Jadson Porto
Jadson Porto
Este livro nasceu em um período muito complicado por nós enfrentados: a pandemia do COVID (com mais de 685 mil mortos no Brasil) e, pelo lado pessoal, a notícia que a personagem real desta obra havia sido diagnosticada com câncer e iniciara a sua quimioterapia.
Tive algumas inspirações para a construção deste livro. Ei-las: Os longos e divertidos diálogos com João Wilson Savino de Carvalho, sobre seus diários de viagem pelo mundo (Ele sempre me estimulou a escrever sobre as minhas viagens. Um dia publico as minhas anotações!); a elaboração da Saga de um anjinho, que contava as peripécias de um anjinho cujo nome é uma fórmula matemática (Infelizmente esta saga foi perdida por conta do roubo do notebook onde estava registrada); por fim, as inúmeras e divertidas situações enfrentadas em viagens que relato aos amigos em rodas de conversa.
Conheci a personagem real desta obra, Valdenira Ferreira dos Santos, em 1988, quando ambos estudantes na Universidade Federal do Pará. Ela de Geologia e eu de Geografia. O que nos aproximou foi um docente de Geologia da instituição, Roberto Viseu, e coordenador do Grupo Espeleológico Paraense (GEP). Naquele ano fizemos nossa primeira viagem de campo para continuar os levantamentos espeleológicos outrora iniciados pelo GEP. Somente esta viagem gera outro livro de aventuras, tanto pelas peripécias ocorridas (Por exemplo, empurrando uma combi na transamazônica em subidas; correndo atrás dela nas descidas e; todos com nariz de palhaço olhando os ônibus quando os ultrapassávamos).
Em um certo momento, perdemos nossos contatos. Porém, a reencontro em 1997, quando houve uma indução do CNPq para a criação do Instituto Oceanográfico da Foz do Rio Amazonas.
Em uma conversa com a Presidente desta Academia de Letras José de Alencar (Curitiba-PR), Anita Zippin, ao tomar conhecimento do ocorrido com a Valdenira sobre a doença, sugeriu que resgatasse as estórias de Valdenira.
Aceitei o desafio.
Então, enquanto acompanhava a Valdenira na quimioterapia, relembrava algumas viagens; relatava para o corpo de médicos e de enfermeiras; incrementava alguma situação esquecida e dávamos grandes gargalhadas enquanto o tratamento seguia. As personagens aqui apresentadas existem de fato. São reais. Quanto aos relatos, há um “cadinho” de criatividade. Por exemplo: Valdenira odeia o Homem-Aranha. Aproveitei tal ódio para azucrinar a vida dela.
A totalidade que Valdenira assistiu ao filme do Homem-Aranha (16 vezes) representa o total de sessões do tratamento por ela enfrentadas. Outro comentário de esclarecimento, diz respeito à representatividade das ferroadas da aranha Caranguejeira nesta obra. Estas são o total de picadas pela agulha (16 vezes) nas sessões de quimioterapia enfrentada pela personagem, na vida real. Quanto às ferroadas das cabas (maribondos), são as tentativas das enfermeiras em encontrar as suas veias para iniciar o tratamento quimioterápico.
Quanto à Pororoca Woman, deve-se à expertise que Valdenira possui sobre o fenômeno da pororoca e o domínio dos estudos sobre o assunto nos cenários nacional e internacional, resultado de suas pesquisas. Valdenira é a primeira mulher com doutorado em Geologia e Geofísica Marinha do Brasil.
Percebi, então, que quando falávamos das estórias em formato de potocas, Valdenira ria muito e relaxava durante o tratamento. Este opúsculo, então, é um breve registro dos relatos dialogados e contados enquanto o tratamento ocorria até a última sessão quimioterápica.
Assim começam a aparecer as aventuras de Nira, a Pororoca Woman. Pois, após o tratamento, a passagem da pororoca, as consequências e as sequelas se manifestam.
Enquanto alguns são arrastados pela pororoca, Valdenira surfa nela... Embora, também tivesse sido derrubada eventualmente pela onda, subia novamente em sua prancha para continuar na onda seguinte.
E qual é o poder da Pororoca Woman? Resistência; parceira; companheira; força; inteligência (Não necessariamente nesta ordem de prioridade!) e; com 1m e 49cm de altura, muitos tem que levantar a cabeça para falar com ela.
Macapá, 09 de setembro 16 de 2022.
Jadson Porto.
No ano em que completei 55 anos, fui agraciado por ter sido aceito como membro efetivo em duas Academias de Letras, uma no Paraná e outra no Amapá. Sinto-me deveras honrado por estas aprovações.
Algumas vezes me expressei em discursos em eventos. Ora representando a instituição onde trabalho, ora por algum enunciado em homenagens concedidas, mas que não foram escritas. Às vezes letras são desenhadas em um papel em branco, vão se encorpando, transformando-se em palavras, orações e lidas. Outras, são expressas oralmente em completa desconsideração ao que escrevi. Como também, acontece de discorrer em pensamentos livres.
Este opúsculo tem por objetivo expor os discursos elaborados para os oito principais eventos conquistados em minha vida acadêmica.
O primeiro foi apresentado após a aprovação de meu projeto no edital nacional do primeiro Prêmio Santander (2005); o segundo, expus em minha posse como sócio-correspondente da Academia de Letras José de Alencar, Curitiba (PR) (2017). O terceiro, foi elaborado ao evento da minha defesa para Professor Titular na Universidade Federal do Amapá (2019). O quarto, foi apresentado no evento comemorativo aos 15 anos do Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade Federal do Amapá (2021); o quinto foi preparado para quando recebi o Prêmio Robério Nobre, como Pesquisador Destaque - Ciências Humanas (2021); o sexto, atende à comemoração dos 20 anos de meu Grupo de Pesquisa; o sétimo, foi concebido para a minha posse como sócio-efetivo da Academia de Letras José de Alencar, Curitiba (PR) (2022) e; o oitavo, destinou-se para a minha posse na Academia Amapaense de Letras, Macapá (AP).
Outros discursos foram elaborados em outros momentos, a exemplo de quando fui homenageado como paraninfo de turmas nos cursos de Geografia e de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Amapá (Unifap), bem como por serviços prestados e contribuições à ciência e tecnologia da Unifap e do Estado do Amapá. Mas foram perdidos em algum equipamento de informática substituído por conta das obsolescências de seus programas.
De todos os discursos elaborados, gosto do próximo a ser expresso.
E entre inícios em alfa e continuidades sem ômega, folhas em branco a serem preenchidas, rasuras a serem aprimoradas e elucubrações a serem provocadas, rotas e caminhos são percorridos.
Que as leituras aqui expostas possam ser agradáveis e fluidas.
Macapá, 01 de dezembro de 2022.
Jadson Porto.
As primeiras estórias das aventuras de Maiutá começaram a ser relatadas no final da década de 1980, na Travessa Manoel Evaristo, 793 entre Av. Senador Lemos e rua Curuçá, no bairro do Telégrafo, em Belém (PA). Neste endereço habitava a família do Sr. Ubirajara Lessa Tavares e Essy Lessa, amigos de longa data de minha mãe, que juntamente com suas filhas (Márcia e Karla) e Idalina Moreira Ferreira (Ida). Quando chegava de minhas viagens, principalmente das expedições espeleológicas, sentávamos à mesa e contava-lhes as peripécias que enfrentava no ventre da terra.
Certa vez, encontrei outra grande amiga, Eliane Rodrigues, e a acompanhei até a sua casa. Aproveitei a oportunidade para visitar seus pais (José Augusto Rodrigues e Eliete Coelho Rodrigues) e suas irmãs (Ângela e Luciana). Luciana, à época, com aproximadamente 8 anos, havia chegado da escola. Sentou-se. Escutava os relatos atentamente e perguntava, perguntava, perguntava. Queria saber de tudo, sobre as viagens. O que eu via, o que eu comia, como eram as cavernas? Tinha morcego? E se houvesse um desarranjo intestinal, como fazia na caverna? E na hora de dormir? A pequena curiosa era uma metralhadora de perguntas. Eu gostava por demais disso.
Ambas famílias são muito próximas à minha a quase 70 anos. Assim, todas as vezes que eu retornava de viagem, na mesma semana ía vê-los e contar alguns causos. Ida e Luciana se encantavam com os relatos, cujos olhos brilhavam em sua imaginação.
Até então, o personagem das viagens não tinha nome. Maiutá veio quando minha filha, Ana Beatriz, chegou. Morávamos em Barão Geraldo, Campinas (SP), 15 anos depois das primeiras estórias contadas. Contava as estórias para minha filha antes dela dormir. Seus olhos azuis me fitavam e interagiam comigo o tempo todo. Muitas estórias foram contadas, mas não escritas. Devagarinho elas vêm à tona, à medida que vou recordando e registrando no papel.
Com o nascimento de meu filho, Ivan, as estórias continuam sendo contadas. 30 anos depois do primeiro relato, nasce este livro.
Em meu primeiro livro de poesias, intitulado Entre Palavras e Caminhos (2020), é onde eu registro pela primeira vez a existência de Maiutá, em uma poesia sob o título Recorda-me.
Os personagens, aqui registrados, e as estórias também ocorreram de fato. Claro que para atender a uma dinâmica da literatura, talvez haja alguma pitada de criatividade para aprimorar o episódio exposto, mas sem perder a essência do que de fato ocorreu.
Quanto ao Maiutá, ele existe! Hoje, ele tem mais de 50 anos. Maiutá, sou eu!
Macapá, 28 de outubro de 2021.
Jadson Porto.
Este opúsculo é resultado de curtos registros de minhas percepções e pequenos relatos de momentos que aconteceram enquanto estava contaminado pelo Covid 19.
Quando se manifestaram os primeiros sintomas (Febre, dor de cabeça, pressão alta, coriza forte), às 3:00 h AM, do dia 13 de julho do corrente ano, parecia que seria uma intensa gripe. Mas, como este assunto é muito corrente em minha casa, conversando com familiares (tenho 3 biomédicos na família) e eu moro sozinho em Macapá, fui recomendado que ao sentir aqueles sintomas, imediatamente fizesse o teste, pois sou diabético e tenho pressão alta.
Havia sido por três vezes vacinado. Quando intencionava adquirir a quarta vacina, fui contaminado. E não sei qual foi a variante que me atingiu, mas graças à vacina, os danos não foram tão intensos. Ouso dizer que, por enquanto, tive um leve desconforto, comparado às consequências da doença antes da vacina.
Por mais que os curtos textos aqui expostos tenham sido registrados e expostos para os amigos e familiares pelo Whatsapp, a fim de acalmá-los sobre a minha situação e comportamento dos sintomas, efetivamente pensei neste opúsculo quando completei o meu oitavo dia de covidado.
Meus profundíssimos respeitos àqueles que não tiveram a sorte de chegar onde cheguei no que diz respeito à esta doença. Perdi grandes amigos e familiares.
Meus profundos agradecimentos àqueles que proporcionaram a criação da vacina e ao seu acesso. Viva a ciência! Viva o SUS!
Meus profundos agradecimentos a todos que me enviaram estimas de recuperação; todos os dias ligaram para mim, preocupados com a minha saúde.
Macapá, 20/07/2022
Jadson Porto
Derivando e zanzando em minhas caminhadas, inevitavelmente permaneço imerso ora em pensamentos, ora ouvindo música; constantemente assisto situações inusitadas e; frequentemente leio cartazes ou escritos aleatórios em muros.
Em cada passo dado algumas ideias aparecem, ou mesmo somem ao dobrar a esquina. Mas há aquelas que permanecem até chegar em casa para registar. E assim nasce um diário, de um caminhante sem rotas e roteiros em sua trajetória. Cada dia, um caminho diferente. Assim, novas paisagens me aparecem e me estimulam.
Várias estórias foram esquecidas no caminho. Já passei pela mesma rota em dias posteriores para tentar lembrar. Mas a cidade muda todos os dias. Quem sabe um dia eu lembrarei de algo que esqueci e não lembro de lembrar.
Macapá, 16/09/2023
Jadson Porto.