Testes realizados em protoboard
Os materiais utilizados para gerar os sinais para os testes foram o gerador de funções do aplicativo Function Generator em um celular LG-Q6 com sistema operacional Android 7.1.1. Esse aplicativo apresenta diversas opções para alteração de frequência, amplitude e forma de onda, além de oferecer recursos de varredura em frequência e amplitude e operações de modulação FM e AM, com a possibilidade de utilização de até dois canais independentes de geração de sinal.
Para utilização do sinal gerado através do App Function Generator, foi adaptado um conector P2 na saída de áudio do celular. A saída do conector P2 foi conectada ao circuito em análise. A Figura 41 apresenta o sinal gerado com o App supracitado, exibindo a forma de onda em um osciloscópio digital de baixo custo, do modelo DSO-138.
Fonte: Elaborado pela autora
Os demais materiais utilizados nos testes são apresentados na Figura 35. Foi utilizada a placa NI DAQ-USB-6001 para realizar aquisições dos sinais de entrada do circuito (Gerador de Função) e na saída do circuito de filtragem. O fluxograma na Figura 36 apresenta os passos para realizar tais aquisições. Ao todo foram analisadas 76 valores de frequências.
Figura 35 - Materiais utilizados para os testes
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 35 (b) - Circuito em protoboard
Fonte: Elaborado pela autora
Fonte: Elaborado pela autora
Após a aquisição, foi desenvolvido um algoritmo para obter os valores de tensão de pico-a-pico (Vpp), cada valor de frequência, sendo realizada operação para calcular o ganho, relacionado o valor Vpp do sinal de saída e de entrada, e convertido para valores de decibéis. Após essas operações, foi possível comparar a resposta em frequência do circuito em protoboard obtido através do experimento citado acima, a resposta obtida pela simulação e a resposta teórica. Essa comparação pode ser visualizada na Figura 37.
É possível observar que a curva experimental (em vermelho) acompanha de modo satisfatório as frequências de corte inferior e superior, relacionadas aos FPA e FPB. A frequência de rejeição relacionada ao FRF apresentou um ligeiro deslocamento, no valor de 63 Hz, em -6dB, aproximadamente.
Fonte: Elaborado pela autora
Vídeo referente a aquisição do sinal EMG no qual o protótipo estava montado em protoboard, durante os estágios intermediários de desenvolvimento.
Desenvolvimento de PCB
Após os testes iniciais, e a constatação de que foram atingidos resultados satisfatórios nos testes em protoboard, foi desenvolvido o layout da PCB no software Proteus (Figura 38). Optou-se pelo desenvolvimento de uma placa dupla face para redução do tamanho da placa, possibilitando uma melhor distribuição das trilhas que conectam os componentes.
Foram realizadas três tentativas na confecção da placa. A maior dificuldade encontrada nesta etapa consistiu em alinhar a face superior e a inferior na transferência do layout para a placa, utilizando o método térmico. A melhor opção encontrada foi a transferência de uma das faces, a furação de diversos pontos para inserção dos terminais dos componentes e em seguida a transferência da outra face do layout.
A placa já corroída é apresentada na Figura 39. quanto ao resultado final de desenvolvimento da PCB pode ser visualizado na Figura 40
Figura 38 - Visualização 3D no software Proteus (acima) Layout desenvolvido (abaixo)
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 39 - Placa de Circuito Impresso corroída, face superior (acima) e inferior (abaixo)
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 40 - Resultado final PCB
Fonte: Elaborado pela autora
Alimentação
O circuito auxiliar foi desenvolvido utilizando o circuito integrado ICL7660S . Foi produzida uma PCB com o circuito auxiliar (Figura 41), e foram realizados testes iniciais para verificar a conformidade, e a qualidade do sinal. Observou-se que este circuito auxiliar introduzir componentes indesejadas no sinal, conforme apresentado na Figura 42. Por essa razão optou-se pela realização de um teste similar com a utilização de duas baterias de 3,7V, no qual foi possível obter um sinal de linha de base com menor quantidade de ruído.
Figura 42 - Linha de base com diferentes tipos de alimentação.
(a) Linha de base com alimentação proveniente de associação de duas baterias de 3,7V
(b) Linha de base, com alimentação proveniente do circuito auxilia
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 41- Circuito Auxiliar para a alimentação
Fonte: Elaborado pela autora
As Figuras 43 e 44 apresentam os espectros de frequência ,obtidos através da FFT no Matlab, relacionados aos testes executados om alimentação de duas baterias de 3,7V e com o circuito auxiliar, respectivamente. Fica evidente a influência do circuito auxiliar, inserindo componentes de frequência em aproximadamente 300Hz e 550 Hz, na ordem de 1,8 mV e 1,3 mV. Já em relação à análise realizada com alimentação de duas baterias observa-se a ausência de tais componentes de frequências, sendo possível observar apenas a componente CC do sinal de linha de base, devido ao nível médio inserido no hardware de condicionamento. Por esta razão, optou-se no presente projeto pela utilização da alimentação do protótipo a partir das duas baterias de 3,7V.
Figura 43- Espectro do protótipo, com alimentação proveniente de associação de duas baterias de 3,7V
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 44- Espectro do protótipo, com alimentação proveniente do circuito auxiliar
Fonte: Elaborado pela autora
Protótipo Final
Figura 45- Protótipo final
Fonte: Elaborado pela autora
Análise da Resposta em Frequência do Protótipo
A Figura 48 apresenta a resposta em frequência obtida através de teste similar comentado na seção anterior, com a diferença que o sinal do gerador de funções foi condicionado utilizando um amplificado com ganho de 12,4 V/V, e um circuito atenuador de -60dB. A resposta em frequência do atenuador é demonstrada na Figura 46. Foram contabilizados 83 valores de frequência neste experimento para obtenção da resposta em frequência.
Figura 46- Esquemático do circuito utilizado como atenuador (a esquerda) e sua respectiva resposta em frequência (a direita)
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 47 - Amplitude das etapas do circuito de condicionamento do sinal de teste
(a) Saída do gerador de funções
(b) Saída do amplificado não inversor
Fonte: Elaborado pela autora
(c) Saída do circuito atenuador
Figura 48 - Resposta em frequência final
Fonte: Elaborado pela autora
Observa-se através da Figura 48 que o ganho na faixa de passagem no experimento com o protótipo ficou ligeiramente menor que o ganho obtido em simulação. Enquanto o ganho em dB da simulação atingiu 47,9dB (248 V/V), o experimento atingiu 47,1 dB (226,46 V/V), o erro percentual obtido para o ganho em (V/V) foi de 8,68%.
Saturação do Sinal e desvios de Nível Médio
Devido a opção de trocar a bateria de 9V para uma bateria de 3,7V, o diodo zener acrescentado ao circuito perdeu sua funcionalidade, pois o sinal satura em 2,9 V, devido a tensão de saturação do amplificador operacional escolhido para o projeto.
Quanto ao nível médio, notou-se que devido a utilização de um divisor de tensão para gerar a referência de nível, este valor fica sujeito a variações de tensão da bateria, que ocorrem no caso em que as baterias foram recém carregadas e atingem o valor de 4V, e quando estão descarregando atingido 3,6V.
PROTOCOLO 1
O primeiro protocolo estabelecido consiste em três movimentos, conforme indicado na Figura 49. Os eletrodos foram cuidadosamente posicionados sobre o músculo bíceps e o eletrodo de referência posicionado no cotovelo. O primeiro movimento (M1) consiste no braço em repouso, apoiado na mesa; o segundo (M2) consiste no braço estendido e elevado sem apoio, e sem realizar a contração muscular; por fim, o terceiro movimento (M3) consiste na contração muscular, com o braço flexionado. Os movimentos serão executados na seguinte ordem: M1,M2,M3 e M2. Os testes foram realizados na própria autora do presente trabalho.
(a) Braço apoiado, sem movimentação
(b) Braço estendido sem apoio
(c) Braço flexionado
Fonte: Elaborado pela autora
Foi realizada um aquisição de 10 segundos do sinal EMG. A Figura 50 apresenta o sinal EMG bruto, ou seja, sem realização de nenhuma rotina de processamento, com a indicação dos movimentos estabelecidos do protocolo 1 de aquisição .
Figura 50 - Indicação dos instantes associados aos movimentos do protocolo para compreensão do leitor
Fonte: Elaborado pela autora
A Figura 51 traz uma comparação entre o sinal bruto e o sinal filtrado com os FPB e FPA, na qual é possível identificar a remoção do nível médio do sinal EMG. A Figura 52 apresenta o sinal retificado, e o envelope obtido com o filtro média-móvel.
Figura 51- Sinal EMG bruto (acima) e filtrado (abaixo)
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 52 - Sinal EMG retificado (acima) e sinal retificado mais envelope (abaixo)
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 53 - Envelope EMG (acima) e sinal após TKEO (abaixo)
Fonte: Elaborado pela autora
A Figura 53 (acima) apresenta o envelope do sinal EMG e (abaixo) o sinal obtido com a utilização do TKEO, observa-se que os instantes onde ocorre a contração muscular destacam-se dos demais, sendo muito próximos de zero.
Figura 54- Envelope EMG e indicação de detecção do movimento (acima), sinal filtrado com as mesmas indicações (abaixo)
Fonte: Elaborado pela autora
A Figura 54 apresenta os resultados obtidos através do algoritmo de detecção da contração. Para este caso, estabeleceu-se o limiar como a média dos valores obtidos através do TKEO multiplicada por um fator igual a 3. Observa-se que para este caso foi possível detectar a contração relacionada ao movimento M3 do protocolo estabelecido.
O cálculo de valor FMED e RMS, para o movimento 3, apresentaram o valor de 57,7HZ e 29,4mV.
PROTOCOLO 2
O segundo protocolo estabelecido consiste na repetição dos movimentos M2 e M3 do protocolo anterior, durante 30 segundos. A Figura 55 apresenta o sinal bruto e filtrado, do sinal EMG.
Figura 55 - Sinal EMG bruto (acima) e filtrado (abaixo) para o Protocolo 2
Fonte: Elaborado pela autora
Já a Figura 56, gráfico superior, apresenta o envelope do sinal EMG com as detecções das contrações musculares, e abaixo o sinal filtrado com as respectivas detecções. Para as detecções o limiar foi estabelecido como indicado para o Protocolo 1, porém multiplicado por um fator de 2,35. A modificação foi realizada pois com o mesmo valor do protocolo 1 não foram todos as contrações musculares que foram reconhecidas, porém após a modificação desse fator foi possível detectar todos os movimentos completos, ou seja, os movimentos em que detectou-se o início e o fim, sendo a última contração muscular descartada pois não houve a finalização desta dentro do tempo de 30 segundos estabelecido. Foram detectadas 18 contrações ao longo do experimento.
Figura 56 - Envelope EMG e indicação de detecção do movimento (acima), sinal filtrado com as mesmas indicações (abaixo) para o Protocolo 2
Fonte: Elaborado pela autora
Os índices RMS e FMED são apresentados na Figura 57 e 58 respectivamente. Acrescentou-se uma linha de tendência obtida através de regressão linear. Observa-se que esta linha de tendência não se ajusta adequadamente aos pontos, mas auxilia na verificação de uma tendência no valor RMS aumentar, e do valor de FMED diminuir.
Figura 57- Índice FMED em relação ao tempo, para o Protocolo 2
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 58- - Índice RMS em relação ao tempo, para o Protocolo 2
Fonte: Elaborado pela autora
PROTOCOLO 2 REALIZADO COM PESO
Para o experimento final foi realizado teste similar ao Protocolo 2, porém, neste caso com um objeto de aproximadamente 2 kg, durante 180 segundos. A Figura 59 apresenta o sinal bruto e o sinal filtrado.
Figura 59 - Sinal EMG bruto (acima) e filtrado (abaixo) para o experimento final
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 60 - Identificação de erros de detecção de contração
Fonte: Elaborado pela autora
Para este caso, mesmo com diversos ajustes do valor limiar para detectar os instantes de início e fim do movimento, houveram instantes de detecção incorreta. Foram detectados um total de 182 contrações musculares, sendo que uma analise visual revelou 14 ocorrências de erro de detecção, o que pode impactar nos resultados de obtenção dos índices de interesse. A Figura 60 apresenta um segmento do sinal, próximo ao final do experimento. Percebeu-se que os erros de detecção ocorreram após 50 segundos.
Os índices RMS e FMED são apresentados na Figura 61 e 62 respectivamente. Acrescentou-se uma linha de tendência obtida através de regressão linear. Observa-se que esta linha de tendência não se ajusta adequadamente aos pontos, mas auxilia na verificação de uma tendência no valor RMS aumentar, e do valor de FMED diminuir.
Figura 61- Índice FMED em relação ao tempo, para o experimento final
Fonte: Elaborado pela autora
Figura 62 - Índice RMS em relação ao tempo, para o experimento final
Fonte: Elaborado pela autora
Em relação a FMED, observa-se que os valores acompanham a linha de tendência, porém para o índice RMS, os dados apresentaram-se mais dispersos. Para a FMED, é possível identificar uma tendência de redução ao longo da atividade realizada, contudo esta redução não é tão expressiva, o que pode estar relacionada tanto ao tempo da tarefa executada quanto à tarefa executa em si, sendo necessária, posteriormente, o desenvolvimento das atividades de forma mais controlada.
Comparação de custos com outros dispositivos EMG
O protótipo desenvolvido possui custo estimado de menos de R$ 250,00, tendo os custos de 50 eletrodos e 2 baterias envolvidos nesse valor. (Os valores podem ser visualizado na aba de plano de execução!)
O produto MyoWare Muscle sensor (Figura 64), um módulo EMG que possui um canal de aquisição, possui o custo atual de aproximadamente R$1000,00.
Já o Sensor EMG (Figura 65) apresenta o custo atual de R$ 405,00.
Ambos os produtos não possuem alimentação integrada, sendo utilizadas baterias ou fontes de alimentação.
A maior dificuldade encontrada no desenvolvimento do presente trabalho está associada ao desenvolvimento da PCB. Devido a esta etapa ser realizada de forma artesanal, foram encontradas dificuldades no ajuste e alinhamento do layout da face superior e inferior, sendo realizadas três tentativas até atingir um resultado satisfatório.
Em relação a utilização do divisor de tensão para obter um valor de tensão de referência para o nível médio do sinal, também pode ser encarado como uma dificuldade. O divisor de tensão acompanha as flutuações relacionadas ao nível de tensão da bateria, pois quando a bateria acaba de ser carregada, apresenta uma tensão relativamente maior que a tensão de projeto, o que poderia levar o circuito à saturação.
A utilização das baterias de 3,7V trouxe como efeito a saturação dos amplificadores operacionais a um nível de 2,8V, fazendo com que o diodo zener não seja necessário no circuito. Embora a tensão de saturação seja inferior ao desejado, observa-se que não houve a saturação do sinal EMG nas aquisições realizadas.
Em relação às etapas de processamento de sinal, observa-se que o algoritmo desenvolvido para detectar as contrações musculares de interesse apresentou algumas detecções errôneas no último teste realizado. Será necessário explorar outras alternativas para a detecção das contrações, para que seja viável a obtenção dos índices de interesse.
Modificação de layout: Como trabalhos futuros podem realizadas alterações no layout do circuito desenvolvido no presente trabalho, buscando reduzir o tamanho da PCB, para que esta possa ser fixada no bracelete desenvolvido. Outro ponto que está relacionado à modificação de layout é a questão do ajuste do nível médio, buscando outra alternativa que não seja o divisor de tensão.
Desenvolvimento de EMG Wireless: Em trabalhos futuros podem ser associados ao EMG um microcontrolador para conversão analógico-digital e utilização de um módulo wireless.
Identificação de padrões gestuais: Uma outra vertente que será possível de ser realizada é o estudo relacionado a identificação de padrões para reconhecimento gestual.
Este trabalho apresenta o desenvolvimento de um protótipo EMG de baixo custo e possibilita a aquisição e o posterior processamento do sinal de origem muscular. Através do desenvolvimento de um conjunto de elementos de hardware, como circuito para amplificação, filtros ativos e deslocamento de nível médio, foi implementada uma cadeia de condicionamento para o sinal EMG.
Os resultados obtidos nas aquisições de sinal permitem observar os momentos de contração e relaxamento do músculo em análise. Para testes mais curtos, foi possível identificar a ocorrência da contração muscular através de um algoritmo baseado em um valor limiar, obtido através da média dos valores do operador de energia Teager-Kaiser utilizado no sinal EMG para destacar os instantes onde ocorrem maiores variações no sinal.