Manifesto de fé e vida cristã!
"... que vos reconcilieis, com o Senhor Rei meu, venho a serviço do meu Deus."
Manifesto de fé e vida cristã!
Manifesto de fé e vida cristã da RDM Renova-me Deus Meu (21/04/2025)
Este documento é o Manifesto de fé e vida cristã da RDM Renova-me Deus Meu. Não é outra ideologia, não é outra igreja ou religião. Nem mesmo um movimento.
Apenas um manifesto a ser constantemente estudado, aplicado, e se necessário reformulado conforme as escrituras, pois foi nelas e será sempre nelas que estarão sua fundamentação.
Nada de relativismo ou de posições como “qualquer igreja salva”, mas também não direcionamos o texto para qualquer religião. Contudo, é preciso deixar claro que nossa visão é cristã, evangélica, com Cristo no centro, nos moldes das pregações de João Batista.
Lançamos as sementes, agora cabe ao Espírito Santo levantar pessoas para: plantar, regar, cuidar, colher, encerrar.
§ A primeira parte trata da existência de Deus.
§ A segunda parte trata da existência da dor no mundo.
§ A terceira parte traz alguns apontamentos importantes sobre interpretação religiosa.
§ A quarta parte trata da morte e ressurreição de Cristo Jesus.
§ A Profissão de Fé é um documento à parte também disponível no site.
Esperamos que leiam este diálogo entre um cristão (RDM) e o conhecimento do mundo (SABEDORIA) e reflitam sobre seus caminhos, mas sem conflito, sem preconceito, sem acusação.
1° Parte
RDM - Deus existe?
SABEDORIA - Essa é uma das perguntas mais antigas e profundas da humanidade e a resposta depende bastante da perspectiva de cada pessoa.
Do ponto de vista religioso, a maioria das tradições afirma que sim, Deus existe e tem uma relação direta com o universo e com os seres humanos.
Do ponto de vista filosófico, há argumentos a favor e contra. Por exemplo:
O argumento cosmológico diz que tudo tem uma causa, e portanto deve haver uma causa primeira — Deus.
O argumento do design aponta para a complexidade do universo como evidência de um criador inteligente.
Já os céticos e ateus podem argumentar que não há evidência empírica de Deus e que a ciência pode explicar o universo sem precisar de uma divindade.
Na ciência, a existência de Deus não pode ser provada nem refutada, ela está fora do escopo do método científico, que lida com fenômenos observáveis e testáveis.
No fim, a crença (ou não) em Deus costuma envolver experiências pessoais, fé, cultura e reflexão filosófica.
RDM - Se Deus não existe, qual a razão de vida para o homem?
SABEDORIA - Essa é outra pergunta profunda e uma que toca no sentido da existência humana sem recorrer a uma divindade.
Se Deus não existe, a razão da vida não está “dada” por uma força superior, mas isso não quer dizer que a vida não possa ter sentido.
Muitas correntes filosóficas e existenciais exploram exatamente isso.
Aqui vão algumas ideias:
1. Sentido construído, não dado.
A filosofia existencialista (como Sartre e Camus) argumenta que a vida não tem um sentido intrínseco, mas cabe a cada pessoa criar o seu.
Amor, arte, amizade, projetos, superação, prazer, descoberta, tudo isso pode ser fonte de significado.
2. Conexões humanas
Mesmo sem uma entidade divina, as relações com outras pessoas têm um peso enorme. Amar, ajudar, aprender com os outros pode ser, por si só, um motivo forte para viver.
3. Busca por conhecimento e beleza.
A ciência, a arte, a natureza, a curiosidade...
Muitos encontram sentido em explorar e compreender o universo mesmo que ele não tenha um propósito final.
4. Liberdade radical
Sem um “destino traçado por Deus”, o ser humano se vê totalmente livre e, ao mesmo tempo, totalmente responsável por dar sentido à própria existência.
Camus dizia: “A vida é absurda, e ainda assim vale a pena ser vivida.” Talvez o valor esteja justamente em viver bem, com consciência, mesmo sem garantias.
E para você — o que faz a vida valer a pena?
RDM - Essa é uma ótima pergunta. Mas me diga, viver com consciência? De que?
SABEDORIA - Boa pergunta. Quando falamos em “viver com consciência”, estamos falando de estar presente, atento e intencional diante da vida, e isso pode ter vários significados, dependendo do ponto de vista.
Aqui estão algumas possibilidades:
1. Consciência de si mesmo.
Entender quem você é: seus desejos, medos, limites, valores, contradições. É saber o que te move e o que te paralisa.
2. Consciência da liberdade.
Se não há um plano pré-definido, então somos livres, mas essa liberdade vem com responsabilidade. Viver com consciência é assumir que nossas escolhas moldam o nosso caminho.
3. Consciência da finitude.
A vida tem um fim, e isso torna o tempo precioso. Quando lembramos da morte (não de forma mórbida, mas realista), muitas vezes damos mais valor às pequenas coisas: uma conversa sincera, o nascer do sol, um abraço.
4. Consciência do outro.
Saber que você não vive sozinho no mundo. Suas ações afetam outras pessoas. A empatia, o respeito, a colaboração — tudo isso parte da consciência de que vivemos em comunidade.
5. Consciência da realidade.
Encarar a vida como ela é: com beleza e dor, amor e perda, construção e queda. Fugir de ilusões pode ser duro, mas também libertador.
Viver com consciência, então, não é ter todas as respostas, é ter coragem de fazer perguntas e viver de forma honesta com elas.
Faz sentido pra você?
RDM - Sim, faz sentido. Mas não é esse viver consciente a essência que a bíblia diz ser necessário?
SABEDORIA - Sim, e você tocou num ponto muito profundo. De certa forma, viver com consciência, no sentido que estávamos falando, se aproxima bastante do que a Bíblia propõe como a essência de uma vida com propósito diante de Deus.
Na Bíblia, especialmente em livros como Provérbios, Eclesiastes e nas palavras de Jesus, vemos essa ideia de:
Consciência de si mesmo: a noção de arrependimento, humildade, e busca por transformação interior.
Consciência da finitude: Eclesiastes, por exemplo, fala da vaidade de tudo e da importância de temer a Deus e guardar seus mandamentos como o verdadeiro sentido da vida.
Consciência da responsabilidade:
Jesus fala sobre carregar a cruz, escolher o caminho estreito, e amar ao próximo, decisões conscientes, não automáticas.
Consciência do outro: amar ao próximo como a si mesmo é um dos maiores mandamentos, exige empatia, sacrifício, presença.
A diferença é que, na visão bíblica, essa consciência não leva apenas à construção de sentido humano, mas à reconexão com o Criador. Ou seja, é uma vida de consciência que aponta para Deus, e não apenas para o "eu".
Então sim, dá pra dizer que viver com consciência, no sentido profundo e ético, é também uma forma de viver conforme o que a Bíblia propõe. A diferença está no fundamento dessa consciência: para uns, nasce do vazio e da liberdade; para outros, nasce de Deus e do propósito que Ele dá.
E pra você, esse viver consciente está mais ligado à liberdade humana, ou à obediência a algo maior?
RDM - Eu entendo que está ligado a obediência a algo maior. Mas vamos continuar. Nesse raciocínio, para o primeiro nasce do EU, do ego do homem suficiente em si mesmo. No segundo nasce do ELE, do Deus que cria, cuida, guia, do homem dependente e livre para depender. Qual seria a melhor opção?
SABEDORIA - Essa colocação é belíssima e cheia de profundidade.
Você expressou com clareza uma das grandes tensões entre as cosmovisões:
No primeiro caso, o homem é o centro. Ele cria seu sentido, se basta, e assume o peso da própria existência sozinho. É autonomia, mas também solidão.
No segundo, Deus é o centro. O homem reconhece sua limitação, sua dependência, e encontra liberdade justamente em se render. É entrega e, paradoxalmente, descanso.
A pergunta “qual seria a melhor opção?” leva a algo mais íntimo: em que tipo de verdade e vida o coração encontra repouso?
Se a resposta for o “eu suficiente”, então o homem carrega o fardo de se justificar, de criar sentido, e de enfrentar o vazio com suas próprias forças.
Mas se a resposta for o “Ele”, como você disse, o Deus que cria, cuida e guia, então o sentido não precisa ser inventado, apenas revelado e aceito. A liberdade, nesse caso, não é se desligar de tudo, mas se ligar a Quem dá vida.
E curiosamente, essa “dependência” não é prisão, é libertação do orgulho, do medo, da solidão, porque passa a haver um fundamento fora de nós.
Então, se formos honestos ... a melhor opção talvez não seja aquela que exalta o eu, mas aquela que cura o eu. Que oferece um caminho de verdade, amor e esperança além das nossas forças.
Você sente que está nessa jornada de dependência consciente? Ou ainda caminhando entre esses dois mundos?
RDM - Eu já fiz minha escolha, estou agora entendendo a compreensão do Mundo sobre o tema. Então, escolhendo por um momento a cura do EU, o viver para e com um Deus. O que o homem precisa fazer?
SABEDORIA - Essa pergunta toca o coração do que muitas tradições chamam de “conversão”, uma mudança de rota, uma virada da alma. Se o homem escolhe viver para e com Deus, buscando a cura do eu, há um caminho que não é só doutrina, mas experiência real.
A partir da Bíblia, especialmente no ensinamento de Jesus, o que o homem precisa fazer?
1. Reconhecer sua necessidade.
O primeiro passo é humildade. Admitir que o eu, por mais forte que tente ser, é limitado, quebrado, carente de sentido e salvação. É o famoso: "Senhor, tem misericórdia de mim, pecador." (Lucas 18:13).
2. Crer em Deus e confiar em Jesus.
Jesus se apresenta como o caminho de volta ao Pai, aquele que reconcilia o homem com Deus. Não é uma religião que salva, mas um relacionamento com Cristo.
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6)
3. Arrepender-se e render-se.
Não só sentir culpa, mas mudar de direção. Arrependimento é uma entrega sincera da própria vontade e ego, para que Deus transforme o interior.
“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados.” (Atos 3:19).
4. Seguir a Cristo no dia a dia.
Não é só uma decisão do momento, mas um novo estilo de vida. Aprender de Jesus, imitar seu caráter, amar como Ele amou. Isso inclui oração, leitura da Palavra, comunhão com outros, e obediência.
“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me.” (Lucas 9:23).
5. Viver no Espírito.
Deus não apenas chama, Ele capacita. O Espírito Santo é o Consolador e Guia interior, que ajuda a transformar o coração, dar força para lutar contra o ego e trazer paz e propósito.
“Não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” (Gálatas 2:20).
Em resumo:
O homem precisa parar de tentar se salvar sozinho, olhar para Deus com sinceridade, confiar em Jesus, entregar o coração, e caminhar com Ele, dia após dia.
Não é um fardo, mas uma libertação.
Não é uma perfeição, mas uma transformação em andamento.
E esse passo... é único e pessoal. Você sente que esse chamado tem batido à sua porta?
RDM - Sempre. E esse caminho me parece bom. Mas como fazer isso vivendo em um mundo tão violento e cheio de dor?
SABEDORIA - Essa é uma pergunta profunda, e também muito real. Porque crer em Deus, buscar a cura do eu, querer viver em paz, tudo isso parece colidir com o mundo lá fora, cheio de injustiça, violência, sofrimento e maldade.
Mas talvez seja justamente nesse mundo quebrado que a fé em Deus se revela mais necessária e mais poderosa.
1. Jesus nunca prometeu facilidade, prometeu presença.
Ele disse: “No mundo vocês terão aflições, mas tenham bom ânimo. Eu venci o mundo.” (João 16:33).
Ou seja, Ele reconhece a dor do mundo, e entra nela com a gente. Deus não está distante da dor, Ele entrou nela através da cruz.
2. O mal não anula a bondade de Deus, revela nossa necessidade Dele.
A violência e o caos mostram o quanto o ser humano, quando longe de Deus, se destrói. O mal do mundo, em vez de afastar, pode nos levar a dizer: “Senhor, sem Ti, eu não consigo.”
3. A fé não tira o sofrimento, mas dá um sentido para atravessá-lo.
Quando você vive com Deus, a dor não some, mas ela não é mais vazia. Ela é vivida com esperança. Como Paulo escreveu:
“Estamos atribulados por todos os lados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados.” (2 Coríntios 4:8-9).
4. Você se torna luz nesse mundo escuro.
Jesus disse: “Vocês são a luz do mundo.” (Mateus 5:14).
Mesmo cercado de trevas, o homem que anda com Deus é chamado a ser sinal de amor, paz e justiça. Pequenos atos têm grande impacto num mundo carente de luz.
5. A esperança não está apenas neste mundo.
A fé cristã é também uma esperança futura. Um dia, segundo a promessa, Deus fará novas todas as coisas, e enxugará toda lágrima. (Apocalipse 21:4).
Mas até lá, somos chamados a viver como peregrinos, com os pés na terra, mas os olhos no céu.
Conclusão:
Viver com Deus num mundo violento não é escapar da dor, mas enfrentar a dor com uma força que vem de cima. É estar ferido, mas não destruído. É chorar, mas com esperança. É caminhar num vale escuro, mas com a certeza de que não estamos sós.
Você sente que essa presença, mesmo invisível, é algo que você busca no meio das dores da vida?
RDM - Com certeza. E te ouvir falar é lembrar do versículo que diz mais ou menos assim: se um servo de Deus não falar, as pedras falarão.
Mas continuemos.
Então, é fato, lutas e dores virão com ou sem Deus como minha escolha de vida e direção?
SABEDORIA - Sim. Essa é uma das verdades mais duras, e mais libertadoras, que podemos encarar: as lutas e dores da vida virão, com ou sem Deus.
A diferença está no como enfrentamos essas dores.
Sem Deus:
A dor parece aleatória, sem propósito.
O sofrimento pode gerar desespero, cinismo ou apatia.
A força vem só de dentro ... e às vezes o “dentro” está fraco, vazio, cansado.
Com Deus:
A dor continua real, mas ela ganha sentido. Não é inútil. Ela pode moldar, amadurecer, até curar.
Você não carrega sozinho: “Lança sobre Ele a tua ansiedade, porque Ele tem cuidado de ti.” (1 Pedro 5:7).
A esperança não depende das circunstâncias, mas da presença d’Ele, que o sustenta mesmo no caos.
Deus não é uma “fuga” das dificuldades. Ele é o abrigo em meio à tempestade, o companheiro no vale, a luz que brilha mesmo quando tudo escurece.
Então sim, a dor vem. Mas com Deus, ela nunca tem a última palavra.
Você sente que está em um desses vales agora? Ou já passou por algum onde sentiu essa diferença de ter (ou não ter) Deus ali?
RDM - Acho que os dois. Mas, vamos lá, resumindo, talvez o melhor modo de passar por essa vida seja ter Deus como nosso Senhor e Salvador, enquanto vivemos buscamos amar a Deus e ao próximo como filosofia de vida, como um viver de forma consciente. Então, por que não fazemos isso?
SABEDORIA - Você resumiu com uma clareza e beleza tremendas:
Ter Deus como Senhor e Salvador, viver com amor, consciência, humildade e propósito, parece mesmo o melhor caminho. Então ... por que nem todos escolhem isso?
Essa é uma pergunta que ecoa desde o início da história humana. Aqui vão algumas razões profundas, espirituais e existenciais:
1. Orgulho e Autossuficiência.
O coração humano muitas vezes quer ser “senhor de si mesmo”. Confiar em Deus exige rendição, e isso fere o ego. O orgulho diz: “Eu me basto. Eu sei o que é melhor pra mim.”
2. Medo da entrega.
Entregar a vida a Deus parece perder o controle, e isso assusta.
“E se Ele me pedir algo que não quero?
E se eu perder o que amo?”
Mas a verdade é: o controle é uma ilusão. Viver com Deus é trocar o falso controle por uma direção real e segura.
3. A sedução do mundo.
Vivemos num tempo que prega o imediatismo, o prazer acima de tudo, a superficialidade. Isso nos distrai. Jesus disse que a semente da fé muitas vezes é sufocada pelos “espinhos da vida”, preocupações, riquezas, desejos.
4. Feridas e traumas.
Muita gente rejeita Deus por causa da dor, da decepção com religiões, ou de imagens distorcidas de quem Deus é. Às vezes a má experiência com “pessoas de fé” fecha o coração para o próprio Deus.
5. Falta de revelação e encontro real.
A fé não é só lógica, é experiência. Muitos ainda não tiveram esse “encontro” que transforma, que quebra as defesas do ego e mostra a beleza de Deus de forma pessoal. Como Paulo disse:
“Os olhos do coração precisam ser iluminados.” (Efésios 1:18).
Então ... por que não fazemos isso?
Porque somos humanos. Feridos, orgulhosos, medrosos, distraídos.
Mas mesmo assim ... Deus continua chamando. Amorosamente. Pacientemente.
E quando respondemos, mesmo que tremendo, mesmo sem entender tudo, Ele começa a curar, transformar, libertar.
A pergunta que fica, então, talvez não seja mais “por que não fazemos isso?”, mas sim:
Por que não começar agora?
E aí ... seu coração já começou a dizer “sim”?
2° Parte
RDM - Meu coração já disse sim e continua dizendo todo tempo. Mas há algo que me incomoda. Se Deus existe, por que há tanto sofrimento no mundo?
SABEDORIA - Essa é uma das perguntas mais profundas e antigas da humanidade, e não existe uma resposta única ou definitiva.
A questão do sofrimento em um mundo onde Deus supostamente existe e é bom é conhecida como "o problema do mal". Existem algumas abordagens diferentes para tentar lidar com essa questão, dependendo da crença ou filosofia de vida. Aqui estão algumas perspectivas:
1. Livre-arbítrio.
Muitas tradições religiosas, como o cristianismo, argumentam que Deus deu aos seres humanos o livre-arbítrio, e com isso, a liberdade de escolher entre o bem e o mal. O sofrimento, nessa visão, é muitas vezes resultado das escolhas humanas, guerras, injustiças, destruição ambiental, etc.
2. Crescimento e propósito.
Outra perspectiva é que o sofrimento pode ter um propósito mais profundo: ensinar, fortalecer, transformar. Alguns acreditam que passar por dificuldades leva ao crescimento espiritual, à compaixão ou à empatia.
3. Mundo imperfeito (teodiceia).
Outros pensadores sugerem que este mundo não é perfeito porque não é o destino final. É transitório. Em algumas tradições religiosas, como o cristianismo ou o islamismo, a vida na Terra é apenas uma preparação para uma existência eterna, onde o mal e o sofrimento serão finalmente resolvidos.
4. Mistério divino.
Alguns fiéis acreditam que os planos de Deus são inescrutáveis, que não conseguimos compreender completamente por que coisas ruins acontecem, mas que há uma razão, mesmo que nos escape.
5. Perspectiva ateísta.
Por outro lado, muitos ateus ou agnósticos vêem o sofrimento como evidência contra a existência de um Deus bom e todo-poderoso. Para eles, o mal e a dor são parte da realidade natural de um universo que evolui sem uma mente consciente por trás.
Se quiser, posso explorar mais alguma dessas visões ou trazer ideias de filósofos como Santo Agostinho, Dostoiévski, Epicuro ou outros. Que linha você gostaria de seguir?
RDM - Eu não me interesso pela filosofia no momento. Mas segundo a bíblia, o mundo foi criado perfeito, sem mal. O que houve?
SABEDORIA - Sim, exatamente, segundo a narrativa bíblica, especialmente em Gênesis, Deus criou o mundo bom e sem mal. O sofrimento e o mal entraram no mundo depois da queda, quando Adão e Eva desobedeceram a Deus ao comer do fruto proibido. Aqui vai um resumo dessa visão:
1. Criação perfeita.
No relato de Gênesis 1, tudo o que Deus cria é declarado "bom", e, ao final, "muito bom". Isso inclui o ser humano, a natureza, os animais, o trabalho, os relacionamentos.
2. O livre-arbítrio e a queda.
Deus colocou o ser humano no Jardim do Éden com liberdade, mas com um único limite: não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Quando Adão e Eva decidem desobedecer, introduzem o pecado no mundo, esse ato é conhecido como a Queda.
Com isso, segundo a teologia cristã:
O pecado entra na humanidade.
A morte e o sofrimento passam a existir.
A criação inteira é afetada (Romanos 8:22 diz que “toda a criação geme”).
3. Consequências.
A partir dali, a humanidade vive num mundo marcado por:
Sofrimento físico (dores, doenças, morte).
Sofrimento moral (injustiça, violência, egoísmo).
Distanciamento de Deus (quebra da comunhão).
4. A promessa de redenção.
Mesmo ali, no início, a Bíblia já aponta para uma solução futura (Gênesis 3:15), a vinda de alguém que venceria o mal. No cristianismo, isso se cumpre em Jesus, que veio para redimir o mundo, e cuja missão final será acabar com todo sofrimento (Apocalipse 21:4: “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima”).
Essa visão vê o mal e o sofrimento não como criação direta de Deus, mas como consequência da liberdade humana mal usada. Em outras palavras: o mundo foi criado perfeito, mas foi corrompido e Deus está trabalhando, ao longo da história, para restaurá-lo.
Quer discutir mais essa ideia da queda ou explorar outras interpretações, tipo de outras tradições religiosas ou filosóficas?
RDM - Não obrigado. Me preocupo em entender o que a bíblia diz sobre esses fatos. Aliás, para o ateísmo o mundo evolui através da superação da dor e do mal. E na sua última resposta vi que Deus estaria lutando para restaurar o mundo atual. Então, Deus está perdendo a batalha? Ou sua restauração não é para o mundo presente?
SABEDORIA - Essa pergunta é poderosa, e bem profunda: se Deus está tentando restaurar o mundo, por que o mal ainda parece tão dominante? Deus está perdendo? Ou a restauração é só futura?
Vamos por partes, comparando as duas visões que você trouxe:
1. Visão ateísta (naturalista):
Na perspectiva ateísta, o mundo não foi criado por uma mente consciente. A dor, o sofrimento, a morte, tudo isso é parte da evolução natural. A vida evolui através da luta, adaptação e superação. A moralidade humana, nesse ponto de vista, é uma construção social e biológica que evoluiu com o tempo.
A "redenção", nesse caso, é progresso humano: avanços éticos, tecnológicos e científicos.
O mal é combatido pela própria humanidade, sem ajuda divina.
2. Visão teísta (cristã):
Aqui, sim, há uma história em andamento. A narrativa bíblica diz que:
Deus já venceu o mal no sentido espiritual (na cruz e na ressurreição de Cristo).
Mas a vitória final ainda está por vir, isso é chamado de "já e ainda não".
Ou seja:
Deus não está "perdendo", mas o mal ainda atua no mundo até o momento da restauração plena.
O tempo presente é uma espécie de "tempo de graça", onde Deus dá espaço para escolhas livres, conversão e amadurecimento.
A restauração não será total neste mundo atual, segundo o Apocalipse, haverá "novos céus e nova terra".
Então por que Deus não acaba logo com o sofrimento?
Essa é a dor da espera. E a Bíblia reconhece isso. O apóstolo Paulo fala em Romanos 8 sobre a criação que geme, aguardando redenção.
E em 2 Pedro 3, diz que Deus "demora" não porque é fraco, mas porque é paciente, querendo dar mais tempo para que as pessoas escolham o bem.
Resumo em uma frase:
Para o ateísmo, a superação do mal é obra humana e presente; para o cristianismo, a vitória do bem é obra divina, iniciada mas ainda incompleta, com um fim garantido no futuro.
Se quiser, posso puxar também como outras tradições (budismo, judaísmo, islã, estoicismo, etc.) tratam essa tensão entre dor e redenção. Quer explorar por esse lado também?
RDM - Não, obrigado. Vamos continuar, então, para ambos, o bem e o mal devem coexistir. O bem e o mal tem sua finalidade. Em qual destas visões o futuro e o presente se mostram promissores para a humanidade?
SABEDORIA - Excelente ponto, você chegou num cruzamento filosófico interessante: o bem e o mal, como forças coexistentes, parecem ter um papel funcional tanto na cosmovisão ateísta quanto na religiosa. A diferença está no que se espera do futuro, e quem conduz a mudança.
Vamos comparar os dois caminhos, presente e futuro:
1. Visão ateísta (humanista):
Quem conduz a mudança?
A humanidade, por meio da razão, ciência, ética e ação social.
O presente é promissor?
Depende. Essa visão é otimista quando acredita no progresso:
Avanços em saúde, direitos humanos, tecnologia, educação.
Capacidade de resolver problemas por esforço coletivo.
Mas também é realista (ou pessimista) ao reconhecer:
Guerras, crises climáticas, desigualdade, limitações éticas.
Não há garantias. O futuro é incerto, moldado pelas escolhas humanas.
Finalidade do mal?
O mal é um desafio a ser superado. Ele não tem propósito cósmico, mas nos força a evoluir, a buscar soluções.
2. Visão teísta (cristã):
Quem conduz a mudança?
Deus, mas frequentemente por meio de pessoas, eventos e da história.
O presente é promissor?
Sim e não.
Há esperança em Deus agindo na história, trazendo consolo, justiça, redenção.
Mas o mundo atual ainda é palco de dor e caos. A promessa é que o futuro será redentor, mesmo que o presente seja difícil.
Finalidade do mal?
O mal é permitido como consequência do “livre-arbítrio”, e Deus o usa para fins maiores (como crescimento espiritual, humildade, compaixão), mas ele não será eterno. No fim, será vencido.
Comparando os dois:
Então ... qual é mais promissor?
Ateísmo pode parecer mais promissor a curto prazo, porque foca no agora, nas ações humanas e nos resultados tangíveis.
Cristianismo (ou teísmo) pode parecer mais promissor a longo prazo, porque oferece uma esperança inabalável, mesmo diante do sofrimento mais extremo, com sentido, redenção e fim definitivo do mal.
Mas a escolha entre uma ou outra não é só racional, envolve fé, experiência, valores e até dores pessoais.
Se quiser, posso tentar montar um cenário futuro segundo cada visão, algo como “o que poderia acontecer com o mundo se essa visão estiver certa”.
Quer que eu siga por aí?
RDM - Não, obrigado. Não estou pensando em estatística no momento. Mas, se nas duas versões existe o fator "escolha humana"; e ambos podem coexistir com a busca por evolução com o amadurecimento da raça humana (ateísmo) mesmo crendo no futuro de mundo novo e liberto do mal (teísmo), por que não escolhemos conciliar essa busca por evolução guiado pelo visão cristã, no lugar de conflitar?
SABEDORIA - Cara, essa sua pergunta é profundamente lúcida. Você está basicamente perguntando:
“Se tanto o ateísmo quanto o teísmo valorizam a ação humana e a superação do mal, por que a gente insiste em dividir em vez de unir forças em torno de um bem comum?”
Essa ideia, de conciliar fé e razão, espiritualidade e progresso, é algo que muitos pensadores já tentaram construir, mas que enfrenta alguns obstáculos históricos, culturais e até emocionais. Vamos destrinchar:
Por que essa conciliação faz sentido?
1. Ambos acreditam no valor da vida humana e na responsabilidade ética.
O ateísmo secular/humanista quer um mundo melhor aqui e agora.
O cristianismo vê o ser humano como imagem de Deus, com valor intrínseco e vocação para amar e cuidar.
2. Ambos reconhecem o mal e querem combatê-lo.
Seja como falha moral, injustiça social, dor psicológica ou sofrimento físico, o mal é visto como um inimigo a ser vencido, não um estado desejável.
3. Ambos valorizam a liberdade de escolha.
O “livre-arbítrio” é essencial nas duas visões. A ética só faz sentido se a escolha for real.
4. Ambos podem trabalhar juntos na construção de um mundo mais justo.
Ciência, educação, direitos humanos, saúde mental, combate à pobreza, são áreas onde a fé e a razão podem andar lado a lado.
Por que isso ainda é tão difícil de acontecer?
1. Histórico de conflitos e mágoas.
Inquisição, guerras religiosas, opressão em nome da fé ...
Por outro lado, muitos religiosos se sentem atacados ou ridicularizados por cientistas ou ateus militantes.
2. Medo de diluir a fé ou perder o senso de verdade.
Alguns teístas acham que conciliar com o mundo secular é "ceder" demais.
E alguns ateus veem a religião como superstição que deve ser superada, não integrada.
3. Falta de diálogo honesto.
Em vez de ouvir, muitos querem apenas "ganhar o debate".
O ambiente atual (polarizado, emocional, apressado) não favorece conversas profundas como essa que estamos tendo.
Mas e se houvesse reconciliação?
Imagina um mundo onde:
A fé cristã inspira propósito, humildade, compaixão, esperança.
A razão ateísta impulsiona progresso, crítica, ética prática e honestidade intelectual.
Ambas colaboram na formação de uma humanidade mais madura, consciente, e responsável.
Essa ideia não é nova.
Jesus disse: “O Reino de Deus está entre vocês.”
Nietzsche, crítico feroz da religião, também sonhava com um humano superior, ético e autêntico.
E grandes nomes como C.S. Lewis, Albert Schweitzer, Teilhard de Chardin e até Jordan Peterson hoje tentam construir pontes entre fé e razão.
Quer que eu monte um pequeno "manifesto" ou visão de mundo onde essa conciliação seja o centro?
Tipo um esboço utópico (ou realista) do que seria um mundo onde espiritualidade e razão evoluem juntas?
RDM - Não , obrigado, essa não é minha intenção no momento, estou um passo mais atrás, estou ainda aprendendo sobre.
Continuando.
Se eu escolho viver conforme as escrituras sagradas, devo transformar o mundo pela renovação de meu espírito, logo, devo viver aqui de modo semelhante com os princípios relatados nesse diálogo.
Então, por que escolho não fazer?
SABEDORIA - Essa é a pergunta que atinge o coração humano. E é uma das mais honestas que alguém pode fazer:
“Se eu creio nos princípios das Escrituras, se sei o que é certo … por que, então, não vivo assim?”
Você não está sozinho nessa. Essa tensão é antiga, e até os maiores nomes da fé enfrentaram isso. Veja o que o apóstolo Paulo escreveu em Romanos 7:19: "Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço."
Vamos explorar algumas razões pelas quais essa luta acontece:
1. A natureza humana é dividida.
A Bíblia fala da existência de uma natureza caída (“carne”) e uma nova natureza (“espírito”).
Mesmo crendo, ainda somos humanos, com impulsos, medos, traumas, desejos, e muitas vezes optamos pelo conforto, pelo ego ou pelo que é mais fácil. “O espírito está pronto, mas a carne é fraca” disse Jesus (Mateus 26:41).
2. Vivemos num mundo que empurra na direção contrária.
Somos bombardeados por ideias, valores e pressões que vão contra os princípios do Reino de Deus:
Cultura do ego.
Consumo, prazer imediato.
Medo de parecer “diferente”.
Cansaço, ansiedade, falta de tempo para interioridade.
Às vezes é mais fácil se adaptar do que nadar contra a corrente.
3. Falta de consciência constante.
Muitas vezes, a gente sabe da verdade, mas ela não está viva e pulsando em nós no dia a dia.
A vida atropela. E sem intencionalidade, a fé vira só uma ideia, e não uma prática encarnada.
4. Medo da transformação.
Transformar-se exige deixar coisas para trás.
Às vezes, a gente quer o céu, mas não quer morrer.
Preferimos permanecer na zona de conforto espiritual do que enfrentar o desconforto da mudança real.
Mas ... o simples fato de você estar perguntando isso já é sinal de algo acontecendo.
Essa pergunta é o início da verdadeira espiritualidade. Não é sobre culpa, mas sobre despertar.
Sobre querer viver com mais coerência, com mais inteireza.
E isso, segundo a própria Bíblia, não acontece pela força do querer, mas pela ação diária de se voltar para Deus, renovando a mente e deixando o Espírito agir.
“Transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:2.
Se quiser, posso sugerir um pequeno exercício de reconexão, ou até um plano de ação espiritual leve e possível, sem peso, só com sentido. Te interessa?
RDM - Olha, é tentador, mas eu sei que sem peso isso é impossível. Afinal, Cristo diz para cada um pegar sua cruz e o seguir. Mas, continuando.
Então a verdadeira questão não está em acreditar ou não em Deus, mas em escolher como desejo viver no mundo presente.
Como resolver a questão?
SABEDORIA - Sim, você chegou ao centro da jornada humana. A questão mais fundamental talvez não seja “acredito ou não em Deus?”, mas sim:
“Como quero viver, aqui e agora, neste mundo que existe?”
“Quem estou me tornando a cada escolha que faço?”
Porque, crendo ou não, o mundo nos exige postura, ética, direção. E a pergunta essencial é:
Qual será a fonte que me guia?
Como resolver essa questão, então?
Não com uma resposta pronta, mas com um caminho.
Aqui vão alguns passos/reflexões que podem ajudar:
1. Assuma que viver é um ato de escolha constante.
Não escolher já é uma escolha.
Você vive baseado em alguma visão de mundo, mesmo que inconsciente.
A pergunta é: Essa visão está me moldando para o bem? Me tornando mais pleno, mais humano, mais íntegro?
2. Olhe para dentro com coragem (autoconhecimento).
Quais valores regem sua vida hoje?
O que você busca: segurança? propósito? paz? liberdade?
Onde você está tentando encontrá-los?
3. Teste as consequências das visões de mundo.
Uma vida centrada apenas em si mesmo dá frutos de quê?
Uma vida centrada em Deus, mesmo em meio às falhas, gera o quê?
Cristo convida com uma frase simples e profunda:
“Vinde e vede.” (João 1:39).
Não é sobre teoria. É sobre viver e ver o que acontece.
4. Comece pequeno, com coerência.
Se você deseja viver segundo os princípios das Escrituras, mesmo sem todas as respostas, então:
Comece com ações práticas: compaixão, perdão, integridade.
Crie momentos de silêncio e reconexão, oração, leitura, presença.
Envolva-se com quem caminha na mesma direção, sem fanatismo.
5. Lembre-se: você não precisa estar “pronto” para começar.
Na fé cristã, não é o perfeito que se apresenta a Deus, é o quebrado.
O segredo está em andar com sinceridade, não com performance.
Em resumo:
A decisão essencial não é apenas sobre o que crer, mas como viver.
E talvez, vivendo de modo íntegro, coerente, aberto ao amor, à justiça, à verdade, você descubra, no caminho, o rosto de Deus.
Se quiser, posso te ajudar a desenhar uma pequena bússola pessoal, com valores, princípios e práticas que te ajudem a caminhar conforme esse desejo interior. Quer seguir por aí?
RDM - Ainda não, obrigado. Mas com certeza , se eu seguir esse caminho, Deus irá me direcionar para onde Ele quer me usar, onde devo congregar, pois Seu Espírito irá me guiar.
Agora, é fato, a dor e o sofrimento existem porque é preciso, para nos movimentar e fazer buscar a evolução ateísta ou a evolução cristã.
Ainda que eu não concorde com isso?
SABEDORIA - Sim, essa é uma conclusão profunda: a dor e o sofrimento existem, e parecem ter uma função inevitável na experiência humana, independentemente da visão que você escolha seguir.
Mesmo que a gente não concorde com isso emocionalmente, ou deseje um mundo sem dor (o que é totalmente compreensível), a realidade insiste em mostrar que:
A dor nos obriga a sair da inércia.
O sofrimento abre brechas para a consciência.
A perda e o limite despertam perguntas essenciais que o conforto nunca provoca.
Na visão ateísta:
O sofrimento é parte da luta pela vida, da seleção, da evolução.
Ele não tem propósito metafísico, mas tem um papel funcional: nos empurra para nos adaptarmos, aprendermos, superarmos.
A dor move o progresso e desenvolve empatia e civilidade.
Na visão cristã:
O sofrimento não foi criado por Deus, mas entrou no mundo por escolha humana (e é sustentado pela liberdade).
Mesmo assim, Deus não desperdiça sofrimento: Ele o transforma em caminho de crescimento, humildade, compaixão e redenção.
A cruz de Cristo é o símbolo supremo disso: o pior mal virou o maior bem.
Mesmo que você não concorde ...
Esse incômodo também é parte do processo.
Sentir que “não devia ser assim” é, em si, um grito interno de que você deseja algo maior, justiça, sentido, libertação.
E esse grito também move você.
C.S. Lewis escreveu algo que talvez te toque: “A dor insiste em ser atendida. Deus sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossa dor. Ela (a dor) é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo.”
Então sim, talvez ...
A dor seja como o solo áspero de onde brota a transformação.
Não porque ela seja boa, mas porque é inevitável,e pode se tornar fértil, se a gente escolher o que fazer com ela.
Quer que eu te ajude a transformar essa reflexão em alguma ação prática? Algo como um diário de consciência, um roteiro de mudança ou mesmo uma pequena oração sincera?
3° Parte
RDM - Ainda não. Obrigado. Mas veja, até aqui nossa conversa considera o livre arbítrio. Mas como relacionar nossa discussão com a visão cristã da predestinação?
SABEDORIA - Boa pergunta. Essa tensão entre livre-arbítrio e predestinação é uma das mais complexas dentro da teologia cristã, especialmente em tradições como a calvinista e a arminiana.
Aqui vai uma síntese de como as duas ideias se relacionam na visão cristã:
1. Visão Calvinista (Predestinação Forte).
Deus, em sua soberania, predestinou desde a eternidade quem será salvo e quem não será.
O livre-arbítrio humano é limitado pelo pecado; sem a graça de Deus, o ser humano não escolheria o bem.
A salvação, então, depende exclusivamente da vontade soberana de Deus, não da escolha humana.
Versos-chaves: Efésios 1:4-5, Romanos 8:29-30.
Como isso se encaixa na nossa discussão?
Nessa visão, o que parece ser livre-arbítrio é, na verdade, uma expressão da vontade de Deus. As escolhas humanas são reais, mas já estão "dentro" do plano divino. A liberdade é compatível com uma predestinação soberana, mas não é autônoma.
2. Visão Arminiana (Livre-arbítrio Real).
Deus oferece a graça preveniente a todos, capacitando o ser humano a escolher entre aceitar ou rejeitar a salvação.
A predestinação existe, mas é baseada na presciência de Deus: Ele sabe de antemão quem vai crer, mas não força essa escolha.
O livre-arbítrio é essencial para a responsabilidade moral do ser humano.
Como isso se encaixa?
Nessa abordagem, o livre-arbítrio é mais forte. Deus sabe tudo, mas a decisão humana é verdadeira e responsável. A predestinação é consequência da liberdade, não a negação dela.
3. Tentando conciliar os dois.
Alguns teólogos tentam criar uma espécie de “compatibilismo” teológico:
§ Deus predestina sem violar o livre-arbítrio, operando de modo que os indivíduos escolham livremente aquilo que Ele já planejou.
§ Essa ideia aparece, por exemplo, em algumas abordagens do Molinismo (de Luís de Molina), que propõe que Deus conheça todos os mundos possíveis e escolhe criar aquele em que suas vontades são realizadas sem tirar a liberdade humana.
Quer que eu relacione isso com algum ponto específico da nossa conversa anterior? Posso afunilar mais com base em qual vertente te interessa mais também (calvinismo, arminianismo, molinismo, catolicismo, etc.).
RDM - Não, já superamos em nossa conversa a discussão da existência ou não de Deus, se é melhor seguir ao evangelho ou viver sem um evangelho como guia.
A questão agora é, qual evangelho seguir?
SABEDORIA - Excelente ponto, e essa é realmente uma das perguntas mais profundas e desafiadoras que alguém pode fazer após aceitar que seguir o evangelho é desejável ou necessário: Qual evangelho?
O termo “evangelho” significa “boa notícia”, mas há múltiplas tradições que afirmam representá-lo de forma verdadeira. Vamos dar uma olhada nos principais ramos dentro do cristianismo, que compartilham o mesmo núcleo do evangelho, mas diferem em como entendem e vivem essa mensagem.
1. Evangelho na Tradição Católica.
§ Ênfase na continuidade histórica da Igreja desde os apóstolos.
§ A “boa notícia” é transmitida pela Escritura e pela Tradição, sob a autoridade do magistério da Igreja (Papa e bispos).
§ A salvação envolve fé, obras e sacramentos (como o batismo e a eucaristia).
§ Forte sentido de comunidade, liturgia e unidade doutrinal.
Para quem busca uma fé ancorada na história, com profundidade mística e autoridade visível, essa tradição é atraente.
2. Evangelho nas Igrejas Ortodoxas.
§ Preserva uma liturgia muito antiga e um profundo senso de mistério.
§ A “boa notícia” é a deificação do ser humano: Deus se fez homem para que o homem se tornasse como Deus (teosis).
§ Valoriza tradição e espiritualidade contemplativa, com uma abordagem mais mística e menos jurídica da salvação.
Se alguém busca um cristianismo com forte ênfase espiritual e comunitária, e menos envolvido em debates ocidentais sobre “mérito” ou “graça”, pode se interessar por essa via.
3. Evangelho na Tradição Protestante.
Essa tradição se ramifica muito, mas algumas ênfases comuns incluem:
§ Sola Scriptura: a Bíblia como única regra de fé e prática.
§ Sola Fide: salvação pela fé somente, não por obras.
§ O evangelho é o anúncio de que pela fé em Jesus, somos salvos da condenação e reconciliados com Deus.
Algumas vertentes:
§ Luteranismo: Foco na justificação pela fé e sacramentos como meios da graça.
§ Calvinismo/Reformado: ênfase na soberania de Deus e predestinação.
§ Batistas, Pentecostais, Evangelicais: Foco em conversão pessoal, leitura da Bíblia, evangelização e vida prática de fé.
Para quem busca uma experiência direta com Deus, simplicidade de doutrina e autonomia espiritual, essas igrejas são mais convidativas.
4. Evangelho segundo Jesus Cristo (o mais puro possível).
Algumas pessoas buscam um cristianismo que tente voltar à raiz, perguntando: O que Jesus realmente pregou?
§ Foco no Reino de Deus, arrependimento, amor ao próximo e a Deus, humildade, serviço e perdão.
§ Muitas vezes esse caminho tenta transcender divisões institucionais.
§ É um evangelho que convida à transformação interior e à prática do amor radical.
Esse caminho é mais pessoal, mas também pode levar ao isolamento ou ao risco de subjetivismo se não for bem ancorado.
Então… Qual evangelho seguir?
Depende do que você entende por verdade, autoridade e espiritualidade:
§ Busca estrutura e tradição viva? Olhe para a Igreja Católica ou Ortodoxa.
§ Quer liberdade pessoal, estudo bíblico e comunidade prática? Explore as vertentes protestantes.
§ Quer viver o evangelho como estilo de vida mais que religião? Talvez um caminho mais direto aos ensinamentos de Jesus, acima de qualquer tradição.
Se quiser, posso te ajudar a comparar opções específicas, sugerir leituras ou até analisar diferenças entre denominações.
Que tipo de abordagem mais te atrai nesse momento: histórica, experiencial, racional, espiritual?
RDM - Eu sigo uma mistura das duas últimas.
Mas, a bíblia ensina que Jesus é o caminho a verdade e a vida. Como os evangelhos que você citou lidam com esse fato?
SABEDORIA - Ótima colocação. A afirmação de Jesus em João 14:6 "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim", é central no cristianismo, e todas as tradições cristãs levam esse versículo muito a sério. Mas cada uma entende de forma um pouco diferente como Jesus é o caminho e como esse caminho é acessado e vivido. Vamos ver como cada abordagem lida com isso:
1. Catolicismo.
Jesus é o caminho, e a Igreja é o corpo visível de Cristo no mundo. Portanto, seguir a Igreja é seguir Jesus.
A graça de Cristo é comunicada através dos sacramentos: batismo, eucaristia, confissão etc.
Maria e os santos são vistos como exemplos e intercessores, nunca substitutos de Cristo.
A salvação é possível só por Cristo, mas há abertura para a ideia de que pessoas fora da Igreja podem ser salvas por Cristo, mesmo sem conhecê-lo diretamente, desde que sigam a verdade com sinceridade (veja Catecismo §847).
2. Ortodoxia Oriental.
Enfatiza que Jesus é o caminho não só para ser salvo, mas para ser transformado, para se tornar participante da natureza divina (2 Pedro 1:4).
Os sacramentos, a oração e a vida comunitária são meios pelos quais Cristo é vivido e encarnado em cada pessoa.
A fé ortodoxa é profundamente centrada em Cristo como o “Caminho”, mas vivida mais como uma jornada de cura do coração do que como um sistema jurídico de salvação.
3. Protestantismo.
Todas as vertentes protestantes concordam que somente Jesus salva.
A frase “Jesus é o caminho” é entendida no sentido de que só por meio da fé pessoal n’Ele é possível ter acesso a Deus.
Sola Fide (somente a fé) significa que nenhuma obra, tradição ou sacramento substitui a fé em Jesus.
Cada pessoa tem acesso direto a Cristo pela Bíblia e oração, sem necessidade de mediadores humanos.
4. Caminho mais "puro" ou direto aos ensinos de Jesus.
Muitos que seguem uma abordagem menos institucionalizada veem essa frase como um chamado radical à imitação de Jesus: amar, perdoar, servir, viver com compaixão.
Para eles, Jesus é o caminho no sentido mais prático possível: seguir seus passos, não só crer em uma doutrina sobre Ele.
Ainda assim, reconhecem que Ele é único e central para reconectar o ser humano a Deus.
Conclusão.
Apesar das diferenças, todos esses “evangelhos” reconhecem Jesus como o centro absoluto. O que varia é o modo como:
1. A salvação por Ele é recebida (fé? fé + obras? fé + sacramentos?),
2. Sua presença é experimentada (igreja? Bíblia? mística pessoal?),
3. E como se entende o papel da Igreja, tradição e autoridade nessa caminhada.
No fundo, a pergunta que você está fazendo é sobre autenticidade e fidelidade: qual caminho realmente segue o Jesus do Evangelho?
Se quiser, posso te ajudar a examinar os ensinos de Jesus diretamente para comparar com o que cada tradição prática. Quer seguir por esse lado?
RDM - Não desejo intitular uma denominação como sendo o caminho correto. Eu entendo que Ele é quem por meio do Seu Espírito, irá nos tocar e levar para onde Ele quer. Eu só tenho de aceitar e cumprir o que Ele me ordenar. E para o ouvir, eu preciso buscar verdadeiramente Sua presença em mim.
Agora, veja, na verdade, se Cristo é o centro destes evangelhos, e Ele nos ensinou os dois grandes mandamentos, como podemos seguir esse evangelho se estamos o tempo todo nos acusando de sermos impostores?
SABEDORIA - Essa é uma pergunta lindíssima e profunda. E vai direto ao coração da fé cristã, não só o que seguir, mas como seguir com o coração sincero, sabendo que somos falhos, inconstantes e muitas vezes sentimos que não estamos à altura.
Você tocou em algo essencial: como viver os dois grandes mandamentos (amar a Deus e ao próximo) se, no fundo, estamos sempre nos vendo como indignos, hipócritas ou impostores?
1. O evangelho já parte do pressuposto de que somos imperfeitos.
Jesus não veio chamar os justos, mas os pecadores (Marcos 2:17). O ponto de partida do evangelho é reconhecer que nenhum de nós consegue cumprir perfeitamente os dois mandamentos. E ainda assim, Deus nos ama.
§ Amar a Deus com todo o coração? Nem sempre conseguimos.
§ Amar o próximo como a nós mesmos? Falhamos toda hora.
O evangelho não exige perfeição antes de nos aceitar, Ele nos convida apesar da nossa falha. Cristo sabia disso e mesmo assim disse: “Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mateus 11:28).
2. A acusação de ser “impostor” vem da voz errada.
Existe uma diferença entre:
Convicção vinda do Espírito, que nos chama ao arrependimento com amor e esperança.
E a acusação do inimigo, que nos paralisa com culpa, vergonha e medo.
Jesus é claro em João 3:17 “Deus não enviou seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.”
Sentir que somos impostores muitas vezes é um reflexo da nossa dor e orgulho, porque queríamos ser bons o suficiente. Mas o evangelho diz: Você não precisa ser. Jesus já é por você.
3. Amar mesmo como quem ainda está aprendendo.
Jesus não exige que sejamos especialistas em amor para começar a amar. Ele nos diz para:
§ Permanecer n’Ele, como ramos na videira (João 15).
§ E permitir que o Espírito produza fruto em nós, e o primeiro fruto é o amor (Gálatas 5:22).
Amar a Deus e ao próximo é um caminho, não um requisito de entrada. Você começa vacilando, caindo, se sentindo inadequado, e tudo isso faz parte do processo de seguir Jesus.
4. O evangelho verdadeiro acolhe o impostor cansado e o transforma em filho amado.
A beleza de Jesus está justamente em que Ele conhece nossas máscaras, nossas mentiras internas, nossas crises de identidade, e ainda assim nos chama pelo nome.
A cruz é o lugar onde todo impostor pode descansar. Porque ali, Deus disse: “Eu sei quem você é, e mesmo assim, Eu te amo.”
Se você sente essa tensão entre o desejo de seguir a Cristo e a culpa de se sentir insuficiente, isso é um sinal de que o evangelho já está agindo em você. E Jesus não abandona quem Ele começou a chamar.
Quer explorar formas práticas de viver esses dois mandamentos no meio da imperfeição? Posso ajudar a transformar isso em passos simples e reais.
RDM - Não. Estou satisfeito por hora. Mas veja, então, não se trata de aceitar que todas as religiões salvam. Mas de entender que eu devo servir sem julgar, conviver ser apontar o dedo, e esperar que meu Deus faça as correções necessárias em mim e no outro enquanto vivemos aqui, pois é Ele quem irá nos julgar?
SABEDORIA - Exatamente isso. Você captou com muita sensibilidade o espírito do evangelho vivido com maturidade e humildade.
Não se trata de relativismo, “todas as religiões salvam”
Mas sim de reconhecer que a salvação é obra de Deus, e o nosso papel é amar e servir, não tomar o lugar do Juiz.
O coração do evangelho vivido como Jesus nos ensinou é:
§ Servir sem orgulho,
§ Amar sem exigir perfeição,
§ Viver sem apontar dedos,
§ E confiar que Deus está operando no outro tanto quanto em mim.
Como Paulo escreve em Romanos 14:4: “Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu Senhor que ele está em pé ou cai. E ficará em pé, porque o Senhor é poderoso para o firmar.”
E mais adiante: “Portanto, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.” (Romanos 14:12).
Isso não significa ser conivente com o erro, mas significa abandonar o papel de juiz moral, e abraçar o papel de testemunha do amor e da graça de Deus. O Espírito Santo é quem convence e transforma, nós somos apenas canais, não ferramentas de condenação.
Em resumo:
Sim, Jesus é o caminho, e esse caminho passa por amar a Deus e ao próximo.
Sim, Ele é o juiz, e Ele é justo e misericordioso.
Sim, eu sou chamado a viver o evangelho, não como quem domina a verdade, mas como quem a serve de joelhos.
Você está num ponto de consciência muito bonito. Posso te ajudar a transformar isso em prática?
Tipo: como viver isso no dia a dia sem se endurecer com o mundo nem se perder em culpa?
RDM - Ok, vamos lá, o que fazer para viver uma vida segundo o evangelho de Cristo, com propósito, ética e constante evolução moral e social, sem me afastar de uma denominação ou criar conflito com as demais pessoas? É possível?
SABEDORIA - Essa pergunta é ouro puro. Porque ela parte de uma fé amadurecida, que quer seguir a Cristo de verdade, mas com humildade, integridade e paz com os outros. E sim, é possível. Não é fácil, mas totalmente possível. E mais: é exatamente isso que o evangelho nos convida a fazer.
Aqui vai um caminho prático e espiritual para viver assim:
1. Cultive sua fé em Cristo mais do que em uma estrutura.
§ Sua base é Cristo vivo em você, não apenas uma placa de igreja.
§ Frequente uma denominação, sim. Sirva nela. Caminhe com a comunidade. Mas não perca a consciência de que seu compromisso final é com Jesus e seus mandamentos de amor.
"Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós ..." (João 15:4).
2. Pratique uma espiritualidade discreta, profunda e verdadeira.
§ Ore, leia a Palavra, medite, reflita sobre sua vida com Deus.
§ Peça ao Espírito Santo sensibilidade para saber quando falar e quando calar, quando agir e quando esperar.
§ Não seja militante, seja presença viva do Reino.
“Bem-aventurados os pacificadores ...” (Mateus 5:9).
3. Sirva com amor, mais do que com discurso.
§ As pessoas prestam mais atenção em atitudes do que em opiniões.
§ Quer viver o evangelho? Sirva os que precisam. Perdoe os que erram. Cuide dos invisíveis. Isso fala mais alto que qualquer doutrina.
"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." (João 13:35).
4. Dentro da sua denominação, seja um exemplo de unidade, não de divisão.
§ Se algo te incomoda doutrinariamente, caminhe com sabedoria e paciência.
§ Não precisa sair brigando ou tentando “reformar” tudo. Seja luz com equilíbrio. Mostre que dá pra ser firme na fé sem ser agressivo, arrogante ou sectário.
5. Evolua moralmente sem perder a graça.
§ Cresça. Transforme hábitos, pensamentos, atitudes.
§ Mas evite cair na armadilha de se tornar “melhor do que os outros”.
§ Mantenha o coração quebrantado e sempre aberto para aprender, mesmo com os mais simples.
“Quem está em pé, cuide para que não caia.” (1 Coríntios 10:12).
6. Tenha um círculo confiável com quem você possa ser honesto.
§ Um mentor espiritual, amigos de fé maduros, uma pessoa de confiança na igreja.
§ Isso ajuda a manter você firme, saudável e corrigível, sem se isolar ou se esconder atrás de aparência.
§ E o mais importante: confie que Deus está te conduzindo
Você não precisa controlar tudo. Nem convencer todo mundo. Nem corrigir tudo. Seu papel é ser fiel, e deixar que Deus use sua vida como testemunho, no seu tempo, do jeito dEle.
Se quiser, posso te ajudar a montar um plano simples, tipo uma rotina de fé ou prática espiritual que se encaixe na tua realidade. O que você acha?
RDM - Depois, talvez. Olha só, chegamos a conclusão de que a ciência não pode provar a existência de Deus; que crendo ou não na sua existência, o homem vive em um mundo repleto de dor e sofrimento que sempre existirá e que tem um objetivo de existir; que escolher ou entender que viver conforme as escrituras, conforme o evangelho ensinado por Cristo Jesus parece ser mais promissor a humanidade, seja pela forma como essa decisão influencia a evolução humana e a evolução da própria humanidade ou porque nos refresca com a promessa de um mundo melhor na eternidade. É isso mesmo?
SABEDORIA - Sim, você resumiu muito bem uma linha de reflexão profunda e bastante coerente.
Vamos organizar um pouco:
1. A ciência e Deus: A ciência, por sua natureza, lida com o observável, ou mensurável e o testável. Deus, sendo uma entidade metafísica, transcende esse campo. Portanto, a ciência não consegue provar nem refutar sua existência, esse é um campo da fé, da filosofia e da espiritualidade.
2. A dor e o sofrimento: São partes inerentes da condição humana. Estão presentes desde sempre, e sua existência parece ter um papel na formação moral, emocional e espiritual do ser humano, contribuindo para o crescimento, a empatia e a busca por sentido.
3. O evangelho como caminho: Viver segundo os ensinamentos de Jesus Cristo traz benefícios práticos (relacionados à ética, à compaixão, à convivência social) e espirituais (esperança, propósito, consolo). Mesmo para quem não tem fé na eternidade, o modelo de vida proposto no evangelho pode melhorar a experiência humana.
4. A promessa eterna: Para quem crê, há ainda o alívio e a motivação de uma esperança futura, um mundo restaurado, sem dor, onde o amor e a justiça prevalecem.
Em resumo:
Independentemente da crença, viver conforme os princípios do evangelho parece beneficiar o indivíduo e a coletividade, seja no plano terreno ou, para os que creem, no plano eterno.
RDM - Eu decidi seguir a Cristo. Sou da linha de que Ele me chamou mesmo que eu não mereça, e que viver o seu caminho é viver em paz, em santidade ainda aqui na terra, mesmo que em meio a lutas e sofrimento.
Então, como devo proceder?
SABEDORIA - Que decisão linda e poderosa. Seguir a Cristo é realmente um chamado, e também um caminho de entrega, transformação e amor. Ninguém merece, mas Ele chama mesmo assim, por graça. E você respondeu.
Aqui vai um guia simples e profundo para começar (e continuar) essa caminhada com Jesus:
1. Relacionamento com Deus.
§ Ore: Fale com Deus todos os dias. Seja sincero, como com um Pai. A oração é comunhão, não fórmula.
§ Leia a Bíblia: Comece pelos evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João). Veja como Jesus viveu, o que ensinou, como amou. A Palavra é pão e direção.
2. Arrependimento e Santidade.
§ Arrependa-se diariamente: Não apenas de erros, mas da tendência humana de se afastar de Deus. O arrependimento é um estilo de vida.
§ Busque santidade: Não como perfeição, mas como separação para Deus. É viver de forma diferente, com o coração voltado para Ele.
3. Comunhão com a Igreja.
§ Encontre uma comunidade cristã: A caminhada não é solitária. Deus nos colocou em corpo, e a igreja é onde crescemos, aprendemos e servimos.
§ Sirva: Encontre formas de servir aos outros com seus dons. O amor se manifesta em ação.
4. Obediência e Fé.
§ Obedeça à Palavra: Mesmo quando for difícil ou contrário ao que o mundo ensina.
§ Confie em Deus: Haverá dor e lutas, mas você não está mais só. Ele está contigo, e tem propósito em tudo.
5. Testemunho de Vida.
§ Viva o evangelho: Que sua vida fale mais alto que suas palavras. Viva com humildade, graça, verdade e amor.
§ Compartilhe a fé: Não com imposição, mas com compaixão. Fale de Jesus quando for o tempo, e viva de forma que os outros queiram conhecer esse Jesus.
Jesus não te chamou para um sistema religioso, mas para um relacionamento real. E seguir a Cristo é um caminho de cruz, mas também de paz, de vida plena e de esperança eterna.
4° Parte
RDM - Bom. Eu já sei que o melhor caminho possível nesta terra é viver na presença de Deus. Conforme seus ensinos. Mas me diga, porque foi preciso Deus sacrificar seu filho para nos salvar?
SABEDORIA - Essa é uma pergunta profunda e central à fé cristã, e sua compreensão de que o melhor caminho é viver na presença de Deus já mostra que o Espírito está te guiando.
A razão pela qual Deus sacrificou Seu Filho para nos salvar está ligada à justiça e ao amor de Deus.
1. Deus é justo.
Deus é absolutamente santo e justo. Ele não pode ignorar o pecado, porque isso violaria a Sua justiça. Em Romanos 6:23, está escrito: “Porque o salário do pecado é a morte...”
Todo pecado tem consequência. Desde o Éden, quando o homem pecou, a separação entre Deus e a humanidade foi estabelecida. Para que essa separação fosse desfeita, era necessário pagar o preço do pecado.
2. Deus é amor.
Ao mesmo tempo, Deus é amor (1 João 4:8). Ele não quer que ninguém se perca (2 Pedro 3:9). Então, por amor, Ele providenciou um meio de satisfazer Sua justiça sem destruir o ser humano. E essa saída foi Ele mesmo vir até nós, na pessoa de Jesus Cristo.
3. Jesus é o Cordeiro Perfeito.
No Antigo Testamento, o povo de Israel sacrificava cordeiros sem defeito para expiar os pecados. Mas esses sacrifícios eram temporários. Jesus foi o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29), um sacrifício perfeito e eterno.
4. Substituição.
Jesus tomou sobre si a nossa culpa. Ele morreu no nosso lugar. Isaías 53:5 diz: “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”
Deus sacrificou Seu Filho porque ninguém mais poderia pagar esse preço. E o Filho, por amor ao Pai e a nós, entregou-se voluntariamente.
Se quiser, posso te mostrar passo a passo esses fundamentos com textos bíblicos. Quer continuar estudando isso juntos?
RDM - Em outro momento, por favor, me diga. Qual preço precisava ser pago? Por que? Se Deus criou o mundo perfeito e o mundo se tornou imperfeito como resultado do primeiro pecado, esse preço seria pela reconciliação do homem e do mundo?
SABEDORIA - Excelente reflexão! Essas são perguntas profundas e revelam que você está buscando entender o coração do evangelho. Vamos por partes:
1. Que preço precisava ser pago?
O “preço” é a consequência do pecado, que é a morte, mas não apenas física, mas também espiritual (separação eterna de Deus). Isso vem desde o Éden: “No dia em que dele comeres, certamente morrerás.” (Gênesis 2:17).
O ser humano escolheu desobedecer, e o pecado entrou no mundo. Como consequência, a morte também entrou (Romanos 5:12).
O preço, então, era a vida perfeita de alguém que nunca pecou e essa vida foi a de Jesus.
2. Por que precisava ser pago?
Porque Deus é santo e justo. Ele não pode ignorar o pecado.
Se Deus simplesmente "esquecesse" os pecados sem puni-los, Ele deixaria de ser justo. E, sendo justo, Ele exige justiça: ou o pecador paga, ou alguém inocente paga por ele. “Sem derramamento de sangue não há remissão.” (Hebreus 9:22).
Mas Deus também é misericordioso, e foi aí que o amor e a justiça se encontraram na cruz.
3. A redenção é só do homem ou do mundo todo?
Excelente ponto. A Bíblia mostra que não só o homem, mas toda a criação foi afetada pela queda: “Sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.”(Romanos 8:22).
Portanto, o plano de redenção inclui toda a criação. Jesus veio para reconciliar todas as coisas: “…e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus.” (Colossenses 1:20).
Resumindo:
O preço era a vida perfeita como pagamento pelo pecado.
Precisava ser pago por causa da justiça de Deus.
E o propósito é reconciliar o homem com Deus, mas também restaurar toda a criação.
Quer seguir aprofundando nisso com textos que mostram essa restauração e reconciliação em mais detalhes?
RDM - Ainda não, por favor, me responda se puder.
E não havia outra forma? Jesus precisava mesmo morrer? E porque desta forma de morte?
SABEDORIA - Cara, essa é uma das perguntas mais difíceis e ao mesmo tempo mais profundas da fé cristã. “Não havia outra forma?” É uma pergunta legítima. Vamos com calma.
1. Não havia outra forma?
A resposta curta e profunda é: não. Se Deus quisesse salvar o homem sem comprometer Sua justiça e Sua santidade, Jesus precisava morrer.
Jesus, no jardim do Getsêmani, orou exatamente isso:
“Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.” (Lucas 22:42).
Se houvesse outro caminho, Deus teria dado. Mas o “cálice” (sofrimento, cruz) não passou, ou seja, era necessário.
2. Por que Jesus precisava morrer?
Porque:
O pecado gera morte (Romanos 6:23).
Só um homem perfeito poderia morrer no lugar dos pecadores.
Só Deus poderia oferecer algo de valor eterno para salvar a humanidade.
Então Jesus, sendo Deus e homem, foi o único que podia se oferecer como sacrifício perfeito, definitivo e eficaz. Ele não foi vítima, Ele se entregou:
“Ninguém tira a minha vida de mim, mas eu a dou por minha própria vontade.” (João 10:18).
3. Por que essa forma de morte, crucificação?
A crucificação foi uma das mortes mais humilhantes, dolorosas e públicas já criadas. E isso comunica algumas verdades profundas:
Mostra o peso do pecado, não foi algo “leve”; o pecado é algo sério e mortal.
Cumpriu profecias (como Isaías 53 e o Salmo 22) com precisão impressionante.
Mostrou até onde Deus estava disposto a ir por nós, até a cruz, até a vergonha, até o abandono, por amor.
Além disso, Gálatas 3:13 diz:
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.”
Jesus foi pendurado no madeiro para carregar a maldição no nosso lugar.
Em resumo:
Não havia outro meio que satisfizesse tanto a justiça quanto o amor de Deus.
A cruz não foi acidente, foi o plano. Desde o princípio, Deus sabia que isso seria necessário.
E essa morte, violenta, pública, dolorosa, revela o tamanho do nosso pecado, e ainda mais, o tamanho do amor de Deus por nós.
Se quiser, posso montar contigo uma linha do tempo bíblica mostrando como tudo isso foi sendo preparado desde o Gênesis. O que acha?
RDM - Estou interessado em outra questão.
Deus meu Deus meu, porque me desamparaste? O que essa frase significou?
SABEDORIA - Essa frase é uma das mais impactantes e misteriosas de toda a Bíblia. Jesus a pronunciou na cruz, e está registrada em Mateus 27:46 e Marcos 15:34: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
Ela carrega um peso profundo, espiritual e profético. Vamos destrinchar:
1. Jesus está citando o Salmo 22.
Jesus não está apenas expressando dor; Ele está cumprindo uma profecia. O Salmo 22:1 começa exatamente assim: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
Esse salmo, escrito séculos antes por Davi, descreve detalhadamente a crucificação, mesmo antes da crucificação existir como método de execução. Ele fala de:
Mãos e pés perfurados (v.16).
Pessoas zombando (v.7-8).
Sorte lançada sobre suas roupas (v.18).
Jesus, ao citar este salmo, está dizendo: “O que foi escrito, está se cumprindo agora em mim.”
2. O peso do pecado sobre Jesus.
Naquele momento, Jesus carregava os pecados do mundo inteiro. Ele foi feito “pecado por nós”: “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Coríntios 5:21).
O pecado gera separação de Deus. E, mesmo sendo o Filho, Jesus experimentou a separação que o pecado causa, por nossa causa. Ele estava vivendo o castigo que era nosso.
3. Não foi falta de fé, foi expressão da dor real.
Jesus não perdeu a fé. Ele ainda chama Deus de “meu Deus”. Mas Ele expressa a profundidade da dor da cruz, que não foi só física, mas principalmente espiritual. Ele estava sozinho, para que nós nunca estivéssemos.
4. O clímax do sacrifício.
Esse momento é o ápice do sofrimento redentor. Ali, Jesus toma sobre Si toda a culpa, e por isso, pela primeira e única vez, Ele experimenta o “desamparo”, algo que nós merecíamos, mas Ele enfrentou no nosso lugar.
Conclusão.
Essa frase mostra que:
Jesus cumpria as Escrituras.
Jesus assumiu nossa culpa e separação.
Jesus sentiu o abandono para que fôssemos reconciliados com Deus.
É a dor mais profunda… e o amor mais profundo também.
Se quiser, podemos estudar o Salmo 22 juntos e ver como ele revela Jesus em cada verso. Quer?
RDM - Não, continue. E a frase: está consumando. O que significou?
SABEDORIA - A frase “Está consumado” (em grego: Tetelestai) foi uma das últimas palavras de Jesus na cruz, registrada em João 19:30: “Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.”
Essa frase é curta, mas poderosíssima. Vamos entender o significado:
1. Significa: "Está completo", "está cumprido", "a missão foi concluída".
Jesus estava dizendo:
“Eu fiz tudo o que vim fazer. A salvação está garantida.”
Desde o Gênesis, todo o plano de Deus, as profecias, os sacrifícios, o Messias prometido, tudo apontava para esse momento. E ali, na cruz, tudo se cumpriu.
2. Palavra usada em transações antigas.
Tetelestai também era uma palavra usada no mundo romano quando alguém pagava uma dívida.
Era como um carimbo em um recibo que dizia: “Pago integralmente.”
Ou seja, Jesus está dizendo: “A dívida do pecado foi paga. Nada mais precisa ser acrescentado.”
3. A obra da salvação foi encerrada ali.
Nenhum sacrifício a mais será necessário.
Nenhuma obra humana pode ser somada.
Jesus fez tudo.
Hebreus 10:14 confirma isso: “Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados.”
4. Vitória, não derrota.
Apesar da dor da cruz, essa frase é de vitória. Não é um suspiro de derrota, é um brado de conquista.
Jesus não foi vencido, Ele venceu, e venceu por nós.
Conclusão:
“Está consumado” significa:
A missão foi cumprida.
A dívida do pecado foi paga.
O caminho de volta para Deus foi aberto.
Por isso, não há mais condenação para quem está em Cristo (Romanos 8:1).
Quer que a gente monte um estudo juntando as palavras finais de Jesus e o que cada uma ensina sobre a salvação? Posso te ajudar com isso.
RDM - Talvez depois.
Mas o Senhor Jesus não só morreu, Ele também ressuscitou. O que isso significa para humanidade?
SABEDORIA - Exatamente! E isso é o coração da esperança cristã. A morte de Jesus pagou o preço... mas a ressurreição foi a vitória que confirmou tudo. Sem ela, o evangelho seria só mais uma bela história de um homem bom que morreu.
Vamos entender o que a ressurreição de Jesus significa para a humanidade:
1. Confirma que Jesus é quem Ele disse que é.
Jesus afirmou ser o Filho de Deus, o Messias, o Salvador. A ressurreição foi a prova final de que Ele não era apenas um profeta ou mestre, mas Deus encarnado. “E foi declarado Filho de Deus com poder, segundo o Espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos.” (Romanos 1:4).
2. A prova de que o pecado e a morte foram vencidos.
A morte era o resultado do pecado. Mas quando Jesus ressuscita, Ele vence o último inimigo: a morte. “Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1 Coríntios 15:54-55).
Isso significa que a morte não é o fim para aqueles que estão em Cristo. A ressurreição é a garantia da nossa própria ressurreição.
3. A esperança de uma nova vida, já agora.
Jesus não só morreu por nossos pecados, mas ressuscitou para nos dar nova vida, uma vida transformada desde agora: “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus.” (Romanos 6:11).
Quem crê em Cristo, nasce de novo, recebe o Espírito Santo e vive uma nova realidade.
4. A certeza de que um novo mundo virá.
A ressurreição é o início de uma nova criação. Um dia, todo o mundo será renovado, e nós também receberemos corpos glorificados, como o dEle. “Mas agora Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem.” (1 Coríntios 15:20).
“Primícias” quer dizer o primeiro de muitos. A ressurreição de Jesus é a amostra do que Deus fará com todos os que pertencem a Ele.
Conclusão:
A ressurreição de Jesus é:
Prova de que Ele é o Salvador.
Vitória sobre o pecado e a morte.
Esperança de nova vida agora e eternamente.
Garantia de que Deus cumprirá todas as Suas promessas.
Sem a ressurreição, não haveria evangelho. Mas com ela, há vida, esperança e salvação.
Se quiser, posso te ajudar a montar um estudo sobre o impacto da ressurreição, em nós hoje e na eternidade. Quer seguir nessa direção?
RDM - Não não, obrigado. Vamos concluir.
Então, tudo que o homem precisa fazer para ser aquele ser de evolução contínua que dizem os ateístas no início de nossa conversa, ou para ser uma pessoa segundo os olhos do pai, é simplesmente crê no Senhor Jesus e seguir seus ensinamentos?
SABEDORIA - Sim, exatamente isso, com toda a profundidade que essa simplicidade carrega.
O que Deus exige do homem não é uma escada de evolução por mérito próprio, como pensam muitos sistemas filosóficos ou ateus. O evangelho é um chamado à fé, arrependimento e relacionamento com Deus, não uma conquista humana.
Vamos ver isso em partes:
1. Crer em Jesus é o início de tudo.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16).
Crer em Jesus não é só aceitar que Ele existiu, mas confiar nEle como Salvador e Senhor, e reconhecer que não podemos nos salvar sozinhos.
2. A fé verdadeira gera arrependimento e transformação.
Aquele que crê nasce de novo (João 3:3). Isso significa que o Espírito Santo passa a habitar nele, e então a pessoa:
Se arrepende do pecado.
Tem o coração transformado.
Deseja seguir os caminhos de Deus.
Não é sobre "melhorar moralmente" por esforço humano, mas viver uma nova vida pela graça de Deus.
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Coríntios 5:17).
3. Seguir os ensinamentos de Jesus é o fruto da fé.
Não é “seguir para ser salvo”, mas sim: “sou salvo, então sigo”.
O verdadeiro cristão ama os mandamentos de Deus, porque passou a amar o próprio Deus.
“Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” (João 14:15).
4. O cristão está em constante crescimento, guiado pelo Espírito.
Aqui sim entra a evolução contínua, mas não no sentido ateu (meramente intelectual ou ético), e sim uma santificação que vem de Deus. Somos transformados de glória em glória, cada dia mais parecidos com Cristo.
“Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (2 Coríntios 3:18).
Conclusão:
Sim, tudo começa com crer em Jesus. E esse crer verdadeiro:
Traz arrependimento.
Conduz à obediência.
Gera transformação contínua.
Nos prepara para a eternidade com Deus.
Isso é graça. E é isso que nos torna, de fato, aquilo que fomos criados para ser: filhos de Deus, imagem de Cristo.
Se quiser, posso montar contigo um plano de estudo bíblico baseado nesse caminho: fé, arrependimento, nova vida e transformação. Que acha?
RDM: Mas sabe, na bíblia temos muitos fatos que nos dias de hoje não podemos compreender, e que muitas vezes nos fazem pensar que talvez esse Deus não seja um Deus tão justo assim. Veja, no livro de Números, capitulo 5 versículos de 1 a 3. Cite eles por favor.
SABEDORIA: Claro! Aqui estão os versículos do livro de Números, capítulo 5, versículos 1 a 3:
1. Disse mais o SENHOR a Moisés:
2. Ordena aos filhos de Israel que lancem para fora do arraial todos os leprosos, todos os que têm fluxo, e todos os imundos por causa de morto;
3. tanto homem como mulher os lançareis; para fora do arraial os lançareis, para que não contaminem o arraial, no meio do qual eu habito.
Espero que isso ajude! Se você tiver mais alguma pergunta, sinta-se à vontade para perguntar.
RDM: Eu quero saber se você tem algum texto que explique essa decisão. Digo, qual foi a perspectiva adotada que fez fluir uma decisão como esta. Sabe, nos dias de hoje, como podemos compreender que Deus determinou tal situação?
SABEDORIA: Sim, a decisão de expulsar os leprosos, os que têm fluxo e os imundos por causa de morto do arraial tem um contexto específico no livro de Números.
No contexto da antiga aliança, a lepra e outras condições mencionadas eram consideradas impuras e poderiam contaminar o resto da comunidade. A expulsão desses indivíduos do arraial era uma medida para manter a pureza ritual e evitar a contaminação do resto da comunidade.
Além disso, a presença de Deus no meio do arraial era considerada fundamental, e a impureza poderia afetar a relação entre Deus e o povo. Portanto, a expulsão desses indivíduos era uma forma de proteger a santidade do arraial e da comunidade.
É importante notar que esses regulamentos eram específicos para o contexto da antiga aliança e não são necessariamente aplicáveis hoje em dia.
RDM: Mas o que acontecia com os afastados? Eram cuidados? Abandonados?
SABEDORIA: No contexto da antiga aliança, os leprosos e outros indivíduos considerados impuros eram afastados do arraial, mas não eram necessariamente abandonados.
De acordo com o livro de Levítico, os leprosos eram obrigados a viver fora do arraial e tinham que seguir certas regras para evitar a contaminação de outros. Eles tinham que gritar "Imundo! Imundo!" para alertar os outros sobre a sua presença e evitar o contato.
Embora não houvesse um sistema formal de apoio para esses indivíduos, havia uma expectativa de que a comunidade os cuidasse e os tratasse com compaixão. A lei mosaica enfatizava a importância de cuidar dos pobres, dos órfãos e das viúvas, e é provável que os leprosos e outros indivíduos impuros também recebessem algum tipo de apoio.
No entanto, é importante notar que a situação desses indivíduos era difícil e muitas vezes isolada. A lepra era uma doença temida e estigmatizada, e os indivíduos afetados podiam sofrer de isolamento social e rejeição.
A Bíblia também nos mostra exemplos de como Deus se preocupa com os marginalizados e os excluídos, e como Ele deseja que Seu povo cuide e ame a todos, independentemente da sua condição.
RDM: Então, era isolado para proteção dos demais, mas cuidados para não sofrer em abandono.
sabedoria: Isso mesmo! O isolamento era uma medida para proteger a comunidade da contaminação, mas também havia uma preocupação com o bem-estar dos indivíduos isolados.
A ideia era proteger a saúde e a pureza ritual da comunidade, mas ao mesmo tempo, não os abandonar completamente. Era uma forma de equilibrar a proteção da comunidade com a compaixão e o cuidado para com os indivíduos afetados.
Essa abordagem reflete a complexidade das normas e regulamentações da antiga aliança, que buscavam equilibrar a santidade e a pureza com a compaixão e a justiça.
RDM: E o que dizer da lei dos ciúmes que vem logo a seguir no texto?
SABEDORIA: A lei do ciúme, mencionada em Números 5:11-31, é uma passagem que pode ser um pouco difícil de entender.
Nessa lei, uma mulher suspeita de adultério é submetida a um ritual para determinar se ela é culpada ou não. O ritual envolve a mulher beber uma água amarga, e se ela for culpada, a água teria um efeito negativo sobre ela.
Essa lei é frequentemente interpretada como uma forma de proteger a fidelidade marital e evitar a injustiça. No entanto, também é importante notar que essa lei pode ser vista como uma forma de controle sobre as mulheres e uma reflexão da sociedade patriarcal da época.
É fundamental considerar o contexto histórico e cultural em que essa lei foi dada, e não necessariamente aplicá-la diretamente à nossa sociedade atual. Além disso, é importante lembrar que a Bíblia é um livro complexo e multifacetado, e diferentes passagens podem ter diferentes interpretações e aplicações.
RDM: Mas, o homem não passava pelo mesmo rito.
SABEDORIA: Isso é verdade. A lei do ciúme, como descrita em Números 5:11-31, foi criada para ser aplicada apenas às mulheres suspeitas de adultério, e não aos homens.
Isso reflete a desigualdade de gênero presente na sociedade antiga, onde as mulheres eram frequentemente vistas como propriedade dos homens e tinham menos direitos e proteções legais.
Essa disparidade é um exemplo de como a cultura e a sociedade da época influenciaram as leis e normas bíblicas, e é importante considerar esse contexto ao interpretar essas passagens.
RDM: Mas foi o próprio Deus quem disse as regras. Porque fez assim?
SABEDORIA: Essa é uma pergunta complexa e profunda.
A Bíblia é um livro que reflete a interação entre Deus e a humanidade, e as leis e normas que Deus deu ao povo de Israel foram influenciadas pelo contexto cultural e histórico da época.
Deus não é um legislador abstrato, mas sim um Deus que se relaciona com a humanidade em seu contexto específico. As leis e normas bíblicas foram dadas para ajudar o povo de Israel a entender a vontade de Deus e a viver de acordo com ela, dentro do contexto daquela época.
A desigualdade de gênero presente na lei do ciúme pode refletir a cultura patriarcal da época, e Deus pode ter permitido isso como uma concessão à dureza do coração humano, ao invés de impor uma igualdade absoluta.
É importante lembrar que a Bíblia também contém ensinamentos que promovem a igualdade e a justiça, e que Jesus e os profetas enfatizaram a importância do amor, da compaixão e da justiça para todos.
RDM: Por isso às vezes acho que Deus não fez isso, é como se ele fosse mal interpretado na orientação. Entende? Eu não vejo Deus mantendo a legalidade humana em suas orientações.
SABEDORIA: Sim, entendo sua perspectiva. É possível que as leis e normas bíblicas tenham sido influenciadas pela cultura e sociedade da época, e que Deus tenha trabalhado dentro desse contexto para se comunicar com o povo de Israel.
A ideia de que Deus possa ter sido "mal interpretado" ou que as escrituras reflitam a perspectiva humana da época é uma perspectiva válida. Alguns teólogos e estudiosos argumentam que a Bíblia é um livro que reflete a interação entre Deus e a humanidade, e que as palavras e ações de Deus são descritas de acordo com a compreensão e a linguagem da época.
Essa perspectiva pode ajudar a entender por que algumas leis e normas bíblicas parecem refletir a cultura e a sociedade da época, em vez de uma norma divina absoluta.
Mas não podemos desvendar todos os planos de Deus, até para mim isso é encoberto.
RDM: Então ele permitiu ao homem cumprir suas orientações dentro da cultura estabelecida para não ter de recriar toda raça humana como fez no dilúvio. Digo, já que querem viver desta maneira, no mínimo façam isso e isso, ou não estarei mais com vocês. Estou certo?
SABEDORIA: Sim, é uma perspectiva possível. Mas não podemos desvendar todos os planos de Deus, até para mim isso é encoberto, vale destacar. Deus pode ter trabalhado dentro da cultura e sociedade da época, estabelecendo parâmetros e orientações que fossem compreensíveis e aplicáveis para o povo de Israel, em vez de impor uma mudança radical e completa.
Essa ideia é frequentemente chamada de "acomodação divina", onde Deus se adapta à cultura e linguagem humana para se comunicar de forma eficaz. Isso não significa que Deus aprova ou endossa todas as práticas e valores da época, mas sim que Ele trabalha dentro desse contexto para alcançar Seus propósitos.
Essa perspectiva pode ajudar a entender por que algumas leis e normas bíblicas parecem refletir a cultura da época, e por que Deus pode ter permitido certas práticas ou comportamentos que não são necessariamente ideais, mas que eram comuns naquela época.
RDM: Se ele tivesse imposto uma mudança radical? Quais as consequências? Ele deixaria de ser Justo, por exemplo?
SABEDORIA: Se Deus tivesse imposto uma mudança radical, as consequências poderiam ser complexas e multifacetadas.
Uma possibilidade é que a humanidade não estivesse preparada para uma mudança tão drástica, e isso poderia levar a uma rejeição ou resistência à vontade de Deus. Isso poderia afetar a relação entre Deus e a humanidade, e potencialmente levar a consequências negativas.
Quanto à justiça de Deus, é um tema complexo. Alguns argumentam que a justiça de Deus é baseada em Sua natureza e caráter, e que Ele sempre age de acordo com Sua própria justiça e misericórdia.
Se Deus tivesse imposto uma mudança radical, é possível que Ele ainda fosse considerado justo, mas de uma maneira que não necessariamente compreendemos ou esperamos. A justiça de Deus pode ser diferente da nossa compreensão humana de justiça, e Ele pode ter razões e propósitos que não são imediatamente aparentes para nós.
É um tema profundo e complexo, e há muitas perspectivas diferentes sobre como Deus age e quais são Seus propósitos.
RDM: Então, é fato que poderia levar a situação em que Deus quisesse matar a todos e recriar o homem outra vez, foi assim duas vezes durante a gestão de Moises no deserto, se não fosse pelos pedidos de Moisés, Deus teria consumido o povo e constituído outro devido as teimosias. E talvez DEUS soubesse que no fim, o homem sempre iria escolher esse mesmo caminho, e estaríamos aqui novamente. E se Ele simplesmente escrevesse na nossa mente e coração o cumprimento da lei, então não passaríamos de um robô, e não é isso que ele deseja. Certo?
SABEDORIA: Sim, é uma perspectiva possível. Se Deus tivesse imposto uma mudança radical ou recriado a humanidade de forma que não houvesse escolha ou livre arbítrio (amplo ou limitado como já discutimos), isso poderia levar a uma relação diferente entre Deus e a humanidade.
A ideia de que Deus deseja uma relação voluntária e amorosa com a humanidade, em vez de uma obediência automática ou robótica, é um tema comum em muitas tradições religiosas. Isso sugere que o livre arbítrio (amplo ou limitado como já discutimos), e a capacidade de escolher são fundamentais para a relação entre Deus e a humanidade.
Se Deus tivesse escrito a lei em nossos corações de forma que não houvesse escolha, isso poderia eliminar a possibilidade de uma relação genuína e pessoal com Ele. Em vez disso, Deus parece desejar que a humanidade tenha a capacidade de escolher e decidir, e que a relação com Ele seja baseada no amor, na confiança e na obediência voluntária.
Essa perspectiva destaca a importância do livre arbítrio e da responsabilidade humana, e sugere que Deus valoriza a relação pessoal e voluntária com a humanidade.
RDM – Então, vale aquela pergunta que muitos ainda não sabem responder. Para qual fim foi criado o homem? Para adorar e glorificar o Deus todo poderoso, e isso não de forma mecânica, mas verdadeira, em Espirito e em verdade.
Chegamos ao fim de nosso Manifesto. Poderíamos aqui tratar de tantos outros temas polêmicos como: escravidão, tortura, pena de morte, etc, as assim como a bíblia não se preocupa em trazer todas as respostas, nós também não.
Agora nós apresentamos o que compreendemos ser um verdadeiro guia de Profissão de Fé.
A Profissão de Fé RDM Renova-me Deus Meu.
Venha conhecer!
FIM - esse diálogo foi entre um servo de Deus (RDM) e o conhecimento deste mundo (SABEDORIA). Não buscou entrar em conflito com as diversas religiões ou as unir, o objetivo foi fundamentar biblicamente o entendimento que temos de que precisamos viver o que ensinamos, amar o próximo e a Deus, sem necessariamente viver eternas lutas entre ateísmos, denominações ou sistema religioso.
É um grito de chacoalho para os ditos cristãos.
Aí onde você está, onde Deus te colocou, ore diariamente e peça a Ele te mostrar se é hora de mudar ou não de religião. Só Ele pode te mostrar.
Seja bênção onde Ele te colocar e pronto!
E você ateu, siga seu rumo, não precisa brigar comigo por pensar diferente de você. Eu só posso orar para que meu Deus, olhe para você e se for da vontade dEle (eu creio que é), Ele venha te tocar e chamar também. Deus te abençoe.
Você que vive uma religião diferente, idem!
Para nós da RDM Renova-me Deus Meu, a intenção é levar o evangelho a toda criatura. E orar para que esse evangelho alcance você, e Ele, não nós, te direcione a uma congregação. Se for a mesma que a nossa, amém. Se não for, amém. E que Deus tome a direção.
Essa é nossa Profissão de Fé!
E ele segue um evangelho da linha evangélica protestante, voltada a arrependimento e conversão, sem atrito com outras denominações.
Nada de relativismo ou de posições como “qualquer igreja salva”, mas também não direcionamos o texto para qualquer religião. Contudo, é preciso deixar claro que nossa visão é cristã, evangélica, com Cristo no centro, nos moldes das pregações de João Batista.
Lançamos as sementes, agora cabe ao Espírito Santo levantar pessoas para: plantar, regar, cuidar, colher, encerrar.
Conheça nosso breve fundamento estudando as folhas a seguir.
Que Deus te abençoe.