QUANDO NÃO HÁ IGREJA: O CHAMADO PARA UM CULTO FIEL A CRISTO
A História da Igreja Batista Reformada Cristo Vive
A História da Igreja Batista Reformada Cristo Vive
A história da Igreja Batista Reformada Cristo Vive começa com uma ausência. Não havia, em nossa região, uma igreja firmada na Escritura e no evangelho bíblico. Havia templos, havia pregações, mas não havia a pregação fiel da Palavra, nem a prática reverente da adoração a Deus. O que víamos eram ajuntamentos cheios de invenções humanas, tomados por modismos passageiros, onde as Escrituras eram deixadas de lado, enquanto pessoas se entregavam a manifestações carnais, pessoas caindo no chão e arroubos emocionais que nada tinham do verdadeiro mover do Espírito Santo.
Diante disso, nasceu o desejo: congregar onde Cristo fosse verdadeiramente o centro.
Movido pelo amor a Cristo e pelo peso da eternidade, comecei a evangelizar com minha esposa Angélica Martins, nas ruas e casas próximas ao nosso lar, no bairro Nova Bonsucesso, em Guarulhos. Não buscávamos números, mas almas. Naqueles dias, minha saúde estava profundamente abalada por uma enfermidade no coração; mal conseguia caminhar. Contudo, não podíamos nos calar. Para não abandonar o chamado de Cristo, eu dirigia o carro lentamente, enquanto minha esposa, a pé, entregava folhetos nas ruas e os colocava nas caixas de correio. Mesmo debilitado, aproveitava cada oportunidade, ainda que de dentro do veículo para falar de Cristo àqueles que cruzavam nosso caminho. Fizemos o que podíamos, confiando que o Senhor usaria até as nossas limitações para levar o evangelho aos perdidos.
Logo, o Senhor acrescentou duas vizinhas ao trabalho, e passamos a nos reunir às quartas-feiras para oração na cozinha da minha casa. Pouco tempo depois, em 7 de dezembro de 2019, nasceu a plantação da igreja, então chamada Obra Missionária Cristo Vive. Mas mal havíamos começado, e o Senhor permitiu que a pandemia chegasse ao nosso bairro. As ruas se calaram, as portas se fecharam, e ficamos apenas eu e minha esposa, no lar, cultuando ao Senhor, certos de que Sua obra não depende de circunstâncias, mas de Sua soberania.
Quando a fase mais crítica da pandemia passou e a vida começou, lentamente, a voltar ao normal, retomamos o trabalho que Deus havia colocado em nossas mãos. Foi então que iniciei um projeto ousado: oferecer gratuitamente aulas de teologia reformada em casa. O convite se espalhou e muitos responderam, todos vindos de denominações pentecostais, e até mesmo testemunhas de Jeová, sedentos por aprender, ainda que sem compreender totalmente o que iriam ouvir.
Naquele tempo, eu estudava, de forma remota, no Seminário Reformador de Guadalajara, no México, uma instituição comprometida com a formação de pastores na tradição reformada. O que eu recebia ali, transmitia nas aulas aqui. Para o nosso curso, preparei uma apostila baseada no Curso Básico de Teologia ministrado pelo pastor Thomas Tronco, da Igreja Batista Redenção, cujo pastor titular é o pastor Marcos Granconato. Adaptei as aulas à nossa realidade, integrando-as aos ricos ensinos do seminário de Guadalajara.
Assim nasceu o Instituto Bíblico Reformado Cristo Vive: não como um empreendimento humano, mas como um instrumento para proclamar a verdade de Deus, confrontar o erro e conduzir pecadores à luz do evangelho.
Desde o início do Instituto Bíblico, enfrentamos oposição. Mestres pentecostais infiltrados no curso tentaram encerrar o trabalho e impedir a plantação da igreja. Por duas vezes o programa foi interrompido. Então a pandemia se intensificou novamente, paralisando as aulas e projeto pela segunda vez.
Durante o período do lockdown da pandemia, Deus colocou em meu coração um desejo de pregar o Evangelho apesar das portas fechadas. Foi então que iniciei o projeto “Bíblia e Teologia”, um programa no formato de rádio online, semelhante a um podcast. Ali, não busquei entretenimento ou mensagens vazias, mas proclamar fielmente as Escrituras, ensinando verdades bíblicas profundas e edificantes. Em meio ao isolamento, a Palavra de Deus continuava a ressoar, porque a obra do Senhor não depende das circunstâncias humanas, mas da Sua graça poderosa e soberana.
Quando as restrições diminuíram, recomeçamos. Somente na terceira tentativa conseguimos formar a primeira turma, agora já realizando cultos na garagem improvisada da casa da minha mãe, a irmã Anita, junto com a terceira turma do curso.
Para que as aulas de teologia acontecessem, eu mesmo alugava as cadeiras onde os alunos se assentariam. Em outras palavras, eu estava pagando para que o evangelho fosse pregado e a Palavra de Deus ensinada. E, se fosse preciso, faria isso mil vezes mais, porque Cristo vale infinitamente mais do que qualquer custo.
Durante esse tempo, mantínhamos o curso de teologia aos sábados e as reuniões de oração nas quartas-feiras. Por um ano e meio, preguei somente para minha própria família nas reuniões de oração, e, de vez em quando, para alguns visitantes que, infelizmente, não ficaram conosco. Contudo, a fidelidade não está em números, mas em perseverar, mesmo quando a obra parece pequena e os frutos parecem poucos. Deus é fiel para sustentar Sua Igreja, mesmo nos momentos de aparente solidão.
Então, em um determinado dia, Deus enviou um visitante que permanece conosco até hoje o irmão Joel Junior. A partir desse momento, o Senhor começou a acrescentar, pouco a pouco, os Seus eleitos: irmãos vindos de outras igrejas reformadas, inclusive de bairros distantes, que se uniram a nós. Nada disso foi fruto de propaganda ou esforço humano, mas unicamente da ação soberana de Deus, que edifica a Sua Igreja como Lhe apraz.
Hoje, após cinco anos de plantação, olhamos para trás e vemos: a Igreja Batista Reformada Cristo Vive nasceu da necessidade de um culto fiel à Escritura, atravessou lutas, foi sustentada pela graça e permanece porque Cristo é o Seu edificador.
Henrique Martins.
11 de Agosto de 2025.