QUAIS SÃO OS DESAFIOS E QUAL É A ESTRUTURA DO ACESSO PÚBLICO À SAÚDE MENTAL EM FLORIANÓPOLIS?
O modelo de Atenção Primária em Florianópolis, estruturado pela Estratégia de Saúde da Família (ESF), é a principal porta de entrada para o sistema público de saúde, com equipes responsáveis por uma população específica. Atuando de forma integrada, essas equipes promovem a saúde, previnem doenças e acompanham a recuperação dos pacientes em suas regiões. Essa proximidade facilita a identificação de necessidades de saúde, possibilitando ações mais eficazes e personalizadas.
A ESF conta com o apoio dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), que oferecem suporte especializado e colaborativo, ampliando a capacidade de atendimento, especialmente em saúde mental. A articulação com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) garante que casos mais complexos tenham acompanhamento adequado, funcionando como alternativas a internações. Juntas, ESF, NASF e CAPS fortalecem o atendimento integral e contínuo, promovendo uma saúde pública mais acessível e humanizada. No entanto, esse modelo de acesso aos serviços psicológicos.
Embora o modelo de Atenção Primária de Florianópolis, por meio da Estratégia de Saúde da Família (ESF), busque atender integralmente a população, ele enfrenta desafios significativos. As equipes, responsáveis por regiões específicas, frequentemente lidam com sobrecarga de atendimentos e recursos limitados, o que pode dificultar o acompanhamento contínuo e a resposta ágil às necessidades dos pacientes. Além disso, a burocracia no sistema impacta a eficiência, gerando esperas longas e, em alguns casos, dificultando o acesso imediato aos serviços de saúde.
Outro desafio são os entraves de acesso, pois, apesar de toda a estrutura de suporte, a alta demanda sobre as equipes de saúde primária e os núcleos de apoio pode comprometer a capacidade de resolver e encaminhar todos os casos. A articulação com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) visa dar retaguarda aos casos mais complexos, mas a sobrecarga de trabalho e o fluxo burocrático muitas vezes atrasam os encaminhamentos e os cuidados necessários, afetando a qualidade e o tempo de resposta dos serviços.
A distribuição dos CAPS também representa uma barreira significativa, já que muitos usuários dos serviços, principalmente aqueles que residem em áreas distantes das clínicas, precisam se deslocar longas distâncias para procurar atendimento, o que dificulta o acompanhamento psicológico contínuo. Além disso, a falta de mais contratações dos profissionais especializados — como psicólogos e psiquiatras — e a falta de expansão dos complexos de saúde, impedem que os centros ofereçam a intensidade e a frequência de cuidados que muitos casos exigem.
Outro fator que agrava as dificuldades de acesso é o estigma social associado aos transtornos mentais. Muitas pessoas evitam buscar ajuda por receio de serem rotuladas ou discriminadas, o que é particularmente preocupante em comunidades menores e áreas de menor acesso à informação. Esse estigma social contribui para o isolamento dos indivíduos que sofrem com doenças mentais, dificultando ainda mais o acesso aos serviços, pois o preconceito acaba por inibir a busca por suporte, seja por medo de julgamentos, seja pela falta de compreensão por parte das redes de apoio pessoal e social.
Embora iniciativas como o teleatendimento e campanhas de conscientização tenham surgido como alternativas para ampliar o acesso e reduzir o estigma, esses recursos ainda são limitados em Florianópolis. A cidade precisa de mais investimentos e melhor direcionamento dos recurso para melhorar tanto a infraestrutura quanto a distribuição dos serviços de saúde mental, além de fortalecer a educação pública sobre saúde mental para desmistificar e normalizar a busca por ajuda. Sem essa abordagem integrada, os desafios de acesso e o estigma persistem, dificultando uma resposta efetiva para as necessidades crescentes da população.
Em Florianópolis, organizações da sociedade civil e clínicas comunitárias são fundamentais para complementar o sistema público de saúde mental, oferecendo atendimento psicológico acessível e muitas vezes gratuito. Esses serviços ampliam o alcance do suporte emocional, proporcionando acolhimento a quem enfrenta dificuldades para obter cuidados através do sistema público, o que promove maior bem-estar e ajuda a reduzir o impacto de problemas psicológicos no município.
Para que essas iniciativas sejam ainda mais eficazes, é crucial que informações sobre os serviços estejam sempre atualizadas e facilmente acessíveis, especialmente para estudantes e profissionais da área. Isso facilita a conexão entre as pessoas e os recursos disponíveis, fortalecendo uma rede de apoio confiável e acessível, que contribui para o desenvolvimento de uma comunidade acadêmica mais bem amparada e informada sobre saúde mental.
Capacidade limitada na rede pública de saúde mental em Florianópolis: A demanda por atendimentos psicológicos na rede pública de saúde mental em Florianópolis frequentemente supera a capacidade de oferta, resultando em filas de espera e consequentemente desistência por parte dos pacientes. Organizações da sociedade civil, clínicas comunitárias e outros tipos de organizações desempenham um papel essencial ao fornecer serviços acessíveis, complementando o sistema público e garantindo suporte emocional para a população.
Distribuição geográfica dos serviços: Os CAPS estão situados em áreas estratégicas, mas o acesso a eles pode ser dificultado pela localização geográfica, especialmente para moradores de regiões mais periféricas. Esse problema torna o acesso desigual e, para algumas pessoas, o deslocamento até os serviços é um obstáculo adicional.
Estigma e conscientização sobre a importância do cuidado: Apesar dos esforços, ainda existe um estigma significativo associado aos cuidados de saúde mental, o que pode inibir as pessoas de buscarem atendimento. A cidade de Florianópolis tem promovido campanhas de conscientização para reduzir o os estigmas e educar a população sobre a importância do cuidado mental.
Telepsicologia e atendimento virtual: Desde a pandemia, houve um aumento no uso de plataformas de telepsicologia, o que facilitou o acesso para pessoas que enfrentam dificuldades de deslocamento ou que preferem o atendimento remoto. Florianópolis, através do Alô Saúde, tem expandido gradualmente essas iniciativas e a modalidade remota para aumentar a capacidade de atendimento médico, no entanto, ainda enfrenta desafios de expandir e aplicar esse serviço ao atendimento relacionado à saúde mental.
Parcerias e ONGs: Organizações locais e regionais, como OSCs e grupos de apoio têm se tornado aliados importantes para oferecer suporte adicional. Em alguns casos, esses grupos oferecem atendimentos gratuitos ou a baixo custo, além de programas de apoio em comunidades.
Campanhas públicas e eventos de conscientização e ampliamento de ações: Eventos como o Janeiro Branco e Setembro Amarelo, voltado à conscientização e chamado sobre saúde mental, têm sido adotados pela prefeitura e outras instituições, promovendo discussões e eventos para dedicar a época à tratar o estigma, informar sobre os recursos disponíveis na região e promover ações pontuais sobre o problema.
CARTILHA DE SAÚDE MENTAL E DESASTRES
"Desastres, como as enchentes que acometeram o Rio Grande do Sul, provocam profundos abalos nas comunidades, causando perdas humanas, materiais e econômicas além de impactos ambientais que repercutem de diferentes formas sobre o bem-estar e a saúde mental nos indivíduos que foram direta ou indiretamente afetados.
Nesse cenário, as concepções que as pessoas possuíam sobre si e sobre o seu mundo ficam abaladas, causando sentimento de insegurança, desamparo e medo. Seus efeitos podem ultrapassar o momento da enchente em si, alcançando também períodos posteriores, quando, por exemplo, vivenciam o processo de reconstrução dos bens materiais, do reestabelecimento das relações interpessoais e adaptação a uma nova rotina"