(1936 - 2005)
Médico. Membro activo dos Democratas de Braga na resistência à ditadura. Membro da 1ª Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Braga. Eleito pela APU membro da Assembleia Municipal de Braga.
Manuel Bento da Rocha Peixoto, natural da freguesia de S. João Baptista, Ponte da Barca (04-02-1936), filho de pai homónimo e Laura da Silva Ribeiro da Rocha Peixoto, foi uma personalidade marcante da vida pública bracarense, designadamente no exercício da Medicina, no Hospital de S. Marcos – desde inícios de 1970 – e num consultório privado, ao cimo da Avenida da Liberdade, a que afluíam pacientes de todas as classes sociais pelo prestígio profissional de que disfrutava. Os mais pobres encontravam nele o ser humano que nunca se curvou a qualquer fadiga da generosidade. Por isso, numa homenagem devida, dá hoje o nome (por acção do Dr. Henrique Botelho), à principal USF do concelho, sita na Colina de Maximinos.
Filho de um psiquiatra de relevo, neto de avó farmacêutica, cedo demonstrou, em harmonia, o gosto pela profissão e uma invulgar consciência social dos meios donde lhe chegavam os doentes. Isso fez dele, desde cedo, uma figura oposta à indiferença, empenhada numa metamorfose do contexto político do país.
Casado (18-11-1967) com Lúcia Maria Ferreira Manso Ribeiro da Rocha Peixoto, foi pai de duas filhas, Paula Alexandra e Maria Isabel, associando numa relação sem crispações as vidas familiar e gregária, exercida também nos convívios de cafés situados perto da residência, então na Rua da Restauração, aí animando tertúlias que prolongavam uma actividade lúdica, cultural, afectiva e opcionalmente anti-fascista que vinha dos tempos de estudante do Ensino Superior (Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde concluiu a formação /26.01.1963/, depositária da sua ousada Dissertação de Licenciatura – Testes Factoriais em Psiquiatria).
Exercendo o que, até ao último quartel de novecentos e nos inícios do século em curso se designava Clínica Geral, foi sempre amplamente reconhecido pela invulgar multiplicidade dos saberes, por uma relação holística com os doentes, pelo aprumo ético dos seus actos, não raro granjeando-lhes memórias qua ainda perduram. A aura adquirida apenas acentuava a cordialidade do seu trato nas circunstâncias comunitárias. Daí a influência que teve na consolidação dos ideais de liberdade e da democracia, na luta contra Salazar e Caetano como na construção de Abril, junto de quantos o procuraram e prezavam.
Integrou a organização designada Democratas de Braga, mantendo, como apanágio dela, um diálogo sem névoas com outros membros da Oposição plural, a dos Católicos Progressistas desde logo, com destaque para o amigo António Sousa Fernandes, padre e universitário que viria a ser Presidente da Assembleia Municipal de Braga. A esta pertenceu Manuel Rocha Peixoto, com destacadas personalidades, pelo PCP no grupo da CDU.
Tendo integrado a 1a Comissão Administrativa da Câmara de Braga (1974), liderada por Benjamim Cardoso, integrou as listas (APU) de candidatos à autarquia depois, por exemplo em 1979. Viria, entretanto, a ser distinguido por diferentes instituições: Rotary Clube de Braga, Município – Medalha de Grau Ouro -, Galardões Nossa Terra (a título póstumo), Partido Comunista Português, numa iniciativa plural de forte envergadura. No 10 de Junho de 1990 foi condecorado com a Ordem da Liberdade.
Em 19.03.1992 foi vítima de um Acidente Vascular Cerebral que, prematuramente, pôs termo à sua presença, a tantos níveis singular e pioneira, na terra cujos dias como poucos enriqueceu e mantém para com ele uma dívida não saldada. Faleceu em 25 de Setembro de 2005. E permanece, nas luzes de uma vida intensamente solidária, uma saudade entre quantos o conheceram e, pela memória oral, o (re)encontram como figura referencial.
José Manuel Mendes