Feito por André Julante, Domingas Quiala Garcia e Gabriela Xavier Abelin
A gestão de resíduos engloba um conjunto amplo de práticas e estratégias voltadas ao controle e tratamento dos resíduos, incluindo ações como reciclagem, compostagem e redução da geração de lixo. Apesar de muitas vezes ser confundida apenas com o descarte de resíduos, o descarte representa somente uma etapa desse processo. A gestão de resíduos abrange todo o percurso dos materiais, desde sua produção até sua destinação final ou reaproveitamento.
Também conhecidos por ''lixo seco'' os resíduos recicláveis são materiais que podem ser reaproveitados por meio de processos de transformação, originando novos produtos. A identificação correta desses materiais é fundamental para garantir a eficiência dos programas de reciclagem.
E resíduos sólidos?
Resíduos sólidos são materiais, substâncias ou objetos descartados resultantes de atividades humanas (domésticas, industriais, comerciais, hospitalares) que se encontram nos estados sólido ou semissólido. Diferente do "lixo" (rejeito sem valor), muitos resíduos sólidos podem ser reciclados, reutilizados ou compostados, possuindo valor econômico
Em suma, todo material reciclável é um resíduo sólido, mas nem todo resíduo sólido é reciclável. Por isso, se faz importante a separação correta.
https://ndmais.com.br/meio-ambiente/coleta-seletiva-de-reciclaveis-e-ampliada-em-florianopolis-confira-bairros-e-dias/
A separação correta entre resíduos recicláveis e não recicláveis diminui consideravelmente a contaminação nos centros de reciclagem. Com isso, os processos se tornam mais eficientes e o reaproveitamento dos materiais é potencializado.
A identificação e a separação adequadas dos resíduos favorecem o desenvolvimento da economia circular, na qual os materiais reciclados retornam ao ciclo produtivo, reduzindo a necessidade de extração de novos recursos naturais.
Diminuição da Exploração de Recursos Naturais
A prática da reciclagem auxilia diretamente na preservação dos recursos naturais, contribuindo para a proteção dos ecossistemas e para a redução dos impactos ambientais.
Redução de Resíduos em Aterros Sanitários
A correta separação do lixo reciclável contribui para diminuir o volume de resíduos enviados aos aterros sanitários, evitando problemas como a degradação do solo e a contaminação das águas subterrâneas.
Movimentação de resíduos sólidos em 2021
https://www.pmf.sc.gov.br/entidades/residuos/index.php?cms=valorizacao+de+residuos+solidos&menu=0
Onde vai parar o nosso lixo?
Em Florianópolis, o lixo convencional coletado pela Comcap é levado primeiramente para a Central de Triagem no Itacorubi. De lá, o material é transportado para o aterro sanitário da empresa Proactiva, situado no município vizinho de Biguaçu.
Estima-se que, só em Florianópolis, são movimentados 600 toneladas de resíduos por dia pela COMCAP.
E 56% do que Florianópolis leva ao aterro poderia ser reciclado(2016).
https://biguanews.com.br/mais-da-metade-do-lixo-que-florianopolis-leva-ao-aterro-de-biguacu-poderia-ser-reciclado/
https://www.pmf.sc.gov.br/entidades/residuos/index.php?cms=evolucao+da+limpeza+publica+na+capital&menu=1&submenuid=sobre
https://www.pmf.sc.gov.br/entidades/residuos/index.php?cms=residuometro+em+tempo+real&menu=0
Florianópolis é a capital do estado de Santa Catarina, localizada no Sul do Brasil. A cidade possui uma área continental, mas majoritariamente seu território é insular, equivalente a 97,23% da área territorial. Assim, a cidade é cercada por balneários e grande parte de seu território possui restrições ambientais.
Por este motivo, há uma vocação natural do município em pensar na cidade inteligente com respeito à natureza, sendo ela o centro de todas as ações. Comprova-se isto historicamente, considerando que foi uma das primeiras capitais a implantar iniciativas de gerenciamento de resíduos com foco na reciclagem, quando da decisão de fazer o encerramento do lixão da cidade no final da década de 80.
Floripa é a única cidade lixo zero do BRASIL.
O município estabeleceu, por decreto, prazo de 2030 para deixar de levar aos aterros de lixo 90% de toda a matéria orgânica da cidade e 60% de todo material reciclável.
https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/01/10/florianopolis-e-a-unica-cidade-lixo-zero-do-brasil.ghtml
A coleta seletiva em Florianópolis é executada pela Comcap em praticamente toda a área urbana da cidade, priorizando o sistema “porta a porta” para o recolhimento de resíduos recicláveis secos, como papel, plástico, metal e vidro. A coleta ocorre semanalmente, em dias e horários específicos, diferentes da coleta de lixo comum, incentivando a separação correta dos materiais pelos moradores e contribuindo para a ampla participação da população no programa.
Através do site https://www.pmf.sc.gov.br/servicos/index.php?pagina=servpagina&id=260, você pode ter acesso a todas as informações de coleta de resíduos em Floripa.
https://www.pmf.sc.gov.br/sistemas/comcap/ecopontos.php
A rede de Ecopontos da Prefeitura de Florianópolis contribui para evitar que mais de 11 mil toneladas de resíduos sejam encaminhadas ao aterro sanitário todos os anos, gerando impactos positivos na redução dos custos relacionados à destinação desses materiais. Os ecopontos atendem mensalmente mais de 14 mil usuários distribuídos pela cidade. Atualmente em processo de expansão, a rede prevê a ampliação para 13 unidades e já está presente nos bairros Itacorubi, Morro das Pedras, Canasvieiras, Capoeiras, Rio Vermelho, Ingleses, Monte Cristo, Coloninha e Costeira.
Políticas Públicas
A gestão de resíduos sólidos em Florianópolis é marcada por uma combinação de políticas públicas, iniciativas comunitárias e práticas sustentáveis que buscam reduzir o impacto ambiental e promover a economia circular.
Em Florianópolis, a gestão de resíduos sólidos é considerada um tema de grande importância devido ao crescimento populacional, aumento do consumo e necessidade de preservação ambiental. A cidade possui iniciativas de coleta seletiva, educação ambiental e participação de cooperativas de reciclagem
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) orienta as práticas relacionadas ao gerenciamento adequado dos resíduos no Brasil, incentivando:
Redução da geração de lixo
Reutilização de materiais
Reciclagem
Responsabilidade compartilhada
Descarte ambientalmente correto
Decreto nº 12.688, de 21 de outubro de 2025: Institui o sistema de logística reversa de embalagens de plástico.
DecrePrograma “Florianópolis Capital Lixo Zero” — Decreto Municipal nº 18.646/2018 - institui o programa, grupo de governança e outras diretrizes
https://redeplanejamento.pmf.sc.gov.br/pt-BR/legislacoes/decreto-n-18646-2018-florianopolis-lixo-zero
ATORES ENVOLVIDOS
COMCAP
Executa serviços de coleta seletiva, transporte e destinação dos resíduos.
PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS
Responsável pela organização da coleta pública, criação de políticas ambientais e fiscalização.
COOPERATIVAS
Realizam a triagem, separação e comercialização dos materiais recicláveis, além de gerar emprego e inclusão social.
INSTITUIÇÕES DE ENSINO
Promovem educação ambiental e conscientização sobre sustentabilidade.
https://www.pmf.sc.gov.br/arquivos/documentos/pdf/24_06_2022_15.28.44.a6b5dac659782748068dd07d94d5c782.pdf
Os cidadãos tem papel fundamental na separação correta do lixo e na participação da coleta seletiva. Quando fazemos a nossa parte, as coisas mudam:
Separação correta dos resíduos recicláveis
Uso da coleta seletiva e dos ecopontos
Redução da poluição e do descarte irregular
Apoio à renda de cooperativas e catadores
Diminuição dos custos públicos com resíduos
Incentivo ao consumo sustentável
Fortalecimento da educação ambiental
''Os problemas relacionados à gestão do lixo e dos materiais recicláveis se mantém até que a população se aproprie da responsabilidade sobre os resíduos gerados. Hoje já ocorre a conscientização e orientação sobre as boas práticas de descarte e a urgência das iniciativas de reciclagem, mas os cidadãos ainda têm resistência para aderir''
Contaminação de Resíduos Recicláveis: É o problema central. Quando o plástico, o papel ou o papelão entram em contato com matéria orgânica (como restos de alimentos) ou líquidos de outros lixos, eles perdem suas propriedades industriais e o seu valor comercial, tornando-se virtualmente impossíveis de serem reciclados.
Falta de Conscientização da População: É a base do problema. Sem a educação ambiental necessária, os cidadãos não compreendem a importância da reciclagem nem a forma correta de descartar seus resíduos.
Falta de Lixeiras Apropriadas para Separação: Representa uma falha de infraestrutura urbana. A ausência de PEVs (Pontos de Entrega Voluntária) ou de lixeiras de coleta seletiva nas ruas dificulta a ação de quem deseja separar o lixo.
Mistura de Resíduos Recicláveis com Lixo Comum: Uma consequência direta das duas causas anteriores. Na hora do descarte, materiais perfeitamente reaproveitáveis são jogados no mesmo saco que restos de comida e rejeitos sanitários.
Diminuição do Reaproveitamento de Materiais: Como grande parte dos resíduos chega suja ou misturada aos centros de triagem, a taxa real de reciclagem cai drasticamente, desperdiçando recursos que poderiam voltar para a cadeia produtiva.
Sobrecarga dos Aterros Sanitários: Os materiais recicláveis que foram contaminados acabam tendo o mesmo destino do lixo comum: o aterro. Isso faz com que esses espaços fiquem cheios muito antes do previsto, gerando altos custos financeiros e de gestão para o município.
Aumento da Poluição Ambiental Urbana: O impacto macro e final. O acúmulo de rejeitos, o esgotamento de aterros e o desperdício de recursos resultam na degradação ambiental da cidade, afetando a saúde pública, a estética urbana e os ecossistemas locais.
A campanha "Descarte Consciente" em Florianópolis funciona através de um ciclo de economia circular que depende diretamente da ação conjunta entre a população e o poder público. O processo começa na casa do cidadão, que deve separar os materiais recicláveis — como papel, plástico, vidro e metal — garantindo que estejam limpos e secos, além de destinar corretamente os resíduos orgânicos. Uma vez triados, esses resíduos são direcionados para três canais de escoamento: a coleta seletiva nos bairros, os ecopontos da cidade ou diretamente para as cooperativas de catadores. O principal objetivo desse ecossistema é desviar das rotas de lixo comum os cerca de 56% de resíduos recicláveis que hoje vão parar incorretamente no aterro sanitário, diminuindo os custos públicos, mitigando os impactos ambientais na região e gerando emprego e renda para dezenas de famílias locais.