Prof. Dr. José de Souza Nogueira
Prof. Dr. José de Souza Nogueira
O Professor José de Souza Nogueira, conhecido como Paraná, foi um dos criadores e principal mentor do Programa de Pós-Graduação em Física Ambiental (PGFA), bem como, pode-se dizer, o pesquisador mais produtivo da UFMT na sua história. O Grupo de Pesquisa em Física Ambiental iniciou as suas atividades em 1999, a partir da necessidade de aprofundamento da pesquisa sobre o funcionamento dos ecossistemas – num estado que contém três biomas diferentes: cerrado, pantanal e floresta amazônica – e da necessidade do desenvolvimento da pesquisa na UFMT a nível de pós-graduação, que, na época, era incipiente na instituição.
O ponto de partida para o grupo de pesquisa se deu por iniciativa do Prof. Paraná e do Prof. Nicolau Priante Filho (também já falecido) contatando grupos de pesquisa internacionais, convidando-os a participar da iniciativa. Em resposta, o Prof. George Vourlitis, da California State University, se juntou ao grupo, que também contou com o reforço do Prof. Francisco de Almeida Lobo, da Faculdade de Agronomia da UFMT. Assim o grupo de iniciou com esses pioneiros. Recebendo alguns equipamentos por parte do Prof. Vourlitis, as atividades de pesquisa do grupo se iniciaram com a montagem de uma torre micrometeorológica nas imediações do município de Sinop e a inserção do grupo no programa LBA – um projeto internacional de longo prazo para o estudo da interação biosfera-atmosfera na Amazônia. Contudo, coube ao Prof. Paraná a iniciativa de tomar para si a responsabilidade do estabelecimento da infraestrutura necessária ao funcionamento do grupo, bem como a construção de uma instância formal que reunisse e desse consistência às atividades do grupo, que foi o programa de pós-graduação. A partir de então, o Prof. Paraná trabalhou (com enorme sucesso) nas seguintes frentes: i) elaboração de projetos de pesquisa para a aquisição de equipamentos e infraestrutura; ii) aprovação de financiamento para a construção de um prédio exclusivo para promover a ambiência de pesquisa – com aprovação pela FINEP, construiu um bloco de 400 metros quadrados, onde até hoje é abrigado o PGFA; iii) confecção do APCN do Mestrado em Física Ambiental (e mais tarde o doutorado), tendo aprovação por parte da CAPES. O Prof. Paraná foi o líder do PGFA por cerca de 20 anos e não é exagero afirmar que foi a alma dessa comunidade científica em todo esse período. Tratou-se de um esforço incomum, mas muito bem sucedido, dado que, até hoje, mais de 200 dissertações de mestrado foram defendidas, bem como mais de 120 de doutorado e, ainda, diversos artigos de importância internacional foram publicados, correspondendo a avanços importantes na compreensão do funcionamento dos ecossistemas brasileiros, bem como dos sistemas urbanos.
Entretanto, talvez a característica mais notável do Prof. Paraná nem seja a capacidade incomum para o trabalho e a dedicação a um projeto de vida, mas sim a sua relação com as pessoas, pois, nesse período todo, o Prof. Paraná procurou de todas as formas ajudar colegas e alunos a darem o melhor de si, quer seja encorajando-os a estudar – tirando pessoas da inatividade e esquecimento e trazendo-as de novo “à vida” – quer seja envolvendo diversos indivíduos nos projetos ativos. O Prof. Paraná acreditava nas pessoas. Investia nelas e, é claro, algumas vezes as vias seguir em frente e outras vezes não. Mas o resultado líquido disso tudo é que muitas pessoas devem muito a ele. Todos nós devemos. O seu otimismo e perseverança eram incomparáveis. Quantas foram as vezes em que, diante de enormes dificuldades e obstáculos que pareciam intransponíveis, capazes de desanimar qualquer um, ao conversar com ele, pedindo a sua ajuda por assim dizer, ele respondia: “Ah, isso é fácil de resolver!” – e resolvia. Assim sendo, ele se tornou uma espécie de “mentor espiritual” de todos nós. Como disse, o seu otimismo nos movia a todos e, acredito, ainda nos move. Prova disso é que, na última vez que o vi em vida, a última lembrança visual que tenho da sua figura extraordinária, naquele quarto da UTI, é ele fazendo o seu famoso “jóia” com o seu polegar levantado, sacudindo a mão, querendo dizer: “Vá em frente. Vai dar certo e vai ficar tudo bem!”
Prof. Sérgio de Paulo