A Máscara da Morte Escarlate é um conto redigido por Edgar Allan Poe (1809-1849), um romancista estadunidense conhecido pela dramaticidade e pelos temas lúgubres abordados em seus contos e poemas, sendo consagrado como o pioneiro de obras policiais. A história apresenta um cenário totalmente catastrófico, marcado por uma pandemia denominada como “Morte Vermelha”, que exterminou toda a nação. Vermelho escarlate e o horror eram os emblemas dessa misteriosa doença. Edgar Allan Poe descreveu os sintomas dessa peste da seguinte maneira:
“Eram dores agudas, uma vertigem súbita e, depois, um profuso sangrar por todos os poros e a dissolução. As manchas escarlates no corpo e sobretudo no rosto da vítima eram a bandeira da peste que afastava todo o auxílio e simpatia. E o começo, progresso e fim da doença não duravam mais de meia hora.” (Allan Poe, 1842)
Cena da animação Extraordinary Tales, dirigido por Raul Garcia, EUA, 2015.
O personagem principal, Próspero, era um príncipe feliz, intrépido e sagaz. Quando as redondezas começaram a despovoar, o duque decidiu isolar-se em uma de suas abadias com um milhar de amigos, selecionados entre cavalheiros e damas da corte, todos sadios e bem-dispostos. A estrutura do edifício era segura o suficiente para evitar a entrada de qualquer pessoa. A abadia era cercada por uma muralha alta e espessa, e também foram erguidas barricadas contra os súbitos impulsos do desespero exterior. Além de segura, a estrutura era exuberante.
Após meses isolado do mundo e vivendo em um ambiente luxuoso, saudável e rico, Próspero decidiu dar um baile de máscaras, enquanto o mundo exterior da abadia ainda era marcado pela míngua e pela doença. “O príncipe providenciara para que não faltassem os meios do prazer. Havia bobos, pantomineiros, bailarinos, músicos, havia a Beleza, havia vinho. Dentro dos muros havia tudo isto e a segurança. Lá fora havia a Morte Vermelha.”(Allan Poe, 1842)
No meio do divertimento do baile de máscaras, surgiu a morte, uma figura grande e descarnada, gerando burburinhos de desaprovação, surpresa, horror e nojo. Aos poucos a personagem inevitável e imparcial, a morte, foi matando cada um dos convidados sadios e afortunados, até mesmo o abastado Príncipe.
Cena da animação Extraordinary Tales, dirigido por Raul Garcia, EUA, 2015.
Evidentemente, é possível fazer uma analogia entre o conto, o sistema aristocrático feudal, as diversas epidemias da Idade Média e a política atual brasileira, visto que as camadas mais pobres são as que mais sofrem quando a sociedade padece pela fome, pobreza extrema, ignorância sociopolítica e, principalmente, pela indiferença do poder público. A convergência entre o príncipe Próspero e muitos poderosos é notória, se levarmos em consideração a Pandemia do Coronavírus que, infelizmente, tem tornado o terror fictício cada vez mais próximo da realidade.