Por Gregório Unbehaun Leal da Silva em 10/12/2021
Esse é o primeiro texto da série desse site sobre a história política de Rio do Sul. Nessa primeira parte, falaremos do tempo de poder das forças ideológicas da cidade à frente do executivo municipal. Na segunda e terceira parte dessa análise, o foco incidirá sobre resultados eleitorais. As eleições ocorrem na cidade desde 1946, siga nossas redes para não perder!
Para classificar os partidos como agrupamentos ideológicos (como na imagem acima) utilizamos textos de analistas do sistema partidário brasileiro. É necessário, entretanto, fazer a ressalva de que essas classificações não são unânimes, o motivo é simples: o sistema partidário brasileiro é frágil e cheio de descontinuidades. As fontes de minha construção analítica são várias, nesse link você encontra todas as informações mais relevantes referentes às bases, scripts, referências bibliográficas e fontes
Esses são os caso selecionados para esse estudo. Os partidos integralistas são chamados de direita radical pela literatura e logo são esses os casos destacados na imagem lá no início desse texto. Convém ressaltar que o período de 1931-1947 foram ocupados por partidos não eleitos no voto.
O PDT é considerado um partido de esquerda, mas na cidade ele foi governo durante o período Nodgi. A meu ver a categoria centro é mais adequada para definir o pensamento desse político. É importante observar que a diretórios municipais dos partidos muitas vezes, não seguem lógicas nacionais
A sopa de letrinhas complica qualquer análise, por isso utilizamos duas classificações, uma da tabela ao lado, a outra foi só com três categorias direita, esquerda e centro.
Convém antes de apresentar, ressaltar que o sistema partidário brasileiro, marcado por descontinuidades, que contempla os dados aqui se dividem em quatro períodos o que contribui para tamanha sopa de letrinhas:
1- Período pré-democrático - 1931-1946
2- Período democrático - 1946-1964
3- Regime Militar - bipartidário - ARENA/MDB - 1964-1982- o regime militar permitiu o pluripartidarismo nas eleições municipais de 1982
4- Sistema Atual - desde 1982. Não estático, há criação e refundação de vários partidos, ainda que se tenha alguma consistência.
Percebe-se que a chamada direita tradicional é aquela que tende a governar por mais tempo a cidade. Há nuances e divisões interessantes, mas Rio do Sul se caracteriza por ser uma cidade tradicionalmente de direita, no que concerne ao poder. As elites políticas, exemplificadas atualmente na figura de Milton Hobus, são geralmente de famílias de nome na cidade e tem influência suficiente para se manter no poder por mais tempo. Os partidos tradicionais de direita são a fonte principal dessas famílias para se perpetuar no poder.
Somente em 1946 tivemos eleições na cidade, então decidiu-se por excluir o período anterior do gráfico acima e percebe-se que nesse contexto, os governos também se caracterizaram por estarem mais alinhados à direita.
Concluímos essa análise com o gráfico abaixo que apresenta o tempo de poder acumulado ao longo do tempo pelos quatro agrupamentos ideológicos: direita(tradicional), centro, esquerda e integralista(direita radical). Também aponta-se alguns nomes da política municipal para facilitar o leitor quanto ao entendimento histórico.
Quando observado no tempo, é constante e crescente o fato de que a direita tradicional é o player mais relevante nas disputas. Quanto ao adversário, ele oscila sendo os integralistas no início. Depois a direita tem um período de "solidão" na vitória que perpassa as décadas de 1940 e 1950 (marcada pela rivalidade UDN, PSD, duas siglas de direita).
Na década de 1960, o centro se apresenta como principal adversário (PTB), mas somente se consolida em finais dos anos 1970 com o MDB. Essa legenda, mais o político Nodgi Éneas Pelizzetti seguem sendo as forças de centro que antagonizam a direita tradicional na cidade. Há um pleito discrepante que é o 1988, onde a direita decide apoiar um candidato de centro e concorre com a esquerda. Falaremos mais sobre as eleições em si, nas partes 2 e 3 dessa análise.
A esquerda só consegue dias no poder na década de 2000, o centro entretanto, logo volta disputar eleições com a direita e segue sendo o principal adversário até o pleito de 2020.
Em 2020, o centro se ausenta da disputa da cabeça da eleição ao apoiar a direita que confronta e vence uma "nova direita"(que marcaria certa continuidade da visão integralista) e a esquerda.
Se você tem alguma crítica, ou sugestão de classificação, não se acanhe de entrar em contato. As formas de fazer isso constam no final dessa página.
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também é indicado Votação prefeitura de Rio do Sul- 1965-2020
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