruzeiros e fragilidade dos sistemas alimentares dependentes de longas cadeias globais de abastecimento. Estas vulnerabilidades afectam de forma desproporcional populações de baixos rendimentos, idosos, migrantes e habitantes de bairros periféricos.
Nos territórios rurais, a crise climática cruza-se com o abandono e envelhecimento populacional, os incêndios florestais, a expansão de monoculturas intensivas, a mineração e os megaprojectos energéticos, a degradação ecológica e a perda de biodiversidade. Muitas comunidades enfrentam simultaneamente fragilidade económica, desaparecimento de serviços públicos e perda de controlo sobre os seus próprios territórios, enquanto saberes e formas de vida tradicionais se tornam progressivamente ameaçados.
Ao mesmo tempo, tanto nas cidades como no meio rural, existem já instrumentos institucionais e democráticos que podem ser accionados pelas populações e movimentos para aprofundar a participação cidadã e intervir sobre políticas locais e regionais. As políticas públicas podem ser transformadas quando cidadãos, colectivos e comunidades se organizam de forma informada, coordenada e territorialmente enraizada.
As Iniciativas Descentralizadas do Encontro Nacional pela Justiça Climática inserem-se precisamente nesta dinâmica de aproximação, articulação e construção de capacidade colectiva entre grupos, movimentos e pessoas envolvidas nas lutas pela justiça climática. Mais do que discutir alterações climáticas em abstracto, o Encontro no Norte procurará contribuir para a construção de respostas concretas, democráticas e socialmente justas para os desafios ecológicos do nosso tempo.
9h00 Acolhimento e abertura [Vera Diogo, MUBi e Coop99]
9h30 Testemunhos de territórios e movimentos
· Um ecossistema ativista [Alcides Barbosa, XR Minho]
· Construção de movimento: a experiência de Covas do Barroso [Carla Gomes, UDCB]
· Jovens pela justiça climática [Liliana Moreira, OPE]
10h00 Mesas de trabalho
· Projeto EJMapping, inquérito nacional de conflitos ambientais [Gustavo Garcia, ECOSOC e ClimAção Centro]
· Empoderamento das comunidades atingidas por incêndios [Alice Gato, Climáximo]
· Trabalho em rede - exercício de speed collaborating [Maria João Marques, OPE]
11h00 Plenário
· Apresentação de conclusões e debate
12h00 Almoço livre
13h30 Testemunhos de territórios e movimentos
· A experiência do Laboratório de Ação Cívica de Guimarães [a definir, LAC]
· Um mundo sem políticos [Pedro Macedo, Provedor do Clima]
· Justiça climática no México [José Neves, Observalicia e Gato Vadio]
14h00 Mesas de trabalho
· Antropologia visual como método de intervenção [Fernando Antunes Amaral]
· Cooperativismo integral e economia regenerativa [Vera Diogo e Maria Marques, Coop99]
· Conversa com ativistas do México [Catarina Mouta/José Neves]
15h00 Plenário
· Apresentação de conclusões e debate
15h30 Intervalo
16h00 Conversa aberta sobre governança climática, com participação de:
· Daniela Silva, Universidade do Minho
· Paulo Magalhães, Casa Comum da Humanidade
· Presidente da CM Lousada (a confirmar)
17h30 Encerramento [Catarina Mouta]
CANCELADO: 21h30 A Savana e a Montanha
Filme documentário do cineasta português Paulo Carneiro, reconstituição da luta de um povo pelas suas terras.
Assembleias de Cidadãos Portugal
Associação Saco de Gatos - Gato Vadio
AVE - Associação Vimaranense para a Ecologia
Campo Aberto - Associação de Defesa do Ambiente
Casa Comum da Humanidade
Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade – Universidade do Minho
Centro em Rede de Investigação em Antropologia – Universidade do Minho
CHANGE - Instituto para as Alterações Globais e Sustentabilidade
Civitas Braga
ClimAção Centro
Climate Alliance Portugal
Climate Reality Project
Climáximo
Coop99 - Cooperativa Integral do Porto
Cooperativa Raiz Comum
Corpo Nacional de Escutas
LAC - Laboratório de Ação Cívica
MUBi - Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta
NEABI - Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas
Observalicia
Oficina de Ecología e Sociedade
OPE - Organização para a Promoção dos Ecoclubes de Portugal
Pacto Climático Europeu
Provedor do Clima
Rede para o Decrescimento
SOS Árvores Braga
UMAR Braga
Unidos Em Defesa de Covas do Barroso
Viana Ciclável
XR Minho
Apoio institucional:
Coordenação Nacional do Pacto Climático Europeu
Apoio logístico:
Cineclube de Guimarães | Meltino Café
Contribuições:
https://opencollective.com/xr-portugal/projects/ejcn#category-CONTRIBUTE
Mais informações:
https://eventos.coletivos.org/event/encontro-pela-justica-climatica-no-norte
https://sites.google.com/view/justicaclimaticanonorte
http://justicaclimatica.pt/
Contato:
justicaclimaticanonorte@gmail.com