Eduardo Ribeiro da Fonseca (Org.)
Pensar a corporeidade é confrontar-se com a experiência mais crua da existência: ser corpo. O corpo não é apenas extensão, nem mero mecanismo biológico; é a carne vulnerável em que se inscrevem o sofrimento, o desejo, a finitude e a possibilidade mesma de criar sentido. Corpo que padece, que goza, que se fragmenta e resiste; corpo atravessado por pulsões e por símbolos – mas, antes de tudo, corpo exposto, radicalmente humano.
É nessa direção que a coletânea organizada por Eduardo Ribeiro da Fonseca se move: a de restituir ao corpo o lugar de origem e de destino, mostrando que a corporeidade é mais do que uma categoria conceitual – é o núcleo mesmo da subjetividade, aquilo que não cessa de nos lembrar da dor de existir e da abertura ao outro.
Se, na filosofia, o corpo precisou ser restituído em seu legítimo valor para superar a dicotomia cartesiana que o segregava da mente – como faz Schopenhauer, situando-o como fio condutor da Vontade, e até mesmo Nietzsche, como força dionisíaca de criação e destruição -, na psicanálise ele se revela como campo de inscrição do inconsciente, do desejo e do gozo. Ao reunir diferentes vozes, este livro mostra que a corporeidade, em sua densidade ética, estética e política, constitui o fundamento de toda experiência: somos irremediavelmente lançados no mundo como corpos que sofrem, desejam e se expõem ao desamparo.
Ao final, ressoa a provocação formulada por Eduardo em seu prefácio: o que significa ser corpo, ou habitar um corpo?
- Maria Fernanda Fernandes
ISBN: 978-65-01-64793-7
Número de páginas: 523
Idioma: Português
Ano: 2025