O movimento feminista surgiu da necessidade de dar às mulheres os direitos e liberdades que lhes são negados, direitos esses que possibilitam que toda mulher tenha dignidade e uma vida justa por meio da equidade de gênero. Afirmar que homens e mulheres são iguais é um equívoco, ambos nascemos com características específicas de gênero que nos diferenciam biologicamente, em termos de acúmulo de gordura, atividade hormonal, desempenho de atividades físicas, processamento de informações, maturidade sexual, além de diferenças cromossômicas.
Contudo, as diferenças não acabam aqui, homens e mulheres sofrem cobranças sociais, acumulando valores conservadores e patriarcais. Geralmente, tais cobranças reforçam que as mulheres não possuem seu espaço de escolha, enquanto homens são criados para liderar, lutar e conquistar. Já as mulheres são ensinadas a cuidar, manter e preservar.
A ambição é bem vista quando desempenhada pelo gênero masculino, desde muito jovens as mulheres são ensinadas a cuidar de crianças, arrumar a casa e como agradar maridos, enquanto para os meninos é ensinado que eles podem ser aquilo que desejarem. A igualdade de gênero parte da ideia de que somos iguais e por isso merecemos ser tratados como iguais, é fácil compreender que homens e mulheres não partem da mesma “base" com diferenças sociais que as segregam.
Lutar por equidade de gênero é compreender que somos diferentes, nascemos diferentes e fomos criados de maneiras diferentes, não significando que não devemos ser tratados como iguais, pelo contrário, isso assegura que, a partir dessas diferenças as partes desprivilegiadas, merecem o apoio de políticas públicas para mudar o panorama social e proporcionar igualdade de direitos e deveres previstos na Constituição. Inclusive, a equidade de gênero se encontra nos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, inserindo propostas de inclusão de mulheres em diversos segmentos de mercado, como a tecnologia.
Nós mulheres, precisamos ter liberdade para escolher onde queremos estar. Os primeiros passos para as conquistas femininas já foram dados a alguns anos, porém a luta ainda continua! Ainda há muito para se alcançar.
Nesta matéria agrupei algumas afirmações falsas sobre feminismo que vem sendo disseminadas por diversos discursos de ódio, o objetivo é a democratização do acesso à informação e a propagação do conhecimento, pois essa luta é de todos nós:
1.Feministas querem ser superiores aos homens;
Não, feministas não querem ser superiores, como explicado anteriormente a luta feminista é por equidade de gênero, o termo “feminista” é quase sempre confundido com o termo “femista” que definitivamente é diferente. Femistas contemporâneas querem supremacia feminina, se colocando como uma espécie de "machismo reverso".
2.Feministas não podem ser donas de casa;
As feministas lutam para que as mulheres sejam aquilo que quiserem ser, se uma mulher escolhe ser dona de casa, é um direito de escolha.
3.Toda feminista quer abortar;
Não, primeiramente ninguém pensa: vou engravidar porque quero abortar. As feministas lutam pela legalização do aborto até porque mulheres ainda são vistas como simplórios meios de reprodução. O direito à escolha também é escolher continuar uma possível gestação ou não. Se uma feminista grávida decide não abortar, isso não é algo “antifeminista”, crianças merecem pais que as queiram, caso contrário, é preciso dar às mulheres liberdade de escolher.
4.Homens podem ser feministas;
Não, apenas mulheres podem se declarar feministas porque elas dispõem do seu lugar de fala, isso porém não impede que os homens sejam apoiadores do movimento.
5.As mulheres não precisam do feminismo ou não precisam mais;
Graças ao feminismo, as mulheres já conquistaram o direito de votar, devido às Sufragistas, o direito de estudar, trabalhar, de ser um indivíduo independente e muito mais. Entretanto, ainda persistem diversas barreiras, como as diferenças salariais, a cultura do estupro, entre outros que ainda vão demandar anos para serem descontruídos.
6.Feministas não se depilam;
Quem nunca escutou esta frase? Ao ver uma mulher que não atende a esses padrões, a sociedade pode taxá-la como feminista por escolher não seguir o convencional método. Se depilar ou não, também é uma escolha!
7.Feminismo e machismo são opostos;
Não, o feminismo busca igualdade, enquanto o machismo busca a supremacia masculina. Ninguém é melhor que ninguém! Ideais femistas e machistas jamais vão construir uma sociedade justa.
8.Feminismo é mimimi;
Inclusive muitas outras lutas sociais são vistas como besteiras e reclamações sem fundamento. É muito comum escutar o termo “Femimi” dentro dos discursos de ódio envolvendo o assunto, se referindo ao mesmo significado errôneo do que seja o feminismo.
9.Toda feminista é lésbica;
Isso vem da necessidade da cultura machista insistir que feministas odeiam ou simplesmente não gostam de homens, o que não procede. Toda mulher merece ter seu direito de escolha, inclusive se tratando de orientação sexual e o feminismo assegura isso, mas não define o que uma mulher deve ou não escolher.
10.O feminismo mata;
Por fim, vamos provavelmente, à pior das afirmações. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídio, além disso, pesquisas mundiais da Gallup de 2018 e da Equal Measures 2030, apontam que o Brasil é o 2º país mais perigoso do mundo para que mulheres viajem sozinhas. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública ainda diz que uma mulher é estuprada a cada 11 minutos em nosso país.
As mulheres não são privilegiadas, todos os dias milhares de mulheres sofrem machismo, são assediadas, estupradas e mortas. Este não é o mundo em que o feminismo não se faz necessário! Ao contrário do machismo, o feminismo se coloca no lugar de apoio às vítimas e luta contra as violências, então não, o feminismo não mata.