IFSC - Campus Itajaí - Curso Superior em Engenharia Elétrica - Projeto Integrador III
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Protótipo de Aquisição de Sinais Mioelétricos (EMG) de Baixo Custo
2021-1
O objetivo geral do projeto é desenvolver um protótipo para aquisição de sinais mioelétricos de baixo custo, para fins didáticos, para viabilizar o estudo e análise do sinal elétrico relacionado ao comportamento da movimentação e da atividade muscular.
Projetar a cadeia de circuitos para o condicionamento do EMG;
Desenvolver placa de circuito impressa contendo os circuitos projetados;
Implementar algoritmos de processamento digital de sinais;
Apresentar gráficos permitindo a visualização do sinal.
Amanda Lisboa Pereira (Discente)
Wilson Valente Júnior (Docente Orientador)
Sinais bioelétricos são sinais de origem biológica produzidos através da interação entre células nervosas ou musculares, gerando campo elétrico capaz de ser medido na superfície da pele de um indivíduo. Como principais exemplos de sinais bioelétricos podem ser citados o eletrocardiograma (ECG), eletroencefalograma (EEG) e o eletromiograma (EMG) (ESCABÍ, 2012).
Figura 1 - Exemplo de Sinal EMG no domínio do tempo
O EMG consiste em um conjunto de técnicas empregadas para medir e monitorar o sinal mioelétrico, proveniente da atividade muscular de um indivíduo (OSSABA; TIGREROS e ORJUELA, 2020). As aplicações do EMG estão relacionadas ao diagnóstico de disfunções musculares; no controle de próteses; análises de lesões musculares e análises estatísticas relacionadas ao desempenho de esportistas (GOEN, TIWARI; 2013). Fora do contexto clínico e reabilitativo, encontra-se na literatura aplicações do EMG em pesquisa e desenvolvimento de controle de dispositivos robóticos, como interface homem-máquina baseados em EMG (PATEL et al, 2020) e aplicações relacionadas ao entretenimento a partir da utilização de dispositivos wearables que atuam como interface de controle de softwares e jogos em computadores (MENDES et al, 2015).
Figura 2 - Exemplos de aplicações do EMG
Para o desenvolvimento de um dispositivo capaz de realizar a aquisição do sinal mioelétrico, permitindo posteriormente a visualização e processamento deste sinal, faz-se necessário uma compreensão acerca de suas principais características. Os valores de tensão pico a pico tipicamente observados estão em entre 0 e 10mV (GOEN, TIWARI; 2013). Quanto à frequência, segundo Ossaba, Tigreros e Orjuela (2020), o sinal supracitado apresenta-se entre 20 e 500 Hz. Goen e Tiwari (2013) indicam que os componentes de maior intensidade do sinal EMG estão entre 50 e 150 Hz.
As baixas amplitudes observadas trazem certos requisitos para o desenvolvimento de um hardware capaz de realizar a aquisição do sinal EMG. Primeiramente, os eletrodos de superfície são utilizados como interface entre a pele e o circuito de condicionamento, posicionados sobre o músculo de interesse para o EMG (PATEL et al, 2020). O circuito de condicionamento é responsável por realizar a adequação do sinal em termos de amplificação do sinal, limite de banda passagem através da utilização de filtros analógicos e adequação do nível médio do sinal (OSSABA; TIGREROS e ORJUELA, 2020). A etapa de amplificação do circuito de condicionamento, deve ser realizada por um amplificador de instrumentação, que possui como principais características alta taxa de rejeição de modo comum (CMRR - Common Mode Rejection Ratio) e alta impedância de entrada (MENDES et al, 2015).
Posteriormente ao condicionamento, o sinal deve passar pela etapa de digitalização através de um dispositivo de aquisição de dados para que seja executada a conversão analógico-digital (ADC) do sinal (MOHAMMED; AHMED; ALAM, 2017). Após a ADC, é possível realizar a etapa de processamento digital de sinal (PDS) possibilitando a análise do EMG. Como técnicas mais frequentes de análise através de PDS, Goen e Tiwari (2013) indicam a obtenção de valores de raiz quadrática média (RMS - Root Mean Square) e média dos valores absolutos (MAV - Mean Absolute Value), as quais podem ser obtidas através de análise no domínio do tempo. Já em relação às análises no domínio da frequência pode ser estimada a densidade espectral de potência e obtenção da frequência mediana do sinal. Os autores citam abordagens mais complexas de PDS como a utilização de análises em tempo-frequência, como por exemplo transformada de Fourier de tempo curto (STFT - Short Time Fourier Transform), a transformada Wavelet, entre outras. Yang et al (2020) realizam em seu trabalho a aplicação de filtros digitais, visando selecionar a faixa de interesse de análise através da aplicação de um filtro passa-bandas, com frequência de corte entre 50 e 500Hz e ainda reduzir os ruídos oriundos da rede elétrica através da utilização de um filtro Notch, com frequência de corte em torno de 60Hz.
A fadiga muscular localizada consiste em um processo de diminuição de desempenho muscular, quando o músculo em análise executa determinada atividade (SANTOS et al, 2008). Esse processo, o qual necessita de uma análise contínua (SILVA, 2018), é frequentemente utilizado para analisar o desempenho de atletas em treinamento e na reabilitação no contexto esportivo, em estudos de biomecânica. Segundo Cifrek et al (2009), o índice RMS no domínio do tempo, e a frequência mediana do espectro de densidade de potência (FMED) do sinal EMG, são índices empregados na análise de fadiga muscular localizada, considerados como métodos clássicos. Quanto a análise dos índices supracitados, segundo Cifrek (2009), observa-se o que o valor RMS apresenta comportamento crescente ao longo, enquanto que a FMED apresenta o comportamento oposto, tendendo a decrescer ao longo tempo (Figura 3).
Figura 3 -Alterações no EMG relacionadas à fadiga muscular
O presente trabalho visa desenvolver um protótipo capaz de realizar a aquisição do sinal EMG e transmiti-lo para um computador, buscando a aplicação de técnicas de processamento digital de sinais, implementadas a partir de software de cálculo numérico. Buscou-se contextualizar a aplicação de processamento digital de sinais com análises relacionadas à fadiga muscular, extraindo os índice RMS e FMED do sinal EMG.
A implementação deste projeto aplica conhecimentos de diversas unidades curriculares do curso de Engenharia Elétrica como Eletrônica Analógica, Instrumentação Eletrônica, Processamento Digital de Sinais, Compatibilidade Eletromagnética e Engenharia Biomédica. O desenvolvimento de um protótipo funcional de aquisição de sinal EMG permite posteriormente o estudo e aplicação de técnicas mais complexas de processamento de sinal como a implementação de algoritmos para extração de características e reconhecimento gestual e ainda no estudo de sistemas de controle baseados no sinal EMG.
Eletrônica
Instrumentação Eletrônica
Processamento Digital de Sinais
Compatibilidade Eletromagnética
Engenharia Biomédica
Entre em contato pelo e-mail eng.eletrica.itj@ifsc.edu.br para saber mais sobre o projeto e sobre nosso curso em Engenharia Elétrica.