Resumo: A elaboração do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) deve, obrigatoriamente, ser um processo participativo, com adaptações metodológicas conforme as peculiaridades regionais. Este trabalho objetivou estudar, sob a ótica do mapeamento participativo, a experiência do ZEE no Vale do Ribeira, em três tentativas frustradas de formalização de tal instrumento legal (1º período: de 1980 a 1998; 2º período: de 1999 a 2005; 3º período: de 2010 a 2014). A metodologia se baseou no estudo de caso e análise de conteúdo, a partir de quatro fontes de dados: banco de dados geográfico (BDG), atas de reuniões, documentos tramitados e entrevistas com os coordenadores dos processos nos três períodos. Foram analisados somente os documentos e intervenções registradas em atas que apresentavam relação direta com o mapa, sendo descartadas aquelas de cunho conceitual e teórico. Nos três períodos observou-se a existência de estratégias de participação social, sendo que nos dois primeiros períodos, houve o predomínio do mapeamento participativo com base cartográfica (em papel), enquanto que no terceiro período, houve também o mapeamento participativo com SIG Desktop. Analisaram-se as atas de 122 reuniões, com o registro 191 intervenções de cunho geográfico, sendo a maioria no terceiro período. Observou-se baixa tramitação de documentos, sendo que a maioria (65%) foi enviada pelo órgão coordenador do ZEE. Em relação aos registros no BDG, dos 1.495 polígonos existentes, 65,2% apresentaram alguma descrição ou justificativa do enquadramento. A avaliação evidenciou que todas as formas de registro (ata, BDG e documentação) se complementam no entendimento sobre a dinâmica do processo. As atas de reuniões são fundamentais para registrar as discussões conceituais e os detalhes dos argumentos que levaram à tomada de decisão pelo grupo, porém, dificultam o resgate posterior das discussões e a correlação direta com o mapa. Já a inserção direta na tabela de atributos, durante a própria discussão, se mostrou eficaz tanto pela agilidade do registro, como também para maior facilidade no resgate posterior da discussão. Este trabalho buscou demonstrar que houve avanços no desenvolvimento das técnicas participativas, mas que ainda é preciso aperfeiçoar o debate sobre as metodologias e os critérios desses trabalhos. A aproximação dos atores-chave com a geotecnologia também é importante quando se avalia o processo como um todo e não apenas os resultados, pois a capacitação também pode ser vista como resultado positivo, pois traz empoderamento e maior conhecimento sobre o que está sendo trabalhado. O uso do BDG, como método complementar para o registro dos processos participativos merece ser aperfeiçoado, com o desenvolvimento de novas técnicas que permitam também o armazenamento do histórico de modificações feitas no mapa.
Resumo: Este trabalho descreve o desenvolvimento de um programa para divulgação de informações turísticas, envolvendo desde a formação inicial do banco de dados até a publicação de um mapa interativo na Internet. O programa “Trilhas de São Paulo” é uma das iniciativas da Secretaria do Meio Ambiente para o desenvolvimento do ecoturismo, com o objetivo de compartilhar com a sociedade a experiência das visitas às áreas naturais protegidas. Entretanto, os mapas apresentados na home page do projeto carecem de interatividade. A divulgação de dados espaciais na Web vem crescendo significativamente nos últimos anos, com o surgimento dos SIG-Web. Através da publicação de mapas na internet, alcança-se um dos maiores objetivos do SIG que é a disseminação de informação espacial para a sociedade. Como o Google Earth é utilizado diariamente por milhares de pessoas para explorar o mundo, escolheu-se esse software para aperfeiçoar a interatividade das informações geográficas do programa Trilhas de São Paulo, por se tratar de uma plataforma gratuita e de fácil utilização. Entretanto, as informações disponibilizadas no Google Earth provêm de diversas fontes, sem qualquer controle gerencial, o que gera um grande número de informações incorretas. Nesse contexto surgiu a idéia de se trabalhar com arquivos KML (Keyhole Markup Language), formato de arquivo interpretado pelo software. Para a construção do protótipo do SIG-Web, foi usado o serviço de API (Aplication Programing Interface), oferecido pela Google, no qual pode-se desenvolver gratuitamente um mapa interativo e hospedá-lo em qualquer página na Internet, usando javascript. Além dos dados fornecidos pela Google (mapas matriciais de alta resolução, imagens de satélite e modelo de elevação do terreno), na API desenvolvida, programou-se o carregamento dos arquivos KML gerados, além da configuração de alguns controles básicos para auxiliar na navegação.Um ponto positivo na implantação desse tipo de tecnologia é a facilidade de uso, que não exige conhecimentos técnicos na área de geoprocessamento e cartografia. O usuário precisa apenas conhecer algum navegador de internet e ter interesse por mapas. Dessa forma, o Google Earth e o Google Maps estão deixando de ser simples ferramentas de visualização de dados geográficos para se tornarem plataformas de produção, visualização e compartilhamento de informações.
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação prevê que todas as Unidades de Conservação tenham zona de amortecimento e corredores ecológicos, no intuito de minimizar os impactos na biodiversidade causados pela fragmentação florestal. Este trabalho teve o objetivo de propor os limites e as diretrizes para o estabelecimento de uma zona de amortecimento no Parque Estadual da Campina do Encantado, Pariquera-Açu/SP e um corredor ecológico ligando esta Unidade à Estação Ecológica de Chauás, Iguape/SP. Para essa delimitação, foram usadas técnicas de geoprocessamento, envolvendo mapeamento do uso da terra e da malha fundiária e identificação de remanescentes florestais, tendo como parâmetro inicial o raio de 10 Km no entorno da Unidade e as microbacias que interagem com esta, procedendo assim com a inclusão e exclusão de áreas. Foi proposto também um zoneamento preliminar da área. Este trabalho foi o ponto de partida para a definição destas zonas, cabendo agora à administração da Unidade iniciar o processo participativo de discussão dessa proposta junto ao Conselho Consultivo para a incorporação no Plano de Manejo e efetivação da mesma.
A ecologia humana é a ciência que estuda a espécie humana e as suas especificidades, como a cultura, o saber e a capacidade de simbolizar e transmitir conhecimentos. Dentre a humanidade há um grupo que interage de maneira especial com o meio ambiente e que evolui aproveitando os recursos naturais à sua volta. São os caiçaras, o povo que vive da pesca e merece atenção especial dos estudos de ecologia, pois, além de interagirem diretamente do meio, muitas dessas comunidades vivem em Unidades de Conservação, sendo regidas por diversas leis ambientais que muitas vezes os proíbem de exercer suas atividades tradicionais e os leva a buscar outras formas de sobrevivência. Um dos objetivos do presente trabalho é realizar uma análise qualitativa e quantitativa das transformações na organização sócio-ambiental de duas comunidades tradicionais residentes no Parque Estadual da Ilha do Cardoso, desde a década de 70, e procurar compreender as causas e motivos dessas mudanças, visando desmistificar a idéia de que o turismo e a criação do parque são os grandes vilões na cultura dessas comunidades e mostrar que as mudanças sociais e culturais (mesmo que com algumas perdas de valores) ocorrem em função de diversos fatores, podendo até ser uma conseqüência natural do desenvolvimento social, que muitas vezes é visto simplesmente como o aumento dos bens de consumo. As duas comunidades, Marujá e Enseada da Baleia, se encontram na estreita faixa de restinga ao sul da ilha e são separadas por cerca de 15 Km de praia ou de rio. A principal diferença entre essas comunidades é em relação ao turismo, que no Marujá é explorado e organizado há mais tempo. Os dados qualitativos, que explicam quais as formas de trabalho dos moradores, a relação deles com a ilha, com os outros e com o parque, entre outros aspectos culturais e sociais, foram levantados através de depoimentos orais e dados históricos da região. Os dados quantitativos sobre localização, uso e ocupação do solo, características sócioeconômicas das famílias, condições das moradias, entre outros, foram coletados através de dados históricos, análises de fotos aéreas e censos (atuais e antigos) realizados por mim, pela administração do parque e pelo IBGE. Com esses dados pode-se analisar a situação atual dos moradores da ilha e realizar um mapeamento das comunidades que levasse em consideração não apenas a localização das casas, mas também, aspectos sócio-ambientais e econômicos como tamanho, saneamento e número de moradores. Há 15 anos, 97% dos moradores do Marujá eram pescadores. Na Enseada, os pescadores não são credenciados, portanto não há uma estimativa confiável. Mesmo com o crescente desenvolvimento do turismo no local, com a entrada de capital, com o contato com o meio externo, ouve-se ainda hoje que “Na Ilha, todo mundo é pescador, quase todo mundo faz cerco” o que nos permite inferir que atividades tradicionais, como a pesca, permanecem na ilha e, juntamente do turismo, constituem-se na fonte de renda dos moradores. As análises já realizadas mostram que é de extrema importância a criação de um plano de manejo adequado, que leve em consideração a existência dessas comunidades na ilha, e utilize o turismo controlado como alternativa para a sobrevivência das mesmas.
IF Serie Registros, v. 33, p. 39-49, 2008.
Latin American Journal of Aquatic Mammals, v. 8, p. 187-190, 2010.
http://dx.doi.org/10.5597/lajam00169
XVI ENAMPUR, 2015, Belo Horizonte. Espaço, Planejamento e Insurgências: Alternativas Contemporâneas para o Desenvolvimento Urbano e Regional, 2015. v. 1.
Anais do I GEOTECMAR – Simpósio Geotecnologias para a Gestão de Áreas Marinhas e Costeiras: Integração e Compartilhamento de Dados na Web
7th World Recreational Fishing Conference, 2014, Campinas. Anais do 7th World Recreational Fishing Conference, 2014.