A maioria de nós aprendeu na escola que o coração está constantemente respondendo a “ordens” enviadas pelo cérebro na forma de sinais neurais. No entanto, não é tão amplamente conhecido que o coração, na verdade, envia mais sinais ao cérebro do que o cérebro envia ao coração! Além disso, esses sinais cardíacos têm um impacto significativo na função cerebral – influenciando o processamento emocional, bem como funções cognitivas superiores, como atenção, percepção, memória e resolução de problemas. Em outras palavras, não apenas o coração responde ao cérebro, mas o cérebro também responde continuamente ao coração.
O efeito da atividade cardíaca sobre a função cerebral tem sido amplamente estudado nos últimos 40 anos. Pesquisas iniciais analisaram principalmente os efeitos da atividade do coração em uma escala de tempo muito curta – abrangendo, no máximo, alguns batimentos cardíacos consecutivos. Cientistas do Instituto HeartMath ampliaram esse campo de pesquisa ao examinar como padrões de atividade cardíaca em maior escala afetam o funcionamento do cérebro.
As pesquisas do Instituto HeartMath demonstraram que diferentes padrões de atividade cardíaca (associados a diferentes estados emocionais) têm efeitos distintos nas funções cognitivas e emocionais. Durante o estresse e emoções negativas, quando o padrão do ritmo cardíaco se torna errático e desordenado, o correspondente padrão de sinais neurais enviados do coração para o cérebro inibe funções cognitivas superiores. Isso limita nossa capacidade de pensar com clareza, lembrar, aprender, raciocinar e tomar decisões eficazes. (Isso ajuda a explicar por que muitas vezes agimos impulsivamente e de forma imprudente quando estamos sob estresse.) A influência do coração sobre o cérebro durante emoções negativas também tem um efeito profundo nos processos emocionais do cérebro – servindo para reforçar a experiência emocional do estresse.
Por outro lado, o padrão mais ordenado e estável do coração quando experimentamos estados emocionais positivos tem o efeito oposto – facilitando a função cognitiva e promovendo sentimentos positivos e estabilidade emocional. Isso significa que aprender a gerar uma maior coerência do ritmo cardíaco, mantendo emoções positivas, não apenas beneficia todo o corpo, mas também afeta profundamente a maneira como percebemos, pensamos, sentimos e agimos.
Antigamente, acreditava-se que o coração, em repouso, operava como um metrônomo, batendo de maneira regular e constante. No entanto, cientistas e médicos agora sabem que isso está longe de ser verdade. Em vez de seguir um ritmo monótono e previsível, o coração saudável – mesmo em condições de repouso – é surpreendentemente variável, com o intervalo de tempo entre os batimentos mudando constantemente. Essa variação natural e contínua no ritmo dos batimentos cardíacos é conhecida como Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC).
A VFC mede as mudanças no intervalo entre batimentos cardíacos sucessivos. O diagrama abaixo ilustra três batimentos cardíacos registrados em um eletrocardiograma (ECG). Note-se que há uma variação no tempo entre cada batimento, resultando em uma frequência cardíaca diferente (em batimentos por minuto) para cada intervalo entre batimentos.
A variabilidade normal da frequência cardíaca ocorre devido à interação entre os dois ramos do sistema nervoso autônomo (SNA) – a parte do sistema nervoso que regula a maioria das funções internas do corpo.
O sistema nervoso simpático atua acelerando a frequência cardíaca.
O sistema nervoso parassimpático (nervo vago) atua reduzindo a frequência cardíaca.
Esses dois sistemas estão constantemente interagindo para manter a atividade cardiovascular dentro de uma faixa ideal e permitir respostas apropriadas às mudanças nas condições externas e internas. Dessa forma, a análise da VFC serve como uma janela dinâmica para a função e o equilíbrio do sistema nervoso autônomo.
As variações momentâneas na frequência cardíaca geralmente passam despercebidas quando se mede apenas a média da frequência cardíaca (por exemplo, quando um médico verifica o pulso e calcula que o coração está batendo a 70 batimentos por minuto). No entanto, tecnologias como emWave e Inner Balance permitem que uma pessoa visualize em tempo real as mudanças no ritmo do coração, registrando as oscilações naturais e contínuas da frequência cardíaca.
Cientistas e médicos consideram a VFC um indicador essencial de saúde e preparo físico. Como um marcador da resiliência fisiológica e da flexibilidade comportamental, ela reflete nossa capacidade de adaptação eficaz ao estresse e às demandas ambientais.
Uma analogia simples pode ilustrar esse conceito: assim como um jogador de tênis se mantém em constante movimento antes de receber um saque para facilitar uma resposta rápida, um coração saudável permanece responsivo e preparado para reagir quando necessário.
Além disso, a VFC é um indicador do envelhecimento biológico. Quando somos jovens, nossa variabilidade da frequência cardíaca é mais alta. Com o passar do tempo, a amplitude dessa variação diminui. Embora essa redução natural ocorra com a idade, uma VFC anormalmente baixa para um determinado grupo etário está associada a um maior risco de problemas de saúde no futuro e mortalidade prematura. Níveis reduzidos de VFC também são observados em indivíduos com diversas doenças e distúrbios.
A prática regular de técnicas que promovem a coerência cardíaca pode reduzir os impactos do estresse sobre o sistema nervoso e facilitar os processos regenerativos do corpo, ajudando a restaurar a VFC a níveis saudáveis.
Muitos fatores influenciam a atividade do SNA e, consequentemente, a VFC. Isso inclui padrões respiratórios, atividade física e até mesmo nossos pensamentos.
Pesquisas do Instituto HeartMath mostram que um dos fatores mais poderosos na regulação do ritmo cardíaco é o nosso estado emocional. Quando a variação da frequência cardíaca é registrada ao longo do tempo, o formato geral da curva gerada é chamado de padrão do ritmo cardíaco.
O estresse emocional – incluindo emoções como raiva, frustração e ansiedade – gera padrões de ritmo cardíaco irregulares e desordenados. Esse tipo de variação caótica nos sinais do SNA é conhecido como padrão incoerente do ritmo cardíaco.
Fisiologicamente, um padrão incoerente indica que os sinais gerados pelos dois ramos do SNA estão fora de sincronia. Esse fenômeno pode ser comparado a dirigir um carro com um pé no acelerador (sistema simpático) e o outro no freio (sistema parassimpático) ao mesmo tempo – resultando em uma condução instável, ineficiente e desgastante.
Por outro lado, emoções positivas enviam um sinal muito diferente para o corpo. Quando experimentamos sentimentos como apreço, alegria, carinho e amor, nosso padrão de ritmo cardíaco se torna altamente ordenado, parecendo uma onda suave e harmônica. Esse estado é chamado de padrão coerente do ritmo cardíaco.
Quando estamos gerando um ritmo cardíaco coerente, os dois ramos do sistema nervoso autônomo trabalham de maneira sincronizada, e os sistemas do corpo operam com mais eficiência e harmonia. Não é surpresa que emoções positivas nos façam sentir bem – elas realmente ajudam os sistemas do nosso corpo a trabalharem de forma mais sincronizada e eficaz.
A conexão entre coração e cérebro tem um impacto profundo no funcionamento do organismo. A maneira como o coração bate influencia diretamente nossa mente e nossas emoções, e compreender essa relação nos permite usar estratégias para melhorar nossa saúde e bem-estar.
Ao cultivar emoções positivas e aprender a regular a coerência cardíaca, podemos aprimorar nossa resiliência emocional, reduzir o impacto do estresse e melhorar tanto nossa saúde mental quanto física.
Se conseguimos influenciar o funcionamento do nosso corpo por meio de estados emocionais positivos, então cuidar do equilíbrio do coração não é apenas uma questão de saúde física – é também uma ferramenta poderosa para otimizar nossa qualidade de vida.
O Coração Inteligente
Muitas das mudanças na função corporal que ocorrem durante o estado de coerência giram em torno de alterações no padrão de atividade do coração. Embora o coração seja, sem dúvida, uma bomba notável, é interessante notar que apenas relativamente recentemente na história humana—cerca dos últimos três séculos—sua função foi definida (pelo pensamento científico ocidental) exclusivamente como a de bombear sangue. Historicamente, em quase todas as culturas do mundo, o coração foi atribuído a um papel muito mais multifacetado no sistema humano, sendo considerado uma fonte de sabedoria, percepção espiritual, pensamento e emoção. Curiosamente, pesquisas científicas realizadas nas últimas décadas começaram a fornecer evidências de que muitas dessas associações antigas podem ser mais do que meras metáforas. Esses avanços levaram a ciência a revisar e expandir novamente sua compreensão sobre o coração e o papel desse órgão extraordinário.
No novo campo da neurocardiologia, por exemplo, os cientistas descobriram que o coração possui seu próprio sistema nervoso intrínseco—uma rede de nervos tão funcionalmente sofisticada que recebeu a descrição de "cérebro do coração". Com mais de 40.000 neurônios, esse "pequeno cérebro" confere ao coração a capacidade de sentir independentemente, processar informações, tomar decisões e até demonstrar um tipo de aprendizado e memória. Em essência, parece que o coração é realmente um sistema inteligente. As pesquisas também revelaram que o coração é uma glândula hormonal, produzindo e secretando diversos hormônios e neurotransmissores que afetam profundamente as funções do cérebro e do corpo. Entre os hormônios produzidos pelo coração está a ocitocina—amplamente conhecida como o "hormônio do amor" ou da "conexão". A ciência apenas começou a compreender os efeitos dos campos eletromagnéticos gerados pelo coração, mas há indícios de que as informações contidas no poderoso campo do coração podem desempenhar um papel vital na sincronização do corpo humano—e que podem até influenciar as pessoas ao nosso redor.
Pesquisas também demonstraram que o coração é um componente-chave do sistema emocional. Os cientistas agora entendem que o coração não apenas responde às emoções, mas que os sinais gerados por sua atividade rítmica desempenham um papel fundamental na determinação da qualidade da nossa experiência emocional a cada momento. Como será descrito a seguir, esses sinais do coração também impactam profundamente a percepção e a função cognitiva, devido à extensa rede de comunicação do coração com o cérebro. Por fim, rigorosos estudos eletrofisiológicos conduzidos pelo Instituto HeartMath indicaram que o coração parece desempenhar um papel essencial na intuição. Embora ainda haja muito a ser compreendido, parece que as antigas associações do coração com o pensamento, o sentimento e a percepção podem, de fato, ter uma base científica.
Artigo traduzido do ingles, original do HeartMath Institute, eis a mensagem original:
We would love for you to share this article and spread the word on building coherence to create a more heart-connected world! We ask that if you use this article on your site or publication that you please use it in its entirety. Please also include the attribution statement “Article made available by HeartMath LLC. www.heartmath.com“. The content herein may not be modified or altered without written permission from HeartMath. Please send permission requests to support@heartmath.com.
A hipnose tem sido objeto de crescente interesse na pesquisa clínica e teórica devido à sua efetividade em diversas condições psicológicas e físicas. Estudos recentes apontam para um modelo integrativo que incorpora variáveis sociais, culturais, cognitivas e neurofisiológicas para compreender a hipnose e seus efeitos. Este artigo articula os avanços apresentados por Lynn et al. (2015) e Geagea et al. (2024), unificando perspectivas sobre indução hipnótica, sugestão e sugestionabilidade, bem como os processos cognitivos e neurofisiológicos envolvidos. Destacamos que a hipnose não deve ser vista como um estado alterado de consciência separado da experiência cotidiana, mas como um fenômeno dinâmico influenciado por expectativas, motivação e fatores contextuais.
A hipnose tem sido historicamente cercada por controvérsias e interpretações divergentes. Modelos clássicos tendiam a enquadrá-la como um estado especial de consciência, enquanto abordagens mais recentes enfatizam sua relação com processos psicológicos normais. Estudos como os de Lynn et al. (2015) destacam a interação entre sugestão e sugestionabilidade, enquanto a revisão de Geagea et al. (2024) propõe um modelo integrativo que combina variáveis biopsicossociais na explicação da hipnose.
A hipnose é frequentemente estruturada em três fases: indução, aplicação de sugestões e finalização. A indução envolve técnicas que promovem atenção focada e relaxamento. Sugestões hipnóticas podem ser motoras, perceptuais, cognitivas ou afetivas, resultando em alterações subjetivas e objetivas. A experiência de involuntariedade é um dos aspectos centrais da hipnose e pode ser explicada pela interação entre expectativas e processos automáticos. Estudos neurocientíficos indicam que essas experiências são mediadas por mudanças na comunicação entre sistemas atencionais e de controle executivo.
A sugestionabilidade é um traço estável que varia entre indivíduos e pode ser influenciada por fatores contextuais. Geagea et al. (2024) apontam que a aceitação da hipnose depende de atitudes prévias, informação adequada e relação terapeuta-paciente. Lynn et al. (2015) destacam que a dissociação e a alteração na percepção da agência pessoal são fenômenos chaves na experiência hipnótica.
Estudos de neuroimagem mostram que a hipnose envolve modificações na atividade do córtex cingulado anterior e outras regiões associadas ao controle cognitivo e atencional. A revisão de Geagea et al. (2024) destaca que a hipnose pode modular redes neurais, promovendo alterações na percepção de dor e outros processos psicológicos. Lynn et al. (2015) sugerem que esses efeitos são mediados por alterações no monitoramento metacognitivo e na atenção seletiva.
A hipnose é um fenômeno multifacetado que requer uma abordagem integrativa para sua compreensão. Ao combinar perspectivas sociocognitivas e neurocientíficas, este artigo propõe uma visão abrangente que enfatiza a interação entre sugestão, sugestionabilidade e processos neurais. Estudos futuros devem continuar investigando os mecanismos psicológicos e fisiológicos subjacentes, com vistas a otimizar o uso clínico da hipnose.
Geagea, D., Ogez, D., Kimble, R., & Tyack, Z. (2024). Redefining hypnosis: A narrative review of theories to move towards an integrative model. Complementary Therapies in Clinical Practice, 54, 101826. https://doi.org/10.1016/j.ctcp.2023.101826
Lynn, S. J., Laurence, J. R., & Kirsch, I. (2015). Hypnosis, suggestion, and suggestibility: An integrative model. American Psychologist, 70(6), 557–577. https://doi.org/10.1037/a0039410
Cláudio Menéndez, 2025
O biofeedback, como ferramenta complementar e integrativa, emerge como um recurso terapêutico valioso em diversas situações clínicas, tanto antes, durante, quanto após as consultas. Sua aplicabilidade se estende desde a anamnese e entrevista inicial, oferecendo dados quantitativos sobre o estado emocional do paciente, até a avaliação da eficácia do tratamento e o acompanhamento pós-terapia.
Integrado a diversas abordagens terapêuticas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental, a Terapia do Campo de Pensamento, a Experiência Somática, o EMDR e o Brainspotting, o biofeedback atua como um facilitador, ampliando os estados psicofisiológicos e tornando visível o que antes era invisível. Através da monitoração de sinais fisiológicos, como a coerência cardíaca, o biofeedback capacita o paciente a compreender e regular suas respostas corporais, promovendo a homeostasia de forma natural.
O conceito de coerência cardíaca, central no uso do biofeedback, refere-se a um estado de equilíbrio fisiológico em que o ritmo cardíaco se torna mais regular e sincronizado. Esse estado, induzido através de técnicas de respiração e relaxamento, impacta positivamente diversos sistemas do organismo.
A coerência cardíaca promove a ativação do sistema nervoso parassimpático, responsável por funções de repouso e relaxamento. Esse reequilíbrio autonômico desencadeia uma cascata de benefícios fisiológicos, incluindo:
Aumento da saturação de oxigênio no sangue, otimizando a oxigenação cerebral e, consequentemente, a função do córtex pré-frontal, área associada ao raciocínio, planejamento e tomada de decisões.
Treino barorreflexo, resultando na redução da pressão arterial e, consequentemente, no tratamento e prevenção da hipertensão.
Redução da tensão muscular, promovendo relaxamento e alívio de dores crônicas.
Diminuição da frequência cardíaca, contribuindo para a saúde cardiovascular.
Redução dos níveis de cortisol, o hormônio do estresse, através da modulação do eixo HPA (hipotálamo-hipófise-adrenal), com consequente aumento do DHEA, hormônio associado ao bem-estar e longevidade.
O reequilíbrio do sistema nervoso autônomo, proporcionado pela coerência cardíaca, exerce influência direta sobre o sistema límbico, o centro emocional do cérebro. Essa modulação resulta na redução da hiper-reatividade da amígdala e do hipocampo, estruturas envolvidas no processamento de emoções e memórias.
Como consequência, o biofeedback e a coerência cardíaca contribuem para a redução de sintomas associados ao estresse, ansiedade e depressão, além de promoverem melhora na qualidade do sono, redução da hiperatividade e do déficit de atenção. Adicionalmente, o estado de coerência cardíaca favorece a clareza de raciocínio, o aumento da resiliência, a melhora na socialização e no desenvolvimento de habilidades de trabalho em equipe, além de fortalecer a autoconfiança.
Pesquisas inovadoras, como as realizadas por Steven M. Morris nos Estados Unidos e em Singapura, revelam que os benefícios da coerência cardíaca podem se estender além do indivíduo que pratica as técnicas. Estudos sugerem que grupos de pessoas treinadas em coerência cardíaca podem influenciar positivamente o estado emocional de terceiros, mesmo que estes não tenham recebido treinamento.
Essa descoberta levanta a hipótese da formação de um "campo de energia coerente", em que os benefícios emocionais se propagam através da biocomunicação coração-coração. Essa perspectiva inovadora abre caminho para a compreensão de como ambientes positivos, com pessoas em estados emocionais harmônicos, podem influenciar o bem-estar coletivo.
A vida é mantida por meio do controle preciso de variáveis fisiológicas essenciais, como temperatura corporal, equilíbrio de sais e íons, acidez, nutrientes, oxigênio, gás carbônico e resíduos metabólicos. A homeostasia, definida como a capacidade do corpo de manter essas variáveis em condições controladas, é fundamental para a saúde e o bem-estar.
Quando o organismo perde a capacidade de regular essas substâncias de forma eficaz, surge o desequilíbrio, que pode levar ao desenvolvimento de doenças. O biofeedback, ao promover a coerência cardíaca e o reequilíbrio autonômico, contribui para a restauração da homeostasia, fortalecendo a capacidade do corpo de se autorregular.
O estresse crônico, caracterizado pela produção excessiva de cortisol, hormônio liberado em resposta a situações de ameaça, pode ter efeitos negativos em diversos sistemas do organismo.
Níveis elevados de cortisol podem levar a:
Liberação excessiva de açúcar no sangue, sob a forma de glicogênio, com consequente risco de desenvolvimento de resistência à insulina e diabetes.
Quebra de proteínas dos tecidos musculares, resultando em perda de massa muscular.
Quebra de ácidos graxos, contribuindo para o aumento da gordura visceral e resistência à insulina.
Aumento do apetite, especialmente por alimentos ricos em carboidratos, com consequente ganho de peso.
Alterações no trato gastrointestinal, com redução da secreção de IgA e aumento da permeabilidade intestinal, o que pode levar a disbiose e sensibilidade alimentar.
Desmineralização óssea, aumentando o risco de osteoporose.
Supressão do sistema imunológico, comprometendo a capacidade de combater infecções e células cancerígenas.
Redução da atividade do lobo frontal, área do cérebro associada à cognição, memória de trabalho e concentração, o que pode contribuir para o desenvolvimento de depressão e dificuldades de foco.
Danos ao hipocampo, estrutura fundamental para a formação de memórias de longo prazo, o que pode estar relacionado a dificuldades de memória e, em casos mais graves, ao Alzheimer.
Supressão da glândula pituitária, responsável pela produção de diversos hormônios essenciais para o crescimento, desenvolvimento, sono e função da tireoide.
A compreensão dos efeitos do biofeedback cardíaco sobre o corpo e a mente exige uma imersão nos princípios da Neurociência. Pesquisadores têm desvendado os mecanismos por trás da coerência cardíaca, revelando a complexa interação entre os sistemas psicológicos, fisiológicos e funcionais, em um processo que denominamos Integração Neuro-Psico-Endócrino-Imunológica-Pneumo-Cardiovascular.
A Teoria do Cérebro Triuno, proposta por Paul MacLean, oferece um modelo para compreender a evolução do cérebro humano, dividido em três unidades funcionais:
Cérebro Reptiliano: A unidade mais primitiva, responsável por funções básicas de sobrevivência e comportamentos instintivos.
Cérebro Emocional (Sistema Límbico): Responsável pelas emoções, motivações e comportamentos sociais.
Neocórtex: A unidade mais recente, responsável por funções cognitivas superiores, como linguagem, abstração e planejamento.
A amígdala, localizada no sistema límbico, desempenha papel fundamental no processamento de emoções, especialmente o medo. Conectada a diversas áreas do cérebro, como o córtex pré-frontal, o hipocampo e o giro cingulado, a amígdala influencia a modulação emocional, a memória e o processamento de expectativas.
A Teoria Polivagal, de Stephen Porges, complementa essa compreensão, revelando a intrincada relação entre o sistema nervoso autônomo e o comportamento social e emocional. Porges demonstrou como o sistema nervoso autônomo, através do nervo vago, regula as respostas emocionais e sociais, influenciando desde a frequência cardíaca até a expressão facial e o comportamento interpessoal.
O biofeedback, utilizado como ferramenta de pesquisa por Porges, permite monitorar a reatividade do sistema nervoso autônomo frente a estímulos diversos, oferecendo dados objetivos sobre os efeitos de intervenções terapêuticas e auxiliando na mudança de crenças do paciente.
Através do reforço condicionado, o biofeedback capacita o cliente a identificar e modificar padrões psicofisiológicos disfuncionais, promovendo mudanças comportamentais significativas e duradouras.
Em suma, o biofeedback, como ferramenta integrativa, atua como um elo entre o corpo e a mente, facilitando a compreensão e a regulação das respostas fisiológicas e emocionais. Ao promover a coerência cardíaca e a homeostasia, o biofeedback contribui para a saúde física e mental, impactando positivamente o bem-estar individual e coletivo.
Cláudio Menendez, 2024 baseado em artigo da NPT
Segundo a Association of Applied Psychophysiology and Biofeedback, dos Estados Unidos, o biofeedback “é um procedimento mente-corpo que usa instrumentos eletrônicos para ajudar os indivíduos a ganhar consciência e controle sobre processos psicofisiológicos. Procedimentos de biofeedback são usados para orientar o indivíduo na aprendizagem do controle voluntário sobre o corpo e a mente, para ter um papel mais ativo na manutenção da saúde e um nível superior mente-corpo de bem-estar”.
Dentre os vários equipamentos modernos de biofeedback, o que monitora a frequência cardíaca - biofeedback cardíaco - tem se destacado e é atualmente um dos mais usados por psicólogos e psiquiatras para analisar as respostas viscerais que o cliente apresenta em determinadas situações de estímulos frente a eventos e lembranças de intenso conteúdo emocional.
O biofeedback cardíaco tem a competência de mostrar ao cliente toda essa dinâmica de ativação indesejada que ocorre nos estados de ansiedade, estresse, etc. Ao ver, ouvir ou sentir o objeto ou cena da situação temida, ou mesmo uma lembrança intensa do fato, há um aumento imediato da frequência cardíaca. O biofeedback cardíaco serve, portanto, como um instrumento pedagógico e de comprovação científica da alteração que ocorre nesses estados. Por meio de exercícios de biofeedback monitorados no computador, e em tempo real, a pessoa aprende a controlar suas próprias reações: é um aprendizado cognitivo e comportamental da regulação fisiológica. Com a prática desses exercícios, a pessoa vai aprendendo a se conhecer e a se controlar, evitando entrar em pânico devido a hiper-reatividade emocional. Com isso, eventos que anteriormente desenvolviam ansiedade e estresse no sujeito vão gradualmente reduzindo sua intensidade.
A coerência cardíaca é um estado psicofisiológico específico de equilíbrio do sistema nervoso autônomo; é quando ocorre o equilíbrio, ou seja, quando os dois ramos do SNA estão em perfeito equilíbrio e harmonia. E esse estado, que é mostrado no programa de biofeedback cardíaco cardioEmotion (www.cardioemotion.com.br), tem reflexo positivo em todo organismo, mostrando que o cliente está em equilíbrio e não há motivos para ansiedade ou mesmo pânico. O estado de coerência cardíaca também possui efeitos positivos em quadros de asma, em certas arritmias cardíacas, hipertensão arterial, dor crônica, colesterol e glicemia elevados, ajuda o sono profundo, a focar a atenção e na tomada de decisões.
A coerência cardíaca é um estado de equilíbrio mente-corpo observado no programa cardioEmotion Home. No sistema, o sujeito é conectado a um sensor não invasivo e a um computador comum e os batimentos cardíacos são mostrados na tela em forma de ondas sinusais . Quando ocorre desequilíbrio do SNA, conhecido como estado de caos, os batimentos cardíacos aparecem de forma irregular, mostrando falta de harmonia interna.
Para os Psicólogos que seguem a linha cognitiva, o tratamento começa com a educação do paciente: é a fase educativa. É quando o terapeuta e o paciente têm a oportunidade de fazer um check list de sintomas, de avaliar seus medos e eventos relacionados, e entender que um desequilíbrio emocional pode ser a origem de intensas alterações somáticas: é uma resposta exacerbada dada pelo sistema nervoso autônomo mediado pela sensibilidade de certos núcleos nervosos do cérebro. É uma oportunidade de entender que a ansiedade, por exemplo, é uma reação psicológica normal em situações adaptativas, ou de incerteza, frente ao desconhecido, de medos e de inseguranças no futuro. Estas condições podem ser realizáveis ou não, podem ser situações fantasiosas ou imaginárias relacionados a sistemas de crença do paciente. O problema está no excesso de respostas automáticas do corpo.
Numa segunda etapa, o profissional poderá dar mais detalhes da conexão existente entre o sistema emocional e as reações automáticas que envolvem o SNA. Quando uma percepção, real ou imaginária, é aprendida pelo sujeito, ela pode se comportar como um gatilho que dispara reações fisiológicas. Um determinado fato percebido pelos órgãos dos sentidos ou mesmo pensamentos com alto conteúdo emocional é enviado a certas regiões do cérebro (amígdala e hipocampo). Neste percurso, a informação pode demorar cerca de 120 milissegundos. Então, ocorre a reação fisiológica automática liberando hormônios que excitam o organismo, nos deixando em estado de alerta. Isso faz com que haja uma alteração imediata do funcionamento fisiológico do corpo: podem ocorrer reações de aumento do batimento cardíaco, da respiração, etc. Somente depois de 200 a 300 milissegundos a informação alcança as áreas cerebrais onde ocorre sua interpretação real dos fatos.
Ah! Não era uma cobra. Era só uma corda... Então, a excitação corporal tende a voltar ao habitual, com a normalização dos hormônios. Porém, com a repetição desses estímulos, aparece o estresse crônico.
O terceiro passo é a exposição do cliente, de forma gradual e assistida, às situações temidas. São os exercícios de exposição: a fase de enfrentamento. Após o cliente adquirir o domínio sobre aspectos de sua fisiologia relacionada às emoções, ele é exposto controladamente a situações e estímulos geradores do estado de ansiedade: pensamentos, fotos, filmes, sons, sonhos, lembranças e outros gatilhos. Nesse caso o cliente, com treinamento apropriado de autocontrole autonômico, deve apresentar pouca ou nenhuma alteração na frequência cardíaca. Portanto, o treinamento em coerência cardíaca monitorado por biofeedback cardíaco pode ser uma excelente ferramenta complementar-integrativa na redução de ansiedade, estresse e depressão, e suas manifestações (Lehrer, 2007).
Numa próxima fase, o quarto passo, o cliente é estimulado a rever os pensamentos e sistemas de crença que o influenciam negativamente: mais uma oportunidade para o uso do biofeedback. Uma revisão da “força” dos pensamentos tendenciosos ou errados pode ser prontamente realizada. Substituir os pensamentos catastróficos por aqueles que reforcem sentimentos positivos como amor, calma, paz, harmonia, gratidão e compaixão. Eliminar da mente conteúdos negativos de ódio, raiva, inveja, insegurança, ciúmes e todos aqueles que prejudicam nossa paz de espírito.
Uma vez tendo êxito no autocontrole fisiológico, e consequentemente na redução da ansiedade e estresse, é importante manter os exercícios de biofeedback cardíaco com certa periodicidade. Este é o quinto passo.
O biofeedback cardíaco pode ser utilizado de forma complementar-integrativa em hipnose, Brainspotting, Experiência Somática, Psicanálise, EMDR, Terapia Cognitivo Comportamental e demais processos psicoterapêuticos, bem como aqueles que possam emparelhar respostas fisiológicas reflexas a eventos psicoemocionais.
Capítulo 5 do livreto "Como tornar visível o invisível: Visualizando as reações psicofisiológicas por meio de biofeedback" AUTORES: PRISCILA FERNANDES COGHI, NEUROPSICÓLOGA. MARCO FABIO COGHI, FISIOTERAPEUTA. CORTESIA DA NPT – NEUROPSICOTRONICS LTDA
Você já imaginou que seu próprio corpo possui mecanismos naturais para promover equilíbrio e bem-estar? E que, com um pouco de prática e conhecimento, é possível utilizar esses processos para melhorar sua saúde física e emocional?
O biofeedback cardiorrespiratório é uma abordagem inovadora baseada na autorregulação do sistema nervoso autônomo, permitindo que você recupere o equilíbrio perdido devido ao estresse, ansiedade e outros desafios do dia a dia. Mas como isso funciona na prática?
Nosso corpo opera por meio de um sistema nervoso que regula automaticamente funções vitais, como respiração, frequência cardíaca e resposta ao estresse. Quando estamos em equilíbrio, nosso organismo consegue manter a chamada homeostase – um estado de estabilidade fisiológica que favorece a saúde e o bem-estar. No entanto, fatores como preocupações constantes, rotina exaustiva e emoções negativas podem comprometer esse equilíbrio, resultando em sintomas que vão desde fadiga e insônia até problemas cardiovasculares e emocionais.
A boa notícia é que existem técnicas cientificamente comprovadas que ajudam a restaurar essa harmonia interna. O treinamento baseado no biofeedback permite que você observe, em tempo real, como pequenas mudanças na respiração, no foco e na gestão emocional influenciam diretamente seu sistema nervoso. Através de exercícios guiados e personalizados, é possível aprimorar a coerência cardíaca – um estado em que a variação da frequência cardíaca se torna mais ordenada e eficiente, promovendo relaxamento e resiliência.
Estudos mostram que essa prática pode ser útil para uma ampla gama de condições, incluindo ansiedade, depressão, distúrbios do sono, hipertensão e dificuldades de concentração. Além disso, seu uso tem sido documentado em diversos contextos, como hospitais, escolas e até no treinamento de atletas e músicos para otimizar desempenho sob pressão.
Incorporar essa técnica na rotina pode ser mais simples do que parece. Com sessões diárias de poucos minutos, é possível fortalecer sua capacidade de lidar com desafios emocionais e físicos, promovendo um estado de maior clareza mental e bem-estar geral. E o melhor: sem depender de soluções externas, apenas aprendendo a utilizar os recursos naturais do seu próprio corpo.
Em um mundo onde o estresse se tornou um fator quase onipresente, conhecer e aplicar estratégias de autorregulação pode ser um verdadeiro diferencial para quem busca qualidade de vida. A ciência já demonstrou sua eficácia – agora, cabe a cada um de nós explorar essas possibilidades e aproveitar os benefícios que elas podem oferecer.