Aldemar Araujo Castro
@aldemararaujo
Criação: 14/07/2025
Atualização: 17/07/2025
URL: https://bit.ly/ia-sonhos
Palavras: 3361
Tempo de leitura estimado: 15 a 17 minutos
RESUMO
Na mesa redonda sobre Inteligência Artificial (IA) no ensino superior, o professor Aldemar Araújo Castro apresenta a IA como ferramenta pedagógica transformadora. Ele destaca 15 características ideais que os docentes desejam ver nos alunos — como escrita clara, autonomia, pensamento crítico e protagonismo acadêmico — e defende que a IA pode ajudar a desenvolvê-las. Além disso, mostra como a IA já é essencial na pesquisa, extensão e empreendedorismo. Por fim, provoca os docentes a reinventarem sua prática, questionando o que ainda fazem que a IA já faz melhor, e como usá-la para formar os alunos que sempre sonharam.
Participo da docência em instituições de ensino superior há mais de duas décadas. Nesse tempo, acompanhei de perto várias promessas de inovação que entraram e saíram da sala de aula — lousa digital, AVAs, tablets, metodologias ativas, entre outras. Muitas dessas inovações tecnológicas exigiram alto investimento e resultaram em pouco impacto na transformação real da aprendizagem. Porém, algo diferente aconteceu quando me deparei com os primeiros resultados práticos da Inteligência Artificial Generativa aplicada à educação.
A primeira vez que experimentei o ChatGPT foi em um contexto trivial: pedi sugestões para um plano de aula. Em segundos, recebi um esboço útil, coeso e surpreendentemente próximo do que eu mesmo elaboraria. Aquilo não era uma simples ferramenta de apoio. Era uma virada de chave. Percebi que eu estava diante de uma tecnologia com potencial de transformar radicalmente não só o jeito de ensinar — mas o tipo de aluno que formamos.
Desde então, venho estudando, testando e aplicando IAs em sala de aula, na pesquisa, na extensão e no apoio ao empreendedorismo acadêmico. Essa experiência prática, associada às inquietações de colegas e às reações dos alunos, me levou à seguinte convicção: a IA generativa pode ser a ferramenta que, pela primeira vez, nos permite formar os alunos que sempre sonhamos — críticos, autônomos, produtivos e inovadores.
Este capítulo nasceu de uma mesa redonda intitulada “Inteligência Artificial no Ensino Superior: Desafios e Oportunidades para a Prática Docente”, realizada em julho de 2025. Na ocasião, fui convidado a apresentar o tema “A Inteligência Artificial como Ferramenta Pedagógica: Estratégias de Ensino Inovadoras no Ensino Superior”. O que compartilho a seguir é uma reflexão ampliada daquela apresentação, com base em experiências reais e fundamentada por autores que têm contribuído para este novo campo.
A proposta aqui não é técnica. É formativa e provocadora. Minha intenção é compartilhar uma visão prática e possível do uso da IA para potencializar o que mais desejamos na educação: formar pessoas com pensamento crítico, competência comunicativa, compromisso ético e iniciativa transformadora.
Como afirma Selwyn (2023), “a questão não é se a IA vai transformar a educação, mas como iremos moldar essa transformação a partir de nossos valores educacionais” (Selwyn, 2023).
Antes de qualquer tecnologia, ferramenta ou metodologia, todo educador carrega dentro de si uma expectativa silenciosa: a de formar alunos que vão além do conteúdo. Ao longo da minha trajetória docente, percebi que, por mais que variem os currículos, disciplinas e públicos, essa lista de desejos se repete entre colegas. Ao organizar essa percepção, identifiquei 15 características que representam o tipo de aluno que sempre sonhamos em ver crescer sob nossa orientação:
Expressam ideias com clareza, coesão e argumentação sólida — habilidades essenciais para a vida acadêmica e profissional (Kellogg, 2008).
Gerenciam melhor o tempo e produzem com propósito, transformando esforço em resultados relevantes (Covey, 2004).
Questionam, analisam e propõem; não aceitam passivamente o que é apresentado (Facione, 2022).
São capazes de estudar, decidir e resolver problemas por conta própria, reduzindo a dependência do professor (Zimmerman, 2002).
Provocam novas discussões, aprofundam os temas e desafiam o senso comum (Rothstein, 2011).
Encaram o aprendizado como um processo permanente, além das provas e da sala de aula (Czerkawski, 2016).
Têm senso de autoria e responsabilidade, compreendendo que escrever é reescrever (Flower, 1981).
Utilizam fontes confiáveis e dados para sustentar ideias, desenvolvendo o pensamento científico (Booth, 2016).
Sabem ouvir, propor e construir juntos, valorizando o coletivo (Dillenbourg, 1999).
Comunicam-se de forma estruturada, objetiva e adaptada ao público (Duarte, 2010).
Transitam entre texto, imagem, vídeo e código, comunicando-se em diferentes formatos (Kress, 2003).
Respeitam direitos autorais, evitam plágio e fazem uso consciente da tecnologia (Bretag, 2013).
Aplicam o que aprendem em contextos reais, percebendo o sentido do saber (Kolb, 2014).
Têm coragem de experimentar, errar, ajustar e propor soluções criativas (Robinson, 2011).
Definem objetivos, temas e estratégias, assumindo responsabilidade pela própria formação (Barnett, 2005).
Essas características não nasceram com a chegada da Inteligência Artificial. Elas já existiam como ideais antes de qualquer algoritmo. O que muda agora é que, pela primeira vez, temos uma ferramenta com real potencial de facilitar o desenvolvimento de todas essas competências de forma integrada — se soubermos usá-la com intencionalidade e ética. As 15 características dos professores estão no anexo.
Em muitas salas de aula, ainda discutimos se devemos permitir o uso de Inteligência Artificial. A realidade, porém, é mais incômoda: ela já está educando — com ou sem nossa mediação. Os alunos a utilizam espontaneamente para redigir textos, revisar trabalhos, estudar para provas, criar apresentações, gerar códigos e muito mais. E não apenas os mais avançados. A popularização de ferramentas como o ChatGPT, o Gemini (ex-Bard) e o Copilot democratizou o acesso a assistentes com aparência de “inteligência”.
Quando interagimos com um sistema de IA generativa, a sensação é de estarmos conversando com alguém que nos entende — que responde, sugere, orienta e até corrige. Isso ocorre porque esses sistemas foram treinados para simular padrões de linguagem humana com alto grau de fluidez e adaptabilidade (OpenAI, 2023). O impacto disso na educação é direto: a IA tornou-se o primeiro “mentor digital” amplamente acessível da história.
Para muitos alunos, especialmente os mais tímidos, inseguros ou cansados, a IA representa segurança: ela não julga, responde rápido, está sempre disponível. Isso faz com que ela seja usada em momentos em que o professor não está presente — ou quando o aluno não se sente confortável em pedir ajuda a alguém real. Em outras palavras, a IA está preenchendo lacunas que muitas vezes deixamos abertas na relação pedagógica.
Essa constatação é inquietante. Estamos sendo superados? Talvez não — mas, com certeza, estamos sendo desafiados a repensar nosso papel.
Se o aluno aprende mais, com mais rapidez, praticidade e personalização usando uma IA do que assistindo a uma aula expositiva tradicional, a responsabilidade sobre a transformação da prática docente passa a ser urgente. Como destaca Williamson (2022), “a educação precisa assumir a liderança sobre o uso da IA antes que as plataformas o façam” (Williamson, 2022).
Portanto, a questão não é se vamos usar a IA, mas como vamos participar ativamente da aprendizagem que ela já está promovendo. Ignorá-la ou proibi-la nos exclui do processo de ensino-aprendizagem que está acontecendo em tempo real, todos os dias, nos bastidores da vida acadêmica.
A IA generativa não é apenas uma tecnologia que impressiona. Ela já se consolidou como ferramenta prática de apoio ao ensino, à aprendizagem e à formação cidadã. O verdadeiro impacto se revela quando a utilizamos nas dimensões mais estruturantes da educação superior: a pesquisa, a extensão e o empreendedorismo acadêmico.
Em todas essas frentes, a IA se comporta como um tutor incansável, um revisor rigoroso, um planejador ágil e um parceiro criativo. O que antes era privilégio de quem tinha tempo, orientação individualizada ou acesso a boas bibliotecas, hoje está a poucos cliques de qualquer estudante conectado.
Abaixo, compartilho como venho utilizando — e observando alunos utilizarem — a IA para aprimorar projetos, acelerar aprendizados e estimular protagonismo em três áreas-chave:
Se antes formular uma pergunta de pesquisa, revisar literatura e redigir um projeto de pesquisa, depois redigir o relatório final e o artigo original eram desafios gigantes, hoje esses processos se tornam mais acessíveis com o apoio da IA.
Com o ChatGPT, por exemplo, meus alunos já conseguem:
Desenvolver a ideia brilhante (pergunta de pesquisa, hipótese, objetivo e título) e da pesquisa;
Criar um resumo estruturado (plano de intenção) do projetos de pesquisa;
Revisar a literatura de forma objetiva e rápida;
E todos os passos do planejamento, da execução e da divulgação da pesquisa.
Além disso, ferramentas como Scite.ai e Consensus.app ajudam a encontrar artigos com velocidade e contextualização. Isso permite que o aluno acesse literatura confiável sem cair em armadilhas do Google ou de PDFs aleatórios.
“A IA tem potencial para democratizar o acesso à prática científica”, destaca Rose Luckin, professora da University College London (Luckin, 2018).
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Projetos de extensão exigem clareza, empatia e linguagem adequada ao público. A IA tem contribuído em:
Adaptação de textos para diferentes níveis de letramento;
Geração de materiais de divulgação (folhetos, roteiros, apresentações);
Revisão de propostas de projetos conforme editais;
Apoio na escrita de formulários e relatórios institucionais.
A IA generativa pode traduzir conteúdos para línguas indígenas, gerar FAQs acessíveis para comunidades de baixa escolaridade e criar vídeos de conscientização com roteiro, narração e legendas automáticas.
Ao automatizar tarefas operacionais, a IA libera mais tempo para a escuta e o diálogo com a comunidade — essência da extensão universitária.
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Em um contexto de inovação crescente nas universidades, a IA tem se revelado aliada estratégica do empreendedorismo estudantil. Com ela, é possível:
Auxiliar em todos os momentos da ideação;
Criar MVPs (produtos viáveis mínimos) simulados;
Gerar modelos de negócio com base no Business Model Canvas;
Escrever pitchs de apresentação com diferentes durações e níveis de formalidade;
Criar apresentações visuais (em PowerPoint ou Canva) com base em roteiros previamente discutidos;
Desenvolvimentos de patentes.
Plataformas como Beautiful.ai, Tome e Gamma.app potencializam a criação de narrativas visuais profissionais, mesmo para alunos que nunca fizeram um pitch na vida.
O tempo entre uma ideia e a sua primeira apresentação caiu de semanas para horas. E isso muda tudo.
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Esses exemplos mostram que a IA está deixando de ser uma “ameaça” para se tornar uma ponte entre o que o aluno deseja fazer e o que realmente consegue entregar. E ela faz isso com velocidade, qualidade e personalização.
“O potencial pedagógico da IA não está em substituir o docente, mas em expandir suas possibilidades de mediação” (Holmes, 2022).
Uma das perguntas que mais escuto nos corredores e eventos acadêmicos é: “A Inteligência Artificial vai substituir os professores?”
Minha resposta é simples: não — mas pode torná-los irrelevantes.
A irrelevância, neste caso, não é um destino trágico ou repentino. Ela acontece quando o docente insiste em repetir fórmulas que já não produzem engajamento, nem resultados. A aula expositiva que ignora o contexto, o aluno que apenas “copia e cola” sem autoria, a avaliação que mede memorização e não raciocínio — tudo isso se torna obsoleto quando o aluno tem uma IA que explica, corrige, exemplifica e sugere.
Em outras palavras: não se trata mais de competir com a IA, mas de ensinar com ela.
A IA automatiza tarefas, mas não ensina a “aprender”. Esse é o espaço vital do professor. O educador da era da IA precisa assumir funções que nenhuma máquina desempenha bem:
Curador de fontes e ferramentas
Mediador de dilemas éticos e epistemológicos
Facilitador de processos reflexivos e colaborativos
Modelo de pensamento crítico e argumentação fundamentada
Construtor de ambientes de aprendizagem significativos e desafiadores
Essa mudança exige mais do que novas técnicas. Exige uma reinvenção da identidade docente. Deixamos de ser guardiões do saber para sermos guias de travessias intelectuais. O conteúdo está disponível. O que falta é o olhar crítico, a mediação pedagógica, a intencionalidade formativa.
“Ensinar é uma forma de interrupção: é o gesto de apresentar o mundo como algo que pode ser interrogado, transformado, compartilhado” (Biesta, 2010). A IA pode responder bem. Mas ela ainda não pergunta de forma significativa. Isso é tarefa nossa.
Essa reinvenção passa por pelo menos três perguntas que costumo fazer a mim mesmo (e a colegas) sempre que planejo uma disciplina:
O que da minha prática docente hoje precisa ser reinventada com IA?
Não basta “adicionar IA” à aula. É preciso redesenhar os objetivos, as estratégias e os critérios de avaliação à luz da nova realidade.
O que eu ainda faço que a IA já faz melhor?
Deixar de corrigir textos repetitivos para orientar projetos criativos pode ser libertador — e mais impactante para o aluno.
Como posso usar a IA para formar os alunos que sempre sonhei?
Em vez de combater a tecnologia, podemos usá-la como ferramenta para desenvolver autonomia, ética, criatividade e criticidade.
A docência, como prática intelectual e relacional, nunca foi tão desafiadora — e tão necessária. Temos nas mãos uma tecnologia com poder imenso. Cabe a nós decidir se seremos reativos ou transformadores.
Formar alunos que escrevem bem, pensam com profundidade, questionam com coragem, agem com ética e aprendem com autonomia sempre foi um ideal — mas raramente tivemos ferramentas para tornar esse sonho viável em larga escala. A chegada da Inteligência Artificial generativa, quando usada com criticidade, intencionalidade e ética, traz esse sonho para o plano do possível.
Neste capítulo, argumentei que:
A IA já está educando, quer queiramos ou não;
Ela pode ser usada como aliada da pesquisa, da extensão e do empreendedorismo acadêmico;
Cabe ao professor assumir uma nova função: menos transmissor, mais mentor;
E que o mais urgente não é a integração técnica, mas a reformulação pedagógica da nossa atuação.
A lista de 15 características do aluno ideal não é futurista — ela é realizável com apoio da IA, desde que tenhamos clareza sobre o que queremos formar. O desafio está em não transferir para a IA aquilo que continua sendo nossa missão: formar cidadãos, não apenas solucionadores de problemas.
Como sintetiza Andreas Schleicher, diretor da OCDE:
“A IA não substituirá os professores. Mas os professores que usam IA vão substituir aqueles que não usam” (Schleicher, 2019).
Fecho este capítulo com as três perguntas que me acompanham como professor neste novo tempo. Elas não são retóricas — são guias de reinvenção:
O que da minha prática docente precisa ser reinventada com IA?
O que eu ainda faço que a IA já faz melhor?
Como posso usar a IA para formar os alunos que sempre sonhei?
Se conseguirmos responder a essas perguntas com coragem e criatividade, então não só a IA, mas a educação como um todo, poderá finalmente alcançar sua melhor versão.
REFERÊNCIAS
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Schleicher A. The Future of Education and Skills: Education 2030. OECD; 2019. Available from: https://www.oecd.org/education/2030-project/
ANEXO
Um professor que deseja alunos que escrevam bem precisa primeiro ensinar com clareza — com estruturas compreensíveis e linguagem precisa.
Para formar alunos produtivos, o docente precisa planejar aulas com propósito, evitando dispersões e focando em resultados de aprendizagem.
Professores que apenas repetem o livro não inspiram pensamento crítico. É preciso problematizar o conteúdo com coragem e profundidade.
Um bom professor não é quem responde tudo — é quem ensina a buscar, provoca e gradualmente transfere a responsabilidade ao aluno.
Alunos só farão boas perguntas se sentirem que elas são valorizadas. O professor precisa cultivar um ambiente onde questionar é bem-vindo.
Professores que não param de aprender servem como modelo vivo de aprendizagem ativa e permanente.
Se queremos alunos que revisam seus textos, o professor precisa ir além do “certo ou errado” e ensinar a reescrever, argumentar e melhorar.
Para formar alunos que argumentam com base em dados, o professor precisa usar fontes confiáveis, citar pesquisas e estimular a dúvida fundamentada.
Professores isolados formam alunos isolados. Um docente que coopera com colegas, com alunos e com a comunidade ensina isso pelo exemplo.
Para ensinar alunos a se expressarem bem, o professor deve cuidar de sua comunicação em todos os níveis: fala, escuta, slides, corpo.
Professores que dominam diferentes linguagens (texto, imagem, código, som) mostram aos alunos que comunicar-se bem vai além da gramática.
Para ensinar ética e originalidade, o professor precisa ser modelo de integridade, dar os devidos créditos, e enfrentar o plágio com educação.
Professores que conhecem os desafios da vida real fazem pontes entre teoria e prática, mostrando onde o conhecimento se aplica.
Se queremos alunos que inovem, o professor precisa experimentar, errar em público e aprender junto, com humildade e alegria.
Nenhuma tecnologia substitui isso: um professor que acredita no crescimento dos seus alunos transforma mais do que qualquer ferramenta.
Essas características não são obrigatórias, mas são ideais a serem cultivadas com intencionalidade. A IA pode ajudar — mas só professores humanos podem formar humanos completos.
📌 Nota sobre a origem deste capítulo
Este capítulo é resultado da transcrição e ampliação da apresentação do prof. Aldemar Araujo realizada durante a mesa redonda intitulada “Inteligência Artificial no Ensino Superior: Desafios e Oportunidades para a Prática Docente”, ocorrida no dia 10 de julho de 2025, das 19h00 às 21h30, como parte da programação da 10ª Semana Pedagógica da UNCISAL – Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas. A mesa-redonda, realizada em formato online, teve como tema geral: “Formação Docente no Ensino Superior – Entre Saberes, Práticas e Tecnologias”, contou com a participação dos professores Aldemar Araújo Castro, Daniel Gomes de Mello Farias e Evandro Costa. A íntegra da apresentação original foi expandida neste capítulo com comentários, referências científicas e reflexões pedagógicas adicionais.