Em decorrência da escassez de fontes primárias sobre o período, associada a uma perspectiva historiográfica brasileira que durante muito tempo privilegiou o estudo das regiões que se destacavam pela expressiva produção açucareira, a história colonial do Espírito Santo é tradicionalmente marcada por estar quase sempre à margem dos estudos referentes às capitanias brasileiras. Nesse sentido, era comum encontrar análises que colocavam a capitania como pouco importante no contexto do funcionamento da lógica colonial. Trabalhos recentes, entretanto, vêm empenhando-se em refutar essa ideia tradicionalmente aceita pela historiografia, visando obter e divulgar um maior conhecimento acerca do funcionamento e desenvolvimento do Espírito Santo nesse período, que além de tecer relações com inúmeras capitanias vizinhas e semelhantes na dinâmica colonial, também tinha sim seu lugar no contexto do Brasil colônia.
Nessa perspectiva da história do Espírito Santo colonial, escolhemos apresentar a história da terceira capitoa do Espírito Santo e única mulher a governá-lo - Luísa Grimaldi. Fato curioso é a ortografia de seu nome, que é um tanto quanto imprecisa, podendo aparecer na forma de Luísa/Luiza Grimaldi, Grinaldi ou Grinalda. Assim, buscamos trazer à tona a memória da figura feminina que quase sempre não é lembrada, e quando é, encontra-se fortemente atrelada a Vasco Fernandes Coutinho Filho, que embora tenha sido seu marido, não pode e nem deve resumir a história de Luísa. A história da capitoa, nesse sentido, deve ser orientada pelos seus significativos feitos na capitania, que inclui a luta contra invasores estrangeiros e a contribuição para a formação de um dos maiores pontos turísticos do estado até hoje - o Convento da Penha - entre outras coisas. Logo, ressaltamos que Luísa possui um importante papel na história do Espírito Santo e da colônia como um todo, visto que foi uma das primeiras mulheres a governar uma capitania no Brasil.