Areias, orago S. Vicente, cujo topónimo se deve ao grande areal (actualmente inexistente) – conhecido por “ Areal de Caíde ” – junto ao rio Cávado, era um curato da apresentação do mosteiro de Vilar de Frades que, nas Inquirições de 1220, aparece com a designação “ De Sancto Vicentio de Arenis “ , de terras de Prado. Era também uma freguesia com isento de couto, em que parte pertencia ao couto do mosteiro dos monges beneditinos de Cervães e a outra metade ao de Manhente.
Mais tarde, este último extinguiu-se e, então, Areias S. Vicente passou a fazer parte da abadia secular da apresentação do Convento de Vilar de Frades. Depois, no ano de 1835, juntamente com outras freguesias do concelho de Prado, Areias S. Vicente passou a integrar, definitivamente, o concelho de Barcelos
A história da origem do nome de São Vicente começou há muito tempo, no ano 325, na cidade espanhola de Huesca, uma então Província de Saragoza. Lá nasceu o jovem Vicente, padre dedicado que se destacava por seu trabalho, tanto que o bispo de Saragoza, Valério, lhe confiou a missão de pregador cristão e doutrinador catequético. Valério e Vicente enfrentavam, naquela época, o imperador Diocleciano, que perseguia os cristãos na Espanha. Os dois acabaram sendo presos por um dos homens de confiança do imperador, Daciano, que baniu o bispo e condenou Vicente à tortura. O martírio sofrido por Vicente foi tão brutal, a ponto de surpreender os carrascos.
Eles relataram a impressionante resistência do rapaz que, mesmo com gravetos de ferro entre as unhas e colocado sobre uma grelha de ferro para ser queimado aos poucos, não negou a fé cristã.
Ao final daquele dia 22 de janeiro, os carrascos decidiram matar-lhe com garfos de ferro, dilacerando-o completamente.
Seu corpo foi jogado às aves de rapina. Os relatos dão conta de que uma delas, um corvo, espantava as outras aves, evitando a aproximação das demais. Os carrascos decidiram, então, jogá-lo ao mar.
O corpo de Vicente foi resgatado por cristãos, que o sepultaram em uma capela perto de Valência. Depois, seus restos mortais foram levados à Abadia de Castes, na França, onde foram registrados milagres. Em seguida, foram levados para Lisboa, na Catedral da Sé, onde estão até hoje. Vicente foi canonizado e recebeu o nome de São Vicente Mártir, hoje santo padroeiro de São Vicente e de Lisboa. Desde então, o dia 22 de janeiro é dedicado a ele. Por isso, quando a expedição portuguesa comandada por Gaspar de Lemos chegou aqui, em 22 de janeiro de 1502, deu à ilha o nome de São Vicente, pois o local era conhecido, até então, como Ilha de Gohayó. Outro navegador português, Martim Afonso de Sousa, chegou aqui exatamente 30 anos depois, em 22 de janeiro de 1532. Ele foi enviado pela Coroa Portuguesa para constituir aqui a primeira Vila do Brasil e resolveu batizá-la reafirmando o nome do santo daquele dia, São Vicente, pois era reconhecidamente um católico fervoroso.
Escudo de ouro, com dois cântaros de vermelho realçados de negro e um corvo negro realçado de prata; campanha ondada de azul; coroa mural de prata de três torres; listel branco com a legenda a negro: “AREIAS – BARCELOS”.
Fundo azul com brasão centrado
Azul; cordão e borlas de ouro e azul; haste e lança de ouro.
O corvo - Representa o atributo de S. Vicente - Orago da freguesia.
Os cântaros - Representam a forte tradição oleira da freguesia.
A campanha ondada - Representa o areal de Caíde.
Um das mais conhecidas lendas é a dos Corvos de S. Vicente. Está historicamente registado que o monge Vicente “sofreu suplício até à morte em Valência” quando pregava o cristianismo. Os cristãos daquela cidade espanhola quiseram pôr a salvo o corpo do mártir e fugiram pelo mar. A viagem decorreu sem incidentes até chegarem a um promontório no Atlântico, altura em que uma tempestade os arrastou até às assustadoras “junto a uma terra muito bela com um grande promontório”.
O mestre do barco disse-lhes que a terra se chamava Algarve e que o cabo se chamava promontório Sacro, antigo nome de Sagres.
Devido aos estragos da tempestade, o barco encalhou entre Sagres e o Cabo de S. Vicente. Para fugir a embarcações piratas, os devotos desembarcaram a sua preciosa relíquia. O comandante do navio prometera-lhe continuar a viagem depois de passado o perigo dos corsários, mas nunca mais apareceu, pelo que decidiram construir na falésia uma ermida e um mosteiro em memória de S. Vicente.
Será possível imaginar, sem dificuldade, o pequeno barco a percorrer toda a costa algarvia, as falésias douradas sucedendo-se a praias de areais claros, até chegar ao imponente promontório de Sagres, logo seguido do Cabo de São Vicente. Ainda hoje, muitos séculos volvidos, a natureza do lugar mantém-se impoluta e cheia de encanto.
Continuando a lenda, o primeiro rei de Portugal D. Afonso Henriques, soube de um “lugar santo” a Sul onde estariam relíquias sagradas.
Logo ordenou uma expedição, para as trazer para Lisboa, pois nessa altura o Algarve era ainda terra de mouros e não pertencia ao reino de Portugal.
Todavia, o tempo apagara os vestígios da primitiva ermida e os cristãos que a construíram não se destrinçavam da população árabe.
Porém, o capitão do navio ao navegar junto da falésia foi surpreendido por um bando corvos, e seguindo-os, o enviado do Rei encontrou o esconderijo onde estava o sepulcro. Extraordinariamente as aves, mantiveram o seu secular papel de guardiãs de S. Vicente, e nos mastros do navio seguiram até Lisboa. Em honra desta lenda, os corvos figuram nas armas da capital.
Curiosamente, os corvos são das aves que se podem encontrar entre a avifauna da costa Sagres, marca desde sempre a história de Portugal, como um lugar de sonho e de Descoberta.
Reza a tradição que esta lenda advêm dos seguintes factos:
"......Ao sul da Barragem de Penide, na freguesia de Areia de Vilar, estende-se um enorme areal, com fama de Ter sido outrora uma Quinta, cujo dono, mau e severo, a deixou em legado a uma matilha de cães. Mas por castigo de Deus o rio " a levou" , reduzindo o sitio a um extenso areal a que ficou a Quinta foreira aos cães..."
Paulino Leite Barroso
1976-1979 e 1985-1989
Delfim Silva Carvalho
1979-1982 e 1982-1985
Rodrigo Fernandes do Vale
1989-1993, 1993-1997 e 1997-2001
Artur Torres Lopes
2001-2005, 2005-2009 e 2009-2013
2013-2017, 2017-2021 e 2021-2025
2025 - 2029
Joaquim Esteves é um especialista na arte de transformar o barro. As suas caricaturas são famosas e a promessa é de continuar a desenhar o mundo.
Nasceu na Freguesia de Galegos Sta. Maria em 13 de Dezembro de 1957, no seio de uma família de barristas e oleiros, em pleno coração do centro de produção cerâmica de Portugal. Nascido em Barcelos, concelho conhecido pela sua forte atividade artesanal, desde tenra idade que manuseia 9 barro e faz pequenas peças e figuras, dando continuidade ao legado "barrista" da família. Aos 1Oanos ajudava já o pai no enchimento de moldes cerâmicos.
Apesar de ter feito sempre dos trabalhos em Barro a sua principal paixão, somente aos 25 anos começa a modelar e a comercializar peças de sua criação (decorativa diversa). De 1991 a 2001 dedicou-se à produção em série, para exportação de peças decorativas. Em 2001 inicia a sua carreira como caricaturista em peças de barro, arte esta que tem potenciado a sua cada vez maior notoriedade.. Hoje é um dos mais notáveis criadores da arte do barro do concelho de Barcelos, atributo conseguido essencialmente devido à inovação e criatividade que imprime nos seus trabalhos.
Maria da Conceição, mais conhecida pelo nome artístico de Conceição Sapateiro, nasceu em Barcelos onde mora, na freguesia de Areias S. Vicente.
Barcelos é, sem contestação, o grande alfobre nacional dos barristas. Criou-se uma "escola" que se transmite no interior de certas famílias e se estende ao exterior, com notável êxito e continuidade.
E a arte popular cerâmica encontrou no meio rural e citadino uma receptividade que talvez se explique pela abundância dos barros e por uma tradição que o tempo consolidou.
Na obra de Conceição Sapateiro transparece uma certa realidade do imaginário popular português e revela-se a retratação da vida do quotidiano na região. As peças, figuradas, exprimem sentimentos religiosos através dos santos, dos cristos, dos presépios, etc. e, retratam figuras populares de profissionais - galinheiros, peixeiras - de elementos de festas e romarias- músicos, bandas etc.
Todas as peças são feitas à mão e pintadas pela artesã, tendo um cunho essencialmente decorativo. Parte delas é vidrada.