“Muitos desafios se colocam a nós, professores, e aos responsáveis pela proposição e implementação de políticas públicas: de um lado, o acesso à tecnologia digital e à internet de qualidade para que alunos e professores possam usufruir de todas as potencialidades que a digitalidade e a conectividade oferecem, e, de outro a falta ou pouca familiaridade dos professores com as tecnologias digitais em rede, evidenciada ainda mais pela pandemia quando, em função da necessidade de isolamento físico, as instituições educacionais em diferentes níveis foram obrigadas a suspender as aulas na modalidade presencial física, o que é tema dos capítulos deste livro.”
Dorotea Frank Kersch
Eliane Schlemmer
Ana Patrícia Sá Martins
O leitor tem nesta obra uma referência importante para ver o mundo como um objeto de conhecimento que nos implica agir de acordo com nossas experiências, necessidades, circunstâncias, contigências; entender a realidade histórica e cultural como uma construção social que pode ser transformada pela ação humana; estabelecer sistematicamente conexões entre a vida e a escola; observar novos modos de agir em ambientes formativos; combater a opressão e a marginalização de grupos sociais discriminados na sociedade brasileira, saber como consolidar uma praxis comprometida com grupos menos favorecidos socialmente. As destemidas mulheres que assinam os textos estão comprometidas em tornar a escola um espaço de acolhida, de ampla formação em leitura e escrita e, principalmente, de fortalecimento das relações sociais para que isso possa emancipar os sujeitos escolares para além da própria sala de aula. Desse modo, essas educadoras de apresentam como profissionais engajadas, social e politicamente, em ações que possam transformar transformar as estruturas opressivas da sociedade classista, tal como assinalava Paulo Freire (2016 [1979]). Pela palavra colocada em ação, as autoras realizam atos comprometidos com o outro e consigo mesmas, ou seja, atos que vão ao encontro das realidades que precisam ser transformadas em sua totalidade, pois estão preocupadas com os destinos do Brasil e de seu povo. Consequentemente, será possível conhecer projetos preocupados com o futuro dos alunos que não são plenamente alfabetizados na escola; com os que estão alfabetizados, mas não percebem a disseminação de mentiras que afetam a manutenção de uma sociedade democrática; com a construção de identidades por universitários e professores; com a participação ativa de estudantes da educação básica na sociedade em que se encontram inseridos, pois visam dar voz aos variados grupos, para que tenham o poder de gerar mudanças sociais.
Isabel Cristina Michelan de Azevedo
Os tempos são digitais. Uma grande parte da população brasileira está equipada com celulares. A maioria desses celulares estão conectados à internet. A leitura dos textos da internet exige uma boa navegação e boas estratégias de compreensão. Exige que o leitor saiba lidar com hipertextos digitais e com textos que exploram muitos recursos multimodais. Ou seja, o leitor precisa conhecer os mecanismos de navegação pelos ambientes e ter estratégias para fazer uma busca satisfatória das informações que procura. Ele vai lidar com percursos e possibilidades, que vão exigir escolhas e estratégias. Vai encontrar imagens, cores, filmes, fotografias, animações, boxes, banners, formatos e leiautes diversos. Alguns devem ser processados e analisados e outros que podem ser ignorados ou deixados para outro momento. Esses novos tempos pedem também um (novo) professor que não só saiba fazer essas leituras, mas trabalhe com os alunos essas estratégias, desenvolvendo-os a partir do que já sabem. Nesse mundo que nos exige essa (nova) compreensão da linguagem, temos de pensar se, de fato, estamos preparando nossos alunos, e isso passa pela perspectiva de uma pedagogia de multiletramentos.
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