... as multiplicidades são composições de singularidades – campos de forças e dimensões sempre em processo de diferenciação... o tempo, tomado como multiplicidade, não pode ser apreendido como uma sucessão múltipla, linear e homogênea de instantes... é, antes, um fluxo heterogêneo, não estratificado, que se desdobra em diversas camadas, dimensões, intensidades e ritmos... a poética da multiplicidade diz respeito a pensar/compor um mundo como campo em devir de conexões emergentes em que nenhuma forma permanece – não se trata de uma operação que agrega identidades fixas... a busca da expressão de não linearidade, de não universalidade das existências faz proliferar a variabilidade de sentidos do tempo... atual  e virtual se misturam... passado e futuro coexistem e insistem no presente... nesse processo que reflete a ininterrupta fundação do ser, é essencial superar a lógica da identidade e da representação: prevalece a lógica da diferença...

...en-contra-tempos apresenta um conjunto de experimentos poéticos como acontecimentos estéticos, cuja problemática comum é a natureza própria da experiência temporal emancipada da dimensão espacial, que a limita ao movimento extensivo e descarta seus gradientes intensivos... as obras formam um corpo múltiplo, híbrido, polifônico e aberto, uma multiplicidade de afetos que se prolifera por contágio, ocupando o espaço e aí se metabolizando, se autoproduzindo no ato mesmo de se expor...