Estudante do Doutoramento em Matemática
Projecto 1 - Rank-Metric Codes and Their Parameters
Error-correcting codes play a central role in ensuring reliable communication in modern digital systems. Among the various types of codes studied in coding theory, rank-metric codes provide a different perspective by measuring the distance between data using the rank of matrices rather than the usual Hamming distance.
This project offers an introductory overview of rank-metric codes, focusing only on the fundamental concepts. We will explore how matrices over finite fields can be used to represent codewords, and how the notion of rank distance defines a natural metric on this space. Basic parameters such as the dimension of a code and its minimum rank distance will also be introduced.
The goal of this project is to build an intuitive understanding of these concepts through simple examples, without delving into advanced theoretical results. By the end of the project, students will gain a first exposure to an important modern topic in coding theory.
Projecto 2 - Support in Rank-Metric Codes
In classical coding theory, the notion of support of a codeword describes the positions where the codeword is nonzero and plays a fundamental role in understanding the structure ofcodes. In the context of rank-metric codes, this concept is generalized using linear algebra, leading to a richer and more geometric interpretation.
This project introduces the concept of support for rank-metric codes in an elementary way.
Instead of focusing on positions, the support of a codeword is defined as a vector space generated by the rows or columns of a matrix. This allows us to study codes through subspaces rather than individual coordinates.
We will explore how the support of a single codeword and of a subcode are defined, and how these notions help describe the structure of rank-metric codes.
Estudante do Mestrado em Matemática
Projecto 3 - Filtros e Topologia
Em Análise Real a convergência de uma função para um ponto pode ser definida via
sucessões (Heine) bem como por vizinhanças (Cauchy). Apesar de não ser evidente à
primeira vista, a definição do segundo caso também depende de um tipo específico de objetos matemáticos: os filtros.
Intuitivamente, filtros podem ser vistos como famílias de conjuntos ”grandes” de um
espaço ambiente, conjuntos que, através de ”filtração”, permitem aproximar objetos
desse espaço. Esta noção informal reflete o conceito de convergência em análise, e mais geralmente em espaços topológicos.
Historicamente, o conceito de filtro surgiu em 1937, sendo desenvolvido pelo matemático Henri Cartan com fim a aplicações em Topologia. A sua introdução a um público mais amplo deu-se através dos textos de topologia do grupo Bourbaki.
Desde então, os filtros foram amplamente estudados, tanto por meio de definições mais gerais como o prefiltro e a propriedade de interseção finita, quanto por definições mais restritivas como o ultrafiltro.
Além disso, as aplicações de filtros fora do contexto topológico tiveram resultados
notáveis em áreas como Teoria da ordem e Lógica matemática.
Estudante do Doutoramento em Matemática
Projecto 4 - Modelos Matemáticos em Epidemiologia:
Inserção de heterogeneidade
Doenças infecciosas existem há milhares e milhares de anos, antes até do aparecimento da humanidade. É portanto natural que nós humanos comecemos a questionar as origens da doença e a forma como esta se transmite. A dinâmica das doenças infecciosas é precisamente o que descreve o termo "epidemiologia".
Considerando-se uma população de uma certa espécie, não é esperado que os seus indivíduos sejam todos iguais: por exemplo: alguns indivíduos podem ser (parcialmente ou totalmente) imunes a uma certa doença infecciosa enquanto outros não são. A população humana, por exemplo, é notoriamente heterogénea!
Sendo assim, como podemos nós tomar em conta a heterogeneidade aquando da construção de um modelo epidemiológico? Que técnicas são usadas no estudo dos modelos obtidos?
Para responder a estas questões, recomenda-se a leitura do 2º capíıtulo de [3] (baseado em [2]). Um bom artigo introdutório à ´area de modelos matem´aticos em epidemiologia ´e [1].
Estudante do Doutoramento em Matemática
Projecto 5 - Dualidade de Stone
As álgebras booleanas são estruturas algébricas que surgem naturalmente em diversas áreas da Matemática como a Lógica, a Computação e a Álgebra, generalizando a noção de intersecção, união e complementar de um conjunto.
Um espaço topológico pode ser visto como um conjunto onde, sob certas condições, são considerados alguns subconjuntos que podem ser interpretados como sendo vizinhanças dos pontos do conjunto. A noção de vizinhança permite-nos generalizar conceitos como os de proximidade, limite e continuidade. Os espaços métricos são casos particulares de espaços topológicos.
Embora à primeira vista pareça que álgebras booleanas e espaços topológicos não estão relacionadas, iremos ver que na verdade existe uma ligação muito forte entre estes dois conceitos. Esta ligação tem o nome de "dualidade de Stone" e será o objecto de estudo deste projecto.
Projecto 6 - Linguagens e Autómatos
O que é uma linguagem se não apenas um conjunto de palavras? E o que são palavras se não apenas uma sequência finita de letras de um alfabeto? Embora pensemos em linguagens como sendo meras ferramentas de comunicação, podemos expandir a nossa interpretação do que é uma linguagem de modo a usarmos este conceito para estudarmos o comportamento de pequenas "máquinas" que chamamos de autómatos. Neste projeto iremos estudar a relação entre linguagens racionais e autómatos finitos.
Estudante do Doutoramento em Matemática
Projecto 7 - Subgrupos de um grupo livre
Dado um grupo livre F, é possível estabelecer uma correspondência bijectiva entre a classe dos subgrupos de F e uma classe de grafos com uma certa estrutura. Esta representação através de um grafo permite-nos, de uma forma relativamente simples e intuitiva, provar resultados sobre grupos livres (por exemplo, o Teorema de Nielsen–Schreier) e deduzir alguns algoritmos relacionados com problemas de decidibilidade sobre subgrupos finitamente gerados (f.g.) de um grupo livre (por exemplo, para determinar se um determinado subgrupo f.g. é normal, ou se dois subgrupos f.g. são conjugados).
O objetivo deste projeto é estudar estas ideias.: o conceito de grupo livre, construir a correspondência bijetiva e usá-la para deduzir resultados e algoritmos sobre grupos livres.
Estudante do Mestrado em Matemática
Projecto 8 - Estudo dos prados comuns e dos reticulados dirigidos
Na matemática clássica, não faz sentido dividir por zero. Existem muitas ”provas erradas”, como por exemplo, aquela em que se prova a igualdade 1 = 2, onde o erro consiste precisamente numa divisão por zero. Uma forma de contornar esta limitação é abandonar algumas propriedades algébricas habituais, como a lei do corte, e permitir que 0·x seja diferente de 0.
Existe uma estrutura algébrica, denominada “prado”, em que faz sentido dividir por zero. Estes prados foram introduzidos em 2006 por Bergstra e Tucker como estruturas algébricas com duas operações, adição e multiplicação, nas quais as operações têm inversas totais.
Para este projeto, vamos concentrar-nos nos “prados comuns”, introduzidos em 2015 por Bergstra e Ponse, onde o inverso de zero é igual a um elemento máximo que é absorvente para as duas operações.
Em particular, 0·x pode diferir de zero.
Estudaremos os pré-prados, uma estrutura algébrica que satisfaz as
propriedades dos prados comuns, excepto as relacionadas com o inverso. Em seguida, veremos que todos os pré-prados são uma união disjunta de anéis comutativos unitários e que, sob certas condições, podem ser estendidos aos prados comuns de forma essencialmente única. Por fim, estudaremos a relação dos prados comuns com um tipo particular de reticulados de anéis, que designaremos por reticulados dirigidos.
Estudante do Doutoramento em Matemática
Projecto 9 - Teoria dos Números transcendentes
A medida de irracionalidade de um número real quantifica quão bem esse número pode ser aproximado por fracções racionais. Intuitivamente, mede até que ponto existem aproximações inesperadamente boas por razões entre inteiros, isto é, aproximações muito mais precisas do que aquilo que seria normalmente de esperar. Números com medida de irracionalidade pequena resistem a aproximações racionais excepcionalmente boas; números com medida elevada admitem aproximações invulgarmente eficazes.
Neste contexto, os números quadráticos, como a raiz quadrada de dois ou a razão de ouro, têm a medida mínima possível entre os irracionais e são, num sentido rigoroso, dos números mais difíceis de aproximar por fracções. Mais geralmente, um célebre teorema de Roth mostra que todos os números algébricos irracionais partilham esse mesmo comportamento mínimo. Já no caso de números transcendentes, o panorama é muito mais variado: o número de Euler, também tem medida mínima, enquanto existem números transcendentes especialmente construídos, como os números de Liouville, cuja medida de irracionalidade é arbitrariamente grande.
Do ponto de vista geométrico e probabilístico, surge um contraste notável. O conjunto dos números cuja medida de irracionalidade excede ligeiramente o valor mínimo, por exemplo valores do tipo dois mais epsilon, tem medida de Lebesgue nula, ou seja, é invisível do ponto de vista probabilístico: escolhendo um número real ao acaso, a probabilidade de pertencer a esse conjunto é zero. No entanto, esse mesmo conjunto continua a possuir estrutura fractal rica, sendo a sua dimensão de Hausdorff dada explicitamente por uma expressão simples em função desse parâmetro. Assim, conjuntos excepcionais podem ser simultaneamente raros e geometricamente complexos.
Finalmente, uma das facetas mais elegantes desta teoria é que se podem construir números com praticamente qualquer medida de irracionalidade desejada. Usando fracções contínuas e escolhendo cuidadosamente os seus coeficientes, é possível controlar a qualidade das aproximações racionais sucessivas e produzir exemplos explícitos com determinado comportamento. Os pré-requisitos são triviais, mas é necessário bastante proatividade pois é um tema que conjuga ideias clássicas da aproximação diofantina e as suas aplicações a geometria fractal e teoria dos números.
Alumnus do Mestrado em Matemática
Projecto 10 - Grafos Métricos: Uma Introdução às Redes Geométricas
Os grafos métricos (ou grafos quânticos) são estruturas matemáticas que combinam a combinatória de grafos com a riqueza analítica das equações diferenciais em intervalos. Surgem naturalmente como modelos para redes físicas e biológicas — desde redes de transporte e circuitos eléctricos a estruturas moleculares e vasculares — e constituem um campo activo de investigação em análise, geometria e física matemática.
Neste projecto, será introduzido o conceito de grafo métrico, explorando as suas propriedades geométricas e espectrais elementares. Em particular, estudaremos como definir e calcular a distância média num grafo métrico — um funcional que captura informação global sobre a geometria da rede, com interpretações naturais em termos de eficiência e conectividade — e exploraremos as suas ligações à teoria espectral de Laplacianos.
O projecto combina geometria, análise e álgebra linear, sendo acessível a alunos do 2.º ou 3.º ano de licenciatura com conhecimentos básicos de análise real e álgebra linear.
Estudante do Doutoramento em Matemática
Projecto 11 - O que é que a Lógica e o Pictionary têm em comum?
É comum que, ao ouvirmos falar em lógica, sejamos imediatamente remetidos para axiomas, regras formais de inferência e tabelas de verdade.
A realidade é que existem várias maneiras de caracterizar uma lógica semanticamente. Dois dos paradigmas mais comuns são a Semântica de Modelos, baseada em estruturas e valores de verdade, e a Semântica Prova-Teórica, onde o significado dos conectivos é dado em termos de demonstrações. Uma outra opção é a Semântica de Jogos.
O objetivo deste projeto é exatamente explorar como a Semântica de Jogos pode ser utilizada para determinar a validade de fórmulas em Lógica Clássica, comparando esta abordagem com outros paradigmas semânticos. Vamos também investigar o que torna um jogo ”intrinsecamente” clássico e de que forma podemos introduzir pequenas modificações que permitam descrever outras lógicas, como a lógica intuicionista.
Estudante do Mestrado em Matemática
Projecto 12 - O espaço projectivo complexo através da co-homologia
Os espaços projectivos são objetos matemáticos ricos que estabelecem ligações entre Algebra, Análise, Geometria e Topologia.
Tendo surgido naturalmente no contexto da Geometria Projectiva do século XIX, o estudo destes objetos adquiriu novos contornos com o desenvolvimento da teoria da co-homologia no século XX. Em particular, o cálculo do anel de co-homologia do espaço projectivo complexo, constitui um dos exemplos mais importantes da interação entre estas estruturas geométricas e invariantes algébricos.
Neste projeto serão introduzidos os espaços projectivos complexos e as ferramentas básicas de topologia algébrica necessárias para o seu estudo.
Após a definição dos conceitos de grupo de co-homologia e produto cup, será desenvolvido o cálculo do anel de co-homologia do espaço projectivo complexo dimensional de dimensão n.
O objetivo é proporcionar uma introdução acessível à forma como invariantes algébricos permitem descrever estes espaços geométricos, ilustrando a relação entre geometria e topologia na matemática moderna.
Alumnus do Doutoramento em Matemática
Projecto 13 - A digression towards dynamical systems
Dynamical systems theory studies the qualitative and asymptotic behavior of systems evolving under deterministic laws, at the intersection of analysis, geometry, topology, and probability. This course offers an introduction to discrete dynamical systems through the study of iterated maps and their fundamental properties, including orbits, invariant sets, recurrence, and topological conjugacy. Classical examples such as circle rotations, the doubling map, and the Smale horseshoe serve as guiding models illustrating the rich range of phenomena arising in discrete dynamics, from quasi-periodic motion to hyperbolic dynamics and chaos. Particular emphasis is placed on developing mathematical intuition while introducing some of the central concepts and techniques of modern dynamical systems theory.