INTRODUÇÃO
Segundo Walter Benjamim, filósofo alemão, “a história faz parte de nossas vidas, porque é do passado que tiramos nossa razão de viver”. É lembrando o que aconteceu que encontramos o sentido de nossa existência. O historiador - responsável pela produção historiográfica - ao estudar a história de um lugar, ele se dedica às experiências humanas resultantes das ações dos sujeitos históricos que habitaram naquele lugar. Histórias individuais que contribuem para a construção de uma história coletiva.
Trazendo essa reflexão para nossa instituição de ensino, a Escola Estadual Adalgisa Bonfim Soares, é de fundamental importância a participação de quem fez e faz parte da escola. Alunos e ex-alunos, professores e ex-professores, funcionários e ex-funcionários e até pais são personagens importantes no resgate e construção de nosso colégio.
À medida que estudamos, trabalhamos, participamos dos eventos, dividimos experiências, somos parte da história do Adalgisa.
Este pequeno histórico não possui a intenção de apresentar uma história definitiva da escola, contudo ele se propõe a elaborar uma interpretação de seu passado. Pois sabemos que o passado é um campo de possibilidades e que outras interpretações surgirão com o passar do tempo.
Apesar dos esforços realizados de forma coletiva para elaboração deste histórico, vários pontos ficaram de fora. Por carecer de mais informações. Possivelmente, leitores mais informados sobre o assunto, confirmarão os dados que apresentamos. Assim também, contestarão nossas informações e apresentarão novas versões. E se isso acontecer, este trabalho atingirá nossos objetivos que são de trazer a história de nossa escola para o presente a fim de ela nunca seja esquecida. Nunca será! Pois as experiências individuais permanecem de forma indelével.
O historiador Eric Hobsbawn disse que “toda história serve para lembrar o que os outros esquecem e não cabe ao historiador registrar a penas o passado, mas principalmente usá-lo como instrumento para refletir sobre o presente”.
Bem vindos à nossa história!
UM POUCO DE NOSSO BAIRRO.
A história de nosso do Conjunto Habitacional Esperança está intimamente ligada à Fazenda Esperança.
A propriedade de mais ou menos 110 hectares pertencia ao advogado João Bastos Neto. Os limites da fazenda eram: ao norte, Estrada do Siqueira; ao leste, Estrada de ferro Fortaleza- Baturité; ao oeste, Avenida Cônego de Castro e ao sul, Rua Raimundo Aristides.
A casa que habitavam os proprietários da fazenda situava-se no terreno situado no final entre as ruas 102 e 103 (onde hoje, se encontra uma quadra esportiva e parte do polo de lazer). O imóvel possuía varanda e diversos cômodos, era grande no comprimento e estreita na largura.
A fazenda possuía três lagoas em seu terreno: A menor, que se localizava próximo aos trilhos (onde hoje s localiza a ETI Irapuan Pinheiro). A segunda lagoa era conhecida como Lagoa do Boi. Era um pouco maior do que a primeira e se localizava na região do polo de lazer do bairro (na região onde fica a Areninha). Já a maior, Lagoa do Jenipapo, se localizava na região que ficava por trás do 6º Batalhão da Polícia Militar. Esta lagoa foi a última a “desaparecer”.
Com a morte do advogado, a fazenda ficou com sua esposa, Julieta Bastos. Anos depois, o terreno foi vendido ao Governo do Estado através da COHAB (Companhia de Habitação – CE), para ser construído um conjunto habitacional, a partir de janeiro de 1980.
A construtora Bandeira de Melo ficou responsável pela limpeza e nivelamento do terreno e outras duas construtoras ficaram responsáveis pela construção das casas e apartamentos. Os primeiros moradores começaram a chegar ao conjunto no final de 1981, mas a inauguração ocorreu somente no dia 1º de maio de 1982 que contou com a presença do governador do estado, Virgílio Távora. Em 2022, o bairro completou 40 anos.
HISTÓRIA DA EEFM PROFESSORA ADALGISA BONFIM SOARES
A Escola de Ensino Fundamental e Médio Professora Adalgisa Bonfim Soares, situada na Avenida da Penetração Oeste, 150 - Conjunto Esperança em Fortaleza é uma entidade educacional integrante da rede de Estabelecimento de Ensino Oficial estando subordinada à Secretaria da Educação Básica do Ceará, sob a orientação do CREDE 21.
Tem por missão assegurar um ensino de qualidade, garantindo o acesso e permanência dos alunos na escola, formando cidadãos críticos, capazes de agir na transformação da sociedade em benefício de todos.
A origem de sua história data de 1982, ano em que teve início suas atividades. Inicialmente suas matrículas foram feitas em 15 de março de 1982 no prédio da COHAB, mais precisamente embaixo de uma árvore, tendo como matriculadoras as professoras: Maria de Alencar Andrade, Maria Giseuda Sales, Maria Hélia Pereira Carlos, Waldimeyre da Silva Chaves Albuquerque. A lembrança deste fato contribuiu muito para que a escola adotasse como cores oficiais o verde e o branco.
Seu projeto de criação com publicação no D.O.E. de 26/03/1982 conforme o decreto nº 15.138 passando a existir oficialmente para a Secretária de Educação do Estado a partir dessa data com o nome de Escola de 1º Professora Adalgisa Bonfim Soares.
Dada a modificação na LDB Lei 9.394/96 a Escola passa a denominação de Escola de Ensino Fundamental Professora Adalgisa Bonfim Soares. Antes da LDB, o Fundamental era conhecido como “1º Grau” e o Ensino Médio como “2º Grau”.
No ano de sua inauguração tinha como instalações físicas 09 salas, uma diretoria, uma secretária, um pátio, cantina, banheiros, funcionando com turmas de 1º a 4º séries.
Pátio da escola do prédio antigo.
Todos eventos da escola se realizavam neste espaço
Espaço que ficava entre os blocos.
Nota-se a presença de árvores que eram presentes no espaço da escola
Modelo de sala de aula do antigo prédio
A escola recebeu o nome Adalgisa Bonfim Soares em homenagem a professora do mesmo nome, pela sua brilhante trajetória profissional.
Conforme decreto nº 27.137 de 14 de julho de 2003 publicado no D.O.E. de 15 de julho de 2003 que versa sobre a implantação do ensino médio, recebeu a atual denominação: Escola de Ensino Fundamental e Médio Professora Adalgisa Bonfim Soares.
Os quarenta anos de sua existência são marcados pelo significante trabalho dos inúmeros educadores (diretores, vice-diretores, coordenadores, professores e funcionários) que por esta instituição passaram ou que ainda executam seus trabalhos. Dentre os diretores podemos citar; Iracema de Alencar, Maria Irene da Silva, Regina Amália Andrade, Luiz Costa de Farias, Adriana Albuquerque Pedrosa, Raul Silva Júnior e atualmente, Rogério Silva Cardoso.
Mérito do desempenho dessas educadoras, a escola situada nas dependências do antigo prédio, infelizmente demolido, contava com uma estrutura física ampliada a saber: 15 salas de aula, 01 centro de Multimeios/biblioteca e laboratórios de informática e ciências, secretaria, diretoria, sala de professores, almoxarifado, depósito da merenda, refeitório, banheiros para ambos os sexos, pátio interno, sala de jogos, um auditório e, posteriormente, tornou-se a única instituição da região a possuir uma academia para atividades físicas equipada com diversos equipamentos.
No ano de 2020, a escola mudou-se para novas instalações físicas, situada na Rua 103, 265, Conjunto Esperança, construídas segundo o padrão MEC e dotada com uma boa estrutura, composta por: 12 salas de aula, refeitório e auditório amplos, sala dos professores, cozinha, secretaria, salas da direção e coordenações 1 e 2, sala do professor diretor de turma, laboratórios de informática 1 e 2, laboratórios de física/matemática e química/biologia.
A Escola funciona nos três turnos atendendo a uma clientela aproximada de 1.500 alunos distribuídos em turmas atendendo o Ensino Médio e EJAs.
FATOS E CURIOSIDADES IMPORTANTES NA TRAJETÓRIA DA ESCOLA:
A denominação “colégio 2” apresenta duas versões. A primeira relaciona-se com a ordem da construção das escolas. Sendo o Irapuan Pinheiro a primeira escola a ter sua construção concluída, o Adalgisa, a segunda, o Maria Margarida, a terceira e o Adélia Brasil, a quarta. Sobre essa origem, não há fontes históricas que confirmam esta informação. Esta versão não se sustenta por entendermos que, assim como as casas e bairro foram construídos simultaneamente, o mesmo pode se aplicar à construção das escolas. O que temos de certo é que o Diário Oficial do Estado da época, que estabelece a criação das quatro escolas, as enumeram da seguinte forma:
1 - Escola de 1º grau Deputado Irapuan Pinheiro;
2 - Escola de 1º grau Professora Adalgisa Bonfim Soares;
3 - Escola de 1º grau Professora Maria Margarida de Castro Almeida;
4 - Escola de 1º grau Professora Adélia Brasil Feijó;
A primeira farda utilizada pela escola (não somente por ela, mas por todas as escolas do bairro no início dos anos 80) era composta por uma camisa branca de botões e uma calça de linho na cor azul. O que diferenciava a farda de cada escola era o bolso na camisa. Nele continha o brasão do Governo do Estado e o nome da escola era escrito em volta do brasão; Tênis eram os mais famosos da época: conga ou kitchute; o bolso do fardamento era adquirido pela própria família do estudante. A partir dos anos 1990, a escola adota uma farda formada por uma calça jeans e uma camisa de algodão branca com gola e manga na cor azul. No brasão da farda anterior continua. No início dos anos 2000, a escola adota o verde e o branco como cores oficiais. A farda continua branca e os detalhes na cor verde. Em 2010, adotou-se o atual emblema oficial com a imagem da águia tendo o sol nascente ao fundo e pousada sobre o livro aberto e a pena, ladeado por duas palmas.
Alunos da escola participando da Marcha Cívica de 1992.
Eles vestem a segunda farda da escola
Alunas vestindo a farda mais famosa da escola – 2003