Jefferson Ferreira (Umuarama, 20 de outubro de 1988) é um escritor brasileiro.
Jeff Ferreira nasceu de família nordestina, por parte de sua mãe, e polonesa, por parte de seu pai. Ainda na infãncia se mudou para o interior de São Paulo, na cidade de Jaguariúna, quando seus pais se mudaram de estado em busca de melhores condições de vida e oportunidades de emprego. Na Faculdade de Jaguariúna (na época FAJ) se formou em Engenharia de Controle e Automação no ano de 2013.
Em 2012 lançou seu primeiro livro: Manguebit - A Revolução da Lama, narrando a cena musical pernambuca do manguebeat do início dos anos 90. Em 2014 criou o portal Submundo do Som onde passou a publicar resenhas de discos e entrevistas com artistas do circuito underground. Em 2017 converteu suas primeiras entrevistas em seu segundo livro: Submundo do Som Entrevistas - Ano Um. Em 2018 publicou o livro que o destacou no cenário nacional da literatura Hip Hop, a obra 30 Anos do Disco Hip Hop Cultura de Rua.
No ano de 2021, Jeff publicou seu quarto livro, a biografia da Rapaziada da Zona Oeste, com Assim Que É - A História do RZO. Com este livro, Jeff cria a Editora Dando a Letra ao lado de Paulo Brazil (Salvador - BA) e Gagui IDV (Pelotas - RS) e passa a atuar como editor, capista, ilustrador e tradutor. Ainda em 2021, Jeff Ferreira estreia como tradutor e ilustrador. Sua primeira tradução foi a do livro Rap de Acá, do pesquisador argentino Martín Alejandro Biaggini, publicado em português pela Dando a Letra. As ilustrações foram para a obra Histórias, Registros e Escritos, livro de contos de Paulo Brazil.
Em 2022 Jeff Ferreira publica três livros: Cabe Em Um Olho e Pesa Uma Tonelada, seu primeiro compilado de contos; Trap É Hip Hop? - As Metamorfoses do Rap, o primeiro livro sobre o trap no Brasil; e Pelusa - Diego: Armando o Maradona, a biografia do lendário camisa 10 argentino.
Em 2023 o autor lança mais uma biografia, essa do rapper gaúcho DIMC com o livro DIMC: Sobrevivente - A História de Elder Teles, e publica seu primeiro romance, o livro O Agiota.
Em 2024 mais dois livros para a conta, Mata-Rata - Era Uma Vez No Bar, um romance marginal e Garotas de Chuteiras, a primeira obra infato-juvenil do auor. No ano de 2025, Jeff retorna com suas publicações de pesquisas sobre o Hip Hop com o livro Histórias Quase Secretas do Rap Nacional,
Manguebit - A Revolução da Lama (2012)
Submundo do Som Entrevistas - Ano Um (2017)
30 Anos do Disco Hip Hop Cultura de Rua (2018)
Assim Que É - A História do RZO (2021)
Cabe Em Olho E Pesa Uma Tonelada (2022)
Trap É Hip Hop? - As Metamorfoses do Rap (2022)
Pelusa - Diego: Amrando o Maradona (2022)
DIMC: Sobrevivente - A História de Elder Teles (2023)
O Agiota (2023)
Mata-Rata - Era Uma Vez No Bar (2024)
Garotas de Chuteiras (2024)
Histórias Quase Secretas do Rap Nacional (2025)
Não confia em biografia escrita por ninguém, nem na que eu mesmo escrevo. Mas essa aqui pelo menos tem a vantagem de ter sido vivida em primeira pessoa — e escrita com a mesma caneta suja de graxa, giz de grafite e resto de guaraná quente que usei pra escrever tudo o mais.
Vamos nessa.
Nasci em Umuarama, 20 de outubro de 1988, numa mistura que já era um manifesto antes de eu saber o que era manifesto: mãe com raiz nordestina, pai de sangue polonês. Um lado veio da seca, do cordel, da resistência que canta pra não chorar. O outro veio de um frio distante que nem eu sei explicar direito, mas que deixou em mim essa teimosia de quem não desiste fácil.
Ainda criança, mudei pro interior de São Paulo — Jaguariúna virou meu novo chão. Meus pais atravessaram estado atrás do que toda família periférica atravessa: uma chance. Não vim de bênção, vim de mudança. E aprendi cedo que sobreviver também é uma forma de arte.
Décadas depois, formei em Engenharia de Controle e Automação, na Faculdade de Jaguariúna, em 2013. Sim, eu sei — engenheiro escrevendo sobre rap, punk e literatura marginal. Mas convenhamos: quem entende de sistema, de lógica, de engrenagem quebrada, é quem melhor enxerga quando o sistema tá torto. Troquei circuito elétrico por circuito cultural. Mesma engenharia, chão diferente.
Em 2012 lancei Manguebit — A Revolução da Lama, meu documento de estreia sobre o Manguebeat, aquela explosão que Recife cuspiu no início dos anos 90 quando a cidade tava afundada em crise e um bando de moleque genial resolveu enfiar antena parabólica na lama do mangue pra sintonizar o mundo. Chico Science & Nação Zumbi. Mundo Livre S/A e o Fred Zero Quatro filosofando com sotaque de rua. Não escrevi sobre música: escrevi sobre gente que transformou colapso em cultura. Aprendi ali a lição que carrego até hoje — todo movimento relevante nasce onde não deveria nascer nada.
Em 2014 criei o Submundo do Som, portal onde comecei a resenhar disco e entrevistar artista que a mídia grande nunca ia botar holofote. Três anos depois, em 2017, transformei aquilo em livro: Submundo do Som Entrevistas — Ano Um. Não é antologia bonitinha de sala de visita, é registro cru de vozes que fazem música fora do circuito — hip hop, punk, rock alternativo, reggae, samba de raiz. Gente que grava no quarto e distribui na mão.
E em 2018 veio o livro que me botou de vez no mapa nacional da literatura hip hop: 30 Anos do Disco Hip Hop Cultura de Rua. Fui atrás da história do primeiro disco de rap do Brasil, lançado em 1988 pela Eldorado. Fui até a Estação São Bento entender como aquele metrô virou útero de um movimento inteiro. Thaide & DJ Hum, Código 13 (com um certo Mano Brown antes de virar Mano Brown), MC Jack. Rua, break, disputa territorial virando arte. Escrevi isso com a reverência de quem sabe que tá mexendo em relíquia.
2021 foi o ano da virada. Publiquei Assim Que É — A História do RZO, biografia da Rapaziada da Zona Oeste — Helião, Sandrão, DJ Cia, e a vitrine que revelou nomes como Sabotage e Negra Li. Levantei o dinheiro do livro em financiamento coletivo porque nenhuma editora grande quis apostar. Então fiz o que rua sempre fez quando a porta não abre: arrombei outra.
Criei a Editora Dando a Letra ao lado de Paulo Brazil (Salvador-BA) e Gagui IDV (Pelotas-RS). Virei editor, capista, ilustrador, tradutor — tudo ao mesmo tempo, porque é assim que se faz cultura marginal: com a mão suja de tinta em todas as etapas. Traduzi Rap de Acá, do pesquisador argentino Martín Alejandro Biaggini. Ilustrei Histórias, Registros e Escritos, do Paulo Brazil. Underground que se ajuda.
Publiquei três livros nesse ano, porque aparentemente dormir é opcional:
Cabe Em Um Olho E Pesa Uma Tonelada — meu primeiro compilado de contos, volume II da coleção Contos da Quebrada. Cinco histórias ambientadas no interior periférico, sem filtro, sem cartão-postal. Falo de fome, de sonho de música, de homofobia na quebrada, de várzea como válvula de escape e crime como atalho que sempre cobra caro.
Trap É Hip Hop? — As Metamorfoses do Rap — o primeiro livro brasileiro a encarar de frente essa briga de geração. Minha resposta é direta: sim, trap é hip hop. Nasceu no útero da cultura de rua, cresceu, cortou o cordão, mas o sangue é o mesmo.
Pelusa — Diego: Armando o Maradona — larguei o microfone do rap um instante pra falar de bola, mas a lógica é a mesma: periferia que vira centro do mundo. Villa Fiorito, os Cebollitas, um moleque descalço virando mito sem nunca deixar de ser humano.
Lancei DIMC: Sobrevivente — A História de Elder Teles, biografia de um MC gaúcho que atravessou dependência química, isolamento, fundo de poço, e achou no hip hop a corda pra escalar de volta. História que dói de escrever e dói mais ainda de não contar.
E estreei no romance com O Agiota — minha primeira ficção pura, fábula sobre capitalismo de sobrevivência: um trabalhador, um tio palhaço, uma dívida, uma fuga pelas estradas esburacadas do Brasil pandêmico. Descobri que biografia e ficção são primas: as duas mentem só o suficiente pra dizer a verdade.
Mata-Rato — Era Uma Vez No Bar — romance de suspense confinado num boteco de quebrada, tempestade lá fora, tiro lá dentro, e a inocência do protagonista morrendo junto com a calmaria.
Garotas de Chuteiras — minha primeira obra infanto-juvenil, sobre um time de várzea feminino, uma treinadora catadora de latinha chamada Dona Sebastiana, e a teimosia de menina que quer jogar bola num mundo que insiste em dizer que não é lugar delas.
Publiquei Histórias Quase Secretas do Rap Nacional, um dossiê sobre os anos 80 do rap brasileiro — os arquitetos esquecidos, os DJs pioneiros, as mulheres que resistiram antes de qualquer holofote, o nascimento das posses. Voltei pra minha praia original: garimpar memória que ninguém garimpou.
Manguebit — A Revolução da Lama (2012)
Submundo do Som Entrevistas — Ano Um (2017)
30 Anos do Disco Hip Hop Cultura de Rua (2018)
Assim Que É — A História do RZO (2021)
Cabe Em Um Olho E Pesa Uma Tonelada (2022)
Trap É Hip Hop? — As Metamorfoses do Rap (2022)
Pelusa — Diego: Armando o Maradona (2022)
DIMC: Sobrevivente — A História de Elder Teles (2023)
O Agiota (2023)
Mata-Rato — Era Uma Vez No Bar (2024)
Garotas de Chuteiras (2024)
Histórias Quase Secretas do Rap Nacional (2025)
Sou engenheiro de formação e cronista de vocação. Escrevo sobre gente que a história oficial não quis anotar — MC, DJ, jogador descalço, palhaço endividado, menina de chuteira, dependente químico virando poeta de próprio punho. Minha editora não tem sede chique, tem endereço de rua com nome de quem batalhou pra existir. Se um dia me perguntarem o que eu faço da vida, a resposta é simples: pego o que tá escondido debaixo da lama, do asfalto, do subúrbio, e boto na estante. O resto é underground fazendo o que underground sempre fez — sobrevivendo, e rimando enquanto isso.