É de grande discussão em meio à literatura sobre reformulações urbanas, o objetivo concreto propiciado por essas reformas, bem como, a quem elas se destinam e quais os impactos positivos e negativos que causam. Seria muito bom se as reformas urbanas seguissem ao menos um por cento do que a literatura nos recomenda, que é, pensar a cidade para todos e por todos. Esse é um dos preceitos que deveriam ser seguidos quando estamos lidando com vidas urbanas. Infelizmente, o que podemos ver hoje em dia é, nada mais nada menos, do que grandes reformas que visam lucros e poderes para o estado e elites, em oposição real ao benefício da população. A grande especulação imobiliária fez das cidades grandes canteiros de obras a céu aberto e que por sua vez, fogem totalmente do que o próprio estatuto da cidade diz e garante: a cidade é um direito de todos.
Viemos e somos frutos de uma grande exploração, que sempre visou interesses das elites. Hoje em dia, é muito comum encontrar grandes comunidades que se formam por um único objetivo – abrigo. Consequentemente, acabam formando bairros, vilas e até mesmo cidades que sofrem com a falta de infraestrutura adequada para sobrevivência mínima. Por um lado, existe a ausência do estado em não garantir moradia segura e adequada a todos e, por outro, existe o desamparo dos que carecem desse serviço básico e que, por um ato de desespero em ver suas famílias ao relento, expostas ao frio e à fome, sem um lugar seguro e salubre para viver, acabam se instalando em áreas de fragilidade ambiental. Consequência disso, são as derrubadas que por muitas vezes se dão de forma truculenta e desumana por parte de quem deveria proteger e cuidar da população, deixando ainda mais ao relento aqueles que apenas buscam seus direitos básicos.
Diante disso, pensar e repensar a cidade para todos e por todos não é somente um ato cível, mas sim um ato de humanidade, empatia e solidariedade. Reformas urbanas deveriam ser levadas mais a sério, pois toda e qualquer cidade, por mais nova que seja, possui uma história e sempre fará parte do todo. É como diz o ditado - histórias sempre irão existir para que no futuro possa existir um passado, e é nosso dever, enquanto sociedade e comunidade, cuidar para que esse futuro e o passado sejam o mais consciente possível.
Escrito por Hiagson Souza, Estudante do Curso Técnico Subsequente em Edificações.
Corrigido e postado por Otaviano Sousa.