anti-grimes - mai. 2025


quero rasgar meu coração
por para fora, examiná-lo,
vê-lo pulsar, tolo, esguichando em vão;


preencher meu pulmão de nada,
dar lhe vácuo, treiná-lo,
para depois o encher de lágrimas,
de olhos que não conseguem mais se ver


já quis ser nuvem, ver-me em espelho quebrado,
espero que kaledoscópico, quem sabe
sou microscópico, ralo, furioso

nem consigo mais nem entender o por quê?
será dos tristes ventos que tem movido o mundo?
ou será da minha própria tolice?
frustrada com as horas passadas,
jogadas às engrenagens do tempo,

aos fluxos informáticos, das linhas de códigos, 

das tácitas e escusas palavras,


ou será que 

das máquinas de fazer máquinas

de fazer… máquinas, 

me quis máquina


e não, pelo, cabelo, ombro,

sangue, olhos, córnea,

braço, perna, pé,

mão, nariz,

suado, triste e depois feliz,

humanos que cuidam de humanos

que cuidam de humanos


quero ser humano!