TRANSCRIÇÕES DOS ÁUDIOS DA OBRA OUÇA-ME ¬
TRANSCRIÇÕES DOS ÁUDIOS DA OBRA OUÇA-ME ¬
ÁUDIO 1.
Olá, me chamo Letícia, tenho 25 anos e possuo uma deficiência física, se chama Neurofibromatose. Nesses quase 26 anos de vida, já passei por inúmeros casos de inacessibilidade, que vai desde a falta de sensibilidade de pessoas até a falta de estrutura de uma calçada, uma rua, enfim...
Já passei por casos, por exemplo, de as pessoas verem a minha deficiência no coletivo, por exemplo, mesmo assim não se sensibilizarem, não se levantarem e me cederem o assento para que eu pudesse me sentar.
E desde calçadas altas, buracos na rua, falta de estrutura nas calçadas, enfim... então o que eu desejo é que as pessoas possam nos enxergar e que possam se sensibilizar com as nossas dificuldades e que dessa forma, dificuldades assim, em casos desse jeito não possam mais existir.
ÁUDIO 2.
Olá, me chamo Madge Amorim, tenho 30 anos, sou pessoa com deficiência visual. Minha profissão é massoterapeuta e no meu dia a dia trabalho a domicílio e com isso encontro várias barreiras na Ilha de São Luís.
A começar quando vou atravessar uma rua, uma avenida, eu sinto a falta da acessibilidade atitudinal das pessoas e os condutores de veículos. Também sinto falta da acessibilidade arquitetônica nas calçadas cheias de altos e baixos, cheias de buracos, objetos, carros e moto sobre a calçada, me obrigando a ter que ir para o meio da rua para poder prosseguir. Também, se precisa atravessar uma faixa de pedestre, sinto a falta de sinal sonoro, que não se encontra em nenhum lugar da Ilha de São Luís.
Também não posso deixar de falar das placas de sinalizações, que tem...não tem, a altura ideal em muitos lugares. Inclusive lembro aqui agora, de três na região do centro histórico de São Luís e quero dizer que a acessibilidade não é só para pessoa com deficiência, não é só para o idoso, não é só para gestante, mas sim para todos!
Então, acessibilidade já!
ÁUDIO 3.
Eu sou o Nando, Nando Marley Lima Pacheco. Tenho 29 anos e eu sou profissional de educação física. Estou no curso, primeiro curso do Brasil que começou aqui na UFMA de estudos africanos e afro-brasileiros. Tenho pós-graduação em neuropsicopedagogia e agora entrei no mestrado e tenho paralisia cerebral. Acessibilidade que eu gosto de falar é acessibilidade atitudinais. E o que é isso? É acessibilidade de atitude do ser humano, certo? O que todos nós pessoas com deficiência, podem ultrapassar barreiras que a sociedade estipula para nós. Eu gosto de falar que a sociedade estipula para nós três pontos: é escola, hospital e colégio...escola, hospital e colégio! A vida de uma pessoa com deficiência não se resume a só isso, se resume para além disso, tá me entendendo? E outra coisa, no mercado de trabalho, museu em geral, quando a gente olha vaga para pessoa com deficiência no mercado de trabalho, ai a pessoa com deficiência fica na vaga para empresa X, o que é a função? É serviço gerais ou repor mercadoria, nada contra isso. Mas, e aquelas pessoas que tem uma formação a mais que serviços gerais
e repor mercadoria? E outra coisa, a pessoa com deficiência entra nessa categoria e chega um tempo que há limite de cansaço e a pessoa com deficiência larga o serviço. Então...eu falo e digo, para além de repor mercadoria, para além dos serviços gerais, entendeu? A vaga de emprego!
ÁUDIO 4.
Olá, eu sou a Valéria Pereira, eu tenho 26 anos, eu sou cadeirante, arte educadora também. Nessa condição, eu já passei por várias situações e locais que não possuem acessibilidade ou até mesmo existe uma acessibilidade, mas ela é totalmente inadequada.
E dentre elas, eu destaco uma vez que eu me inscrevi num curso aqui num museu de São Luís, e assim que a minha inscrição foi confirmada eu liguei para a instituição para perguntar se o prédio era acessível e se de alguma forma poderia me auxiliar na entrada, por que a entrada lá é só escadas, então eu precisava desse apoio.
E a atendente, ela foi muito solicita, né? Falou que ia me auxiliar, que que existia elevador, que eu poderia subir, né? Sem problema algum. Só que chegando lá, eu não fui auxiliada da maneira que eu deveria, né? Eu passei média de 10 minutos do lado de fora esperando alguém para ajudar a subir escada e na hora do elevador, não...não funcionou.
Eu não tinha como subir, não tinha quem me subisse, me ajudasse...impossível!
E isso foi muito... foi uma das situações mais desconfortáveis que eu fiz, porque eu não pude estar no primeiro dia do curso, porém eu conseguir terminar o curso, com ajuda de amigas, né? Elas me auxiliaram muito bem, e é uma situação que foi uma das que mais me deixou desconfortável, assim, durante toda minha vida!
ÁUDIO 5.
Olá, saudações para inclusão! Eu me chamo Vilson, sou graduado em licenciatura em teatro pela Universidade Federal do Maranhão, sou técnico em produção de evento com habilitação em produção cultural, formado pelo Instituto de Ciências e Tecnologia do Maranhão e sou pessoa com deficiência visual.
Enfrentamos como barreira as dificuldades do capacitismo quando nos é proposto fazermos testes com atores, mesmo com a formação, somos eliminados apenas pela condição de ser pessoa com deficiência antes de testar, para saber se é capaz ou não.
Isso são coisas que acabam nos frustrando, pois passamos tanto tempo numa instituição com uma Universidade Federal para estarmos formados e nos habilitarmos com capacidade para exercer, e somos impedidos de exercermos a nossa função na qual fomos formados pelo simples fato de sermos pessoa com deficiência.
Obra OUÇA-ME - Interpretação em Libras
PRANCHAS TÁTEIS COM ALTO CONTRASTE DE COR