Sou uma paulista apaixonada pelas Minas Gerais. Filha de mãe boa e mãe de filhos amados. Estive distraída fazendo umas coisas por aí e agora já tenho 50 anos. Sinto que demorei a chegar em Virgínia, mas foi um percurso bonito. Talvez por isso agora eu esteja com tanta fome: lendo e escrevendo com Virgínia Woolf, junto a mulheres incríveis, escritoras e artistas que me incentivam e inspiram. Da escritora que sou (tenho insistido mais nessa legenda), o que precisam saber é que eu sinto muito. Cada coisa eu sinto muito. E que isso é tão aterrorizante quanto libertador; e poético também. Poemas, passos, linhas, curvas, giro, verso e prosa; nessas manifestações é por onde escorre minha fome de viver. Minha escrita, assim como eu, nasce meio escondida, meio inesperada. Ela me escapa como se precisasse viver, como se dissesse: estou pronta e inacabada e já vou indo. Eu correndo atrás, venha cá, sua menina, enquanto ela vira a esquina, não sem antes rir para mim, de pirulito na boca. Não tenho pronto um método de escrita, não sei que gênero propago e talvez eu nunca escreva um romance, porque sou explosiva. Mas uma coisa eu sei e vou contar: gosto de quando escrevo. E isso me faz feliz.
Escrevendo com Virginia Woolf © Todos os direitos reservados.