Paixões mobilizadoras do fascismo que entendemos encontrar terreno fértil na sociedade brasileira:
a) percepção de que atravessamos uma crise de enormes proporções para a qual as soluções no interior da democracia liberal parecem insuficientes;
b) a construção de grupos de dentro com deveres e direitos superiores aos outros de fora que não são passíveis de reintegração ou ressocialização;
c) a crença de que estes de dentro (os cidadãos de bem) são vítimas da indolência, da malandragem, da corrupção, da degeneração de valores e reversão das hierarquias sociais tradicionais;
d) esse pavor da decadência do cidadão de bem exige uma comunidade mais pura, se possível pela violência;
e) a necessidade da autoridade (sempre do sexo masculino), culminando no chefe nacional, único capaz de encarnar o destino histórico da sociedade;
f) a superioridade do instinto do líder sobre a razão abstrata e universal;
g) a estetização da violência e eficiência da vontade, sempre que voltadas para o êxito do cidadão de bem;
h) o direito do cidadão de bem dominar e se impor sobre os demais, sem restrições relativas a qualquer lei constitucional, divina ou preceito moral, onde o que interessa é vencer no interior de uma luta darwiniana.