Eu e o Jeff nos conhecemos porque um amigo em comum nos apresentou.
Viramos colegas, depois amigos. Partilhávamos algumas experiências, nada muito definido.
Antes de eu embarcar para um intercâmbio no Peru, amigos quiseram se despedir e fomos a uma casa de festas. Ali, no meio de uma noite qualquer, eu senti — sem saber explicar — que nossas vidas ainda se cruzariam de verdade. Foi uma espécie de premonição. Acredite ou não.
Cerca de seis meses depois do meu retorno, saímos. Em uma carona despretensiosa que ofereci a ele, ficamos. Não era sério, não era informal. Fomos ficando. Viajamos juntos. Até que, já cansada de não saber o que éramos, resolvi seguir outro caminho. Foi quando, em Minas Gerais, a quilômetros de casa, o Jeff disse que me amava. Ali nos assumimos. E nunca mais nos separamos.
As viagens passaram a fazer parte da nossa vida de maneiras muito diferentes: fins de semana, férias, aniversários, intervalos possíveis. Não como projeto, mas como escolha recorrente.
Na pandemia, o Jefferson comprou uma moto. Quando tudo foi liberado, começamos a viajar com mais frequência. Às vezes bastava acordar num domingo, trocar um olhar, e já sabíamos: iríamos sair. Foi assim que nos tornamos embaixadores da Royal Enfield no Mato Grosso do Sul. Rodamos por Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e pelo interior do nosso estado, compartilhando os perrengues e os dias bons.
Mas a vida também cobra. Trabalho, doutorado, contas, rotina. As viagens rarearam. Passamos anos sem férias. Quando viajávamos, era para respirar e voltar correndo para o trabalho. A estrada ficou em segundo plano.
Até que, há cerca de dois anos, entendemos que a vida que levávamos não era a que queríamos. Eu pedi demissão de um emprego, abri uma empresa. O Jeff cresceu na carreira. No ano passado, uma viagem ao Chile com a família reacendeu algo que nunca tinha ido embora.
Nosso maior sonho é ter um motorhome e viajar o mundo.
Enquanto isso não acontece, seguimos viajando como dá — e compartilhando por aqui.
Porque, no fim, foi na estrada que entendemos por que nos escolhemos como parceiros de vida: a gente se diverte junto. E cada novo plano nos aproxima um pouco mais.
- Camis.