11/03/2024 - Por
O queloide é uma resposta cicatricial anormal caracterizada pelo crescimento excessivo de tecido fibroso além dos limites da lesão original. Diferente das cicatrizes normais, que passam por um processo de remodelação, os queloides continuam a crescer de forma desordenada, resultando em lesões espessas, endurecidas e, muitas vezes, dolorosas ou pruriginosas (KREISNER; OLIVEIRA; WEISMANN, 2005).
O desenvolvimento do queloide está relacionado a uma resposta exacerbada do organismo ao processo de cicatrização. Esse fenômeno envolve uma produção descontrolada de colágeno e outras proteínas da matriz extracelular, além de fatores inflamatórios persistentes que dificultam a remodelação normal da cicatriz (TIVERON et al., 2018).
Diversos fatores podem contribuir para a formação de queloides, incluindo:
Predisposição genética – Indivíduos com histórico familiar de queloides têm maior probabilidade de desenvolvê-los (HUANG et al., 2013).
Idade – Pessoas jovens, especialmente entre 10 e 30 anos, apresentam maior incidência de queloides devido à atividade elevada dos fibroblastos (SHIRAKAMI; YAMAKAWA; HAYASHIDA, 2020).
Cor da pele – Indivíduos com pele mais pigmentada, como afrodescendentes e asiáticos, têm maior risco (CORREIA-SÁ et al., 2017).
Localização da cirurgia – Áreas como tórax, ombros, lóbulos da orelha e articulações são mais propensas a desenvolver queloides (METSAVAHT, 2016).
Tensão na cicatriz – Cicatrizes que sofrem grande tração mecânica tendem a desenvolver queloides (FREIRE et al., 2022).
Processos inflamatórios prolongados – Infecções, inflamações e traumas repetidos na cicatriz aumentam o risco de formação de queloides (DE ANDRADE RIBEIRO et al., 2020).
Má alimentação – Deficiências nutricionais podem comprometer a regeneração tecidual e aumentar o risco de cicatrização anormal (DE ALFAIA; PANTOJA, 2022).
A prevenção de queloides envolve uma série de cuidados antes, durante e após o procedimento cirúrgico:
Técnicas cirúrgicas adequadas – O cirurgião deve minimizar a tensão sobre a pele e realizar suturas que reduzam o risco de cicatrizes hipertróficas (METSAVAHT, 2016).
Uso de curativos e fitas de silicone – Esses materiais ajudam a reduzir a tensão e a hidratar a pele, prevenindo a formação de queloides (SHIRAKAMI; YAMAKAWA; HAYASHIDA, 2020).
Evitar exposição solar – A radiação UV pode agravar a inflamação e intensificar a pigmentação da cicatriz (HUANG et al., 2013).
Manutenção de uma boa nutrição – A ingestão adequada de proteínas, vitaminas (A, C, E, D), minerais (zinco, selênio), substâncias bioativas e antioxidantes contribuem para um processo cicatricial mais eficiente (DE ANDRADE RIBEIRO et al., 2020).
Saúde intestinal e destoxificação – A integridade do intestino e o uso de substâncias desintoxicantes podem melhorar a absorção de nutrientes essenciais para a regeneração celular (DE ALFAIA; PANTOJA, 2022).
Uso de substâncias anti-inflamatórias e antioxidantes – Alimentos e suplementos que contenham compostos anti-inflamatórios naturais podem modular a resposta imunológica e reduzir o risco de cicatrização anormal (RIBEIRO FILHO, 2019).
Evitar tabaco, álcool e drogas – Essas substâncias comprometem a oxigenação dos tecidos e prejudicam a cicatrização (FREIRE et al., 2022).
O queloide é uma complicação cicatricial que pode causar desconforto estético e funcional. A sua prevenção exige um conjunto de estratégias que vão desde a técnica cirúrgica até cuidados pós-operatórios específicos, incluindo uma nutrição adequada para potencializar a regeneração tecidual. Pacientes com maior risco de desenvolver queloides devem buscar orientação profissional para adotar medidas preventivas eficazes.
ANTUNES, Marcele Melgarejo; DOMINGUES, Carla Agne. As principais alterações posturais em decorrência das cicatrizes de cirurgias plásticas. ConScientiae saúde, v. 7, n. 4, p. 509-518, 2008.
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DE ALFAIA, Loreny Santos da Costa; PANTOJA, Mauro de Souza. Suporte nutricional na cicatrização de feridas crônicas. São Luís: Editora Pascal, p. 66, 2022.
DE ANDRADE RIBEIRO, Maria Jacineth et al. Aspectos Nutricionais no processo de cicatrização de lesão: uma revisão integrativa. 2020.
FREIRE, Mateus Dantas Moraes et al. Inflamação e cirurgia. Revista Científica Hospital Santa Izabel, v. 6, n. 3, p. 120-133, 2022.
HUANG, Chenyu et al. Keloids and hypertrophic scars: update and future directions. Plastic and Reconstructive Surgery–Global Open, v. 1, n. 4, p. e25, 2013.
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RIBEIRO FILHO, Euler Esteves. Desenvolvimento e análise do efeito de um extrato combinado de andiroba, copaíba e guaraná em modelos de cicatrização in vitro e in vivo. 2019.
SHIRAKAMI, Eri; YAMAKAWA, Sho; HAYASHIDA, Kenji. Strategies to prevent hypertrophic scar formation: a review of therapeutic interventions based on molecular evidence. Burns & Trauma, v. 8, p. tkz003, 2020.
TIVERON, Luciana Rodrigues da Cunha Colombo et al. Análise comparativa da expressão in situ de RNAm para citocinas e fatores de crescimento em queloides e cicatrizes normais. 2018.