AMAPÁ, ASSIM SE PASSARAM 80 ANOS
Jadson Porto, 13/09/2023
Vejam só, que história boa eu tenho para contar
Sente aqui e venha escutar
Sobre uma terra que já foi Pará
E hoje é conhecido como Amapá.
Contarei uma história a vocês
Sentado aqui nesta beira
Era 13 de setembro de 1943
Início da semana, segunda-feira.
Foi num dia quente que urgia
O equinócio se aproximava
Cinco Territórios Federais que nasciam
Dentre eles, o Amapá despontava.
Certo dia, Janary Nunes aqui descia
O primeiro governador se apresentava
Era um longo governo iniciaria
Um Território Federal se configurava.
E sua capital, Macapá?
Não foi pensada para tal intento
Do Amapá para Macapá, a capital transferia
Janary Nunes tomou a decisão.
À medida que o tempo passava
Intenções de desenvolvimento apareciam
Exploração mineral, silvicultura, pesca seriam
Novas dinâmicas econômicas que se organizavam.
Migrantes chegaram, outros voltaram
Jovens saíram para estudar
Rio de Janeiro, São Paulo, Belém do Pará
Formaram-se e retornaram para construir o Amapá.
5 de outubro de 1988, quarta-feira
A Constituição brasileira é promulgada
O Território Federal de Amapá começa a ser Estado
Mas ainda não é estadualizado.
20 de dezembro de 1991, sexta-feira
Data não lembrada neste lado de cá.
A Constituição estadual foi promulgada
Nascia ali, o Estado do Amapá.
Vejam só, que história boa eu tenho para contar
De um Território Federal que não mais será
Mas de um novo Estado a se apresentar
Novos tempos passam no Amapá
Novas dinâmica expectativas aparecem
Área de Livre Comércio, transfronteirização
Municípios e região metropolitana foram criados
Teve até um Senador do Maranhão
Agronegócio, rodovias em pavimentação
Usinas hidrelétricas se conectam ao linhão
Chegaram também a privatização e até um apagão.
Petróleo? Haverá exploração?
O rio Amazonas atrapalha do desenvolvimento
Por várias vezes ouvi falar
Mas o rio que separa, é o mesmo que conecta
Por suas águas se articula o Amapá.
Unidades de conservação foram criadas
Açaí, breu branco, óleo da castanha e soja comerciados
Terras indígenas, demarcadas
Gestão e questão ambientais monitorados
Economias do contracheque e do empenho
Também faz parte desta rotina
Esta é a memória que tenho
De um tempo que se atina.
Vejam só, que história boa eu tenho para contar
E que não ouso ainda terminar
Se passaram oitenta anos para se estudar
Seu centenário em breve irá chegar.
SAGA AMAPAENSE
Jadson Porto
Amapá: oitenta anos de novas acionalidades e dinâmicas territoriais (2023)
Por embarcações chegaram em terras que não se conhecia
Era um grande negócio que ali nascia
Foi dado um nome às terras, que se chamaria
Nueva Andaluzia.
Já foi chamada de capitania
Cabo Norte, Bento Maciel receberia
O Rei português lhe concedia
Por serviços prestados, ganharia.
Também foi identificada por província
Inicialmente Oiapóquia seu nome seria
Posteriormente, alterou-se para Pinzônia
Sua implantação não conseguiria.
Foi cobiçado! Riquezas ali teria
Foi expandido! França ali queria
Uma República, a do Cunani se tentaria
Até os EUA a ela reconhecia.
400 anos após Nueva Andaluzia, quem diria
Um ente federativo, há 80 anos, ali nascia
Território Federal, então seria
A ocupação da fronteira se intensificaria.
De ocupação em ocupação, vivificaria
De intenções em intenções, vitalizaria
De usos e desusos se configuraria
Pela política, estadualizaria.
Na busca de novas economias
Intenções de desenvolvimento se buscaria
O grande negócio se consolidaria
E políticas territoriais se concebia.
Em breve, 480 anos de Nueva Andaluzia
385, Cabo Norte, a capitania
175, Oiapóquia; 170, Pinzônia
140, a República do Cunani completaria.
Mas foi como Território Federal que geraria
Novos e outros usos do território, ocupação que se expandia
Configurações espaciais, aptidões que se construía
Políticas territoriais, a magnitude do Estado se manifestaria.
Hoje, como Estado, ainda em busca de sua autonomia
Um espaço transfronteiriço que se amplia
Um porto que a outros espaços brasileiros se articularia
Outras funções na economia-mundo, o Amapá teria.
SAGA MACAPAENSE
Jadson Porto
Poesia selecionada no I Tucujú Literário do IFAP - Contos e Poemas (2022).
Chegaram em terras que não se conhecia
Era um grande negócio que ali nascia
Foi dado um nome às terras, que se chamaria
Adelantado de Nueva Andaluzia.
Já foi chamada de capitania
Cabo Norte, Bento Maciel receberia
O Rei português lhe concedia
Por serviços prestados, ganharia.
Uma vila, Macapá se denominaria
Uma fortaleza ali se construiria
E foi indicada para ser capital de duas províncias
A de Oiapóquia e a de Pinzonia
300 anos se passaram
Muitas histórias se registraram
O Território Federal do Amapá, ali nascia
Mas como capital, Macapá não seria.
A cidade do Amapá, como capital se escolheria
Base aérea americana lá estaria
Janary Nunes a tudo mudaria
Transferindo para Macapá, a nova primazia.
De ocupação em ocupação, vivificaria
De intenções em intenções, vitalizaria
Na busca de novas economias
Intenções de desenvolvimento se buscaria.
Foi como capital, organizações espaciais manifestaram
Novas e outras “Macapás”, então, apareceram
De seu território, novos municípios criaram
Configurações e aptidões territoriais ali se construíram
Manganês, de seu espaço foi explorado um dia
Pela dinâmica portuária, o minério se exportaria
30 anos de Área de livre comércio, se passaria
Um apagão energético de 21 dias que enfrentaria.
Políticas territoriais, que se concebiam.
Planos diretores que não se executariam
20 anos de Região Metropolitana sem governança
Verticalização e conjuntos habitacionais que avançam
Em 2024, 80 anos de capital
Se não houvesse a transferência de sede, o que seria?
Tudo que aqui existe, de política territorial
no município do Amapá estaria.
Macapá, então, uma cidade pequena talvez seria.
Em breve, chegará seu centenário como capital
E o seu tricentenário de existência
Muitas histórias construídas em sua essência
Duas vezes por ano, continua a observação equinocial.
NAVEGO
Jadson Porto
Poesia classificada no Concurso Nacional Sarau Brasil - 2017.
Todo o tempo eu navego!
Navego em águas calmas, bem como em águas turbulentas
Nas calmas admiro por onde passo
Nas turbulentas, decifro os seus segredos de seus espaços.
Navego em águas límpidas e em águas turvas!
Nas límpidas, percebo que o desafio de passar por elas
É não ser tentado a mergulhar
Nas turvas, pergunto: o que há nelas que não consigo enxergar?
Navego nos ares!
Navego com as aves
Navego por entre as nuvens, sinto o vento
Em minha face deslizar.
Distancio-me e volto!
Conheço os ventos e conheço as chuvas
Quanto ao rumo...
Vamos navegar?
Navego nos sonhos!
Mundos a passar e perpassar!
Cores se misturam, flores a perfumar
Rostos passam, rostos voltam!
Rostos sem rostos ficam a me fitar!
Navego sem âncoras e com velas!
Assim, eu navego
Simplesmente por e para navegar.
Navego para sentir no rosto a liberdade do ir,
Do voltar e do continuar!
BENÇÃO PARA O ARQUEIRO
Jadson Porto
Poesia classificada no Concurso Nacional Sarau Brasil - 2017.
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Um arqueiro, uma intenção.
Uma flecha, um destino!
Um arco, um esforço!
Bravo arqueiro...
Que seu arco seja forte para suportar seu esforço
Que seu esforço seja suficiente para suportar a potência de seus desafios
Que sua aljava esteja pronta e te forneça as flechas necessárias
Que a escolha da flecha seja adequada ao seu objetivo.
Que sua corda estique o necessário para lançar suas flechas e não se rompa
Que suporte o sol e a chuva, o calor e o frio
Que seus músculos não se desgastem com esforço desnecessário
Que sua concentração seja clara e limpa, objetiva e focada
Que seu foco seja preciso. Que o voo de suas flechas seja sem ventos ou obstáculos
Se ventos afetarem seu voo, que não sejam desviadas doe seu destino pretendido
Se obstáculos aparecerem, que a trajetória de seu voo passe justamente pela rota necessária para atingir o seu objetivo.
Que seus tiros sejam sempre certeiros, limpos e corretos e limpos
E que, ao final do dia, arco, corda e arqueiro, num único conjunto, relaxem em sua tensão
Pois as flechas lançadas já percorreram os seus destinos.
SAUDADE, O QUE SERIA?
Jadson Porto
Poesia classificada no Concurso Nacional Novos Poetas, Poesis - 2019.
Senti um dia um sentimento! Descrevê-lo não sabia
Ora doía, ora alegria. Ora lembrava, ora esquecia
Ora enxergava, ora não via
Constantemente não entendia.
Andei a procura de respostas, sobre o que aquilo seria?
Se real ou uma quimera; ou quanto valeria
Não encontrei como aquilo explicaria
Pois em nenhum lugar e em todos ele estaria.
Um dia percebi algo diferente. Ora brilhava, ora se escondia
Ora cantava, ora ouvia. Ora tocava, ora sentia
Às vezes sentava, às vezes corria
Não tinha forma, não tinha cor; a e nem odor; ainda assim, o percebia.
Diante de encruzilhadas permanecia
Esquerda ou direita, para onde iria?
Seguiria em frente ou retornaria?
Seja como for, uma estrada escolheria.
Andei a procura de entender até onde aquilo ia
Se próximo ou distante. Porque chegar não conseguia?
Sentimento interessante. Misturava odores, sabores e imagens eu via
Passado que em mim percorria, presente enfim apareceria, futuro construía.
De paisagens, pessoas, sabores e histórias que lembraria
Vieram também lembranças que esquecido havia
Há também aqueles que esquecer recusaria
Pois são muito presentes no meu dia a dia.
Escolhi então imaginar uma palavra que a tudo isso resumiria
Não sei como pensar, nem o que expressaria
Fui na literatura, na música, na pintura, na poesia
Achei uma que a mim atendia: Saudade seria!
CIÊNCIA E A BICICLETA
Jadson Porto
Poesia classificada no Concurso Nacional Novos Poetas, SARAU - 2019.
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A ciência é assim. Semelhante a andar de bicicleta:
Uma vez aprendido, não esquecerás
Enquanto andas com rodinhas, podes parar!
Não cairás!
Ao retirar as rodinhas, tem que ficar em movimento.
Caso contrário, tombarás.
Se caíres, estarei lá para te levantar
Limparei seus machucados e te colocarei de novo na bicicleta
Novamente te movimentarás
Assim, poderás descobrir novos caminhos
Mesmo que seja pelas mesmas estradas.
Sentirás o vento no seu rosto alisando
Perceberás o seu cabelo esvoaçando
O perfume dos ares irás respirando
E verás a paisagem passando.
*Estas palavras ocorreram em uma conversa com minha orientanda de mestrado Thayná Cavalcante.
Por sugestão dela, registrou-se.
VOE, MEU PASSARINHO!
Jadson Porto
Poesia classificada no Concurso Nacional Novos Poetas, Poetize - 2020.
Voe, meu passarinho!
Voe pelas nuvens, sobre os mares
Voe sobre os rios, montanhas e vales
Pouse para descansares ou para alimentares
Mas voe...
Voe, meu passarinho!
Descubra povos e nações, novos lugares
Ouça músicas, ande, pule
Dance até cansares
Veja praias, restingas, armações
Montanhas e mares.
Em cada dia se dê uma chance de conquistar o que almejares.
Mas voe...
Voe, meu passarinho!
Conheça pessoas e com elas desfrute a companhia sem temor
Converse, brinque, lute, sorria, chore, se preciso, sem se opor
Pessoas são para se conviver, conversar sobre o assunto que for
Se temer, simplesmente observe e afaste-se sem pudor.
Mas voe...
Voe, meu passarinho!
Veja e se lembre por onde já passastes
O que conhecestes e os amigos que deixastes
Lembre-se dos sabores, das histórias e músicas que cantastes
E ensina-me a voar por onde voastes.
Voe, meu passarinho...
Mas volte!
Para Ivan Porto.
UM DIA
Jadson Porto
Poesia classificada no Concurso Nacional Novos Poetas - Poesia Livre - 2020.
Um dia ...
Um passeio em várias viagens...
Uma viagem e muitas paisagens...
Um olhar, muitas imagens.
Um dia...
Uma rua percorrida ...
Um prato de comida...
Uma iguaria consumida...
Uma sensação inesquecida...
Um dia ...
Uma foto efetuada...
Em um click, imagens registradas...
Em uma memória, histórias a serem lembradas.
Um dia...
Caminhos percorridos...
Alguns encontrados, outros perdidos...
Imagens e odores sentidos...
Descobertas e retornos sentidos.
Um dia...
Odores das flores aspirados...
Rosas ou orquídeas em vasos comprados....
Sejam elas selvagens ou cultivadas
O sentir pleno ao serem vislumbradas.
Um dia...
Ao seu final vem o cansaço alcançado...
Percorreu-se na história e no espaço...
Sonhos outrora traçados
Inesquecivelmente para serem lembrados.
ELA VEIO
Jadson Porto
Entre Palavras e Limites (2020).
Ela veio sem muita conversa, sem muito explicar
Apenas sorriu e encantou com seu olhar
Olhos azuis da cor do mar
Sorriso pueril nascido para encantar.
Ela chegou com muita conversa e com muito falar
Perguntas, estórias, mundos a imaginar
Viagens no quintal a aventurar
Aulas de "mateguês" a explicar.
Ela veio com muita conversa e muito expressar
Atravessou o país, aprendeu a voar
Descobriu mundos e há outros para desvendar
Devagarinho chega onde quer chegar.
Ela foi com muita conversa e muito a sonhar
Novas aventuras e descobertas estão a se apresentar
Então, filha minha, aproveite o seu avançar
Veja o que não consegui enxergar
Mostre-me o mundo com o seu olhar
Ensina-me o seu jeito de voar
Mas volte ao ninho
E em meu peito descansar.
Para Bia Girassol