A incidência de câncer em adultos jovens (aqueles com menos de 50 anos) aumentou em quase 80% desde a década de 1990[1]. Mas o que está impulsionando esse fenômeno?
O aumento do rastreio e da detecção precoce para alguns tipos de tumores, como o câncer de próstata e de tireoide, é parte da justificativa. Entretanto, mais elementos devem ser acrescentados nessa análise, como mudanças do estilo de vida, alterações dietéticas e fatores ambientais ocorridos a partir de meados do século XX, que levaram a mudanças culturais e comportamentais caracterizadas por consumo excessivo de calorias, sedentarismo, pior padrão de sono e exposição a diversos poluentes. As análises de incidência do câncer de cólon, por exemplo, indicam que o alto índice de massa corpórea (IMC) tem correlação com o risco de desenvolvimento desse tumor em qualquer faixa etária; mas o alto IMC combinado a níveis elevados de glicemia de jejum (diabetes) se correlaciona ao risco câncer de cólon ainda mais pronunciado em populações jovens[2,3].
Adolescentes e adultos jovens com câncer passam por mudanças desafiadoras na vida que podem ser significativamente exacerbadas (ou mesmo interrompidas) pelo trauma de um diagnóstico oncológico. Além do suporte que precisam receber durante o tratamento, há a necessidade de adequado manejo dos potenciais eventos adversos das terapias, manter ou mesmo melhorar a qualidade de vida, apoio psicológico e uma relação acolhedora proveniente dos profissionais envolvidos durante a jornada, sempre colocando o paciente no centro do cuidado.
Referências:
1. Zhao J, et al. Global trends in incidence, death, burden and risk factors of early-onset cancer from 1990 to 2019. BMJ Oncology. 2023.
2. Ugai T, et al. Is early-onset cancer an emerging global epidemic? Current evidence and future implications. Nat Rev Clin Oncol. 2022.
3. Gu WJ, et al. The Burden of Early-Onset Colorectal Cancer and Its Risk Factors from 1990 to 2019: A Systematic Analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. Cancers (Basel). 2022.
A preservação da fertilidade e o planejamento da gravidez são prioridades entre as mulheres jovens diagnosticadas com câncer de mama inicial. Pesquisas destacam que, além das barreiras físicas, sociais e psicológicas, as pacientes são confrontadas com grande desinformação sobre a segurança e viabilidade da amamentação após o tratamento do câncer de mama. Embora com produção reduzida de leite, a amamentação é sim possível para as mulheres que realizaram cirurgia conservadora; além disso, também podem amamentar seguramente com a mama contralateral (e uma mama é suficiente para amamentar totalmente um recém-nascido; ou até mesmo gêmeos!).
Os dados de atualização do estudo POSITIVE apresentados em set/24 no Congresso da ESMO, em Barcelona, indicaram que 63% das pacientes amamentaram após o tratamento, sendo que 37% delas conseguiram por no mínimo 6 meses. A amamentação não impactou o intervalo livre de câncer de mama nos primeiros 2 anos, embora um seguimento mais longo seja necessário.
O incentivo à amamentação pode servir como uma experiência positiva a essas mulheres, ajudando a restaurar o senso de normalidade biológica para a mama, assim como auxilia na reintegração das pacientes à vida social e familiar, fortalecendo o vínculo com seus filhos.
O primeiro passo para o diagnóstico do melanoma é o exame clínico feito por um médico. O dermatologista tem papel fundamental nesse quesito. Se houver a necessidade de retirada da pinta, uma biópsia inicial será realizada e uma avaliação anatomopatológica confirmará qual é a natureza da lesão (tumor benigno ou tumor maligno). Após a confirmação diagnóstica, o tratamento será efetivado.
Tratamento do melanoma:
1) Se detectado em estágio inicial, o tratamento será cirúrgico com ampliação das margens da biópsia inicial, eventualmente com necessidade de biópsia do linfonodo sentinela, que é a estrutura de drenagem linfática para onde o melanoma costuma migrar primeiro.
2) A depender da extensão do acometimento (melanoma muito profundo, ulcerado ou com disseminação para linfonodos), o oncologista irá discutir junto com o paciente as possibilidades de acréscimo de tratamentos além da cirurgia, como imunoterapia (via endovenosa) ou terapia alvo (medicamentos por via oral), a fim de reduzir os riscos de recidiva do melanoma, mantendo altas as chances de cura.
3) Nos estágios avançados e com metástase, imunoterapia, terapia alvo, radioterapia ou mesmo cirurgia podem ser discutidas a fim de postergar a evolução da doença e oferecer tanto maior sobrevida quanto melhor qualidade de vida ao paciente.
Prevenção do câncer de pele melanoma:
Reduzir a exposição aos raios ultravioletas, especialmente com protetor solar maior fator > 30. Métodos de barreira como roupas com proteção UV, chapéus, sombrinhas também são úteis. É importante evitar câmaras de bronzeamento artificial.
Os Jogos Olímpicos, realizados a cada quatro anos, congregam atletas de todos os continentes a fim de fomentar a união entre as nações através do esporte. Aproveitando o clima das olimpíadas, é consenso que a atividade física é fundamental para a saúde e bem-estar. Porém, há uma série de benefícios que vão além da perda de peso, como:
1) Prevenção de doenças crônicas, incluindo hipertensão e diabetes
2) Melhor qualidade do sono
3) Redução do estresse, ansiedade e depressão, impactando positivamente no equilíbrio psíquico
4) Aumento do desempenho cognitivo, envolvendo atenção, memória, concentração e aprendizagem
5) Ganho de autonomia na população idosa, reduzindo, por exemplo, o risco de quedas
6) Melhora do convívio social e do vínculo com as pessoas
No caso de pacientes diagnosticados com câncer, o ganho de qualidade de vida para quem realiza atividade física é bastante significativo. A rotina de exercícios incrementa a capacidade aeróbica, o equilíbrio e a força, levando à maior mobilidade e melhora da caminhada. Os pacientes tendem a referir menos fadiga, dor, neuropatia e dificuldade de memória. O exercício como hábito é um importante instrumento contra o estresse, depressão, mudança de humor e do comportamento, especialmente durante o tratamento oncológico.
Sou da geração em que os maços de cigarro já vinham com advertências chocantes. Mas isso não era prática nas décadas anteriores. Nos anos 50, por exemplo, o incentivo ao fumo vinha, acreditem, dos próprios médicos! No Museu da Ciência de Londres, há uma interessante propaganda da época dizendo que "mais médicos fumam Camels do que qualquer outro cigarro". Entretanto, embaixo do velho estetoscópio existem 3 artigos do mesmo período publicados na British Medical Journal indicando a forte correlação entre tabagismo e câncer de pulmão, sendo o último ainda mais impactante, cujo título traduzido é "A Mortalidade de Médicos em Relação ao Hábito de Fumar".
Apesar dos avanços no tratamento dos tumores de cabeça e pescoço e do câncer de pulmão, o desafio para a cessação do tabagismo ainda é grande. Por isso, datas como o 31 de maio são importantes para discutir a prevenção de doenças ocasionadas pelo cigarro e, principalmente, incentivar o tratamento àqueles motivados a parar de fumar.