Fascínio e temor, reverência e aversão, temperança e inquietude são alguns dos sentimentos que ruínas evocam, paradoxalmente, em nós. Situadas entre a cultura que outrora transformou a matéria em obra e a natureza que agora a decompõe e retoma, ruínas são potentes representações de nossa existência entre terra e céu, nascimento e morte, espírito e matéria, passado e futuro, memória e esquecimento. E ainda assim – ou talvez por isto mesmo – ruínas consistem em um princípio de conciliação, de harmonização das polaridades que as constituem e que elas evocam, proporcionando-nos assim alguma paz e sentido.
As muitas ruínas que jazem na Serra da Moeda, testemunhas silenciosas de imemoriais fortunas e desfortunas, não são exceções. Elas são objetos também dotados de grande potência simbólica e, como parte de sítios arqueológicos que polarizam ou compõem, elas conformam grande parte do patrimônio cultural nesse espaço – e urgem serem melhor compreendidas e conservadas.
Frederico de Paula Tofani