“Estudar as mulheres é reconstruir a história com os fragmentos que a memória patriarcal tentou apagar , e, desses fragmentos, fazer nascer futuros mais justos, livres e humanos.”
Nas últimas décadas, as pesquisas sobre mulheres têm ganhado amplitude e profundidade, atravessando fronteiras disciplinares e oferecendo novas leituras sobre a história, a cultura, o direito, a política e a espiritualidade. Se, por muito tempo, a figura feminina foi relegada ao silêncio historiográfico, hoje observa-se um movimento crescente de reparação acadêmica e epistemológica, que busca resgatar, compreender e valorizar a presença e o papel das mulheres em todos os campos da sociedade.
Os estudos sobre mulheres não se limitam a uma única perspectiva. Eles dialogam com a História Social, investigando os papéis femininos desde as sociedades ancestrais, passando pelas rainhas e camponesas da Idade Média, pelas vozes perseguidas na Inquisição, até as operárias da Revolução Industrial e as lideranças políticas do século XXI. Ao mesmo tempo, incorporam as análises do Direito, questionando como legislações patriarcais moldaram desigualdades de gênero e como novas construções jurídicas podem garantir equidade.
Na esfera cultural, autoras como Simone de Beauvoir, bell hooks, Angela Davis e Mary del Priore ampliaram a compreensão sobre as identidades femininas, suas subjetividades e resistências, oferecendo bases para investigações interseccionais que articulam gênero, raça, classe e território. Ao lado delas, pesquisas recentes destacam o sagrado feminino, o papel das mulheres nas tradições religiosas e espirituais e os saberes ancestrais preservados por curandeiras, líderes comunitárias e místicas.
Esse campo, em expansão contínua, não apenas resgata figuras históricas, mas também revela as vozes invisíveis das mulheres anônimas, que, de forma silenciosa, ergueram estruturas sociais, educaram gerações e transformaram culturas inteiras. Estudos contemporâneos mostram que compreender a história das mulheres é, na verdade, compreender a história de toda a humanidade, pois não há avanço civilizatório sem a presença delas.
Diante dessa riqueza temática, novos artigos, ensaios e livros estão prontos para nascer: investigações que podem abordar desde as mulheres pré-históricas como primeiras educadoras e gestoras da vida comunitária, até líderes contemporâneas que reinventam a política, a ciência e o pensamento crítico. Pesquisas sobre mulheres indígenas, quilombolas, periféricas e trans ampliam ainda mais esse horizonte, permitindo uma visão plural e decolonial sobre o feminino.
Assim, o estudo acadêmico das mulheres é, simultaneamente, um ato de justiça histórica, uma ferramenta de transformação social e um gesto de reconhecimento do inestimável valor feminino na construção do mundo. Cada pesquisa, cada análise e cada publicação é uma peça fundamental para romper o silêncio de séculos e projetar um futuro mais equitativo e humano.
Em breve, dessas reflexões e investigações, nascerão artigos científicos, livros e coletâneas temáticas, capazes de inspirar novas gerações e consolidar a mulher não apenas como objeto de estudo, mas como protagonista ativa do saber.
Do Silêncio à Palavra: Travessias de Mulheres é um livro que une pesquisa, memória e afeto para recontar a história a partir de quem tantas vezes foi silenciada. Com uma escrita argumentativa e sensível, Erika Silva Chaves e Mariana Giulia Chaves Prates percorrem temas como corpo, maternidade, espiritualidade, saberes ancestrais, cuidado e resistência, escutando vozes de mulheres que ousaram existir para além das normas impostas.
Inspiradas por autoras como bell hooks, Conceição Evaristo, Suely Rolnik, Silvia Federici, Grada Kilomba e tantas outras, as autoras constroem um diálogo entre teoria e vivência, entre o pessoal e o político, entre o silêncio herdado e a palavra libertadora. Cada capítulo é uma travessia, do invisível ao visível, da dor à escrita, do esquecimento à memória.
Este livro não pretende oferecer respostas prontas. Ele provoca perguntas, convida à escuta e reafirma que escrever, para muitas mulheres, é um ato de existência, fé e insubmissão.
Para quem acredita que o mundo pode ser reescrito a partir da escuta, e que toda mulher carrega em si um território de palavras que merecem ser ditas.
Link: https://a.co/d/h47GrwD
de Erika Silva Chaves
Entre o berço e a carreira, entre o cuidado e o cansaço, entre o amor e a culpa — há uma mulher. Invisibilizada, fragmentada, esquecida. Este livro nasce como um convite urgente para repensarmos os papéis impostos à maternidade e às mulheres que, todos os dias, sustentam o mundo em silêncio.
Com uma escrita delicada, firme e profundamente empática, Erika Silva Chaves constrói uma narrativa argumentativa-dissertativa que atravessa corpo, gênero, trabalho, afeto e identidade. Com base em autoras como Silvia Federici, bell hooks, Angela Davis, Michelle Perrot e Djamila Ribeiro, o livro não só denuncia, mas propõe: outra maternidade é possível — aquela que nasce do encontro consigo mesma.
Ser Mãe? não traz respostas fáceis. Mas planta perguntas profundas.
E talvez seja isso que mais precisamos:
um espaço seguro para pensar a maternidade com verdade, coragem e liberdade.
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