Bolsonarismo segue sendo uma pedra no sapato dos tradicionais políticos riosulenses
Mudanças na votação de Thomé são explicadas pelo voto em deputados bolsonaristas?
Mudanças na votação de Thomé são explicadas pelo voto em deputados bolsonaristas?
OBS: Para entender melhor (o contexto) do que se segue deves ler (ou reler a parte 1 e 2) - Parte 1 clique aqui , Parte 2 clique aqui
O que se segue pode ser lido como uma terceira parte de 3 de uma série de textos que visa verificar o efeito do voto "nacional ideológico" sobre o voto local (nos tradicionais políticos da cidade) na cidade de Rio do Sul / SC. O voto local é tradicionalmente dado em virtude da forte liderança política de um tradicional político (ou tradicionais) e suas gestões à frente da cidade ou como deputado representando uma região mais ampla. O voto, nesse viés local, tem menor caráter ideológico, que o nacional.
O voto que chamamos aqui de "nacional ideológico" é exemplificado pelo voto para deputado no número 22 em 2022, mesmo não tendo nenhum candidato local desse partido na cidade. Os eleitores preferiram "abrir mão" do voto em um político local e dar para alguém mais "alinhado ideologicamente" aquele que apreciam à nível presidencial. Tal "alinhamento" foi suposto em virtude de esses candidatos "de fora" terem o mesmo número do candidato a presidente Bolsonaro.
A cidade estudada tem forte viés bolsonarista e esse viés "atrapalhou" o desempenho de políticos tradicionais da região em eleições. Em suma, essa predileção bolsonarista gerou dificuldades aos políticos locais, ao fazer com que antes eleitores desses, optassem pelo voto "nacional ideológico" (o 22(ou no 17)) em vez do "político da região".
Isso é um dado novo na região, e verificamos ao longo dos duas primeiras partes que há sim essa relação.
Vamos avançar agora e verificar se as mudanças- a forte redução - dos votos de José Thomé em 2020 (comparado a 2016), é semelhante a distribuição de votos nos deputados do PL em 2022.
Thomé é filho de um político local e apadrinhado de outro, portanto é fortemente herdeiro de uma tradição de gestores associados à famílias ou padrinhos políticos. Foi eleito e reeleito em dois pleitos municipais e se cacifa para o cargo de deputado estadual em 2026. Além disso, o seu apoio pode ser um um importante elemento decisivo para o pleito municipal de 2024 (isso ainda a ver).
Portanto, o atual prefeito (escrevo esse texto no começo de 2024) é sim um bom modelo para testarmos a tese da "Pedra no Sapato".
O que faremos é simples testaremos duas relações (usaremos o teste correlação de Pearson, o mesmo da parte 1) para verificar se há correlação (relação) entre 'Y' e 'bolsonarismo22'
'Y' é a subtração Votos de Thomé 2020 - Votos de Thomé 2018 *em porcentagem
'bolsonarismo22' são votos em deputados do PL (número 22) em 2022 *em porcentagem
A unidade de análise é a seção eleitoral, o que permite ter mais de 100 casos analisados. Verificamos portanto, se a diferença [Thomé 2020 - Thomé 2016] é maior (ou não) onde o 22 foi bem votado (em 2022). Nossa hipótese é de que a diferença é maior onde o bolsonarismo foi bem votado. Testaremos também a comparação com o voto no presidente Bolsonaro.
OBS: Para entender melhor (o contexto) do que se segue deves ler (ou reler a parte 1 e 2) - Parte 1 clique aqui , Parte 2 clique aqui
Primeiramente cumpre verificar se houve queda mesmo e em quantas seções? A figura abaixo explicita essa dimensão
Em média Thomé perdeui 7,8% por seção eleitoral e em somente 17 das 120 seções Thomé teve mais votos em 2020 do que em 2016, será que foram nas 103 que o bolsonarismo não é tão forte? É isso que verificaremos a seguir.
Na sequência dividimos os resultados de y - [Thomé 2020 - Thomé 2016] - em cinco partes. Ou seja, em quintis:
Quintis: Os quintis são uma forma de dividir um conjunto de dados ordenados em cinco partes iguais. Eles são uma medida estatística que ajuda a entender a distribuição dos valores em um conjunto de dados.
Imaginemos que temos um conjunto de dados organizado em ordem crescente ou decrescente[[Thomé 2020 - Thomé 2016]] . Os quintis dividem esse conjunto em cinco partes, onde cada parte contém aproximadamente 20% dos dados.
A média de cada quintil da subtração [Thomé 2020 - Thomé 2016] ajuda a entender como foi dividido os quintis. No quintil 1, a subtração teve em média -15,7 (ou seja Thomé teve essa média de redução em 2020, comparado a 2016). No quintil 2, a média foi de -11,1. No quintil 3, a média foi de -9,02. No quarto quintil a média foi -5,87. Por fim o quinto e último apresentou média positiva de 2,43 (ou seja, na seções desse quintil, em média Thomé teve 2,43% a mais de voto em 2020 comparado a 2016).
Verificamos abaixo a discriminação dessas médias por quintil:
Explicitado a queda da votação de Thomé em 2020 e os quintis (grupos), verificamos então o teste de média para ver se como a média de votação no PL (2022) por cada quintil de [Thomé 2020 - Thomé 2016]. O gráfico abaixo mostra isso
Verificamos que é "onde" (quintis 4 e 5) a diferença foi menor de 2020 a 2016, é também onde o PL recebeu votação menos forte (menores médias). Ou seja, Thomé teve mais queda na votação em seções onde o PL foi melhor votado (quintis, 1,2 e 3). Ou seja, em suma, onde o voto 'ideológico nacional' é maior, Thomé caiu mais. Temos portanto, mais um apontamento no sentido de que o bolsonarismo segue sendo uma pedra no sapato dos tradicionais (ou representantes desses) políticos locais.
Verificamos, também como adicional o mesmo teste de média para Bolsonaro 2018 e Bolsonaro 2022 (ambos segundo turno)
Com exceção do quintil 5 (mais em 2022) a lógica segue a mesma do teste com deputados bolsonaristas.
Comparando os 3 gráficos finais, é sempre no quintil 1 (grupo de seções eleitorais onde Thomé 2020 teve maior queda) que a média do voto bolsonarista é maior
Caso não tenha lindo, reitero o convite de ler parte 1 e 2 - Parte 1 clique aqui , Parte 2 clique aqui
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Na segunda parte desse total de três, explicamos o que é a direita miltista. Testaremos, a seguir, [Thomé 2020 - Thomé 2016] mediante a média de cada quintil e o voto nessa "direita não miltista em 2018".
é ainda mais marcante, que nos baixos quintis (onde foi maior a redução de Thomé) a votação nessa direita não miltista é bem maior.