Virginia Woolf, uma das precursoras do pensamento feminista com Um Teto Todo Seu e autora de alguns dos textos mais belos e inovadores da literatura mundial, como Ao farol, Mrs. Dalloway e As Ondas, mostra-se igualmente presente em estampas de camisetas, filmes de Hollywood e colóquios de literatura. Por que ela ainda encontra tanto eco em nós, mesmo após quase um século?
No grupo Escrevendo com Virginia Woolf, discutimos alguns motivos, transitando pelas concepções singulares dessa escritora, que balançaram noções sobre alteridade, criação, memória, meio ambiente, mulher e violência. Emerson (um dos seus escritores favoritos) falou de forma genérica, mas poderia muito bem estar falando de Virginia quando comentou: "No trabalho de um escritor de gênio, redescobrimos nossos próprios pensamentos negligenciados".
Woolf era uma observadora do cotidiano, atenta a tudo o que costuma passar despercebido a você e a mim: as nuvens, a dor e o desejo das relações, as dinâmicas entre flores, caramujos e insetos, as diferenças entre canetas-tinteiro, os prazeres e sofrimentos das festas, as luzes das ruas, as palavras de livros esquecidos nas bibliotecas. Teve a coragem de usar o que lhe acontecia – as impressões sensoriais de sua própria vida – como trampolim para as mais elevadas ideias. Como ela fazia isso? E, acima de tudo, como podemos nos valer disso, um século depois, como leitores e escritores?
Desde o começo de 2024, lemos juntas boa parte da obra de Virginia Woolf – romances, diários, ensaios – desdobrando as muitas conexões entre seus textos e explorando a forma singular como ela articulava escrita e criação. Mergulhamos nas suas ideias sobre escrever. Escrevemos nossos próprios textos a partir de nossas reflexões e experiências. E, acima de tudo, caminhamos – essa atividade tão woolfiana! – pela incrível disposição que ela possuía para assumir riscos, experimentar com ousadia, estar atenta a si e ao mundo e tratar, em sua ambivalência, as contradições do ser humano, com tudo o que ele tem de mais grandioso e de mais ínfimo: em suas próprias palavras, “o granito e o arco-íris”.
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