O que te inspira a ser melhor?
Por Karen Reis - 20/08/2021
No Japão existe a palavra "IKIGAI", que significa "Razão de viver". Há várias teorias sobre a origem dessa palavra e, de acordo com a população, todos têm seu Ikigai e descobrir essa dádiva requer buscas intensas.
Para encontrar seu Ikigai é necessário ter um autoconhecimento profundo e saber mensurar todas as contribuições que uma pessoa recebeu em vida. O propósito de cada um é descoberto após uma colocação diagramática baseada naquilo que a pessoa ama fazer, naquilo que ela faz bem, naquilo que ela é paga pra fazer e naquilo que o mundo precisa que seja feito. A interseção entre o que se ama fazer e o que se é bom determina sua paixão na vida. Por sua vez, a interseção entre o que você é bom e o que você é pago pra fazer é a sua profissão. Entre aquilo que o mundo precisa e aquilo que você é pago pra fazer se encontra a vocação e, por fim, o espaço entre o que o mundo precisa e o que você ama fazer determina a sua missão de vida, sendo o Ikigai o centro cósmico desse processo.
De acordo com os japoneses, o equilíbrio presente em uma vida significativa, plena, produtiva e agradável está exatamente na busca pelas paixões, talentos, missões, profissões e missões. Isso entrega a eles uma oportunidade de descobrir qual é a razão para que cada um seja exatamente quem é, já que ser essa pessoa implica em ter um objetivo prazeroso e uma força motriz que dá sentido à existência.
Mandala Ikigai, retirada do site <protagonizecursos.com.br>
De acordo com José Ortega y Gasset, a razão de viver de nós todos é única e particular de cada um. Por sua vez, o filósofo Epicuro, criador da "Escola da felicidade", dizia que o equilíbrio e a temperança dão origem à felicidade. Já Aristóteles via a felicidade como o maior desejo da humanidade, e ensinava que esse sentimento sempre foi uma grande jornada de desbravamento. Muitos estudiosos, ainda hoje, se dedicam a pesquisar o porquê de as pessoas serem felizes ou não, fazendo seja lá o que fazem todos os dias.
Todavia, a ciência pensa diferente, como sugere Enrique Tamés, professor da Universidade da Carolina do Norte e diretor do Institute of Wellbeing and Happiness do Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey. Segundo o autor, “durante 1000 anos, os homens sobreviveram não porque estavam atentos ao prazer, mas porque estavam atentos ao perigo. O ser humano foi desenhado geneticamente para ver perigo em tudo e prestar atenção nele. É por isso que temos o noticiário sempre cheio de notícias ruins, de desastres”. E complementa dizendo: “Nossa natureza, ainda que tenhamos uma vida boa, diz que precisamos ter preocupações”. Dessa forma, a busca por bem-estar é por vezes subjugada e em algumas culturas, em especial a ocidental, é pouco relevante, quando deveríamos aprender a viver e não apenas a sobreviver para dar sentido à nossa existência.
No fundo o que aprendemos com isso é que a felicidade, ou a nossa grande busca por uma razão, como sugere Slavoj Zizek, é uma questão de opinião e não de verdade. Essa perspectiva se mescla à ideia de Nietzsche, que defendia que a razão é um espírito de luta contra todos os obstáculos que restringem a liberdade e a autoafirmação, superando-se e aprendendo a viver de formas diferentes todos os dias.
O filme "A sociedade dos poetas mortos¨ mostrou que a medicina, lei, negócios e engenharia são ocupações nobres para manter a vida. Mas a poesia, beleza, romance e amor são razões para ficar vivo", então a reflexão que fica aqui é a seguinte: "O que te faz existir longe da sua biologia?"