Em 1º de agosto de 1939, o Prefeito Dr. Dante Marcucci, fundava na zona sudoeste de Caxias do sul, uma escola isolada Municipal de primeiras letras. A esta escola convergiam crianças da zona, atendendo assim, uma necessidade imperiosa daquela parte do município. Teve a denominação de "Grupo Escolar Municipal Clemente Pinto", em homenagem à grande figura das letras riograndenses o insigne mestre, que foi o professor Alfredo Clemente Pinto.
As primeiras mestras desta escola municipal foram:
O cargo de direção foi confiado a Maria Angela Balen.
O ato inaugural do período letivo de 1943 teve particular relevo, por assinar a passagem do Grupo da esfera municipal para o domínio do Estado, com as vantagens asseguradas em lei ao ensino. Como diretora foi nomeada a professora Nelly Ribeiro e, nesta época, faziam parte do Corpo Discente, oitenta e três alunos.
A Escola está situada à rua Euclides da Cunha, esquina com rua Sarmento Leite, nº 428.
Um dos primeiros levantamentos históricos a respeito da Escola foi realizado em 1971, sob a direção da senhora Yone Maria Fedrizzi Zanettini, que registrou diversos fatos importantes de grande valia para a nossa comunidade escolar. Neste ano de 71, a escola possuía um efetivo de 620 alunos, com 36 professores de letras e 5 especializadas, funcionando num prédio reformado, de modernas instalações, figurando como uma das escolas modelos.
Ata nº 95 de 1/8/1939 Dante Marcucci, Prefeito Municipal de Caxias do Sul, no uso de suas atribuições legais e considerando estar funcionando, na zona sudoeste da cidade, uma Escola Municipal Isolada, de primeiras letras, tornando-se a convergência dos alunos da referida aula quase que obrigatória, por residirem nas imediações e estarem outros estabelecimentos de ensino público, localizados em pontos afastados; considerando que a substituição de uma escola isolada por um Grupo Escolar, traz uma série apreciável de benefícios em prol de uma maior eficiência da instrução, não somente pelas facilidades com que serão distribuídos os alunos, em diferentes classes, como também, por obter-se sem dúvida alguma, em aproveitamento mais completo da ação dos professores. RESOLVE:Art. 1º - Fica criado nesta data, na zona sudoeste da cidade um Grupo Escolar Municipal, que terá denominação de Grupo Escolar "Clemente Pinto.A comunidade (em que a escola está inserida) situa-se na zona urbana da cidade de Caxias do Sul, a sudoeste do centro, entre os bairros São Pelegrino e Rio Branco. Ao norte com a rua os 18 do Forte; a oeste com a avenida Rio Branco; ao sul com a Avenida São Leopoldo e a leste com a rua Dr. Montauri.
A Zona Tronca ou Bairro Lusitano (como era chamado na época a região) apresenta-se com algumas elevações, principalmente na parte sudoeste. O centro do bairro fica na parte baixa do centro da cidade. No alto onde situa-se o Grupo Escolar "Clemente Pinto" (atual EEEF Clemente Pinto) avista-se grande parte da cidade de Caxias do Sul.
O Bairro Tronca teve início em 1904, quando Domênico Tronca adquiriu terras na colônia Santa Tereza (Caxias) que iam das proximidades do Quartel até o Parque das Exposições (atualmente chamado de Parque Getúlio Vargas).
Mato dos Tronca era o que todos diziam daquelas terras, e o seu grande desbravador não parou aí; resolveu ele abrir atalhos, fazendo loteamento nesta área enorme. Até há algumas décadas existia no alto dessas terras um pinheiro com vestígios de "ponto de observação indígena".
Abrindo pequenas estradas, Domênico Tronca conseguiu povoar a zona que prosperou muito. Nela fundou uma cantina de vinificação, dando assim trabalho a muitos.
No longínquo ano de 1911, chegou na zona Tronca o 1º grupo de quatro portugueses, para logo depois chegar um grupo maior de cem pessoas, em 1914.
O motivo de todos se reunirem no mesmo ponto foi a atração do emprego na fabricação de barris e no entusiasmo pela terra brasileira. Neste local começaram as primeiras cantinas quando a industrialização do vinho se fazia sentir em Caxias do Sul.
O bairro também foi chamado de Lusitano, pois esses valorosos irmãos lusos, muito colaboraram para o desenvolvimento do mesmo.
A zona Tronca foi prosperando e até se destacou nos esportes com a fundação, em 1917, de um campo de futebol, o antigo e extinto Juvenil.
Em 1926, um núcleo de portugueses fundou o Esporte Clube Lusitano que foi, tempos depois, destruído por um incêndio.
Mais tarde surgiu o Clube Juventus que ainda hoje é ponto de reunião da comunidade local.
Em sua juventude, a Escola Clemente Pinto contou com algumas atividades e atribuições agora já extintos. Entre elas:
Em 2019 a Escola Estadual de Ensino Fundamental Completa 80 anos de atuação, consagrando seu Jubileu de Nogueira. E, ao longo dessa jornada, muitos registros foram documentados pela imprensa e jornais locais. Abaixo seguem alguns destes registros digitalizados:
Desde sua inauguração, a Escola já teve como diretores os professores:
Alfredo Clemente Pinto, o Patrono da Escola, (Porto Alegre, 1854 - 1938) foi um educador, escritor e político brasileiro. Filho do português Clemente José Pinto, teve 11 irmãos e foi o escolhido da família para dedicar-se à Igreja, mas como não era sua vocação, após dois anos, doente dos pulmões, conseguiu a autorização paterna para abandonar a Igreja. Tornou-se educador, dedicando mais de 40 anos de sua vida ao magistério.
Clemente foi eleito deputado estadual, à 21ª Legislatura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, de 1891 a 1895.
Como um grande educador em sua época, Clemente Pinto prestou relevantes serviços ao Rio Grande do Sul. Dedicou quase uma vida inteira à instrução e à educação da mocidade.
Também foi diretor da Escola Normal de Porto Alegre, ajudando na formação de várias gerações de professores. Seu nome até hoje é reverenciado com gratidão e muita saudade, erguendo uma estátua à frente do Instituto de Educação de Porto Alegre (Ps.: Apontamento sendo verificado!).
Alfredo Clemente Pinto nasceu em Porto Alegre no dia 15 de agosto de 1854 e faleceu em 1938, no dia 21 de janeiro. Era filho do casal Clemente José e Maria Emília Pinto.
Ainda pequeno foi estudar na Alemanha e lá fez o curso primário. Sentindo vocação religiosa, viajou para Roma, onde ingressou no Colégio Pio Latino Americano, destinado a estudantes sul-americanos. Fez o curso de Filosofia e formou-se em 1874. Foi obrigado a interromper o curso de Teologia por achar-se doente e regressou ao Brasil.
Chegando ao Rio Grande do Sul, seguiu para cidade de Caxias do Sul, então ainda "Campo dos Bugres", onde permaneceu dois anos, a fim de tratar-se. Fez muitas amizades na cidade.
Em 1878 lecionou no Ginásio São Pedro, lecionando português, latim e alemão. Iniciou deste modo sua vida no Magistério, dedicando-se durante 40 anos.
No ensino público, o Professor Clemente Pinto teve uma brilhante carreira. Clemente foi nomeado professor interino da Escola Normal, assumindo, mais tarde, a Direção da mesma Escola. Foi também Diretor da Instrução Pública da Província do Rio Grande. Com a criação da Escola Complementar, posteriormente renomeada como Instituto de Educação Flores da Cunha, o Professor Clemente Pinto lecionou as cadeiras de Português e Alemão.
Quando lecionou português, empolgava-se tanto, que os alunos ficavam contagiados e demonstravam animação e mais confiança em si mesmo.
Alfredo Clemente Pinto foi deputado à Constituição Riograndense em 1891. Trabalhou em jornais e escreveu muitas obras didáticas, como: "Seleta em prosa e Verso", "Leituras escolhidas" e "Língua materna", fazendo também traduções.
E assim viveu o mestre aos seus 84 anos, sempre ensinando, sempre reunindo grupos de alunos que quisessem, como dizia na sua simplicidade, "repassar com ele o seu português e o seu latim".
Essa foi a vida simples e cheia de grandeza do grande professor, que procurou dar tudo de si para o ensino. Cristão fervoroso, sentia que só a doçura da prece sobrepujava o encanto de ensinar.
"ORAI E VIGIAI" - diz o Evangelho. "ORAI, VIGIAI E ENSINAI", recomendava o mestre insigne.
A nenhum outro de seus filhos, deve por certo, o Rio Grande do Sul no setor do ensino, tão altos serviços como ao saudoso Professor Clemente Pinto, uma existência inteira dedicada à instrução e a educação da mocidade.
Alfredo Clemente Pinto foi atacado de tuberculose, que terminou matando-o. Em 1938 falecia este riograndense dos mais beneméritos e cuja nome não pode cair no esquecimento. Foi professor, pintor, poeta, político, escritor e lide convicto. Sua fama, entretanto, deve-se também a um trabalho que ele publicou e que serviu, durante mais de cinquenta anos, como livro de leitura para os riograndenses. A célebre "Seleta em Prosa e Versos", uma preciosa coletânea de obras primas da literatura portuguesa, de grande importância para a escolarização rural.
De acordo com o pensamento da época: chegar a Seleta era como formar-se em nossos dias. Aí se exalta a honra, o cumprimento da palavra empenhada, o amor de Deus e ao próximo, o patriotismo, o conhecimento da História e acima de tudo a dignidade pessoal.
Ao final da vida, afastou-se de Porto Alegre e longe da cidade morreu, afirmando que distante dos pagos se termina morrendo duas vezes.
O brasão da Escola Clemente Pinto foi idealizado e executado pela Professora Rejane Maria Scalabrin Tonioli.
Lembrando que, quando o brasão foi criado, a Escola tinha a classificação de turmas por seriação, de modo a possuir turmas de 1ª a 8ª série do Primeiro Grau (atual Ensino Fundamental).
A simbologia deste emblema traz significados importantes para a comunidade escolar, sendo: